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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Salvador Mendes de Almeida condecorado com Ordem de Mérito


Salvador Mendes de Almeida foi ontem, dia 10 de Junho, condecorado como oficial da Ordem de Mérito, pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, juntamente com a judoca Telma Monteiro, que recebeu a mesma condecoração.
Como membros honorários da Ordem de Mérito foram também agraciados a Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, a Associação Nacional de Jovens Empresários e a Elo Social - Associação para a Integração e Apoio ao Deficiente Mental Jovem e Adulto.
No total o Presidente da República condecorou 36 personalidades: o sociólogo António Barreto (Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo) , o general Pinto Ramalho (Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo) , o historiador José Hermano Saraiva (Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique), o advogado Lobo Xavier (Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique) , entre outros.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Paraplégica encara o desafio do bungee jumping em Whistler, no Canadá


Içada no alto de uma ponte, uma mulher em uma cadeira de rodas é subitamente jogada sobre da borda por um grupo de homens. Momentos depois, ela solta um grito – mas não pareceu um som de medo. À primeira vista, parece uma brincadeira que deu errado. Mas o desafio era, de fato, a realização de um sonho ao longo da vida para a Christine Rougoor de 25 anos de idade, que sempre quis tentar bungee jumping.
No vídeo de um minuto, Rougoor é vista em queda livre de 50 metros para dentro de uma ravina em Whistler, British Columbia, com sua cadeira afixada a uma corda de segurança de borracha. O impulso da corda elástica joga ela ee a cadeira para frente e para trás, e quando a corda puxa ela novamente para cima, pode ser ver um gesto com polegares para cima, mostrando que o salto foi um sucesso.
O vídeo de parar o coração atraiu mais de meio milhão de visualizações e compartilhamentos no YouTube até agora. Rougoor, que é uma professora do ensino fundamental, se envolveu em um acidente de bicicleta em 2008 que a deixou paralisada da cintura para baixo. De acordo com a CTV do Canadá notícia, ela também quebrou todos os ossos do rosto no acidente.
Mas a busca por emoções não deixou de chegar até ela. Ela apresentou um vídeo para 9lives Aventura, uma empresa especializada em esportes radicais para deficientes físicos, dizendo-lhes por que ela queria uma chance de ir bungee jumping ou motoneve, e ganhou.
Fundador da 9lives, Karim Ladki, que quebrou o pescoço há muitos anos atras, mas que teve sua recuperação completa, disse que começou a empresa para ajudar as pessoas com deficiência viverem um estilo de vida activo e aventureiro. Recapitulando os momentos de adrenalina, Rougoor disse que o seu coração pula cada vez que ela assiste o filme. “Eu faria tudo de novo num piscar de olhos”, ela disse em um depoimento.
Diz a lenda que o Bungee Jump começou quando uma mulher da tribo Bunlap, fugindo do seu agressivo marido, Tamale, escalou uma Banyan Tree (tipo de árvore local) situada nas selvas de Vanuatu, na Ilha de Pentecost. Vendo que ele continuava a persegui-la, rapidamente a mulher amarrou cipós nos tornozelos e saltou, alcançando o solo com segurança. Tamale desesperado saltou em seguida mas, sem o auxílio do cipó como fez sua esposa, morreu na queda.
O Guinness (livro dos recordes mundiais) informa que o maior salto comercial de bungee jump é feito da Bloukrans River Bridge, uma ponte a 40 km ao leste de Plettenberg Bay, na África do Sul. O salto é dado de uma plataforma sob a ponte e a altura de lá até o chão do vale é de 216m (709 pés). O Guinness só registra saltos de plataformas fixas para garantir a precisão das medidas. John Kockleman, no entanto, entrou para o livro após um salto de 2200 pés de um balão na Califórnia, em 1989. Em 1991, Andrew Salisbury saltou 9000 pés de um helicóptero em Cancún para um programa de televisão, patrocinado pela Reebok. A corda atingiu uma tensão máxima de 3157 pés. Ele pousou a salvo de pára-quedas após o salto.
Fonte: Relax

