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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Escola cobra a pais para aluna com trissomia 21 ter terapia


Uma escola de Lisboa passou a cobrar dinheiro aos pais de uma menina deficiente para que esta possa continuar a ter sessões de terapia da fala no estabelecimento de ensino, alegando que os cuidados de saúde não são sua responsabilidade.
Carla Alves, mãe de Joana, uma criança com trissomia 21 de nove anos, disse que a filha "praticamente não consegue dizer o seu nome" e que precisa de terapia da fala "pelo menos duas vezes por semana", uma necessidade que está expressa no seu plano educativo especial.
Até agora, os pais têm pago a terapeuta da fala e têm podido usufruir de uma sala na escola Básica Integrada Vasco da Gama, no Parque das Nações, onde a filha tinha sessões de terapia.
Na semana passada, uma mensagem de correio electrónico "sem assunto" informou os pais de que "a cedência desse espaço passará a ter o custo de 10 euros por hora, caso se mantenha o interesse, caso contrário deixará de ser permitida a entrada da terapeuta".
A directora do Agrupamento de Escolas Eça de Queiroz, a que pertence a Vasco da Gama, Maria José Soares, disse que "a terapia da fala é um cuidado de saúde, não é competência da escola".
"Quando uma criança tem problemas de visão e precisa de óculos, não é competência da escola fornecer-lhe os óculos. Ou se a criança falasse mal porque precisava de aparelho, não era a escola que tinha que lho arranjar", argumentou.
Maria José Soares afirmou que se Joana tem "necessidade de cuidados de saúde que lhe melhorem o desempenho", os pais podem recorrer ao "aluguer de uma sala a um preço tabelado mas com uma atenção especial".
"É UM PROBLEMA DE LOGÍSTICA DOS PAIS"
Carla Alves afirma que os pais recusam pagar, invocando o decreto-lei de 2008 que regula o ensino especial e que estipula que as escolas devem adaptar "estratégias, recursos, conteúdos, processos, procedimentos e instrumentos" para incluir as crianças com necessidades educativas especiais.
A mãe de Joana garante que a filha precisa de terapia da fala para conseguir aprender e desenvolver as suas capacidades de comunicação, afirmando que os relatórios médicos que acompanham o seu processo assim o comprovam.
A directora do agrupamento contrapõe que "é um problema pessoal de logística dos pais, a quem dá jeito deixar a criança na escola e que a terapeuta lá se desloque".
"A nossa obrigação é a educação, não são os cuidados de saúde", reiterou.
Carla Alves afirmou que sem poder pagar a sala, a única alternativa é o pai pedir para sair do emprego durante duas a três horas duas vezes por semana para ir levar a filha a Alvalade ao consultório da terapeuta.
A situação já chegou à Assembleia da República, com o Bloco de Esquerda a questionar o Ministério da Educação sobre as "escolas que cobram pelo aluguer do espaço escolar para fins terapêuticos" e exigindo a sua intervenção para Joana poder continuar as sessões com a terapeuta.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA - 3 DE DEZEMBRO 2011 Mensagem dos cidadãos com deficiência aos membros dos governos de Portugal

