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segunda-feira, 19 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
Garçons cegos na rede de restaurantes dos sentidos Dans le Noir

A proposta da rede de restaurantes Dans le Noir – do francês ´no escuro´ – é experimentar diferentes sensações, saboreando as refeições sem os preconceitos estabelecidos pela visão. Inaugurado no final de 2004 em Paris, o conceito do estabelecimento prova ter conseguido uma fórmula certa de atrair o público: usar a sensibilidade dos sentidos. Com o sucesso, o restaurante criado pelos ex-publicitários Edouard de Broglie e Etienne Boisrond ganhou uma filiais em Londres, Barcelona, São Petersburgo e Kiev.
O projeto da dupla francesa consiste em servir as refeições no mais completo escuro, como o próprio nome diz. Quando os clientes chegam ao restaurante, passam por duas salas de luminosidade decrescente, até chegar a uma terceira, em fila indiana, onde não há qualquer iluminação e as janelas são vedadas com insulfilm. Nenhum tipo de luz é permitido em seu interior, nem mesmo relógios ou celulares. No breu, são guiados e servidos somente por garçons cegos ou com forte deficiência visual, em oposição ao que ocorre no dia-a-dia.
Sobre a mesa, copos de vidro inquebrável. Os pratos são escolhidos no bar iluminado e 90% das pessoas optam pela sugestão do chef: o menu surpresa, também chamado de menu confidence. Para os amantes da culinária francesa, significa deixar por conta do chef a escolha da refeição completa, desde a entrada até a sobremesa. Não há qualquer tipo de surpresa desagradável na escolha dos pratos. As refeições correspondem à normalidade de qualquer restaurante, com uma refinada e moderna cozinha internacional. O diferencial está mesmo no ambiente.
Segundo os criadores, a intenção é acentuar o sabor dos pratos, criando uma experiência gastronômica única. Como não há recepção de luz pelos olhos, o sentido da visão fica inoperante e o corpo passa então a trabalhar com uma percepção mais complexa, ativando ao extremo sentidos como o paladar, o tato, o olfato e a audição. De Broglie acredita que esse tipo de restaurante é uma forma perfeita de experimentar pratos usando somente as papilas gustativas. “O conceito que se esconde atrás da comida é a reeducação do paladar e da mente dos clientes, para fazê-los sentir verdadeiramente o gosto da comida. Na minha cozinha, o menu surpresa é feito com fortes sabores e aromas, assim como diferentes temperaturas e texturas. Todos estes fatores produzem uma experiência pedagógica.”, explica o chef da filial de Londres, Eugene Kuikhoven.
A idéia é transformar o Dans le Noir? em um conceito global e levá-lo para outros cantos do mundo. Diferentemente de Paris e Londres, em Moscou o restaurante foi aberto em esquema de franquia. O sucesso nas cidades é grande. De acordo com a imprensa francesa, a reserva para uma mesa local deve ser feita com algumas semanas de antecedência. Outras cidades do mundo já imitaram a idéia. No Canadá, em Montreal, é possível comer no Onoir sob as mesmas condições: escuridão total e serviço realizado por cegos. Os alemães contam com o Usicht-Ba, em Berlim e Colônia. Será que nenhum empresário brasileiro se anima com a idéia?
Fonte: Guia da Semana
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Manuela Ralha
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sexta-feira, março 16, 2012
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quarta-feira, 14 de março de 2012
Atletas especiais também cruzaram a meta na Corridas Lezírias
Ao cruzar a meta da Corrida das Lezírias Manuela Ralha bateu palmas e sorriu enquanto um dos jovens elementos da associação Mithós, irmão do João com trissomia 21, empurrava a cadeira. Seguiram-se pouco a poucos os outros elementos. A pé, mais devagar, ou em carrinho de bebé. Começou por chamar-ser Mithós – núcleo do Ribatejo mas actualmente a associação já tem dimensão nacional e por isso prepara-se para mudar o nome para Mithós - Movimento de Apoio à Multideficiência.
O grupo trabalha em prol dos cidadãos portadores de deficiência, na zona de Vila Franca de Xira e Vale do Tejo, sem qualquer fim lucrativo, e visa proporcionar às pessoas portadoras de incapacidade ou deficiência actividades que as estimulem. Começaram por apoiar familiares e portadores de spina bífida e hidrocefalia mas entretanto alargaram a outros espectros. Têm jovens e adultos com trissomia 21, paraplégicos, pessoas com lesões medulares, amblíopes e cegos. O grupo tem 25 atletas com deficiência e sócios não só de Vila Franca de Xira como de Cascais, Almeirim, Moita, Montijo, Santarém e Ferreira do Zêzere. Contam com uma equipa de natação adaptada e participam em vários eventos desportivos. Na manhã de domingo nem todos vieram até à beira rio para a mini corrida que se realizou paralelamente à Corrida das Lezírias com chegada no mesmo local, no Parque Urbano do Cevadeiro. Os elementos dividem-se para participar nas provas. O grande objectivo é a integração social e a integração desportiva. “A nossa intenção, quando trabalhamos com crianças, é provar-lhes que somos tão capazes como os outros de nos integrar no desporto. Se as cidades, vilas e aldeias tiverem mais acessibilidades mais fácil será para nós integrar todos os cidadãos portadores de deficiência”, explica a vice-presidente da associação Manuela Ralha. Os outros elementos “menos especiais”, sem qualquer tipo de condicionalismos, são voluntários, elementos da direcção ou pais. “Também há quem não tenha ninguém com deficiência mas quer ajudar e participar”, remata.
Ana Santiago
Fonte: O Mirante
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Manuela Ralha
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quarta-feira, março 14, 2012
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Este texto foi escrito por João Henriques para o site da Rede Saci, de onde é repórter voluntário. Português, tem 35 anos e tornou-se tetraplégico em um acidente. Administra o site Acessibilidade em estado de sitío.