Sobrevivente de ataque a bomba em Londres cria aplicativo para deficientes


Daniel Biddle perdeu as duas pernas, o baço e a visão do olho esquerdo quando um extremista detonou uma bomba no vagão de metrô na estação Edgware, no dia 7 de julho de 2005.
“O que aconteceu comigo em 7/7 me roubou toda a capacidade de ir praticamente a qualquer lugar”, disse o sobrevivente à BBC.
“Posso pensar em inúmeras ocasiões em que precisava encontrar um banheiro ou ir a um restaurante, e foi impossível. Faltam informações úteis para pessoas em cadeiras de roda, dificuldades de aprendizado e problemas de visão.”
Acessibilidade
O aplicativo Ldn Access, criado por Biddle e uma amiga, Tobi Collett, armazena detalhes sobre percursos sem degraus, rampas e instalações sanitárias adaptadas que podem ser encontrados em milhares de locais na capital britânica, como hotéis, teatros, restaurantes, bares, etc.
Através de tecnologia de localização, o programa consegue oferecer informações baseadas na área em que o usuário se encontra. Pode-se escolher uma categoria geral, como restaurantes, e a partir daí refinar a busca, por exemplo, por tipo de comida (indiana, chinesa, grelhados, etc.).
Biddle diz que a dupla criou um aplicativo simples de usar “porque alguém com problemas de destreza, ou artrite nas mãos, pode não ser capaz de digitar palavras muito longas. É simplesmente apertar um ícone na tela”.
O aplicativo tem informações inclusive sobre os locais que serão usados nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Londres, a partir do fim de julho. E funciona sem conexão com a internet, o que significa que mesmo dentro do metrô o usuário pode checar as informações.
“Para checar se as informações estavam corretas, fomos às ruas e visitamos aleatoriamente os locais listados no aplicativo”, conta Biddle. “Tivemos de identificar os locais, entrar nos sites dos lugares, fazer ligações.”
A princípio, o aplicativo roda apenas no sistema operacional iOS, da Apple, mas Biddle e Collett pretendem investir o dinheiro levantado com as vendas originadas na loja da Apple, onde está disponível, para criar versões para Android, Blackberry e Windows Phone, e não só sobre Londres, mas outras cidades britânicas.
“Com esse aplicativo, queremos mostrar que a deficiência física não é um problema, o problema é a falta de acessibilidade”, afirma Biddle. “A tecnologia pode ser excelente para prover independência. Queremos que este ajuda os deficientes físicos a fazer o que quiserem.”
Fonte: BBC 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Carlos Frazão: Gerente de uma empresa de adaptação de automóveis


Carlos Frazão tem 48 anos e é gerente e proprietário da empresa de adaptações de automóveis LeiriAdpat. Ficou paraplégico na sequência de um acidente de viação quando tinha 18 anos. Na altura era mecânico e foi nessa profissão que se manteve. Entretanto criou a sua própria empresa, especializando-se em adaptações de veículos para pessoas com deficiência motora. Conheça aqui o testemunho de Carlos Frazão. 
Associação Salvador (AS): Como é o seu dia-a-dia de trabalho? 
Carlos Frazão (CF): O meu dia-a-dia engloba ser responsável pela minha empresa e também desempenhar funções de mecânico e instalador de comandos auxiliares de condução para pessoas com deficiência motora e transporte das mesmas.
AS: Como surgiu a ideia de criar a LeiriAdapt? 
CF: Esta ideia surgiu pelo facto de eu estar inserido no ramo automóvel como mecânico e mais tarde perceber que este tipo de actividade tinha um grande significado na minha vida. Daí decidi criar uma empresa e estabelecer-me numa actividade pouco praticada mas que devido ao facto de eu próprio necessitar de um carro adaptado me era muito familiar. Foi uma forma de poder melhorar não só a minha vida em termos de independência como também a vida de tantas outras pessoas que se encontram numa situação semelhante à minha.
AS: Quais os produtos e serviços que a sua empresa oferece?
CF: A minha empresa faz instalação de sistemas auxiliares de condução de automóveis para que pessoas com algum tipo de limitação em termos de mobilidade possam conduzir. Instalamos também rampas, plataformas, bancos giratórios, gruas para armazenamento de cadeiras de rodas e outros sistemas de transporte.
AS: Teve algum tipo de apoio por parte do Instituto de Emprego e Formação Profissional para a criação desta empresa?
CF: Não tive qualquer tipo de apoio.
AS: Criou quantos postos de trabalho?
CF: Para além do meu, criei mais dois postos de trabalho. Neste momento tenho um assistente para as adaptações e alguns serviços de mecânica e uma funcionária no escritório.
AS: Teve outros empregos anteriormente. Que funções desempenhava? Pode descrever-nos por favor como tem sido o seu percurso profissional?
CF: Trabalhei como mecânico numa pequena oficina de reparação automóvel até à data do acidente que me provocou a paraplegia em 07-01-1982, obrigando-me a estar ausente desta actividade pelo período de cerca de 2 anos. Depois percebi que não estava totalmente limitado e com a ajuda de algumas pessoas amigas voltei a inserir-me com muita garra e dedicação á mecânica.  Fui então trabalhar por conta de outra pessoa a desempenhar a função de mecânico durante aproximadamente 15 anos. Mais tarde decidi lançar-me por conta própria e abri a minha empresa na altura só como empresa de reparações automóveis. Com a minha dedicação e os meus conhecimentos fiz preparações em alguns jipes para as 24Horas de Fronteira e dando assistência aos mesmos. Mais tarde então sim dediquei-me à actividade que exerço hoje. Depois de vários anos de experiencia como instalador de adaptações automóveis na minha empresa Carlos Frazão decidi á cerca de um ano criar então a Leiriadapt e estabelecer-me maioritariamente nessa área.
AS: Alguma vez sentiu, nas situações que nos descreveu anteriormente, que lhe foi negado o acesso a algum emprego, apenas devido ao facto de ter mobilidade reduzida?
CF: Felizmente não. As pessoas conheciam o meu trabalho e sabiam a minha experiencia e capacidade, por isso nunca tive qualquer problema em encontrar emprego.
AS: Que mensagem gostaria de deixar a outras pessoas com mobilidade reduzida que pretendem implementar o seu próprio negócio ou estão à procura de emprego?
CF: Ponto número um é nunca, de alguma forma, perder o contacto com as pessoas de quem nós gostamos e sentimos que nos apoiam. Depois é não nos inferiorizarmos, seja em que situação for, apesar de sabermos que temos muitos obstáculos pela frente.Também é importante sabermos ouvir a opinião dos outros, principalmente de pessoas experientes ligadas à nossa área de trabalho. E por fim viver um dia de cada vez, sempre o melhor possível e nunca deixar que nos impeçam de seguirmos os nossos sonhos.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Um exemplo de inconformismo e vontade de viver

