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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Circular em cadeira de rodas em Oeiras. 20 conclusões



Vinte e três anos depois da publicação da Lei de Bases da Prevenção e da Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, e mais de quinze anos decorridos desde a publicação da lei que veio impor regras de acessibilidade para o espaço público (nomeadamente, passeios e atravessamentos pedonais), A Nossa Terrinha delimitou, num mapa de Oeiras, uma área cuja forma se assemelha ligeiramente a um focinho de cão…
…e saiu à rua para avaliar as condições de acessibilidade em cadeira de rodas nos arruamentos compreendidos no interior dessa área.


[Poucos meses antes, tínhamos oferecido o nosso trabalho voluntário à Junta de Freguesia de Oeiras, respondendo a uma mensagem que tínhamos recebido do respetivo presidente (em resposta a uma reclamação nossa sobre o deficiente rebaixamento de passeios junto à estação de Oeiras - que, diga-se a propósito, até hoje não foi corrigido). Propusemo-nos fazer um levantamento, em Oeiras, das passagens de peões onde os lancis tinham sido rebaixados com desrespeito dos limites legais, para eventual correção. Não obtivemos qualquer resposta.]


Fizemos medições em 70 passadeiras e em 112 troços de passeio, existentes nos 31 arruamentos que calcorreámos de uma ponta à outra.


- Das 28 ruas, só em 2 é possível circular de cadeira de rodas, no passeio, de uma ponta à outra da rua (essas duas ruas foram consideradas apenas parcialmente acessíveis por causa das passadeiras). Mesmo assim, com reservas: numa dessas ruas, a circulação em cadeiras de rodas está condicionada pelo espaço deixado pelos automóveis que diariamente invadem ambos os passeios; na outra, um dos passeios está em mau estado (intransitável?) e o do lado oposto tem, muitas vezes, lixo acumulado perto de um contentor, bloqueando por vezes a passagem.




Durante a realização deste trabalho, fomos abordados muitas vezes. E embora estejamos a falar de exceções (apenas isso), fomos, por vezes, sujeitos a “inquéritos” feitos em tom mais ou menos agressivo, fomos mais do que uma vez ameaçados de agressão, e, numa ocasião, foi no último instante que o Jorge evitou ser agredido - quando tirávamos fotografias em locais onde havia carros estacionados em cima dos passeios ou das passadeiras (houve até um automobilista que estava a sair da zona de carro e voltou atrás, parou o motor e saiu do jipe para nos abordar por andarmos a fotografar carros estacionados no passeio! Olhava insistentemente em redor, dando a ideia de que estaria à espera de não haver outras pessoas à vista, para nos "tratar da saúde"). Mais numerosas foram as pessoas que nos abordaram argumentando - aparentemente com grande convicção - que não podíamos andar a tirar fotografias aos carros. Muitas destas pessoas reagiram como se estivéssemos ali para pôr em causa “direitos fundamentais”, designadamente o “direito” de estacionar a lata nos espaços reservados aos peões. Mas também houve outras que consideraram suspeito que alguém andasse a tirar fotografias às suas casas (pensavam elas que eram as casas que fotografávamos), receando que estivéssemos a planear futuros assaltos, e em duas ocasiões em que as coisas estavam a ficar mais “complicadas”, a única forma de acalmarmos os ânimos foi explicar o que estávamos ali a fazer – e num desses casos a reação final acabou por ser positiva. Na Rua Cândido dos Reis, fomos alvo de prolongada chacota por parte de comerciantes. De resto, também obtivemos reações positivas: houve pessoas (na maioria, idosos) que, talvez adivinhando o que estávamos a fazer, nos desabafaram, por exemplo, a “vergonha” que era os carros todos os dias estacionados nos passeios, os passeios degradados ou ocupados com tralha de toda a espécie ou a praga dos caixotes de lixo deixados em cima do passeio.
[Mais de 36% dos habitantes da freguesia de Oeiras integram-se, pela idade, na categoria dos chamados “peões vulneráveis”: idosos e crianças. Não são uma “pequena minoria”, como por vezes se diz; têm é pouco ou nenhum poder reivindicativo e, no caso das crianças, não têm direito de voto.]


Fonte e informação completa: A Nossa Terrinha

Colónia de férias da Apúlia acolhe lar residencial para deficientes



A colónia de férias da Apúlia como a conhecemos vai deixar de existir como tal para dar lugar a um lar residencial para pessoas portadoras de deficiência.



Com instalações obsoletas, o edifício que até aqui servia como resposta de colónia de férias para crianças e idosos será revertido numa resposta ampla para a deficiência.
O anúncio foi feito, ontem, pelo director do Centro Distrital de Braga da Segurança Social, Rui Barreira, aquando da visita às instalações da colónia de férias da Apúlia, a convite do Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Segurança Social e da Saúde de Braga (CCD), para verificar o actual estado do edifício e ao mesmo analisar as condições para a construção do futuro lar residencial para pessoas portadoras de deficiência, bem como a instalação de um Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) de apoio ao lar.

Rui Barreira disse ao ‘Correio do Minho’ que “o projecto está nas mãos do CCD que se encontra na fase de elaboração do projecto de arquitectura para o edifício que sofrerá uma remodelação profunda com vista à adaptação para aquilo que será um lar residencial para deficientes”.
“Um espaço que faz todo o sentido para as pessoas portadoras de deficiência que são aquelas que, ao longo do tempo, a meu ver, foram esquecidas pelo Estado. Está na hora de apostar nesta vertente da deficiência” sublinhou o director da Segurança Social de Braga, acrescentando que esta é uma resposta que faz falta ao concelho de Esposende e ao distrito.
Numa altura de contenção, Rui Barreira alertou que a intervenção será contida para evitar gastos desnecessários, cujo investimento previsto ronda os 500 mil euros.
Numa fase de profunda remodelação, as instalações da colónia de férias da Apúlia serão entregues ao Centro Comunitário de Desenvolvimento Social de Braga, em regime de comodato por período de 20 anos.