Vocês,

Construíram estradas, centros culturais, pontes mas… mantiveram as barreiras nos passeios, nas
escolas, nos edifícios públicos, nos transportes.
Promulgaram uma lei sobre ensino que fala de inclusão mas … criaram turmas “especiais” onde só
estão meninos com deficiência.
São pródigos em discursos onde abundam palavras como inovação, empregabilidade,
sustentabilidade mas … que na prática se traduzem em despedimentos por inadaptação, controlo das
contratações, mobilidade.
Investiram milhões no BPN mas … reduzem em milhões o orçamento da saúde, da educação, da
justiça.
Concederam-se chorudas pensões vitalícias que podem acumular com vencimentos no sector privado
mas …legislaram a suspensão da pensão social de invalidez a quem ganhar mais de 167,69 euros.
Mantiveram os benefícios fiscais da banca mas …reduziram os benefícios fiscais aos trabalhadores e
reformados com deficiência.
Agora exibem-nos um Programa de Emergência Social que confirma a nossa condição de pobres.
Caridosa e apiedadamente vão-nos distribuir alimentos e medicamentos em fim de prazo, bastando
para tal que façamos prova da nossa qualidade de indigentes.
Estamos certos que esperam o nosso reconhecimento e gratidão.
Mas não, nós pessoas com deficiência não vos estamos reconhecidos. Vocês defraudam as nossas
expectativas. Mantêm, no geral, os obstáculos à nossa inclusão na sociedade. Impedem-nos de fazer
parte do desenvolvimento da sociedade. Relegam-nos para um plano secundário, indiferentes às
nossas propostas, às nossas soluções. O resultado é que a nossa actual situação é a de sempre:
marginalizados, isolados, pobres.
Usando do atributo de cidadãos de pleno direito que a Constituição da República Portuguesa nos
confere, acusamos-vos:
De não respeitarem a lei
Não honrarem os compromissos internacionais que assumiram
Malbaratarem os recursos que tiveram à vossa disposição
E exigimos práticas e políticas que garantam o pleno e igual gozo de todos os direitos humanos e
liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência e o respeito pela sua dignidade
inerente.
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE DEFICIENTES
“Juntos por um mundo melhor: incluir as pessoas com deficiência no desenvolvimento” lema das Nações Unidas - 2011
Fonte : http://www.apd.org.pt/

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Paramiloidose: doentes organizam concentração para exigir acesso ao Tafamidis



Os doentes com paramiloidose reúnem-se no sábado, numa acção pública, para "apelarem" às autoridades de saúde nacionais o acesso ao Tafamidis, um medicamento que evita o transplante hepático, avança a agência Lusa.

A acção pretende "sensibilizar os políticos" para esta questão, porque o que está em causa "são vidas humanas", disse à Lusa Paula Dourado, da Póvoa de Varzim, a quem foi recentemente diagnosticada a doença.

"Precisamos do medicamento, é urgente e não podemos deixar que as pessoas morram", sublinhou.

Com a designação comercial de Vyndaqel®, o fármaco foi aprovado em Julho pela Agência Europeia de Medicamentos, mas agora a Comissão Europeia e Portugal, através do Infarmed, vão validar esta aprovação.

Se for totalmente comparticipado, o fármaco custará ao Estado cerca de "120 mil euros anuais por doente", disse à Lusa, recentemente, o presidente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP).

O transplante custaria "400 mil euros" por doente, mas com um "elevado número de riscos associados, porque há 20 por cento de probabilidade de os transplantados morrerem", explicou ainda Carlos Figueiras.

Numa primeira fase, o Tafamidis evitará o transplante a 100 doentes.

Há vários meses à espera de uma decisão, os doentes dizem-se "angustiados", porque não entendem que haja países onde o medicamento foi disponibilizado, como "França, Espanha, Luxemburgo e Itália" e, em Portugal, esse acesso "continua a ser negado", disse ainda Paula Dourado.

Também Rui Antunes, de Lisboa e doente com paramiloidose, lamenta que o Governo se mantenha "irredutível em adquirir o Tafamidis ao preço que está a ser praticado noutros países da União Europeia".

Esta semana, um grupo de doentes reuniu, em Lisboa, com o secretário de estado da Saúde, Manuel Teixeira, mas vieram de lá "muito desiludidos" pelo facto de, em cima da mesa, ter estado apenas "o preço do medicamento", disse Paula Dourado.

A também solicitadora não entende "o argumento da crise e do regime de contenção de despesas, quando se fala da saúde e mesmo da vida das pessoas".

"Vejo milhares de euros a serem gastos por má gestão e não aceito que me recusem o tratamento", conclui.

A Lusa contactou os presidentes de Câmara da Póvoa de Varzim, Macedo Vieira (PSD), e de Vila do Conde, Mário Almeida (PS), municípios onde se regista o maior número de doentes em Portugal, que disseram estar "ao lado" dos doentes e sublinharam ainda a necessidade do o Governo ser "sensível" a questão".

Por isso, vão estar presentes no sábado, a partir das 14:30, junto à sede da APP, na concentração agendada pelos doentes com paramiloidose.