Um acidente deixou Eduardo Jorge sem sensibilidade do pescoço para baixo. Assume que não é feliz e detesta ser dependente dos outros mas não se resigna ao trágico destino. Recentemente conseguiu um emprego e inscreveu-se no curso de Serviço Social na Universidade Aberta de Abrantes.

“O homem é ele próprio e sua circunstância” diz o filósofo espanhol Ortega y Gasset. E é de um modo desarmante que Eduardo Jorge, 49 anos, tetraplégico, fala sobre si e a circunstância em que se encontra. “O ser humano adapta-se a tudo mas eu não sou feliz. Eu detesto ser dependente e estar numa cadeira de rodas mas faço a minha vida da melhor maneira para não andar por aí pelos cantos a chorar e a ser pessimista”, afirma a abrir a conversa.

A vida fluía naturalmente até às 15h00 do dia 20 de Fevereiro de 1991. Eduardo Jorge, que nunca gostou muito de conduzir, estava ao serviço do restaurante que geria há seis meses quando perto de Alvega, Abrantes, perdeu o controlo do carro, um Renault 5 GTL, e da sua vida.

“Vinha do Gavião para cá e numa recta o carro fugiu totalmente para a esquerda. Foi contra um muro e deu várias cambalhotas e fui projectado por uma das portas para uma vala num terreno das proximidades. O cinto de segurança ainda não era obrigatório na altura”, conta a O MIRANTE no jardim de Concavada, a pacata aldeia onde reside e trabalha.

Diz que não sabe muito bem o que aconteceu e que também não se preocupou muito em saber. Mas recorda-se de ter pedido aos bombeiros para que não o deixassem morrer. Transportado para o Hospital de Abrantes viria a ser transferido, devido à gravidade dos ferimentos, para o Hospital de São José, em Lisboa.

O silêncio dos médicos foi aterrador. “Não me deram a notícia, não sabia de nada. Foi das piores coisas que me aconteceram”, relembra. Finalmente, lembrou-se de perguntar a um dos médicos que o visitava regularmente. A resposta foi avassaladora. “Jovem você partiu a coluna. Nunca mais vai poder andar”, disse o médico, após o que virou costas e foi embora. “Aquilo foi uma bomba para mim”, critica.

Eduardo Jorge viu-se então, com 28 anos, preso numa cama de hospital. Seguiu-se um período de várias reabilitações e um historial de sete operações. Ao fim de um ano conseguiu recuperar alguns movimentos das mãos mas a lesão continua a ser completa, ou seja, não sente nada do pescoço para baixo. “É como uma enxaqueca. Habituamo-nos mas, muitas vezes, as minhas lágrimas banham a minha almofada às três ou quatro da manhã”.

Para abreviar a sua longa história de vida, que conta em capítulos no blogue que criou em http://tetraplegicos.blogspot.com , avançamos até ao momento em que volta a trabalhar no restaurante “Nova Nora” na Concavada, a convite dos patrões, ficando a gerir novamente o negócio, em troca de comida, alojamento e de uma pessoa que cuidava de si. “Fiquei tão feliz com esta oportunidade que me deram”, relembra. As coisas não correram como desejava e passou dez anos fechado em casa, a consumir televisão e a ler todos os livros que havia para ler.

A sua vida muda em 2005, ano em que, graças aos avanços tecnológicos, a Internet se generaliza e chega com mais facilidade à Concavada. “O computador foi a minha salvação”, acredita. Sedento de contacto social, começou por falar com outro tetraplégico. Fez pesquisa, leu toda a legislação que encontrou sobre os direitos que lhe assistiam e criou uma página para divulgar o que ia descobrindo e ajudar outras pessoas na sua situação. Por mês recebe cerca de 20 a 30 e-mails com pedidos de ajuda.

Com um novo ímpeto, lutou incessantemente para conseguir arranjar um emprego à sua medida e, actualmente, trabalha, através da Câmara Municipal de Abrantes, no espaço TIC - Tecnologias da Informação e Comunicação da Concavada, que vai ser inaugurado em Maio. Antes, já tinha enviado e-mails para todas as empresas da região e tentou o teletrabalho mas sem êxito.