Se eu tiver que indicar no mapa de Portugal uma cidade como sendo o centro do País seria, sem qualquer dúvida, Coimbra. Esta cidade Histórica está cheia de encanto e tradição pelos seus Monumentos, o Fado e a Universidade (uma das mais antigas da Europa). Coimbra fica a cerca de 100 Km do Porto e 200 Km de Lisboa, e por muito que ela seja marcada pela história, todos os anos a sua Universidade enche Coimbra de estudantes, contrastando então o conservadorismo com o contemporâneo, num imenso "pulmão" de jovens estudantes famintos de criar as suas histórias.
Eu, João, vivo na Lousã, uma vila com uma identidade muito própria, mas devido a ficar a escassos 28 km de Coimbra, torna-se, também, num dormitório desta cidade. E viver na fronteira entre a tranquilidade e o citadino (aquele que habita a cidade) levanta sempre a questão:
- Será que existe dificuldade em conseguir transportes públicos com acessibilidade?
Um dia, decidi tirar as dúvidas, enchi o peito de ar, apanhei um punhado de coragem e embarquei numa aventura, experimentar alguns transportes que me rodeavam. Em primeiro lugar, pedi a uma associação da Lousã, ARCIL, (Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã), se seria possível transportar-me numa das suas carrinhas (perua ou van) até Coimbra. O pedido foi aceito.
Então começou a correria, no dia marcado à hora certa, com uma pontualidade de um dos melhores relógios suíços, lá estava ela, a tão desejada carrinha da ARCIL mesmo à minha porta. O motorista colocou a carrinha no local preciso, desceu o elevador, cumprimentou-me carinhosamente - "Como estás, João?", respondi enquanto o motorista colocava a cadeira no local certo, subiu o elevador, destrancou a cadeira, empurrou-a para o seu interior, firmou-a com os trancadores de segurança, recolheu o elevador, fechou a porta traseira, certificou-se que estava tudo correcto e arrancou sem mostrar qualquer tipo de cansaço.
Com uma ajuda destas consegui eliminar vários quilómetros, Coimbra estava no meu horizonte, em plena hora de ponta, o corre-corre, empurra e chega para lá, parece uma "dança na corda bamba". Pedi ao motorista para me colocar em pleno centro da cidade, junto à entrada da Estação da Cidade, o condutor então, com alguma perícia e grande experiência, estacionou a carrinha de maneira a proporcionar-me uma saída confortável e sem dificuldade.
Aí estava eu, em segurança, no passeio (calçada) junto à fachada da estação de comboios (trem), refira-se que, este local público não tem os requisitos mínimos de acessibilidade. Uma rampa de acesso só não chega!!!
Transporte seguinte o "Pantofinhas", um autocarro (ônibus) eléctrico que faz a ligação entre a baixa e a alta de Coimbra sem paragens pré-definidas, pára sempre que se justifique. Para o apanhar tinha que atravessar a Avenida Fernão de Magalhães... Tanto trânsito para tão pouca acessibilidade... Entrei depois por pequenas ruelas típicas de Coimbra, que por muito antigas que sejam, com a recuperação efectuada, ao nível do pavimento em paralelo, permite uma fácil deslocação a um cidadão com necessidades especiais. Este local, pelo seu encanto, será comparável aos grandes Bazares de Cairo, calçado, roupas, comida, ali tudo se vende!!!
Ali estava o "Pantofinhas" prestes a arrancar, levantei o braço e foi-me indicada a entrada, o condutor accionou o mecanismo que engrenava uma rampa para facilitar a entrada da cadeira de rodas, no interior tinha um local adaptado para a cadeira incluindo cinto de segurança, fiz o percurso deste mini autocarro 2 vezes. Ele seguia a linha azul que estava marcada no chão. Pedi para sair. A rampa voltou a amparar-me ficando em cima do passeio facilitando a mobilidade.
O próximo transporte foi o elevador panorâmico de Coimbra: "- Olha, não sabia que era necessário bilhete!!!" adquiri-o com a ajuda de terceiros, porque a bilheteira, ao lado, estranhamente tinha degraus. Entrei, então, dentro do elevador. Ele subiu, a paisagem era a sensação de ter Coimbra a cair aos meus pés. O elevador tem dois percursos ascendentes dividido por um passadiço. Não encontrei obstáculos... a paisagem é cativante!!!
- Tive de acelerar porque o relógio lutava contra mim... tinha de apanhar o transporte de volta!!!
Já um pouco fatigado desloquei-me ao apeadeiro (estação ferroviária secundária) para apanhar a automotora para a Lousã, eu sabia o que me esperava, subir três degraus de cadeira de rodas para entrar, parecia um desporto radical, a ausência de infra-estruturas de acesso da gare (estação) para o interior da automotora, é um acto discriminatório, obrigou-me a recrutar alguns voluntários... mas compensou pela paisagem do percurso ferroviário.
Lousã. Em casa cheguei a algumas conclusões, se não fosse o transporte da carrinha da ARCIL nunca teria um dia tão intenso, mostrou-se a mais adequada às necessidades de um cidadão com necessidades especiais. Mas, nem todos os espaços urbanos ou transportes públicos, em Coimbra, estão apetrechados das condições de acessibilidade que permitam uma fácil mobilidade para todos os cidadãos. A ausência de um desenho, que torne todos os locais funcionais, é um flagelo comum à maioria das cidades e vilas de Portugal e marca a diferença entre a dependência e independência afectando, principalmente, os cidadãos que têm um grau de deficiência física muito elevado, aumentando o seu estado de ansiedade e arruinando a sua qualidade de vida.