Conhecida como a “doença dos pezinhos”, a paramiloidose é uma doença neurológica, rara e sem cura, que se manifesta entre os 25 e 35 anos e é transmitida geneticamente, tendo como principais sintomas grande perda de peso, de sensibilidade e de estímulos.

Afecta os membros inferiores, alastrando-se, depois, para os superiores, causando perturbações a nível dos sistemas digestivo e nervoso e ainda problemas cardíacos.

Em Portugal existem cerca de duas mil pessoas com esta patologia, mas há mais seis mil casos assintomáticos.

Todos os anos surgem 100 novos casos.

domingo, 23 de outubro de 2011

Deficientes levam exigências ao Parlamento


A Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes (CNOD) decidiu hoje, num encontro realizado em Coimbra, apresentar à Assembleia da República um conjunto de reivindicações, incluindo a actualização das reformas «mais baixas».Numa moção aprovada esta tarde, no final do 20º Encontro Nacional de Deficientes, a CNOD exige «a actualização das pensões e reformas mais baixas, de velhice e invalidez, e a revalorização do conjunto das reformas» no âmbito do sistema público de Segurança Social.
«Exigimos o reforço dos apoios financeiros por via do Orçamento do Estado de 2012 para a CNOD e a organizações de pessoas com deficiência», no sentido de «repor os cortes registados nos últimos anos».
Subordinado ao tema 'Em defesa das pessoas com deficiência e suas organizações – Reforçar a unidade para agir e vencer', o encontro reuniu cerca de 200 pessoas de vários pontos do país, no auditório local do Instituto Português da Juventude.
Os participantes realçaram, também, a importância de «defender os direitos dos militares deficientes» e de «dar resposta às necessidades específicas das diversas deficiências orgânicas».
«Exigimos uma actualização das pensões dos sinistrados de trabalho que reponham o poder de compra perdido, cuja actualização não seja condicionada pelo défice das contas públicas, mas que tenha em conta o lucro das seguradoras», lê-se no documento aprovado.
A CNOD defende que «sejam repostos os docentes do ensino especial na escola pública», no sentido de garantir «o apoio às necessidades especiais das crianças e jovens».
Uma «adequada protecção das pessoas com deficiência no desemprego e na revogação das medidas que põem em causa o papel do emprego protegido no actual quadro económico e social» foi outras das exigências deste encontro da Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes.
Os participantes rejeitaram, por fim, a extinção do Conselho Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência e reclamaram a participação das associações «na monitorização da Convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência».
Aos trabalhos, que terminaram às 16h30, seguiu-se um desfile simbólico na Baixa de Coimbra, entre a praça 8 de Maio e o largo da Portagem.
Lusa/SOL

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

«Criar e Aprovar o Estatuto do Doente Crónico, tal como a Tabela Nacional de Incapacidade e Funcionalidades da Saúde»



Vamos entregar a petição «Criar e Aprovar o Estatuto do Doente Crónico, tal como a Tabela Nacional de Incapacidade e Funcionalidades da Saúde» (http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N2218), que conta com mais de 10000 subscritores, na próxima terça-feira, dia 27, às 16h no gabinete da Sua Excelência Vice-Presidente da Assembleia da República, Dra. Teresa Caeiro.
Se ainda não assinou, assine. Ajude-nos a divulgar esta petição que é para TODOS, doentes crónicos e seus familiaresO seu apoio é fundamental. Envie este email aos vossos contactos. Gostaríamos de ultrapassar os 10 mil subscritores para mostrar a nossa inequívoca vontade em alterar o estado das coisas.
Para assinar esta petição tem de ir a: www.peticaopublica.com/?pi=P2010N2218. No fim do texto da petição encontra um ícon (rectângulo) onde deve clicar para assinar a petição. Vai aceder a um novo ecrã para o preenchimento dos seus dados. O nome completo, email e o nº do Bilhete de Identidade são de preenchimento obrigatório. No fim da página, encontra outro ícon para assinar.
Um doente crónico para ver reconhecida a sua situação tem de solicitar um atestado multiusos. Contudo, porque não existe uma Tabela Nacional de Incapacidade e Funcionalidades da Saúde, a avaliação de incapacidade é calculada de acordo com a Tabela Nacional de Incapacidades. Em Portugal, as juntas médicas, ao atribuírem os diferentes graus de incapacidade, utilizam uma Tabela que se aplica às doenças profissionais e acidentes de trabalho e viação. Esta situação cria muitas injustiças e não salvaguarda os doentes crónicos pois, para as mesmas doenças, podemos ver aplicados critérios diferentes. É esta a razão que nos leva a entregar a petição.
Com os nossos prezados cumprimentos,
Plos primeiros subscritores,
O Presidente da Direcção da TEM