Paralelamente, inscreveu-se no curso de Serviço Social, através da Universidade Aberta de Abrantes. “Quero muito tentar ser assistente social. É uma área que me diz muito. Foi muito bom poder testar-me, pôr-me à prova”, testemunha.

Eduardo Jorge, homem de lágrima fácil, tira o domingo para ligar a amigos. Faz com que, do outro lado da linha, sintam o seu abraço. “Temos que saber os nossos direitos na ponta da língua. Eu aprendi muito com os e-mails que recebi porque tinha que procurar resposta para essas dúvidas”, refere.

Ajuda através de blogue

No seu blogue podem ser encontrados vários links que facilitam a vida a quem é dependente dos outros. Anda sempre com o ipad para responder às mensagens. E criou, em 2011, a Associação União do Deficiente Fórum com o objectivo de prestar serviços de apoio de natureza moral, informativo e material a pessoas e grupos que deles careçam, desenvolvendo actividades de promoção e protecção junto do cidadão portador de deficiência. “Estou a trabalhar, integrado na sociedade. Estou a estudar. Estou tão feliz neste momento porque sinto que a minha luta não foi em vão”, conta até ser interrompido pelas próprias lágrimas.

Sistema de quotas de emprego para pessoas com deficiência

Na actual legislação portuguesa encontra-se prevista uma quota de emprego até 2 por cento do total de trabalhadores nas empresas e de 5 por cento na administração pública. Podem beneficiar destas quotas as pessoas com deficiência (orgânica, motora, visual, auditiva, mental ou de paralisia cerebral) com um grau de incapacidade igual ou superior a 60 por cento, que possam exercer, sem limitações funcionais, a actividade a que se candidatam, ou que embora apresentem limitações funcionais sejam superáveis através da adequação ou adaptação do posto de trabalho e ou de ajuda técnica.

Eduardo: acrescento que a UDF foi criada por um conjunto de amigos, principalmente participantes no nosso Deficiente Fórum e não somente por mim. É de todos. Eu sou somente um dos que faz parte da direção.


Fonte: O Mirante

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Simplesmente Carol


Anne Caroline Soares nasceu em Março de 1978, em São Carlos, no interior de São Paulo, no Brasil. Viveu ainda em Rio Claro – também no interior de São Paulo – e Piracicaba, onde frequentou o Colégio CIQ e o Colégio Salesiano Dom Bosco. Veio para Portugal em Março de 1992. Licenciou-se em Comunicação Organizacional pela Escola Superior de Educação de Coimbra, tendo realizado o estágio na estação de televisão TVI em Lisboa. Em Janeiro de 2002 começou a trabalhar como delegada comercial numa empresa em Coimbra. O seu percurso pessoal e profissional alterou-se drasticamente quando em Maio desse mesmo ano sofreu um acidente de viação que a deixou tetraplégica. Teve de reaprender a viver. Fez, então, durante dois anos, um estágio na Biblioteca Municipal de Espinho e esteve outros dois anos no Centro Multimeios de Espinho, onde contava histórias às crianças das escolas. Foi assim que nasceu a vontade de começar a escrever para elas. Surgem os livros Joquinha na Cidade do Miau eJoquinha na Nuvem Mafalda, ambos editados pela Papiro Editora. As atividades de Anne Caroline Soares podem ser acompanhadas no blogue: http://carol-blogspoot.blogspot.com/

Livros & Leituras ─ Viveu toda a sua infância no Brasil, com certeza conheceu um pouco da literatura infantil de lá. Quais as diferenças entre a realidade portuguesa e a brasileira nessa área?

Anne Caroline Soares ─ No Brasil, tenho como referência o grande escritor Monteiro Lobato do Sítio do Pica-pau Amarelo, um clássico da literatura infantil brasileira e cuja leitura se destaca por ser formativa e informativa. Ainda não li em Portugal uma obra infantil com as mesmas caraterísticas que tem a deste autor. Com excepção do Monteiro Lobato não noto diferenças entre os escritores da literatura infantil portuguesa e brasileira.

L&L ─ A literatura, nomeadamente a literatura infantil, teve algum papel relevante no seu desenvolvimento pessoal e profissional, ou apenas ganhou importância quando teve de se relacionar de perto com crianças?

ACS ─ Teve um papel relevante no meu desenvolvimento pessoal, pois quando era criança os meus pais contavam-me sempre muitas histórias. No âmbito profissional, aumentou de importância quando tive um contato mais ativo com as crianças.

L&L ─ É impossível não falar no seu estado de tetraplégica, uma vez que isso fez com que reaprendesse a viver. Nos seus livros, assim como nas actividades que realiza, tenta sensibilizar não só as crianças mas também os adultos para as pessoas com limitações. Acha que pode fazer a diferença?

ACS ─ Só não acho, como tenho essa convicção. E quero que tanto as crianças como os adultos se consciencializem da importância desta causa. Todos podem, de alguma forma, fazer a diferença, mesmo com pequenos gestos no dia-a-dia. Ser deficiente não tem obrigatoriamente de ser sinónimo de incapacidade. E se eu puder contribuir, a trabalhar com as crianças, a formar novas gerações com um espírito e uma mentalidade mais abertos, então, o meu trabalho valeu a pena.