O novo lar residencial para portadores de deficiência vai ter capacidade para acolher 24 utentes e prevê a construção de pelo menos um Centro de Actividades Ocupacional que servirá de apoio à nova resposta social de apoio aos cidadãos deficientes.


Fonte: Correio do Minho

Revista Plural&Singular

Já saiu a 3ª edição da revista Plural&Singular. Faça AQUI o download.

A Plural&Singular é um órgão de comunicação digital dedicado à temática da deficiência, cuja 1.ª edição foi lançada, simbolicamente, a 3 de dezembro, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. A revista, de periodicidade trimestral, disponível para download gratuito, está vocacionada para pessoas com deficiência, cuidadores, instituições, profissionais, federações, empresas, especialistas e outras entidades ligadas a esta área.

Fonte: Recebído por e-mail

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Parque temático na Hungria aborda inclusão social

Adultos e crianças experimentam as dificuldades de se locomover com uma cadeira de rodas

Adultos e crianças experimentam as dificuldades de se locomover com uma cadeira de rodas

Para os viajantes curiosos, visitar o Ability Park, em Budapeste, é uma ótima escolha para incluir no seu roteiro pela Hungria. O parque temático permite que as pessoas se familiarizem com os diferentes tipos de deficiências, vivenciando o outro lado da história de maneira lúdica.

Os visitantes, guiados por cadeirantes, deficientes visuais, auditivos e mentais, são desafiados física e mentalmente durante a visita, e podem se divertir na tentativa de cumprir esses desafios. O parque recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais pela sua proposta de modificar atitudes e conscientizar as pessoas.

Entre as atividades que a equipe propõe estão o percurso de obstáculos utilizando cadeira de rodas, jogos de lógica e memória usando linguagem de sinais, testes de tato e olfato, labirinto às cegas e workshops. É possível também conhecer a Miracle City, uma cidade virtual em que o visitante deve tentar descobrir suas leis, sendo orientados por deficientes mentais.

O parque fica aberto de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
Fonte: Vitrine Digital

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Gel que "repara" nervos poderá curar paralisias

Gel que "repara" nervos poderá curar paralisiasHá partes do corpo, como o fígado, que conseguem renegerar-se por si próprias, mas outras, como o sistema nervoso, são irreparáveis ou demoram demasiado tempo a recuperar, resultando em dores crónicas, mobilidade limitada e até paralisia. Agora, um grupo de investigadores israelitas desenvolveu uma solução para reparar nervos periféricos que pode ser uma esperança para os doentes.


 
Trata-se de um implante biodegradável, desenvolvido na Universidade de Tel Aviv, que trabalha em associação com um gel (o chamado Guiding Regeneration Gel - GRG) capaz de aumentar o crescimento dos nervos e acelerar a cicatrização, podendo, em última instância, vir a restaurar a funcionalidade de nervos danificados.
 
De acordo com Shimon Rochkind, da Faculdade de Medicina daquela universidade, que coordenou o estudo, o método que repara os nervos periféricos já foi testado em modelos animais e, dentro de poucos anos, poderá vir a ser usado clinicamente, estando, neste momento, a começar a ganhar reconhecimento internacional.
 
Os investigadores explicam que os nervos funcionam como cabos elétricos e que, quando são danificados, deixam de conseguir transmitir sinais para movimentos e sensações através do sistema nervoso. Porém, a equipa de Rohckind conseguiu desenvolver um método que liga os extremos de dois nervos danificados através de um implante suave e biodegradável.
 
No interior do implante - uma espécie de tubo - está o gel inovador criado pelos cientistas, que "nutre o crescimento das fibras nervosas, encorajando o nervos a voltar a ligar-se entre si, mesmo em casos em que os danos são massivos", esclarece Shimon Rochkind, citado em comunicado.

Gel poderá ajudar a tratar doenças como Parkinson
 
Este gel conta com três ingredientes principais: antioxidantes, que aceleram as atividades anti-inflamatórias, peptídeos da laminina artificais, que funcionam como "linha" orientadora para o crescimento das novas fibras nervosas, e ácido hialurónico, encontrado, commumente, no feto, que evita que o implante "seque".
 
A eficácia da solução, cujos primeiros sucessos foram apresentados recentemente em vários congressos científicos, entre eles os organizados pela World Federation of Neurological Societies e a European Neurological Society, deve-se, precisamente, à composição do gel, que faz com que o nervo cicatrize como acontece com o bebé no útero da mãe - rápida e suavemente.
 
Além de poder ser usado em conjunto com o implante biodegradável, o gel pode ser administrado autonomamente, constituíndo-se como uma ajuda importante, por exemplo, em terapias celulares, ajudando a preservar as células e a assegurar a sua sobrevivência em casos de transplantação.
 
Quando crescem "mergulhadas" neste gel, as células apresentam "um desenvolvimento excelente", o que, de acordo com os cientistas, poderá ter enormes implicações no tratamento de doenças como a doença de Parkinson, uma patologia para a qual a terapia celular pode ser uma potencial solução.
 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Alverca é um inferno para quem anda em cadeira de rodas

Marisa Lino arrisca a vida todos os dias da semana no meio do trânsito para fazer o percurso entre casa e a estação do caminho-de-ferro onde apanha o comboio para ir trabalhar em Telheiras. Instituições de apoio a deficientes criticam o desinteresse da junta de freguesia em resolver os problemas da mobilidade.

A cidade de Alverca é um mau exemplo nas acessibilidades para pessoas com deficiência, alertam as associações e utilizadores de cadeiras de rodas. Todos os dias centenas de pessoas com mobilidade reduzida arriscam a vida na estrada, entre o trânsito, para chegar aos empregos e a casa, porque os passeios não têm condições para as cadeiras circularem. E quando existem rampas nos passeios a maioria das vezes elas são demasiado íngremes para as cadeiras de rodas subirem e em alguns casos nem existe uma rampa de descida.