Fonte: Rede Saci
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Manuela Ralha
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quarta-feira, março 14, 2012
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segunda-feira, 12 de março de 2012
Vídeo de surfista cego faz sucesso na internet

Clique no link abaixo para ver o vídeo de Derek no Havai
Esta notícia tem conteúdo multimédia, clique aqui para visualizar
O facto de ser cego não impediu o jovem brasileiro Derek Rabelo de seguir o seu sonho e surfar as ondas do mar. O caso deste surfista, de 19 anos de idade, é relatado num vídeo que está a circular um pouco por todo o mundo, através da internet.
Derek é brasileiro, da cidade de Guarapari, e gosta tanto de surfar que foi passar o Inverno ao Havai onde conheceu três veteranos do desporto: Eddie Rothman e os seus dois filhos Makua e Koa.
Os três surfistas ficaram tão impressionados com a história de Derek Rabelo que o hospedaram em sua casa e lhe deram uma prancha nova, além de um apoio da marca de roupa Da Hui.
Um dos irmãos, Makua, admite que quando soube pela primeira vez que Derek surfava não acreditou mas agora não hesita em afirmar que o jovem brasileiro "é o surfista mais incrível do mundo". "É o meu novo herói", sublinha.
Fonte : http://boasnoticias.clix.pt
Derek é brasileiro, da cidade de Guarapari, e gosta tanto de surfar que foi passar o Inverno ao Havai onde conheceu três veteranos do desporto: Eddie Rothman e os seus dois filhos Makua e Koa.
Os três surfistas ficaram tão impressionados com a história de Derek Rabelo que o hospedaram em sua casa e lhe deram uma prancha nova, além de um apoio da marca de roupa Da Hui.
Um dos irmãos, Makua, admite que quando soube pela primeira vez que Derek surfava não acreditou mas agora não hesita em afirmar que o jovem brasileiro "é o surfista mais incrível do mundo". "É o meu novo herói", sublinha.
Fonte : http://boasnoticias.clix.pt
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Manuela Ralha
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segunda-feira, março 12, 2012
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domingo, 11 de março de 2012
Mulher permitiu abusos sexuais à filha deficiente a troco de batatas
Mulher suspeita de ceder a filha deficiente mental profunda, de 41 anos, para abuso sexual, praticado por três homens, em Coimbra. As violações, segundo a Polícia Judiciária (PJ), serviam como forma de pagar batatas e outros produtos agrícolas. Os três alegados violadores e a mãe da vítima foram detidos.As violações terão ocorrido em Coimbra, segundo suspeita a PJ, que procedeu à detenção dos três alegados violadores e da mãe da vítima. Os violadores terão estabelecido um acordo com a mulher, que em troca de batatas e outros produtos agrícolas cedia a sua filha, deficiente mental profunda, para abusos sexuais.
A vítima, de 41 anos, terá sido “abusada pelo menos desde 2010”, explica um comunicado da PJ. As autoridades suspeitam ainda de que as violações tenham ocorrido há mais tempo e tenham sido praticadas por outros homens, além dos três detidos. Um familiar da vítima apanhou um dos homens em flagrante, a consumar a violação.
Esta mulher deficiente vivia sozinha com a mãe e terá sido usada em diversos negócios que a mãe estabeleceu, ao longo de anos, segundo suspeita a PJ. Os vizinhos estranhavam as repetidas visitas dos suspeitos à casa da suspeita e da vítima. Todos os três homens envolvidos nas violações eram, aliás, vizinhos.
Um deles, de 68 anos de idade, é um ex-emigrante em França, que apresenta no cadastro crimes de abusos sexuais de um menor, nesse país. Outro homem tem 70 anos e o terceiro tem 54 anos, adianta a PJ.
Os crimes de abuso sexual à mulher de 41 anos ocorriam diversas vezes por dia, de dia e de noite. As dificuldades económicas da mãe e da filha – “um quadro de total miséria”, segundo as autoridades – levavam a que a mulher com deficiência fosse abusada, “a troco de batatas e bens agrícolas”, bem como “pequenas quantias em dinheiro”.
A mãe da vítima poderá responder pelo crime de lenocínio, caso se confirme a suspeita. Os restantes respondem por abuso sexual de pessoa incapaz. Todos foram ouvidos na tarde de hoje por um juiz, no Tribunal de Coimbra, . A mulher deficiente foi entregue aos cuidados de outros familiares, segundo adianta a Lusa, citando fonte da PJ.
Fonte: Pt Jornal
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domingo, março 11, 2012
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Alison Lapper: Conheça a sua história
Alison Lapper nasceu em 7 de abril de 1965, em Burton, Inglaterra. Os pais biológicos e médicos não detectaram nenhum problema, no entanto ela nasceu com uma marca especial para a vida, não tinha braços e pernas e seria menor que o normal.Em sua infância, Alison foi abandonada por seus pais aos quatro meses de idade. Eles eram trabalhadores de uma fábrica de automóveis, no Condado de Yokshire, e se separaram quando ela nasceu. Ela também tem uma irmã mais velha que mal conhece.
Assim, Alison passou a infância em uma escola cercada por outras crianças deficientes que se assemelhavam a ela fisicamente. “Havia várias crianças sem membros, como resultado da onda da talidomida. Para nós era difícil adquirir o equilíbrio. Não conseguíamos sentar sem cair e não éramos capazes de levantar”, diz Alison sorrindo.
Nick Vujicic: uma grande história de superação de um homem sem braços e pernas
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Desde criança Alison sentia-se desconfortável em usar próteses. Aos três meses tentaram usar esse equipamento em seu corpo. “As pessoas abusam do seu poder sobre as crianças. Na verdade, essas próteses eram para que os adultos se sentissem bem e não eu.”