L&L ─ O seu livro Joquinha na Cidade do Miau fala de um gato que fica em cadeira de rodas. Sentiu necessidade de personificar a sua própria experiência no gato para melhor passar a sua mensagem?

ACS ─ Sim. É através do livro que quero passar a mensagem de que os deficientes são tão úteis quanto os não deficientes e por isso devem ter as mesmas oportunidades de trabalho.

L&L ─ Alguma vez notou que o facto de ser tetraplégica foi motivo de discriminação ou de ser preterida nalguma actividade?
ACS ─ Infelizmente já. Por estar tetraplégica julga-se que eu não sou capaz. E é bem ao contrário. Foi prometido e até garantido que seria contratada no Centro Multimeios de Espinho após o término do estágio não remunerado. Até hoje não houve mais feedbackpor parte desta entidade.

L&L ─ Em Joquinha na Nuvem da Mafalda, Joquinha é levado até às nuvens, onde conhece personagens que enfatizam o respeito e a solidariedade. É sua intenção de que todas as histórias que escrever sejam, de alguma forma, moralizantes?

ACS ─ Para já sim. Não quer dizer que não escreva uma história de conto de fadas. Mas acho fundamental educar através das histórias, incentivando a leitura e a educação.

L&L ─ Costuma ir a escolas e bibliotecas. Que importância tem para si o contato com as crianças e com o público em geral?

ACS ─ Importantíssima. É com as crianças que me sinto bem. E o contato com o público é de vital importância para mim, porque necessito de estar com as pessoas, observar o seu comportamento, até mesmo para me inspirar.

L&L ─ Em que outros eventos gostaria de participar no âmbito da literatura?

ACS ─ Feiras do Livro, colóquios, seminários, workshops… Estou receptiva a eventuais convites.

L&L ─ Sabemos que foi difícil editar, apenas o conseguiu porque não desistiu. O que pensa que teria de mudar para ser mais acessível a edição em Portugal?

ACS ─ Maior interesse por parte das editoras em avaliar originais dos autores que ainda não são conhecidos. Além disso, as editoras que se interessam impõem uma importância económica ao autor, muitas vezes, inaceitável. Penso que as condições para com os novos autores deveriam ser bem mais razoáveis.

L&L ─ Ambos os seus livros são ilustrados. Fale-nos um pouco sobre os respectivos ilustradores e que contribuição deram as ilustrações aos livros.

ACS ─ São, e faço questão que sejam ilustrados. Os ilustradores são fundamentais, são eles que dão vida ao texto. O ilustrador do livro Joquinha na Cidade do Miau foi o Ricardo Ladeira, que é aluno da Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Maria de Palma ilustrou o livro Joquinha na Nuvem da Mafalda e é formada pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

L&L ─ Que novos projetos tem para edição?

ACS ─ Tenho o meu terceiro conto pronto, intitula-se Joquinha e a Coruja Felizberta, em que uma das personagens é um menino negro e outra é uma menina “gordinha”, num enredo bem cativante. Uma história para ensinar e encantar os nossos futuros adultos. Procuro propostas para editá-lo. Assim como para os meus outros livros, pois a primeira edição do Joquinha na Cidade de Miau já esgotou.

L&L ─ É natural que continue a manter um vínculo afetivo com o Brasil. Gostaria que os seus livros aí fossem distribuídos?

ACS ─ Sim, e não apenas pelo grande vínculo afetivo que tenho pelo país onde nasci, mas quero que os meus livros cheguem a um maior número de pessoas (não só crianças, mas também adultos).

L&L ─ Depois de ter visitado o site da revista “Livros & Leituras”, que opinião tem deste projecto editorial?

ACS ─ Fabuloso! Fiquei fascinada com a qualidade dos artigos, das entrevistas e de toda a informação literária. É, desde já, um dos meus sites favoritos.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Moda para pessoas com necessidades especiais


A pensar nas pessoas que têm necessidades especiais ou corpos menos convencionais, têm surgido nos últimos tempos algumas marcas que pretendem oferecer acessórios e vestuário adequado. A Downs Designs e a Xeni Collection foram criadas por pessoas que lidaram de perto com a dificuldade de encontrar peças adaptadas às suas limitações.

Em 1990, Ann Oliver trabalhava como arquiteta em Londres, quando lhe disseram que tinha esclerose múltipla. Cedo a doença obrigou-a ao uso de uma cadeira de rodas e perdeu uma grande parte da sensibilidade que tinha nas mãos.

Em Março de 2010, depois de uma depressão provocada pela sua condição física, a inglesa sentiu que tinha tido uma “revelação”: ia “usar as perceções” que a doença lhe ofereceu de uma forma “criativa”, explica na página oficial da marca.

Foi assim que surgiu a Xeni Collection. As roupas são especialmente desenhadas para pessoas com esclerose múltipla, lúpus ou artrite, entre outras limitações físicas.