A própria sede da junta de freguesia não tem rampa de acesso para cadeira de rodas e carrinhos de bebé. O mesmo acontece com as instalações das Finanças e do cartório notarial. O mercado diário da junta de freguesia não tem barreiras arquitectónicas mas o passeio é bastante alto e não está rebaixado para permitir a entrada de cadeiras de rodas. “Alverca ainda não encarou este problema como uma prioridade. Há algum tempo vi uma pessoa de cadeira de rodas ser atendida à porta das Finanças. É muito triste”, critica Carlos Garrudo, presidente da Cercipóvoa, instituição de apoio a deficientes. O dirigente diz que as pessoas com deficiência continuam a ser discriminadas e lamenta que as juntas de freguesia “deixem muito por fazer”.

Carlos Garrudo destaca o papel da câmara municipal, que tem dado maior atenção ao problema. Opinião semelhante tem Clara Nogueira, presidente da Cercitejo de Alverca. “Na cidade não é fácil andar de cadeira de rodas. Os multibancos são altos, os passeios têm o piso muito mau e até há pouco tempo nem o centro de saúde tinha acessos”, lamenta. A legislação já obriga as novas construções e serviços públicos a serem dotados de acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida, mas muito ainda está por fazer em Alverca.

Na maioria das vezes os serviços públicos criam as rampas de acesso, mas as autarquias esquecem-se de rebaixar os passeios. “Quando se realiza uma obra num passeio convém que essa obra seja feita por gente que percebe as limitações das pessoas com deficiência. Infelizmente a maioria das vezes as obras feitas nos passeios da cidade não fazem sentido e depois não têm utilidade”, lamenta Clara Nogueira.

Um exemplo pode ser encontrado na rua da estação. Passeios com rampas demasiado altas, obstáculos e carros mal estacionados a bloquearem as poucas rampas que permitem o acesso das cadeiras. Marisa Lino, 28 anos, é um exemplo de coragem que O MIRANTE encontrou na cidade. Vive a 700 metros da estação de comboios e demora todos os dias uma hora a chegar ao comboio. Trabalha em Telheiras e vai de comboio para Entrecampos, onde apanha uma carrinha da acção social de Lisboa que a leva ao emprego. “Do comboio até ao trabalho é tudo fácil. Chego a Alverca começa o pesadelo”, lamenta.

Marisa é obrigada a andar com a cadeira eléctrica pela estrada, ao lado dos carros, e já apanhou vários sustos. Já escreveu várias vezes ao presidente da junta, Afonso Costa, mas nunca obteve resposta. Só depois de gravar um vídeo do percurso que faz todos os dias - que foi bastante partilhado nas redes sociais - é que o autarca lhe mandou uma mensagem privada a prometer um encontro na estação para perceber o problema. Até o momento o encontro não se realizou. Por isso conclui que “às vezes que seria bom os políticos passarem um dia numa cadeira de rodas para perceberem as dificuldades que vivemos”.


Fonte: O Mirante

sábado, 5 de janeiro de 2013

Assistência sexual ou prostituição? O direito à sexualidade, apesar da deficiência.