Paulo Alexandre Pereira
(917505375)
(recebido via e-mail)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Presidente da Associação de Deficientes revela não estar surpreendido com desrespeito da lei


O presidente da Associação Portuguesa de Deficientes, Humberto Santos, afirmou em declarações à TSF, que não está surpreendido com o anúncio de que a lei que estabelece quotas de emprego para deficientes estar longe de ser cumprida.
Três deputados do PS que fazem parte do Movimento Humanismo e Democracia concluíram, esta terça-feira, que a lei que estabelece, desde há nove anos, que cinco por cento dos empregos criados devem ser atribuídos a pessoas com deficiência, não está a ser respeitada.
Em 2009, os três deputados pediram dados aos ministérios das Finanças e do Trabalho, e concluíram que, entre as autarquias, foram abertos quase 12 mil concursos, aos quais se candidataram 811 pessoas com deficiência. Apenas 311 foram colocadas, ou seja, cerca de 2,5 por cento.
Para Humberto Santos, «os números não são surpreendentes e isto significa que realmente a quota de emprego publicada desde 2001 não tem tido efeito prático na sociedade portuguesa».
«Aquele efeito promotor de uma imagem positiva de que as pessoas com deficiência têm uma produção igual ou superior aos seus colegas no trabalho, foi um objectivo que, de facto, não passou», explicou Humberto Santos.
De acordo com o presidente da Associação Nacional de Deficientes, a razão do problema é simples, «muito simplesmente, quem legisla, não implementa depois sistemas de avaliação e monitorização, para se perceber se há ou não aplicação da legislação».
«Legislar em Portugal é muito fácil. O que não é fácil é a execução», acrescentou.
Humberto Santos afirmou que espera que a iniciativa dos três deputados socialistas venha a nutrir efeitos e lembrou que o Ministério do Trabalho tem responsabilidades nesta questão.
«Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que o Ministério do Trabalho deve ter aqui uma acção de grande eficácia, de grande agilidade, de grande participação porque estamos a falar, sem dúvida, de uma área da sua responsabilidade, e de uma área que necessita de uma outra dinamização que não teve até agora. Os números falam por si», sublinhou Humberto Santos.
Além de Humberto Santos, o Ministério das Finanças bem como os deputados Teresa Venda,  Maria do Rosário Carneiro e Ricardo Gonçalves defenderam que deve ser o Ministério do Trabalho a promover e divulgar esta lei.

Lei que estabelece quota de empregos para pessoas com deficiência longe de ser cumprida


Os três deputados socialistas que fazem parte do Movimento Humanismo e Democracia pedem ao Ministério das Finanças para criar um modelo que permita avaliar a aplicação da lei e ao do Trabalho para lembrar à administração pública que há um diploma que estipula que cinco por cento dos empregos que sejam criados devem ser atribuídos a pessoas com deficiência.
Durante o ano passado, os três deputados do PS pediram dados aos dois ministérios, também a todas as câmaras municipais e tendo em conta as respostas que receberam concluíram que a lei não está a ser respeitada.
Responderam quase 60 por cento das câmaras, também os ministérios das Finanças e do Trabalho. 
Entre as autarquias, foram abertos quase 12 mil concursos, aos quais se candidataram 811 pessoas com deficiência. Apenas 311 foram colocadas, ou seja, cerca de 2,5 por cento. 
A quota estabelecida pela lei é de pelo menos 5 por cento, o que leva a deputada socialista Teresa Venda a dizer que a lei não está a ser cumprida.
Precisamente porque os modelos variam de acordo com as câmaras - não são uniformes - os 3 deputados socialistas que apresentaram o requerimento querem que seja criado um modelo sistematizado e uniforme de recolha de informação a prestar pelos serviços públicos.
Além do Ministério das Finanças, os deputados Teresa Venda,  Maria do Rosário Carneiro e Ricardo Gonçalves defendem que o ministério do trabalho deve promover e divulgar esta lei. 
Uma lei com quase 9 anos, mas que pela avaliação destes deputados, tem um «fraco grau de cumprimento».    