Peças bonitas e sofisticadas

Apesar de já haver roupa especializada para estes doentes, Ann Oliver quer acrescentar ao mercado algo que é pouco explorado: peças que são funcionais mas, ao mesmo tempo, sofisticadas e bonitas. 

Alguns dos cuidados que a Xeni Collection tem em conta são, por exemplo, a substituição dos fechos por ímanes no vestuário e um corte especializado para pessoas que passam o seu dia sentadas numa cadeira de rodas. Para o futuro há ainda o projeto de criar uma coleção de joias pensada para pessoas que tenham dificuldade em manusear grampos.

Os preços do vestuário variam entre 250 e 550 libras (300 e 660 euros), preço que a criadora admite não ser muito acessível, mas cuja redução está dependente “do sucesso da empresa”.

Tamanhos especiais para pessoas com síndrome de Down

A verdade é que este é um mercado que se tem expandido e alargado nos últimos anos. Também em 2010, a norte-americana Karen Bowersox’s sentiu a necessidade de criar roupa com medidas adequadas ao corpo de uma pessoa com síndrome de Down. A inspiração partiu do acompanhamento do crescimento da sua própria neta, portadora da doença.

Depois de um largo período de pesquisa, e em conjunto com uma designer de moda, Karen criou um novo tamanho, com oito modelos, adaptado à medida de pessoas com síndrome de Down e que começou a aplicar em peças de roupa básicas. Quando tinham os modelos prontos, ambas percorreram o mundo com o intuito de divulgar o projeto, experimentando o vestuário em várias pessoas.

“Ficámos maravilhadas com as transformações”, admitiu Karen em comunicado, acrescentando que “alguns dos pais [das crianças com síndrome de Down] queriam levar as nossas amostras para casa e estavam prontos para as encomendar ali mesmo”.

A empresa expandiu-se entretanto, e emprega várias pessoas com síndrome de Down. Está ainda a trabalhar de perto com a Sociedade Nacional do Síndrome de Down norte-americana.

“O nosso objetivo é de que as pessoas com síndrome de Down tenham roupas com estilo e que se adequem aos seus corpos únicos”, explicou Karen. 

Pode aceder à página oficial da Xeni Collection AQUI e à da Downs Designs AQUI.

Fonte: Boas Noticias

domingo, 11 de março de 2012

Alison Lapper: Conheça a sua história


Alison Lapper nasceu em 7 de abril de 1965, em Burton, Inglaterra. Os pais biológicos e médicos não detectaram nenhum problema, no entanto ela nasceu com uma marca especial para a vida, não tinha braços e pernas e seria menor que o normal.

Em sua infância, Alison foi abandonada por seus pais aos quatro meses de idade. Eles eram trabalhadores de uma fábrica de automóveis, no Condado de Yokshire, e se separaram quando ela nasceu. Ela também tem uma irmã mais velha que mal conhece.

Assim, Alison passou a infância em uma escola cercada por outras crianças deficientes que se assemelhavam a ela fisicamente. “Havia várias crianças sem membros, como resultado da onda da talidomida. Para nós era difícil adquirir o equilíbrio. Não conseguíamos sentar sem cair e não éramos capazes de levantar”, diz Alison sorrindo.

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Desde criança Alison sentia-se desconfortável em usar próteses. Aos três meses tentaram usar esse equipamento em seu corpo. “As pessoas abusam do seu poder sobre as crianças. Na verdade, essas próteses eram para que os adultos se sentissem bem e não eu.”

Quando tinha 12 anos, Alison realmente entendeu que sua infância tinha acabado. “Até então eu estava muito ocupada sendo uma menina. Mas, deixei de ser menina e entrei na puberdade e então percebi a diferença”. Foi difícil para Alison aceitar a forma de seu corpo, pois ela queria ser bonita e sedutora. No entanto, ela aprendeu a se superar.

Aos 19 anos, viajou sozinha para Londres para uma licenciatura em Belas Artes e depois se tornou uma renomada pintora. Ela começou a pintar com a boca aos três anos de idade. Sua pintura foi reconhecida e recebeu a maior honra da Inglaterra, Membro do Império Britânico (MBE) por serviços prestados a arte britânica. O prêmio foi entregue pela própria rainha.

Ao longo de sua vida, ele teve que suportar a rejeição e a exclusão por ser diferente, mas conseguiu ver o lado positivo e seguiu em frente.

Aos 33 anos Alison ficou grávida, mas assim como fizeram seus pais, também foi abandonada pelo namorado. Entretanto decidiu ir em frente apesar das dúvidas e medos de que o bebê herdasse sua deficiência.

Seu filho Parys, tem agora 14 anos. Ela o incluiu em vários de seus trabalhos fotográficos.

“No começo eu estava preocupada com o que iria acontecer com meu filho e disse que um dia Parys se envergonharia de mim”, mas isso não aconteceu”, afirmou Alison.

O artista britânico Marc Quinn fez uma escultura em sua homenagem, intitulada “Alison Lapper Grávida”. A estátua foi colocada em 2005 na histórica Praça Trafalgar Square. Ela foi feita de mármore branco, mede 3,6 de altura e pesa 11,5 toneladas. Ficou no local até 2007 quando foi substituída por outra.