Marien, assistente sexual de pessoas com deficiência
Marien, assistente sexual de pessoas com deficiência
Se o direito à sexualidade existe para os deficientes, seus desejos íntimos continuam sendo um tabu e objecto de preconceitos.
A formação de dez assistentes na Suíça francesa chamou a atenção para um mundo oculto, feito de desejos abafados e carências afectivas.
Eles são enfermeiros, massagistas, terapeutas ou artistas. Têm entre 35 e 55 anos e foram formados para responder às necessidades sexuais de pessoas sofrendo de uma deficiência física. Uma tarefa delicada, sobretudo pelo fato de a sexualidade de inválidos ser geralmente rejeitada pela sociedade e alvo de fortes preconceitos.
Falar do seu próprio corpo, da sua relação com a intimidade e o sexo não é fácil. Menos ainda se a pessoa é considerada como "diferente". Portanto, a "sexualidade de deficientes é um direito que deve ser respeitado e protegido com uma sensibilidade extrema", declara Ahia Zemp. A psicoterapeuta é responsável pela Seção Deficiência e Sexualidade (FABS, na sigla em alemão) de Basileia, que foi também a primeira associação na Suíça a propor uma formação especial de assistentes eróticos.
"A relação com a sexualidade é uma noção extremamente subjetiva. Da mesma forma que beber ou comer, é uma pulsão natural tida não apenas pelas pessoas válidas", explica. "Os deficientes físicos são muitas vezes considerados como pessoas assexuadas, sendo que, na realidade, têm os mesmos desejos que os outros e têm os mesmos direitos de concretizar sonhos e viver seus desejos", acrescenta Zemp.
Sexualidade e deficiência, um tabu duplo
Para responder às necessidades dos novos pacientes, a Associação Sexualidade e Deficiência Pluriels na Suíça francesa (SEHP) acaba de formar seu primeiro grupo de assistentes sexuais diplomados. Em breve, os seis homens e quatro mulheres irão acompanhar os vinte profissionais já ativos na Suíça de expressão alemã, quebrando dessa forma um tabu duplo: o da sexualidade e da deficiência física.
O projeto começou em 2002, quando a organização de apoio Pro Infirmis elaborava um programa educativo nesse sentido. Na época, a novidade havia tido tal impacto midiático, que inúmeros doadores decidiram anular suas doações. A justificativa: muitos qualificavam a assistência sexual para deficientes como uma "forma latente de prostituição".
A consequência para a Pro Infirmis foi a perda de 400 mil francos em poucos meses e a decorrente decisão de interromper o projeto. Dois anos mais tarde, e seguindo o impulso da sua presidente Aiha Zemp – ela própria deficiente – a FABS decidiu retomar a idéia e inaugurou a primeira formação para assistentes sexuais. Hoje em dia, cinco anos após o lançamento, o balanço feito por Aiha Zemp é largamente positivo, mesmo se críticas ainda são ouvidas.
Rejeitado nos países católicos, como a Itália, esse trabalho está longe de ser um piomeirismo helvético. Outros países, como a Holanda, Alemanha e Dinamarca, também têm serviços semelhantes. Já nos anos de 1980, eram formadas nos Estados Unidos e no norte da Europa profissionais para apoiar deficientes nos seus desejos sexuais. O trabalho chega mesmo a ser custeado pelos seguros de saúde em alguns países escandinavos.
Sem catálogos
A Suíça não chegou a tanto. O principal desafio é conquistar aceitação pelo trabalho. E no que este consiste verdadeiramente?
"Não temos um catálogo de apresentação", explica Catherine Agthe Diserens, presidente da SEHP. "Cada caso é único e deve ser avaliado separadamente para melhor compreender o que as pessoas que nos procuram necessitam e como podemos ajudá-las a se sentir melhor". Um diálogo que se constrói também através da ajuda de educadores e da família, a partir do momento em que o grau de deficiência o exige.
Da massagem erótica às carícias, até o strip-tease ou masturbação: o leque proposto é extenso e responde simplesmente às necessidades de uma intimidade geralmente reprimida e mesmo estigmatizada. "Cada assistente oferece com empatia e respeito um pouco de ternura contra uma remuneração que vai de 150 a 200 francos por hora", relata Catherine Agthe Diserens. "Por vezes, o trabalho é simplesmente descobrir o prazer de reencontrar uma funcionalidade perdida após um acidente, enquanto que, em outras circunstâncias, a relação pode ir até uma relação oral ou a penetração."
"Solicitar a ajuda de assistentes sexuais não é a solução para cada problema, mas isso permite cobrir um vazio, cuja existência até então era negada", lembra Aiha Zemp.
Um trabalho difícil
Ao contrário da prostituição, o acompanhamento sexual de deficientes só pode ser iniciado após um trabalho pontual de educação, orientado pelo respeito ao outro, pela ética e a escuta. "Os assistentes sexuais devem ser pessoas equilibradas, conscientes da sua própria sexualidade e não sentir desconforto com a deficiência. Além disso, eles devem manter outro trabalho a tempo parcial. Também é preciso informar os próximos da sua escolha profissional", detalha Dieserens.
"É uma experiência transtornadora. Colocamos tudo em questão: nossas idéias, nossa relação com o corpo e outros", revelava Jacques, um assistente sexual que acaba de receber seu diploma, durante uma entrevista à rádio.
Casado, pais de três crianças, Jacques relata que sua esposa apoiou sua decisão com naturalidade, sobretudo devido aos limites fixados por ele próprio desde o início: "Me dedico ao corpo, à pele, aos órgãos dessas pessoas. Não posso lhes negar massagens, carícias íntimas, mas não chego à penetração. O beijo – e o resto – está reservado a uma só pessoa bem determinada na minha vida."
A formação dura 18 dias, distribuídos por um ano, e acrescida de uma dezena de horas de trabalho em casa. Os custos chegam a 4.200 francos, o que mostra a motivação dos que escolhem o caminho.
Apesar do reconhecimento de muitos, a formação continua sendo difícil de explicar à família e até mesmo a si próprio. O fato de que, de um ponto de vista legal, o trabalho de assistente sexual seja assimilado à prostituição e esteja impregnado de uma conotação negativa não facilitam.
Mas para Aiha Zemp, esses profissionais estão apenas levantando o véu de um universo oculto, feito de desejos rejeitados e perturbações afectivas. Um mundo que deve ser abordado com um olhar diferente, ao se tratar de deficientes físicos. Uma diferença que tem um grande valor para aqueles que, como Jacques, conseguem transpor a deficiência e os temores que muitas vezes ela inspira para começar a escutar a necessidade íntima de ternura.
Uma forma de ajuda
Em junho passado, 10 suíços da parte francesa do país ganharam seu diploma de "assistente sexual" após um curso de 18 dias.
A formação é coordenada pela associação "Sexualidade e Deficiência Pluriels (SEHP).
Geralmente os assistentes recebem entre 150 e 200 francos pelos seus serviços.
Na parte alemã da Suíça e em outros países do norte da Europa, esse tipo de formação já existe há vário anos.
Em 2002, devido às reclamações de alguns dos seus doadores, a associação Pro Infirmis habia abdicado de oferecer uma formação semelhante.
Logo depois, o projeto foi retomado pela Seção Deficiência e Sexualidade (FABS, na sigla em alemão) em Basileia. Desde então, dois grupos de assistentes já foram formados (2004 e 2007).
Fonte: Swissinfo.ch

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Tetraplégica controla braço robótico com a mente de ‘forma inédita’


Um braço robótico já pode ser controlado pelo pensamento de forma “sem precedentes”, de acordo com um estudo publicado pela revista médica “The Lancet”.
Jan Scheuermann, de 53 anos, paralisada do pescoço para baixo, foi capaz de mover com destreza um braço mecânico, segurando objectos como se eles fossem movidos por sua própria mão biológica.
Implantes cerebrais foram usados na paciente para controlar o braço robótico, e o resultado foi avaliado por especialistas como “uma conquista extraordinária”.
Jan foi diagnosticada com degeneração espinocerebelar 13 anos atrás e foi perdendo o controle de seu corpo progressivamente. Ela não consegue mais mover seus braços e pernas.
Ela recebeu o implante de dois sensores — cada um de 4mm x 4mm — no córtex do cérebro. Uma centena de pequenas agulhas em cada sensor percebe a actividade eléctrica de 200 células cerebrais.
Comandos
Os neurónios se comunicam entre si através de pulsos, diz o professor Andrew Schwartz, da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.
Essas vibrações eléctricas no cérebro são então traduzidas em comandos para mover o braço — dobrar na altura do cotovelo, rotar e agarrar um objecto, por exemplo.
Jan foi capaz de controlar o braço logo no segundo dia de treino; ao longo de 14 semanas, foi aperfeiçoando essa habilidade.
Segundo o estudo médico, ela adquiriu “coordenação, habilidade e velocidade quase similares às de uma pessoa de corpo não deficiente”.
Schwartz contou à BBC que movimentos tão precisos nunca haviam sido observados antes.
“São (movimentos) fluidos e muito melhores do que o que se havia demonstrado antes”, afirmou. “Acho que isso é uma prova convincente de que essa tecnologia (se converterá em uma terapia) para pessoas com lesões na espinha dorsal”.
Para Schwartz, a nova tecnologia já permite que essas pessoas realizem tarefas diárias.
Tecnologia em casa
As técnicas que apostam no poder de um cérebro saudável para superar um corpo danificado têm avançado rapidamente.
No início deste ano, um estudo apontou que uma mulher conseguiu usar um braço robótico para servir-se de uma bebida pela primeira vez em 15 anos desde que sofreu um derrame.
Nos dois estudos, porém, os resultados foram obtidos em laboratório — ou seja, a tecnologia ainda não foi aplicada em suas casas.
Agora, pesquisadores tentam acoplar o braço mecânico à cadeira de rodas de Jan, para que ela possa usá-lo em sua vida quotidiana.
Também há tentativas de dar sensações ao membro artificial, para que seu portador volte a experimentar o sentido de toque.
Para os pesquisadores Gregoire Courtine, Silvesto Micera, Jack DiGiovanna e José del Millan, o controle do braço retratado no estudo é uma conquista “tecnológica e biomédica incrível”.
Eles acrescentam que tecnologia do membro mecânico está chegando perto do ponto em que “poderá, em breve, se tornar um modelo revolucionário de tratamento” para portadores de paralisias.
Assista o vídeo:
Fonte: G1