Quando tinha 12 anos, Alison realmente entendeu que sua infância tinha acabado. “Até então eu estava muito ocupada sendo uma menina. Mas, deixei de ser menina e entrei na puberdade e então percebi a diferença”. Foi difícil para Alison aceitar a forma de seu corpo, pois ela queria ser bonita e sedutora. No entanto, ela aprendeu a se superar.
Aos 19 anos, viajou sozinha para Londres para uma licenciatura em Belas Artes e depois se tornou uma renomada pintora. Ela começou a pintar com a boca aos três anos de idade. Sua pintura foi reconhecida e recebeu a maior honra da Inglaterra, Membro do Império Britânico (MBE) por serviços prestados a arte britânica. O prêmio foi entregue pela própria rainha.
Ao longo de sua vida, ele teve que suportar a rejeição e a exclusão por ser diferente, mas conseguiu ver o lado positivo e seguiu em frente.
Aos 33 anos Alison ficou grávida, mas assim como fizeram seus pais, também foi abandonada pelo namorado. Entretanto decidiu ir em frente apesar das dúvidas e medos de que o bebê herdasse sua deficiência.
Seu filho Parys, tem agora 14 anos. Ela o incluiu em vários de seus trabalhos fotográficos.
“No começo eu estava preocupada com o que iria acontecer com meu filho e disse que um dia Parys se envergonharia de mim”, mas isso não aconteceu”, afirmou Alison.
O artista britânico Marc Quinn fez uma escultura em sua homenagem, intitulada “Alison Lapper Grávida”. A estátua foi colocada em 2005 na histórica Praça Trafalgar Square. Ela foi feita de mármore branco, mede 3,6 de altura e pesa 11,5 toneladas. Ficou no local até 2007 quando foi substituída por outra.
Veja muito mais em Deficiente Ciente
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Manuela Ralha
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domingo, março 11, 2012
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sexta-feira, 9 de março de 2012
Nos museus, tours especiais e relíquias ao alcance das mãos

Durante séculos, a arquitetura foi a principal ferramenta dos monarcas europeus para ostentar poder - uma disputa evidente nas torres altíssimas e igrejas monumentais. Relutantes em alterar edifícios históricos, os governos locais ainda não encontraram alternativas que os tornem mais acessíveis. Mesmo em prédios modernos - como a Torre de TV de Berlim, de 1969 -, podem não haver opções aos degraus.
Nos museus, não há regra. Quem visita o site do Museu Britânico, por exemplo, descobre que há visitas guiadas para cegos todos os dias, às 11 horas, em que é possível tocar objetos egípcios. Muitos funcionários, contudo, ignoram sua existência. E esta não é uma exceção. Por isso, sempre pergunte pessoalmente. Com sorte, o visitante cego tocará em relíquias como as autênticas esculturas gregas do Neuis Museum e os portões assírios no Museu Pergamon, ambos em Berlim.
Nem sempre há rampas ou elevadores de acesso para cadeirantes. Embora a capital alemã esteja reformando seus museus estatais para torná-los mais amigáveis a deficientes, muitos - entre eles o mais popular, o Pergamon - continuam cheios de degraus inescapáveis. Antes de desistir, pergunte por elevadores de serviço: eles quase sempre estão lá.
As galerias de arte podem ser entediantes para quem não enxerga. Uma saída é pegar os audioguias e escutar as explicações detalhadas dos quadros que você não consegue ver. Os aparelhos costumam ser grátis para cegos e podem ser bem úteis para descrever igrejas e prédios históricos.
A maior parte das atrações, aliás, oferece descontos a pessoas com deficiência. Na Alemanha, por exemplo, o visitante com deficiência normalmente paga o próprio ingresso, mas leva o acompanhante de graça.
Passeios a prédios do governo estão entre os mais acessíveis. Os edifícios da União Europeia em Bruxelas têm entradas adaptadas a cadeira de rodas e visitas guiadas em várias linguagens de sinais. Já em Edimburgo, o parlamento escocês (aberto em 2004) foi construído respeitando padrões de acessibilidade. A beleza da arquitetura moderna do prédio em si já vale a visita, e, para os turistas cegos, há um mapa da Escócia em alto-relevo.
Também sem contraindicações são os passeios ao ar livre. Caminhe sem pressa pela Unter den Linden, principal avenida de Berlim; perca tempo no parque St. James, próximo ao parlamento inglês; flane pelos canais de Amsterdã; suba a colina de Calton para sentir Edimburgo a seus pés. Estes passeios são gratuitos, não têm obstáculos e oferecem a melhor percepção da vida nas capitais europeias. Só isto já fará sua viagem valer a pena.
Fonte: Estadão
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Manuela Ralha
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sexta-feira, março 09, 2012
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quinta-feira, 8 de março de 2012
Preconceitos sociais obrigam pessoas com deficiência a praticarem sexo às escondidas
Rui, de 16 anos, sofre de debilidade mental acentuada e vive numa instituição da região desde os 11 anos, quando os pais faleceram. Foi vítima de abusos sexuais e também ele abusou sexualmente de duas meninas, uma delas com 7 anos, com quem gostava de brincar no recreio. Tomou medicação para reduzir a testosterona e reduzir o impulso sexual. Hoje apenas exerce a masturbação, que pratica às escondidas no seu quarto ou numa casa de banho da instituição. O caso foi relatado por Catarina Soares, psicóloga clínica e coordenadora do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (antigo hospital Júlio de Matos), durante um debate realizado na Cercipóvoa, instituição que apoia pessoas com deficiência da Póvoa de Santa Iria, onde foram partilhadas histórias e problemas da sexualidade das pessoas com deficiência.