Veja muito mais em Deficiente Ciente

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Osmar Santos, o imortal do rádio esportivo. Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha!


Osmar Santos nasceu em Osvaldo Cruz, interior de São Paulo, em 28 de julho de 1949. Passou a infância em Marília, para onde seus pais Romeu e Clarice se mudaram. Foi também na cidade do interior paulista que começou a trabalhar no rádio, veículo que o tornaria conhecido no Brasil inteiro pelo estilo incomparável nas transmissões esportivas. Era inovador, cheio de jargões e criativo, capaz de ditar moda entre os amantes do futebol e deixar inúmeros discípulos.
No entanto, um acidente ocorrido no dia 22 de dezembro de 1994, na estrada que liga Marília a Lins, no interior de São Paulo, encerrou sua brilhante carreira. Osmar não conseguiu desviar de um caminhão atravessado na pista, fazendo uma manobra irregular. No momento em que o locutor buscava o espaço entre a traseira do caminhão e a margem da rodovia, o motorista do caminhão, bêbado, deu ré.
A quina da carroceria atravessou o vidro da frente do carro, arrebentando o crânio de Osmar, na região frontotemporal acima do olho esquerdo. Com o impacto, o carro só parou depois de despencar numa ribanceira. Ao acordar no hospital, estava com a parte direita do corpo paralisada, conseqüência de traumatismos no cérebro. Após muitas sessões de fisioterapia e fonoaudiologia, voltou a pronunciar palavras, além de ter recuperado parte da coordenação motora.
Mas jamais retornou ao microfone. Atualmente, comanda a equipe de esportes da Rádio Globo de São Paulo, ao lado de seu irmão Oscar Ulisses. Além disso, utilizando-se da mão esquerda, pinta quadros que já foram expostos em inúmeros eventos. Adotada como terapia logo após o acidente, esta manifestação não-verbal o fez receber vários elogios. Suas telas foram avaliadas por mestres da pintura como poéticas, com cores vibrantes e iluminadas.
Osmar fez história em algumas das maiores emissoras paulistanas como Jovem Pan, Record e Globo. Extremamente ágil e tecnicamente perfeito nas narrações, ganhou notoriedade pelos jargões que caíam facilmente na boca do povo, tais como ‘ripa na chulipa e pimba na gorduchinha’, ‘é lá que a menina mora’, ‘é fogo no boné do guarda’, ‘pisou no tomate’ e ‘bambeou mas não caiu’. Sem falar, é claro, do inesquecível ‘iiiiiiii que golllllllllllllllll’, a cada vez que a bola balançava as redes. No auge, chegava a pronunciar 100 palavras por minuto sem engasgar nenhuma vez. A dramaticidade que impunha a cada lance era capaz de prender o ouvinte durante a partida inteira. Conseqüência direta de sua veia poética aguçada. Osmar devorava obras de nomes como Carlos Drumond de Andrade, Camões e Eça de Querós.
Osmar trabalhou também na televisão. Passou pelas redes Globo, Record e Manchete, mas vale destacar sua participação no inesquecível ‘Balancê’, programa de variedades que fez história. Em 1984, ficou conhecido como o ‘locutor das Diretas’ devido a seu engajamento na campanha que pretendia instituir novamente as eleições diretas para presidente do Brasil. Subiu no palanque ao lado de ícones da política nacional como Franco Montoro, Leonel Brizola e Luis Inácio Lula da Silva.
A Copa do Mundo de 2014 poderá prestar uma homenagem a Osmar Santos, considerado um dos maiores narradores esportivos do Brasil. No país, ganha força a campanha para que a bola do Mundial seja batizada com o nome de "Gorduchinha", fazendo alusão à frase "pimba na gorduchinha", um dos vários bordões que "O Pai da Matéria" utilizava durante suas transmissões.
A ideia de criar o movimento foi orquestrada pelo amigo Delen Bueno, que recebeu rapidamente o apoio do próprio Osmar Santos. "Quando terminou a Copa de 2010, na África, eu fiquei com isso na cabeça: 'uma hora vou fazer essa homenagem ao Osmar. Mas guardei. Em dezembro do ano passado, fui almoçar com ele para convidá-lo ao meu casamento. Nisso dei a ideia de colocar o nome de 'Gorduchinha' e ele topou na hora", explicou, em contato telefônico.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ginasta cega esconde deficiência durante competição


"A maioria das pessoas não sabe que sou diferente", diz Lola

Sempre que Lola Walters salta entre as barras paralelas é mais uma ginasta entre muitas. Mas esta norte-americana de 13 anos precisa de se concentrar mais do que todas. Apesar de conseguir ver, Lola é legalmente cega. Mas isso não a impede de competir em provas. E de ser avaliada como todas as outras pelo júri, que não dá pela sua limitação. Foi o que aconteceu na competição American Gymnastics Academy Long Beach Open, este mês – os júris não sabiam que Lola é cega. 