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"SAIR À RUA PARA QUEM NÃO VÊ PODE SER UMA ARMADILHA MORTAL"







Há que apurar responsabilidades.

Coimbra. Morte de antigo dirigente da ACAPO, após uma queda, alerta para a necessidade de o Governo mexer nas regras das acessibilidades.



O Governo prepara- se para fazer uma nova alteração à lei das acessibilidades, em que pretende atualizar e clarificar alguns dos pontos da legislação ainda em vigor, para evitar casos como o da morte de José Adelino Guerra, fundador da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal ( ACAPO). “Um dos aspetos positivos é que a nova lei não mexe no prazo de adaptação”, apontou Rodrigo Santos, revelando que no parecer que a ACAPO deu foram feitas sugestões no sentido da aplicação prática das regras. “Pedimos maior clarificação das regras e da responsabilização da administração pública, na formação dos recursos humanos para que estejam aptos a fiscalizar”.

As acessibilidades j á foram alvo de duas legislações. A primeira em 1997 e a segunda em 2006. De acordo com as regras em vigor, as entidades têm um período dez anos para a adaptação dos espaços públicos e edifícios às regras de acessibilidade, que pode desresponsabilizar os organismos que ainda não estão a cumprir todas as regras.

“O prazo de adaptação foi um erro crasso que a alteração da lei, em 2006, trouxe. A legislação anterior previa um prazo de adaptação até 2007. Mas com a lei que entrou em vigor em 2006, o prazo foi alargado até 2017. A existência de barreiras arquitetónicas pode matar. O caso de Coimbra é uma dura lição para todos nós”, disse ao DN Rodrigo Santos, j urista e membro da direção da ACAPO.

A queda fatal de José Adelino Guerra está a desencadear várias reações, designadamente quanto às condições de segurança e mobilidade na rua Pedro Monteiro, em Coimbra. O técnico superior da autarquia morreu pouco tempo depois de ter saído do trabalho, na Casa Municipal da Cultura. O seu colega na secção para deficientes visuais, Emanuel Laça, seguia uns passos à frente. “Ouvi uma senhora a gritar e ouço um barulho forte [ resultante da queda]”. Na sua opinião, “alguma distração” poderá estar na origem da tragédia. “Estive lá hoje [ ontem] e mesmo que a vedação estivesse completa, ele poderia cair na mesma. O que deveria existir era uma vedação mais alta e, também, outra proteção ao longo de toda a rua Pedro Monteiro”. Emanuel Laça lembra que noutro ponto desta rua, perto da Penitenciária, existe uma boca de incêndio que “é uma ratoeira”.

A vice- presidente da câmara, Maria José Azevedo Santos, responde que caberá “ao departamento de obras” da autarquia uma análise do que sucedeu na sexta- feira passada. “Ele, quando ia à piscina, deixava a ‘ Luca’ em casa”, lembra, emocionada, pois naquele fim de tarde, ele não estava com o cão- guia. A autarca lembra o dinamismo deste “funcionário incansável”, mentor, entre muitas outras iniciativas, do postal de Boas Festas, em braille.

Armadilhas mortais

Sair à rua para quem não vê pode ser uma armadilha mortal. Apesar do esforço que se tem feito, é preciso fazer muito mais. “26% dos nossos sócios têm graves problemas de mobilidade. Deve- se também ao medo porque sabem que as nossas cidades não estão preparadas. Sabemos que o processo de adaptação não é rápido, mas o esforço tem de ser maior. Isso depende de todos nós”, defendeu Carlos Lopes, presidente da ACAPO.

Ele próprio já apanhou alguns sustos. “O comboio intercidades quando para na estação abre as portas de um lado e outro. Por sorte, quando quis descer, a minha cadela não se mexeu. O comboio passou à minha frente. Estava a sair do lado da linha”.


Por Ana Maia e Paula Carmo in Diário de Notícias de 11 de Dezembro de 2012


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

(d)Eficientes Indignados findam protesto junto ao Parlamento


Fotografia © Nuno Pinto Fernandes-Global Imagens

Deficientes estiveram concentrados mais de 24 horas junto da Assembleia da República Fotografia © Nuno Pinto Fernandes-Global Imagens

Os deficientes concentrados há mais de 24 horas em frente ao Parlamento, em Lisboa, terminaram esta noite o protesto, após terem recebido a garantia da tutela de que "não haverá processos indeferidos por falta de verba".