sexta-feira, 12 de março de 2010

Diferenças

Lembrando-me de uma conversa que tive com uma "colega de estrada" relactivamente à minha entrevista na SIC de dia 9 de Março, senti uma urgência em escrever para explicar aqui uma coisinha ou duas, não em relação à entrevista, mas em relação a algumas das minhas formas de sentir e pensar.
Há uma diferença ENORME entre nascer deficiente e ficar deficiente em adulto, por um motivo qualquer. Quem nasce deficiente cresce com a sua realidade, protegido ou não pela sua rede familiar, aprende a ver o mundo da sua maneira, não conhece nenhuma outra realidade...E todos os programas ou quase todos da Secretaria de Estado da Reabilitação, ou de qualquer site virado para a deficiência tende sempre a priviligear esse "tipo" de deficientes...desculpem a crueza...
Mas os outros, aqueles que como eu ficaram com o mundo do avesso, que tinham sonhos, famílias, anseios, e que de um momento para o outro foi como que se passasse um tsunami pelas nossas vidas, pouco apoio e informação têm. Quem não tem a "sorte" de como eu não ir parar a Alcoitão, que não faz terapia ocupacional, que ninguém lhe explica que novo mundo é este, sente-se terrivelmente perdido. E quando os apoios dependem das seguradoras, porque os acidentes e as incapacidades foram provocadas por terceiros, ainda mais perdidos nos sentimos. E se moram, como eu, fora dos grandes centros populacionais, pior ainda.
 Eu fui bater à porta da Segurança Social quando já tinha chegado ao fundo, porque fui contribuinte durante quase 20 anos, e responderam-me que infelizmente não me podiam ajudar porque a incapacidade tinha sído provocada por terceiros, e a seguradora é que tinha que assumir a prestação de reforma e as ajudas...
Eu só perguntei como seria isso possível, se para a seguradora me pagar uma prestação mensal tive que interpor um processo em tribunal e uma providência cautelar para que o processo não caducasse e um segundo processo para ter direito a indmenização?
E a senhora, de lágrimas nos olhos, respondeu-me que não me podia ajudar, que eu teria de viver do auxílio da família ou de outros...
Não me estou a vitimizar...nunca me vitimizei...Se coloquei aqui alguns desabafos foi por não poder pagar a um psicólogo para o fazer e a escrita para mim é catársica...
Mas não me venham dizer com paternalismos que eu não saio de casa porque não quero, ou que muitos deficientes não o fazem...Quando me explicarem como sem termos carros adaptados, casas adaptadas, ajuda domiciliária, apoio psicológico, podemos ser iguais aos deficientes que assim nascem, eu perceberei.
Até lá, continuo a achar que as diferenças são muitas e não servem a inclusão.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Desabafo II

E já agora, alguém me explica como querem integrar os deficientes e depois todos os materiais que servem para que possamos funcionar como os demais são tão caros que não há orçamento familiar que aguente? Como posso comprar uma cadeira de verticalização que me custa mais de cinco mil euros, com empréstimo há habitação, empréstimo para carro, 4 filhos a estudar...como posso comprar um carro adaptado, se nem tenho reforma? E almofadas anti-escaras? E como posso sair de casa e "distrair-me" se não tenho acesso aos transportes públicos?
Será que uns sapatos normais custam para cima de 2000 euros? Uma cadeira de rodas não são os meus sapatos? Afinal, onde está a igualdade? Como posso fazer compras se não chego às prateleiras dos supermercados, ou não consigo entrar nas lojas?
E já agora alguém me explica porque só aparecem a ser entrevistados na televisão os casos de "sucesso", ou seja, aqueles que ultrapassaram e andaram para a frente porque tinham dinheiro que sustentasse os preços absurdos dos materiais de adaptação e integração?
Realmente, o meu sonho não é fazer mergulho, ou pilotar um avião, é comprar uma cadeira de verticalização que me permita chegar aos móveis...
Percebem agora a minha depressão, a minha raiva constante , a minha irritação?
É fácil seguir em frente com meios de suporte...a maior parte das pessoas não o têm, e não sou só eu...