“A maioria das pessoas que compete comigo não sabe que sou diferente delas”, disse Lola citada pelo jornal Daily Mail. “Mas no que me diz respeito pode continuar assim. Se eles não souberem, não precisam de me avaliar de maneira diferente”. 

A ginasta sofre de nistagmo, uma perturbação ocular que provoca a oscilação involuntária dos olhos, o que leva a que veja a dobrar.

“O trabalho no chão não é muito diferente para mim”, disse Lola. “Mas com a trave – que tem 10 centímetros de largura – que já é difícil para andar, quando dou saltos e começo a ver duas traves em vez da que está lá tenho de me equilibrar bem e de estar realmente concentrada”, explica.

Quem sofre de nistagmo consegue ver, mas é considerado cego em termos legais.
“Não gosto do termo ‘legalmente cega’ apesar de ela ser considerada assim. Penso que é depreciativo”, justifica a sua mãe, Beth. “Ela consegue ver. O problema é que tudo o que está à frente dela move-se e ela não consegue ter a percepção das distâncias ou a sua definição”, completa. 

Para contornar as dificuldades, Lola usa mais as percepções que obtém através do contacto dos pés e das mãos nas superfícies. E é isso que faz na barra.

“Já estou bastante habituada. Sei onde está e a partir de que distância tenho de saltar para chegar lá”, diz.
Fonte : Sábado

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Alpinista sem pernas escala o Everest em série do Discovery Channel


O Discovery Channel mostra em sua série "Everest: O Preço da Escalada", as dificuldades enfrentadas por uma equipe de 11 alpinistas --três deles guias profissionais-- para chegar ao cume do Everest. A série de seis episódios ainda registra a histórica escalada do neozelandês Mark Inglis, o primeiro alpinista sem pernas a chegar ao topo da montanha.
Mark Inglis perdeu as suas duas pernas abaixo do joelho em 1982, devido ao frio, quando se encontrava a escalar o Monte Cook, o ponto mais alto da Nova Zelândia, e ficou preso a meio da subida por causa de fortes tempestades. Permaneceu 2 semanas numa cavidade no gelo, lutando pela sua vida, juntamente com o seu companheiro de viagem, Phil Doole. O acidente, contudo, não afastou o neozelandês das montanhas. Em 2004, Mark, para “treinar”, subiu o Monte Cho Oyu, no Tibete, que tem 8201 metros de altitude. 24 anos depois de perder as pernas, Inglis encara um dos maiores desafios de qualquer alpinista e parte para a expedição no Everest com o auxílio de próteses de fibra de carbono. Com este feito, foram angariados centenas de dólares, para um centro do Cambodja, que reabilita amputados, vítimas de poliomielite e outras pessoas com deficiência motora.
Inglis realizou sua histórica escalada entre os meses de abril e maio de 2006, a segunda temporada de alpinismo mais mortífera já registrada na história. Logo no primeiro episódio, vê-se que a escalada do Everest tornou-se uma indústria: o acampamento base, local de onde os alpinistas partem para a escalada propriamente dita, parece mais uma pequena cidade colorida, tantas são as barracas armadas na neve. O número de alpinistas no local é recorde.
Alpinistas experientes misturam-se a outros nem tão preparados, o que aumenta os riscos de acidente e mesmo de morte --na série, o líder da equipe, o neozelandês Russell Brice que há 25 anos leva pessoas ao "teto do mundo", se irrita com um dos integrantes do grupo que teima em não seguir suas instruções, pondo em risco sua própria segurança.
O congelamento das extremidades, como aconteceu com Inglis, é apenas um dos riscos dos aventureiros. A falta de ar --que se torna rarefeito à medida que o grupo avança-- é um dos principais problemas da escalada e surgem os riscos de edema cerebral e ataque cardíaco. Na "zona da morte", acima de 7.930 metros, a temperatura chega a - 40ºC e o nível de oxigênio é 70% mais baixo do que ao nível do mar.
A série também registra momentos em que alpinistas perdem o senso de orientação e começam a ter alucinações. Um médico americano que acompanha o grupo liderado por Russel Brice se sente impotente ao tentar auxiliar um indiano de outra equipe que quase morre durante a escalada. "Não há muito o que fazer. Aqui, só sei um pouco mais do que os outros", diz o médico, enquanto alguns homens abandonam a escalada para levar o companheiro de volta ao acamapamento base.
A dramaticidade da situação é ainda maior, pois resgates com helicópteros são impossíveis na região, já que o ar do local não dá sustentação ao aparelho. E o hospital mais próximo está a oito horas de viagem, em Katmandu, no Nepal. Enquanto o telespectador toma ciência destes dados e acomapanha as dificuldades do grupo, a questão que fica é: por qual razão estes homens se sacrificam tanto e colocam em risco a própria vida? Seria o sentimento de superação e poder? Os breves momentos de êxtase de estar onde poucos estiveram? Talvez. A série não tenta solucionar a questão, mas acompanhar a jornada já vale a pena.
Fonte: 24 Horas News