À saída da reunião com o secretário de Estado da Segurança Social, Marco António da Costa, um dos responsáveis do Movimento (d)Eficientes Indignados, Jorge Falcato Simões, afirmou aos jornalistas que recebeu da parte da tutela a garantia de que "daqui para a frente não haverá [para os deficientes] processos indeferidos por falta de verba" na compra de ajudas técnicas e apoios, como fraldas e cadeiras de rodas.

Na reunião, que durou mais de três horas, participaram outros representantes do Governo, das áreas da deficiência, do emprego e da saúde, assim como os presidentes dos institutos da Segurança Social e da Reabilitação.

Falcato Simões explicou que foi reconhecido que "geralmente existem constrangimentos nos serviços que atribuem os apoios", uma situação que a tutela assegurou estar a acompanhar.

O responsável do Movimento (d)Eficientes Indignados adiantou que foi dada também a garantia por parte do secretário de Estado da Segurança Social de que vão ser "reavaliados" todos os processos que foram indeferidos.

Nesse sentido, Falcato Simões instou todas as pessoas que têm necessidade de apoio a "meterem os processos", salientando que "têm direito", conforme a lei, "à atribuição universal e gratuita de produtos de apoio".


Fonte: DN

domingo, 23 de setembro de 2012

Lisboa Acessível. “Somos um país habituado a guardar os deficientes numa caixa”



“Somos um país que está habituado a guardar os deficientes numa caixa fechada, para não poderem sair. Mas nós somos iguais a todos os outros, precisamos é de condições que nos ajudem a movimentar-nos”, diz ao i Deolinda Cruz, de 64 anos. Tinha 21 quando teve de amputar uma perna; um ano depois descobriu que tinha um osteossarcoma (tumor maligno dos ossos) e não foi preciso muito tempo para ter de usar uma cadeira de rodas. Ontem foi uma das dezenas de pessoas que estiveram presentes na acção de sensibilização “Um Passeio, por Lisboa (In)Acessível”, iniciativa que pretende alertar para as dificuldades que as pessoas com mobilidade reduzida enfrentam quando circulam pela cidade.
A Associação Salvador, juntamente com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), a Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA), a Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência (FDPP), a Fundação LIGA e mais quatro associações decidiram promover, com o apoio da câmara, a iniciativa “Um Passeio, por Lisboa (In)Acessível”, incluída no programa da Semana da Mobilidade da autarquia.
O ponto de encontro marcado em Entrecampos tinha dois objectivos: fazer o percurso até ao Campo Pequeno a pé ou em cadeira de rodas e, depois, de transportes públicos até ao Saldanha. As dezenas de pessoas com mobilidade reduzida foram acompanhadas pelo vereador da Mobilidade e Infra-estruturas Viárias da autarquia, Fernando Nunes da Silva, e por Inês Gomes, presidente da Junta de Freguesia de Benfica, que foram desafiados a fazer todo o percurso de cadeira de rodas: “Foi muito difícil e muito complicado. E acho que quem trabalha o espaço público, sobretudo os autarcas, deveriam, antes de começar a trabalhar o espaço público, fazer um percurso destes para ver as dificuldades e os obstáculos que existem, de forma a poderem trabalhar e executar melhor as obras de melhoramento que podem fazer para facilitarem e darem autonomia a estas pessoas”, disse ao iInês Gomes. Para a presidente da junta, o mais difícil foi “atravessar as estradas e as passadeiras, cujos lancis não estão nivelados à altura regulamentar”.
A altura dos lancis dos passeios e a falta de adaptação dos transportes públicos são dos problemas mais apontados pelas pessoas de mobilidade reduzida. Durante o percurso foram várias as vezes que muitas das pessoas em cadeira de rodas tiveram de ir para a estrada, por não conseguirem subir ou descer sozinhos.
“É preciso que se vá progressivamente corrigindo, pelo menos nos grandes eixos da cidade, onde há grandes equipamentos públicos e uma maior densidade de pessoas idosas. Isto não é só um problema de pessoas com dificuldade motora. Portanto, tem de se actuar nesses sítios para progressivamente criarmos condições mais dignas, e sobretudo mais humanas, para que esta gente possa utilizar a cidade como nós”, sublinhou ao i o vereador Fernando Nunes da Silva.
O projecto “Lisboa Acessível”, realizado pelas nove associações de mobilidade reduzida, é um dos candidatos ao Orçamento Participativo da Câmara de Lisboa, que dá oportunidade a todos os cidadãos de votarem, desde ontem até 31 de Outubro, nos projectos que querem ver desenvolvidos na cidade.
Este pretende promover as acessibilidades no eixo Entrecampos-Marquês de Pombal, tornando o troço um modelo “daquilo que deverá ser a cidade do futuro”. O objectivo é eliminar todas as barreiras à acessibilidade neste percurso, incluindo a adaptação das passadeiras e paragens de autocarro, remoção dos obstáculos nos passeios, relocalização do mobiliário urbano e regularização do pavimento. “O mais importante é que todas as pessoas votem e se envolvam nesta causa, porque é muito difícil para uma pessoa com limitações poder fazer o seu dia-a-dia, tentar sair de casa e não conseguir ir a uma caixa multibanco, não conseguir ir a um café ou a um supermercado. Daí criar este troço, entre Entrecampos até ao Marquês, todo acessível”, afirmou ao i Salvador Mendes de Almeida.
De acordo com o fundador e presidente da Associação Salvador, a falta de acessibilidades nas ruas, transportes e edifícios impede muitas pessoas com mobilidade reduzida de terem uma participação mais activa na sociedade.
“Se este projecto sair vencedor, e se forem criadas estas acessibilidades, vai beneficiar toda a população, tornando Lisboa uma cidade mais atractiva, uma cidade mais amiga dos peões. Vai ser bom não só para as pessoas em cadeiras de rodas, mas para todas as pessoas, pois muitos são os idosos e muitas são as pessoas que temporariamente partem uma perna e que se vêem à rasca para se conseguir movimentar”, realçou Salvador Mendes de Almeida.
Fonte: i