As pessoas com deficiência vivem muitas vezes o sexo às escondidas porque a sociedade ainda alimenta um forte estigma e tabu sobre o tema. Outras vezes são os pais, que olham para os filhos deficientes como uma eterna criança assexuada. Mas nos corredores das instituições há namoros não autorizados pelos pais, casos de homossexualidade, paixões por funcionários e até abusos sexuais. “Quando falamos de sexo falamos do mais complexo dos comportamentos humanos. É uma necessidade imperiosa e é também aquela que está mais sujeita a regras e tabus sociais. Somos todos obrigados a viver o sexo de acordo com um modelo social, onde imperam os bonitos e apenas a relação entre um homem e uma mulher”, sublinha Catarina Soares.
Uma das utentes da instituição da Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira, apaixonou-se por outro utente que vive na instituição com quem mantém uma relação. Mas não há sexo, é uma regra da casa. Para se satisfazer sexualmente tem de se isolar no quarto ou fechar-se na casa de banho. Os pais da utente de 37 anos, com deficiência mental, não aprovam a relação. “Sinto alguma revolta por não deixarem os namorados estarem à vontade, há sempre alguém a vigiar. Quando se beijam ou estão agarrados vem logo alguém chamar à atenção”, partilha a utente que não quer ser identificada.
No lar da Cercipóvoa estão 26 pessoas com deficiência. Sérgio Camacho, responsável do lar, admite que é difícil “controlar” os impulsos sexuais dos utentes. “São adultos que têm impulsos sexuais e precisam de ter essas relações. É complicado porque estamos a lidar com uma das forças mais importantes da natureza e muitos tentam ter relações sexuais entre eles”, confessa. A verdade é que a maioria das instituições promete promover a integração na sociedade da pessoa com deficiência mas no que toca ao sexo ainda há muito pudor em falar do assunto.
Na instituição há casos de utentes que se masturbam nas casas de banho. O sexo entre deficientes, para quem não trabalha com eles ou vive os seus problemas, pode parecer uma coisa estranha. Mas a sexualidade tem efeitos nos seus comportamentos. “Quando os utentes não se conseguem satisfazer sexualmente apresentam alguns comportamentos mais graves e andam mais agressivos. E como em qualquer pessoa ter uma vida sexual saudável é fundamental para o seu desenvolvimento e para a sua forma de estar na vida”, explica Vera Rosa, psicóloga da instituição.
Portugal continua à espera de casas de assistência sexual
Usadas há vários anos noutros países europeus, as casas de assistência sexual às pessoas com deficiência seria uma forma de minimizar algumas das limitações actualmente sentidas pelas pessoas com deficiência. Ainda existem bastantes portadores de deficiência que encontram na prostituição uma resposta às suas necessidades. Vera Rosa defende que o estigma tem impedido essas unidades de avançar.
Fonte: http://semanal.omirante.pt
quarta-feira, 7 de março de 2012
“Mamã dói-me muito a cabeça!!!” - Serviço de Pediatria do Hospital de Braga
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| As cefaleias, vulgarmente conhecidas como dores de cabeça, são um problema muito frequente em idade pediátrica. Calcula-se que quase metade das crianças até aos 7 anos e mais de metade dos adolescentes até aos 15 anos já sofreu um episódio de cefaleia. A cefaleia é definida como uma dor ou mau-estar referido à cabeça que pode ter origem nas estruturas cranianas ou se irradia para as mesmas a partir de estruturas extracranianas (dentes, ouvidos, seios peri- nasais...). É importante salientar que, apesar da sua alta frequência, a maior parte das cefaleias são benignas, não existindo qualquer patologia orgânica por trás. A cefaleia crónica mais comum na criança é a enxaqueca que por sua vez é a segunda patologia mais frequente neste grupo etário a seguir à obesidade. Em muitos casos existem vários membros da mesma família com este sintoma. Esta queixa é, no entanto, uma das principais causas de absentismo escolar. Que tipos de dores de cabeça existem? É importante para os pais conhecerem o tipo de dor de cabeça do seu filho: - cefaleias primárias: a dor de cabeça é a principal queixa, sem que exista qualquer outro problema de saúde: enxaqueca, cefaleia de tensão... - cefaleias secundárias: as dores de cabeça são causadas por exemplo por traumatismo craniano, problemas de vasos sanguíneos cerebrais, efeitos secundários de medicamentos, infeções em diferentes partes do organismo (dentes, ouvidos...) entre outras. Como pode saber se o seu filho está com dor de cabeça? Os pais melhor que ninguém conhecem os seus filhos. Por isso é muito importante estar atento, especialmente nas crianças mais pequenas que não se sabem queixar, perante as seguintes atitudes: - senta-se ou deita-se sozinho num quarto escuro, queixando-se que a luz e o som o incomodam. - adormece numa altura do dia que não é habitual, não tendo vontade de brincar ou fazer o que mais gosta. - apresenta-se maldisposto ou com vómitos. - Parece muito parado e cansado, sem vontade de fazer nada. O que pode fazer se o seu filho se queixa de dor de cabeça? - Mal o seu filho se queixe de dor de cabeça, medique-o com analgésicos como o paracetamol ou o ibuprofeno, tendo sempre o cuidado de respeitar as doses e os intervalos de administração indicados pelo seu médico. - Escreva um diário das dores de cabeça do seu filho onde vai anotando os fatores associados ao início da dor de cabeça, como o que estava o seu filho a fazer quando se queixou, o que fez para que a dor melhorasse, quanto tempo durou a queixa, qual a frequência das queixas e se pouco tempo antes ou durante a dor de cabeça existe algum outro sintoma como por exemplo vómitos ou náuseas ou intolerância à luz e ao som. - É importante ensinar a criança sobre o que fazer quando esta tiver uma dor de cabeça num local onde os pais não estejam presentes, para que este