Desabafo...

Estou deprimida...profundamente deprimida...não sei como descreverão os psicólogos e os psiquiatras o meu estado actual, mas para mim estou deprimida...esgotei.
Só me apetece estar em silêncio, envolta pela segurança da escuridão e da solidão...
Analisem como quiserem, mas é assim que quero estar. Por mais que o tente explicar aos meus amigos, parece que falo para estranhos que não o percebem. As pessoas têm necessidade de intervir quando sentem que os entes queridos não estão bem, mas por mais bem intencionadas que sejam, não percebem que é uma intervenção forçada, como as daquela série os "Irmãos e irmãs", que Tem uma mãe que passa a vida a viver para os filhos e para a família, e os irmãos a interferir e a invadir a privacidade uns dos outros...
Por mais que goste da série, a mim irrita-me solenemente esse tipo de comportamento.
Se eu digo que não me apetece falar, respeitem-me...se eu digo que hoje não estou cá, respeitem-me. Por muito que custe...é egoísmo não perceber que há viagens que temos que fazer sozinhos, no nosso interior...
"E então, se necessitas de estar sozinha, porque escreves a uma escala global?", perguntam vós e muito bem...
Porque já não sei mais como gerir isto, e como não consigo gritar, escrevo. Escrevo para manter a minha sanidade, porque estou cansada de explicar sistematicamente isto mesmo a quem me rodeia.
No outro dia, eu li algo de Chico Buarque, fantástico, a propósito, sobre a solidão...e que no fim do texto todo dizia que solidão é perdermo-nos de nós próprios...
E é isso mesmo.
Eu perdi-me se mim própria e não me consigo encontrar.
Não me dêem palavras de inspiração, nem me façam festas na cabeça a dizer que vai ficar tudo bem...
Esta é a minha maior viagem, é o meu Everest...e eu não estou a conseguir lá chegar. Preciso de espaço, preciso de tempo, preciso de mim...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

É Carnaval, mas temos que levar a mal.

Na senda da denúncia do que está mal, tenho que protestar contra a organização do Carnaval de Alhandra.
Fi-lo prontamente no local e fá-lo-ei aqui publicamente.
Lá por ter sído organizado por voluntários que se esforçaram por pôr de pé uma tradição antiga da vila de Alhandra, não quer dizer que não apontemos o que está mal. Como o meu pai sempre disse, o voluntariado e o amadorismo acarretam responsabilidades.
Acontece que, eu, como antiga moradora daquela bonita vila à beira rio, peguei nos meus filhos e fui visitar os meus pais e brincar ao Carnaval. Até aqui tudo bem. Mas quando decidi ontem, terça-feira, ir tomar café com as minhas cunhadas e a minha filha, qual não foi o meu espanto quando fui impedida de sair na Travessa do mercado porque a minha cadeira de rodas NÃO CABIA na entrada deixada livre para acesso à zona do desfile ( que por acaso é mesmo onde os meus pais moram).
Não havendo qualquer indicação de alternativa àquela passagem com um aviso ou um distico indicativo de alternativa, protestei, claro. Afirmei que tinha o direito de passar e que o queria fazer. Embora tivessem vedado o acesso à rua Dona Maria Annes e ruas circundantes para poderem angariar fundos para futuras iniciativas, deveriam ter em consideração as pessoas em cadeira de rodas. Afinal, também temos o direito de nos divertirmos, de visitar familiares, de fazer uma vida "normal". Foi-me respondido que, embora eu tivesse razão, tinham-se esquecido deste " pormenor". E não podiam mover as barreiras.
Tenho que referir que a alternativa foi a entrada das viaturas do corso, que ficava bastante longe para quem como eu tem que "andar" de uma forma diferente.
Foi-me prometido, à laia de desculpa, que para o anos, contrariamente a este ano, que se limitaram a medir a largura das cadeiras de bébés( e deviam ser das mais pequenas), tomariam em consideração as cadeiras de rodas.
Até lá esperarei para ver. Sentada...