segunda-feira, 18 de junho de 2012

No país do futebol, a modalidade adaptada em cadeira de rodas, ganha seu espaço


O Power Soccer, ou Futebol em Cadeiras de Rodas, é uma modalidade paradesportiva, também conhecida como Powerchair Football. O esporte é praticado por homens e mulheres com deficiência, de qualquer idade, que usam cadeiras motorizadas no seu dia a dia. Oficialmente, está presente em mais de 15 países da América do Norte, do Sul, Europa, Ásia e Oceania.
O esporte surgiu no final da década de 1970 paralelamente na França e no Canadá. Desses dois países, a modalidade rodou o mundo e ganhou diferentes estilos, até 2006 – quando foi criado oficialmente e quando nasceu a Federação Internacional de Futebol em Cadeira de Rodas (FIPFA). O que possibilitou a realização, em 2007, da primeira Copa do Mundo do esporte.
Hoje, mais de 30 anos depois, o Power Soccer já é reconhecido pelo Comitê Paraolímpico Internacional (IPC). A expectativa é que o esporte se torne uma modalidade paraolímpica e seja exibido já nas Paraolimpíadas de 2016, do Rio de Janeiro. Se isso acontecer, o Brasil poderá participar da sua primeira paraolimpíada pela modalidade, em casa.
E o país estará preparado. É o que acreditam os dirigentes da recém-criada Associação Brasileira de Futebol em Cadeiras de Rodas (ABFC), que tem a finalidade de fomentar a modalidade no Brasil e promover a inclusão das pessoas com deficiência nesta categoria. O país sai na frente no continente: em 27 de junho de 2011, o Brasil torna-se o 1º Membro Sul-Americano da FIPFA, representado pela ABFC.
O empenho da Associação em disseminar o esporte no país resultou ainda no convite da FIPFA a Ricardo Gonzalez Rocha Souza, presidente da ABFC, para se tornar também o maior representante da Zona das Américas (Sul, Norte e Central) para o esporte. O fato ocorreu após o país levar uma delegação de sete pessoas a Atlanta, durante a Premier Conference Cup, em meados de 2011. Na ocasião, o presidente da FIPFA Hervé Delatte viajou aos Estados Unidos especialmente para conhecer os membros da ABFC. Além da Zona das Américas, o Power soccer é dividido também nas zonas Europeia e Ásia e Oceania.
Fonte: ABFC

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Centro britânico para tratamento de veteranos da Guerra deu origem a Paraolimpíada


A realização do evento em solo britânico, entretanto, tem um sabor de retorno às raízes. Muitos talvez ainda não saibam, mas os Jogos Paraolímpicos nasceram em uma pequena cidade no interior da Inglaterra, pouco após a Segunda Guerra Mundial.
O vilarejo de Stoke Mandeville, no oeste de Londres, se orgulha de ter organizado a primeira Paraolimpíada – os Jogos voltados para atletas portadores de necessidades especiais – da história mundial.
A competição brotou da cabeça de um médico alemão que chefiava um centro de tratamento de veteranos da Guerra na cidade. Ele teve a ideia de usar o esporte para a reabilitação de seus pacientes.
A história de um sonho
Ludwig Guttman se mudou em 1939 de Wroclaw, então localizada na província alemã da Baixa Silésia, para Oxford, na Inglaterra.
Na cidade, ele começou a realizar pesquisas no departamento de neurocirurgia de Nuffield, mas logo o governo britânico lhe fez uma proposta tentadora: chefiar o recém-criado Departamento Nacional de Lesões da Medula Espinhal, em Stoke Mandeville.
Guttman não só aceitou o novo posto, como encontrou uma alternativa para atenuar o sofrimento de seus pacientes: o esporte.
“Ele se deu conta de que o esporte poderia ser algo mais do que simplesmente um método de reabilitação”, afirmou Dot Tussler, que trabalhou no departamento de fisioterapia do hospital durante 30 anos.
Guttman descobriu que seus pacientes, em sua maioria veteranos da Segunda Guerra, mantinham uma disciplina física que podia ajudá-los em sua recuperação.

O médico alemão Ludwig Guttman, idealizador dos Jogos Paraolímpicos
Nos terrenos adjacentes ao hospital, ele começou a organizar atividades físicas, que levaram aos primeiros Jogos de Stoke Mandeville, realizados em 1948, coincidindo com os Jogos Olímpicos do mesmo ano, em Londres.
Seis anos depois, uma delegação de atletas holandeses viajou ao pequeno povoado para participar da competição, e, finalmente, em 1960, o movimento ganhou relevância internacional, quando Guttman levou para Roma o que agora passou a ser chamado de Jogos Paralímpicos.
“É inacreditável, mas tudo isso é o resultado da visão de um único homem”, disse Martin, que participou dos Jogos de 1984. Naquele ano, Stoke Mandeville co-sediou o evento, juntamente com Nova York, nos Estados Unidos.
Inspiração
Entre os atletas que começaram sua carreira esportiva em Stoke Mandeville está Tanni Grey-Thompson, uma das atletas paralímpicas mais premiados da Grã-Bretanha – ela competiu em cinco Jogos e ganhou 11 medalhas de ouro, 4 prata e uma de bronze.
Sua primeira lembrança do estádio é aos 12 anos, “quando todos nós fomos pernoitar nos dormitórios do estádio; algo fantástico”, diz.
Ao longo de sua carreira, ele já competiu muitas vezes no local, e continua a passar muito tempo no estádio, que qualifica como “inspirador”.
“Para muitas pessoas do Movimento Paralímpico, Stoke Mandeville está gravado em seus corações”, afirma Martin.
Tal como aconteceu com os veteranos da Segunda Guerra Mundial, que acreditavam que sua vida tinha acabado, Martin acredita que o esporte possa servir de inspiração para jovens deficientes ao revelar uma imagem dos portadores de necessidades especiais contrária ao estereótipo.
“Mais uma vez, os jogos nos dão a oportunidade de mudar as coisas, e oferecer uma imagem positiva de pessoas com necessidades especiais”, diz.
Mas se, em 1948, os Jogos contaram com apenas 16 atletas competindo em uma única modalidade (tiro com arco), dessa vez, mais de mil são esperados para competir em 21 modalidades.
Fonte BBC

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Centro Recuperação Infantil de Abrantes apoiado pelo Restaurant Week by Sabor do Ano

Lisboa vai receber a sétima edição da iniciativa gastronómicaRestaurant Week by Sabor do Ano, que se realiza entre os dias 3 e 17 de maio. Nesta semana, pode usufruir de uma refeiçao nos restaurantes de luxo aderentes, por apenas 20 euros.