consiga controlar este sintoma sozinho. O que pode fazer para diminuir a frequência com que o seu filho apresenta esta queixa? É fundamental que o seu filho tenha um estilo de vida saudável. Para isso é importante respeitar as seguintes indicações: - Beber muita água (4-8 copos por dia), evitar a cafeína e outro tipo de bebidas: sumos, refrigerantes... - Manter um sono regular respeitando pelo menos 8-10 horas de sono por noite, que é o que a maioria das crianças necessita para descansar o suficiente. - Ter uma alimentação saudável e diversificada, evitando saltar refeições, o que poderia desencadear uma baixa de açúcar no sangue, que é muitas vezes causa de cefaleia. Nunca esquecer que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia. - Evitar situações demasiado stressantes para a criança tendo também atenção para não sobrecarregar a agenda do seu filho com atividades extracurriculares a mais. - Seguir o tratamento prescrito pelo seu médico. Se se trata de medicação para evitar o aparecimento da dor de cabeça, é importante que o seu filho a tome todos os dias. Quando deve levar o seu filho a um médico? Perante uma criança com dor de cabeça é importante que os pais saibam distinguir as dores de cabeça que podem ser tratadas em casa, daquelas que obrigam a que o seu filho seja observado por um médico como as seguintes: - Dores de cabeça que são extremamente severas, a tal ponto de impedir a criança de fazer a sua vida normal. - Dores de cabeça que vão aumentando de frequência ou intensidade com o passar do tempo e que deixam de responder à medicação habitual. - Dores de cabeça que despertam a criança durante o sono. - Dor de cabeça acompanhada de vómitos matinais repentinos. - Dores de cabeça após uma queda com traumatismo na cabeça. - Alteração do comportamento ou personalidade. - Quando a criança se queixa: "Esta é a pior dor de cabeça que já tive até hoje!". - Dores de cabeça com febre ou rigidez do pescoço. Joana Neiva Machado, com a colaboração de Helena Silva, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga. |
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quarta-feira, março 07, 2012
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O meu filho tem síndrome nefrítico… E agora? - Serviço de Pediatria do Hospital de Braga
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| O que é esta síndrome? É uma das síndromes mais frequentes na nefrologia pediátrica e tem habitualmente uma evolução benigna. Pode ser definida por um conjunto de sinais clínicos: - hematúria (presença de sangue na urina) - é em regra visível a olho nu, mas o facto de ser apenas visível ao microscópio não invalida a existência desta síndrome; - proteinúria (presença de proteínas na urina); - tensão arterial superior ao percentil 95; - aumento de peso que se pode traduzir por "inchaço" (edemas) na cara e/ou no corpo; - alteração nas análises da função renal (ureia e creatinina). Quais são os sinais e/ou sintomas que podem surgir? O sinal principal é frequentemente a alteração da cor da urina. Os pais podem notar uma coloração avermelhada ou semelhante a "coca-cola". Por vezes pode parecer que a urina faz "espuma". E em alguns casos pode ocorrer diminuição da quantidade de urina produzida. O aumento da tensão arterial da criança faz com que esta tenha dores de cabeça, náuseas ou vómitos (em casos graves, pode mesmo originar convulsões). Pode ocorrer um aumento do peso da criança devido ao edema da cara e do corpo (mais visível nas pálpebras quando a criança acorda de manhã). Em casos graves este edema pode conduzir a problemas cardíacos ou respiratórios. O sinal de alarme nesta situação é a dificuldade respiratória. Podem também surgir alterações na pele, dor nas articulações, febre, perda de apetite, dor abdominal ou diarreia. Em algumas crianças esta síndrome surge alguns dias ou semanas após uma infeção da pele, das vias respiratórias ou do sistema digestivo. Quais são as causas desta síndrome? Geralmente esta síndrome está associada a várias doenças. A unidade básica do nosso rim é o glomérulo, e quando este está afetado, a doença designa-se por glomerulonefrite. Neste caso, existe inflamação das células do rim. Existem várias causas de glomerulonefrite, mas a principal causa é a infeciosa. As glomerulonefrites podem ser classificadas como primárias ou secundárias: - primárias: o rim é o principal órgão afetado (por exemplo: glomerulonefrite membranoproliferativa, glomerulonefrite mesangioproliferativa, etc); - secundárias: doenças que envolvem o rim e outros órgãos (por exemplo: lúpus eritematoso sistémico, púrpura de Henoch-Schonlein, poliartrite nodosa, síndrome de Alport, nefropatia de IgA, etc.); Quando as estruturas afetadas são os túbulos ou o interstício, a doença designa-se por tubulointersticial. Nestes casos, determinados estímulos como uma infeção, um medicamento ou uma alteração do metabolismo do organismo podem iniciar um processo inflamatório. Os sintomas e as alterações nas análises serão diferentes consoante o segmento do túbulo envolvido. A associação familiar pode estar presente, por isso deverá ser perguntado aos pais se há casos de surdez ou doenças renais na família (por exemplo: síndrome de Alport). Como se faz o diagnóstico? Como já foi discutido acima, o diagnóstico desta síndrome baseia-se em sinais clínicos (tensão arterial superior ao percentil 95, aumento do peso e diminuição da quantidade de urina) e/ou laboratoriais (análises e colheita de urina). A ecografia renal poderá ser realizada para excluir outras causas. Quando os sinais clínicos ou as alterações nas análises se mantêm, poderá ser necessário fazer uma biopsia ao rim. Se o meu filho tiver síndrome nefrítico deve ficar internado? Sim! O internamento está indicado para o controlo do peso, da tensão arterial, da quantidade de urina produzida, da ingestão de líquidos e de sal e de possíveis alterações da