O projecto solidário - que também se realiza noutras capitais europeias - conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Por cada refeição, é doado um euro ao Movimento Mulheres de Vermelho e ao Centro de Recuperação Infantil de Abrantes(CRIA).

Nesta sétima edição estão associados mais de 60 restaurantes, dos mais tradicionais aos mais trendy ou fashion, mas todos bastante conceituados, para satisfazer os diferentes paladares. O lema «cozinha de excelência a um preço acessível» mantêm-se, para promover o melhor da gastronomia nacional».

Os reputados chefs de cada um dos restaurantes irão confecionar um menú exclusivo, utilizando alguns dos melhores produtos nacionais com o selo de qualidade alimentar «Sabor do Ano».

Uma das novidades deste ano é a possibilidade de reservar, de forma cómoda e rápida, uma mesa em qualquer um dos restaurantes da iniciativa.

Outra novidade é a substituição das habituais caixas de depósito de cupões por postais. Postais esses que, além de serem edições colecionáveis, representam a garantia da doação efectuada. Para isso, basta que os postais sejam carimbados pelos restaurantes aderentes depois de solicitados pelos clientes.

Segundo o porta-voz da organização do Restaurant Week, «a sétima edição é um sinal do sucesso desta iniciativa que, ano após ano, distribui cada vez mais donativos a diversas instituições sociais. É nosso objectivo, para além da democratização do acesso à restauração de qualidade, apoiar e contribuir cada vez mais, para causas sociais através da gastronomia».


quinta-feira, 26 de abril de 2012

A jornalista Caroline Soares escreve histórias infantis com personagens que têm deficiências


As personagens dos livros infantis de Caroline Soares são especiais. A coruja ‘Felisberta' é velhinha mas gosta de ir trabalhando para se sentir útil. O gato ‘Miau' está numa cadeira de rodas - é deficiente, tal como a sua autora - mas ainda dá valentes lições de vida a muita boa gente.

‘Joquinha', um menino reguila que troca as voltas aos miúdos e devolve aos adultos a vontade de sonhar, é a figura central deste mundo que apela à igualdade de oportunidades para todos.

SEM ENTRAVES

A autora, Anne Caroline Soares, chegou a Portugal com 14 anos. Na travessia do Atlântico, desde o Brasil, vieram também os pais e dois irmãos, à procura de uma vida melhor e mais segura. Encontraram-na em Espinho, onde Caroline cresceu apenas com "saudades do calor " e o sonho de ser jornalista.

Licenciou-se em Comunicação Social, até que aos 24 anos, numa viagem de trabalho, o carro que conduzia entrou em despiste. O embate, contra o separador central da auto-estrada, roubou-lhe a mobilidade mas não a capacidade de concretizar os seus projectos. "Deficiência não é um entrave para trabalhar. O que existe ainda é muito preconceito", comenta.

Depois de vários anos em recuperação, Caroline voltou à actividade profissional na Câmara Municipal de Espinho, assegurando a ‘Hora do Conto' no Município, ou seja, a leitura de contos infantis para as crianças.

"Foi um estágio não remunerado que acabou por se prolongar por quatro anos, porque eu tinha sempre, obviamente, a esperança de ficar, de ouvir o ‘sim' que me iam prometendo. Não fiquei. Paciência. Mas foi a partir dessa experiência que surgiu a minha carreira de escritora", recorda. No lado positivo da sua história percebeu que gostava, acima de tudo, de contar histórias para a pequenada. Se sabia escrever, então porque não haveria de passar a contar as suas próprias histórias?

"Então, eu que alimento o projecto de vir a ser uma jornalista de sucesso, passei a sonhar também ser uma escritora de sucesso". Até porque, por enquanto, o jornalismo é um projecto adiado. "Num tempo de crise, numa área que está sobrelotada, não é fácil entrar no mercado, sobretudo quando a deficiência faz parte do cartão-de-visita. É precisamente na procura de uma saída profissional que noto alguma discriminação. A nível da comunidade nunca me senti diferente", confessa.

Por isso, a mensagem dos seus livros é bem clara: "Começar a ensinar, logo de pequenino, a diferença. A fazer com que a nova geração viva num mundo menos preconceituoso, mais igual para todos. Por isso, algumas das personagens dos meus livros têm algum grau de incapacidade mas todas são válidas. Quando falo com as crianças, nas escolas e nas sessões de apresentação, é curioso notar que essas diferenças não fazem a diferença para as crianças. Elas são muito mais tolerantes".

Aos 34 anos, a jornalista e escritora já tem dois livros (‘Joquinha na Cidade de Miau' e ‘Joquinha na Nuvem da Mafalda') editados e um terceiro pronto a ser lançado.

Começar não foi fácil. Com a história debaixo do braço, Caroline bateu às portas de várias editoras. "Até publicavam o livro, mas pediam-me sempre um adiantamento em dinheiro para o fazer. De modo que resolvi deitar mãos à obra e comecei por vender o livro - que ainda nem sequer existia - a amigos, conhecidos, amigos de amigos e através da internet para poder adiantar a impressão".

O terceiro está prestes a ver a luz do dia, mas Caroline Soares estuda ainda a melhor maneira de o pôr nos escaparates das livrarias sem custos.

Agora percorre o País, sobretudo a região Norte, em visita a escolas para leituras e apresentações dos seus livros. Se tiver boleia, aceita, senão apanha o comboio. E vai sozinha. Chega a todo o lado onde os carris e a vontade férrea a levarem.

Fonte: CM