consciência. Assim como para o controlo das análises da função renal e para o tratamento dos sinais clínicos. Estes atos são essenciais para a prevenção de complicações no futuro. Como é feito o tratamento? O tratamento da hipertensão pode incluir alterações na alimentação da criança e também o uso de medicamentos anti-hipertensores como os diuréticos (por exemplo: furosemida) ou outros (por exemplo: nifedipina, amlodipina ou captopril). Para a correção das alterações no equilíbrio da água e dos iões (sódio, potássio e cloro) são usadas medidas na alimentação da criança e também o "soro" (fluidoterapia endovenosa). A diálise poderá ser necessária nos casos de insuficiência renal aguda que não responde a outros tratamentos. A utilização de corticóides e de agentes imunossupressores poderá ser útil em alguns casos. Como é feito o seguimento após a alta hospitalar? A criança ficará a ser seguida em consulta de nefrologia, onde irá repetir análises após seis a oito semanas da alta hospitalar. Os pais deverão registar uma vez por semana a tensão arterial, o peso e a tira do teste urinário (Combur®). Qual é o prognóstico? Na maioria dos casos, o prognóstico é bom, permitindo a recuperação da função renal e o desaparecimento da hematúria e da hipertensão num prazo médio de duas semanas. A proteinúria pode manter-se durante cerca de três meses sem significado nocivo e a hematúria microscópica prolongar-se até doze meses sem invalidar a evolução no sentido da cura. Quando estamos perante uma glomerulonefrite pós-infeciosa o prognóstico é excelente, e as recorrências são raras. No caso das doenças tubulointersticiais, o prognóstico depende da doença subjacente. No futuro poderão surgir complicações secundárias à hipertensão arterial ou a doença renal crónica. Portanto, um conhecimento aprofundado acerca da síndrome nefrítico é importante na medida em que fortalece o cumprimento da terapêutica e a adoção de estilos de vida saudáveis (manutenção do peso, exercício físico diário e alimentação equilibrada). Maria Miguel Gomes, com a colaboração de Helena Silva, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga. |
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Manuela Ralha
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quarta-feira, março 07, 2012
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Usabilidade e acessibilidade dos maiores museus portugueses online
Está tudo na Web: jornais, televisões, bancos, escolas e serviços públicos. Museus também. E porque a existência virtual, e a qualidade dela, conta cada vez mais para o sucesso das instituições, quisemos apurar a qualidade dos sites museológicos em Portugal.
Um conjunto de webdesigners contatados aceitou o desafio de analisar e classificar ossites dos museus mais visitados e representativos do país. A decisão é quase unânime: o portal do portuense Museu de Serralves – incluído no site da Fundação de Serralves – é o melhor. Ivo Gomes, consultor de usabilidade na empresa Log, destaca a “boa navegabilidade” e a “visita virtual ao parque de Serralves e à coleção do museu”. Gomes dá ainda nota muito positiva a todos os conteúdos do site.
A escolha do Museu de Serralves não surpreende. O investimento feito pela fundação na sua presença online tem sido contínuo e, de acordo com o diretor do Museu, João Fernandes, “surgiu quase como um imperativo”: “Há cerca de dois anos, antes da remodelação do site, dificilmente Serralves seria agora apontado como o melhor exemplo”, disse Fernandes ao Digital. Isto porque “nessa altura, a página não refletia aquilo que era o Museu e a Fundação”.
Certo é que, atualmente, Serralves leva vantagem sobre os outros museus na Web. Carlos Moreira, webdesigner a trabalhar na Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), diz que o portal “é o único da lista que realmente se destaca, principalmente pelo seu design”.
E Paulo Barbosa, da empresa VisualWork, considera o site “muito apelativo visualmente pela forma como toda a informação está organizada, dando ao utilizador a sensação de espaço, de modernidade e funcionalidade”. O especialista destaca ainda a qualidade da loja online e diz que “de todos os sites visitados, [o de Serralves] é aquele que melhor adequa a imagem do museu à sua versão online”.
A imagem, essa, é de modernidade e contemporaneidade, afirma o diretor do museu. João Fernandes afirma que, com a recente disponibilização integral da coleção permanente do Museu de Serralves na Internet, “o número de visitas aumentou de tal maneira que chegou a levantar problemas técnicos e levou ao congestionamento da página”.
Fernandes considera, contudo, que Serralves está ainda “na infância da arte”. Porque, lembra, um museu deve ser um organismo vivo e não deve limitar-se a apresentar exposições e receber visitantes. Em Serralves, o futuro passa por “fazer do site um local de reflexão, de publicação de documentos e de interação entre utilizadores”.
Símbolos de acessibilidade enganadores
Nem só de bons conteúdos e designs aprumados se faz um bom site. Foi por isso que um dos especialistas ouvidos pelo PÚBLICO, Carlos Moreira, resolveu ir avalidator.w3.org e testar a veracidade do símbolo de acessibilidade w3C (tecnologia que desenvolve padrões para a criação e a interpretação dos conteúdos para a Web) presente nalguns dos sites analisados.
Os resultados não são animadores: entre os cinco portais que exibem o símbolo na página, apenas o Museu Monográfico de Conímbriga cumpre todos os pontos do protocolo.
Como este, há, de facto, vários problemas por resolver nos sites dos museus portugueses, especialmente nos tutelados pelo IMC. E apesar de ter sido recentemente criada uma nova plataforma que já alberga as novas páginas Web de algumas instituições nacionais, há ainda “um longo caminho pela frente para estarem ao nível dos sites de referência internacionais”, vaticina o especialista Paulo Barbosa.
Com raras exceções, essencialmente verificadas nas páginas de Serralves e da Coleção Berardo, quase nenhum museu recorre a componentes multimídia para apresentar de forma mais intercativa as suas coleções. Barbosa critica a ausência de vídeo, áudio e da interatividade em Flash nas páginas portuguesas, uma vez que “são elementos que dão uma dinâmica muito grande aos sites”.
Do IMC, uma das responsáveis pelos projetos online, Amélia Fernandes, disse ao Digital que “há planos para a renovação de vários sites” e garante que a entidade está ciente da atual importância da Web: “Apesar de não termos feito qualquer estudo nesse sentido, acreditamos que um bom site na Internet conduz naturalmente a que os museus tenham um maior número de visitantes.”
Conimbriga fecha top 3
Para os museus, a imagem transmitida na Web pode ser decisiva para uma eventual posterior visita à instituição. Todavia, ao contrário do que poderia pensar-se ao olhar para a lista de museus nacionais públicos mais visitados – liderada em 2007 pelo Museu dos Coches (222.349 visitantes) e pelo Museu Nacional de Arqueologia (130.104) – é o Museu Monográfico de Conimbriga que, de acordo com os especialistas, tem o melhor site entre os museus tutelados pelo Instituto de Museus e Conservação (IMC).
O portal do Museu Monográfico, terceira instituição mais frequentada no ano passado entre as administradas pelo IMC, com 119.592 visitantes, aparece igualmente na terceira posição no ranking (ver tabela), logo depois de Serralves e do Museu Coleção Berardo.
Joana Carravilla, da Seara.com, realça a usabilidade e funcionalidade do site: “Nota-se que foi um site feito a pensar no utilizador e com intenção de passar informação.” A simplicidade pode às vezes ser o melhor caminho e, no caso de Conimbriga, a aposta numa homepage “muito simples, com entrada para todas as áreas”, beneficia o site. Há, no entanto alguns erros. Ivo Gomes nota que os links existentes ao longo das várias páginas não são facilmente distinguíveis do resto do texto e discorda ainda da estrutura dos menus. Ainda assim, ao nível dos conteúdos, “o site merece nota oito, numa escala de zero a dez”.
Mas, se o portal do Museu Monográfico não sai mal na fotografia, outros há que são bastante sofríveis. O do Museu Nacional do Azulejo (Lisboa) cota-se como a pior página oficial de um museu entre as avaliadas – o Museu Virtual da Imprensa é efetivamente o último, mas já lá vamos.
Para começar, o Museu do Azulejo tem como janela principal do site um “pop up”, prática nada usual e criticada unanimemente pelos especialistas, uma vez que “limita a área visível do site, retira o controlo ao utilizador e pode ser bloqueada pelos browsersmais recentes com proteção anti-popup”, explica Ivo Gomes. O consultor da Log não encontra nenhuma virtude no site e classifica como “muito má” a navegabilidade do portal, prejudicada por um sistema de scroll que funciona através de pequenos botões nada intuitivos.
A diretora do Museu Nacional do Azulejo, Fátima Loureiro, argumenta que o site da instituição está enquadrado num modelo imposto pelo IMC: “Se não o renovámos foi porque não pudemos. Há muito que sentimos que devíamos melhorar o nosso site mas é esta a norma que temos..”. Fátima Loureiro conta que, até há bem pouco tempo, a administração do museu nem sequer tinha acesso ao back office do site e era por isso que a informação estava muitas vezes desatualizada. “Já pedimos que nos dessem autorização, que implica um orçamento, para mudarmos para uma estrutura mais apelativa. Temos gente competente e capaz de nos ajudar nessa tarefa”, conclui a responsável.
O título de pior de todos os portais online cabe, de acordo com as avaliações, ao Museu Virtual da Imprensa. Porém – e apesar de se apresentar como “projeto da Associação Museu da Imprensa” – o site “não é a página oficial do Museu”, explica o diretor do organismo, Luís Humberto Marques. Mas a verdade é que aquela é a ‘cara’ do museu na Internet, reconhecida pela instituição e com contributos de funcionários do próprio museu.
De acordo com a análise do webdesigner Carlos Moreira, a página “tem graves carências ao nível do webdesign”, e trata-se de um siteque reprovaria redondamente em qualquer teste de usabilidade e acessibilidade.
O diretor do museu conta que quando o site foi lançado, em 1997, chegou a ser considerado por uma revista internacional de tecnologia como “um dos dez melhores no ramo dos museus”. Só que dez anos, na Internet, são uma eternidade, e Luís Humberto Marques reconhece que a estrutura inicial do portal nunca foi alterada.
“Admitimos que por vezes nem há sequer uma boa coerência entre os vários elementos colocados na página”, diz. Marques fala de “recursos limitadíssimos” e de um projeto em marcha para a criação da página oficial do Museu Nacional da Imprensa já em 2008: “Temos a noção que já era tempo de remodelarmos a nossa presença na Internet. Sabemos que perdemos o passo, mas vamos recuperá-lo.
www.serralves.pt
www.museudoscochesipmuseus.pt
www.conimbriga.pt
www.mnarqueologiaipmuseus.pt
www.mnarteantiga-ipmuseus.pt
www.mnazulejo-ipmuseus.pt
www.imultimedia.pt/museuvirtpress
www.mnsr-ipmuseus.pt
www.berardocollection.com
www.museu-do-brinquedo.pt
www.museudoneorealismo.pt
www.museudoscochesipmuseus.pt
www.conimbriga.pt
www.mnarqueologiaipmuseus.pt
www.mnarteantiga-ipmuseus.pt
www.mnazulejo-ipmuseus.pt
www.imultimedia.pt/museuvirtpress
www.mnsr-ipmuseus.pt
www.berardocollection.com
www.museu-do-brinquedo.pt
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Fonte: Publico
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Manuela Ralha
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segunda-feira, fevereiro 27, 2012
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