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sábado, 19 de maio de 2012

Seminário "Novas Perspetivas para o Turismo: A Acessibilidade Universal como Referencial de Qualidade"


O Seminário "Novas Perspetivas para o Turismo: Acessibilidade Universal como Referencial de Qualidade", promovido pelo Turismo de Portugal, realiza-se no dia 24 de maio, no Auditório da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, a partir das 10h00.

A realização deste seminário tem em vista sensibilizar os agentes turísticos para a temática do "Turismo para Todos", a qual constitui uma oportunidade de alargamento de mercados e um fator de competitividade para o setor. 

Porque os turistas são todos diferentes uns dos outros. São diferentes os que não têm problemas de saúde, de deficiência ou incapacidade, mas os que têm de se confrontar com essas dificuldades são ainda mais diferentes. O princípio de que todos devem ter acesso ao usufruto dos espaços, equipamentos e serviços de lazer e turismo é uma regra básica de direito e de cidadania. Para que tal aconteça, é necessário que quem cuida da oferta assegure os meios necessários, numa plataforma que envolve diversos meios de acessibilidade e circulação nos espaços públicos e privados, bem como a fruição dos estabelecimentos e locais de visitação, nos quais é fundamental uma correta definição do «ponto certo» do serviço. Mas também é necessário que as pessoas para quem estas preocupações se dirigem estejam atentas e motivadas. 

Neste seminário será também apresentado o Guia de Boas Práticas de Acessibilidade na Hotelaria, pela Secretária de Estado do Turismo, Dra. Cecília Meireles.

Informação completa: Turismo de Portugal

quinta-feira, 17 de maio de 2012

La Alhambra, primeiro monumento da Espanha, a fornecer o serviço de signoguías para surdos


O complexo monumental da Alhambra e do Generalife tornou-se o primeiro na Espanha a oferecer um serviço gratuito de signoguías para pessoas surdas através de um iPod touchscreen que reproduz vídeos explicativos em linguagem gestual espanhola e legendadgem.
O objetivo desta iniciativa, promovida por um acordo entre o Ministério da Cultura e da Fundação Orange é facilitar o acesso ao patrimônio para as pessoas com dificuldades auditivas, que são responsáveis por mais de meio milhão de cidadãos na Espanha, segundo foi informado na coletiva de imprensa pelo presidente da Fundación Andaluza Accesibilidad Personas Sordas, Alfredo Gomez.
Este é um dispositivo portátil que pode ser adquirido no pavilhão de acesso ao Alhambra e proporciona uma grande autonomia para os surdos durante a visita ao monumento, já que tem um manejo simples e permite uma cômoda navegação. Assim, o visitante receberá informações detalhadas sobre as diversas áreas que compõem o monumento, como o Palácio de Carlos V, o Patio de los Arrayanes, o Patio de los Leones, Jardines del Partal ou o Patio de la Acequia.
O serviço de Signoguías é parte do projeto “Museus Acessíveis” da Fundação Orange, que visa alcançar o objetivo de tornar acessível a história da arte e da cultura espanhola para pessoas com deficiência auditiva.
A iniciativa também irá se expandir para outros monumentos do património nacional e atualmente estão sendo realizadas adequações com a instalação de laços de indução magnetica e amplificadores em vários museus nacionais, bem como cursos de arte para surdos, tanto na língua de sinais espanhola como em língua falada.
A apresentação deste dispositivo foi presidida pelo Ministro da Cultura do Governo da Andaluzia, Paulino Plata, que enquadrou o projeto em conformidade com o Estatuto de Autonomia da Andaluzia na abordagem da cultura a todos os cidadãos em “igualdade de condições”.
Na sua opinião, “este é um passo importante” não só em matéria de acessibilidade, mas também para favorecer que a cultura possa se beneficiar e se renovar com a entrada de todos os cidadãos.
A Alhambra é o primeiro monumento que tem este serviço, mas o serviço de Signoguías promovido pela Orange Foundation está disponível nos seguintes museus:
Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid, 
Desde novembro de 2007. Apoiado pelo Ministério da Indústria, Turismo e Comércio através do Plano Avanza, com a colaboração técnica da Fundação CNSE e realização técnica da Antenna Audio.
Museu Nacional de Arte Romana em Mérida 
Desde maio de 2008. Em colaboração com o Ministério da Cultura e da Fundação CNSE e realização técnica da Antenna Audio.-
Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid 
Desde junho de 2009. Com a colaboração da Fundação CNSE e a realização técnica do GTP.
Museu Nacional e Centro de Pesquisa de Altamira 
Desde julho de 2009. Em colaboração com o Ministério da Cultura e da Fundação CNSE e realização técnica da Antenna Audio.
Museu Nacional d’Art de Catalunya (MNAC) 
Desde março de 2011. Com a colaboração de FESOCA. Signoguía é oferecido em três línguas de sinais: espanhol, catalão e Internacional.
A Alhambra e Generalife 
Desde junho de 2011. Com a colaboração da Fundação Andaluza de Acessibilidade para Pessoas Surdas e a realização técnica de Stendhal.
Palácio Real de Madrid 
Desde julho de 2011. Com a colaboração da Fundação CNSE e a realização técnica de Stendhal.
Real Sitio de San Lorenzo de El Escorial 
Desde abril de 2012. Com a colaboração da Fundação CNSE e a realização técnica de Stendhal.
Palácio Real de Aranjuez 
Em breve. Com a colaboração da Fundação CNSE e a realização técnica de Stendhal.
Palácio Real de La Granja de San Ildefonso 
Em breve. Com a colaboração da Fundação CNSE e a realização técnica de Stendhal.
Palácio Real de La Almudaina 
Em breve. Com a colaboração da Fundação CNSE e a realização técnica de Stendhal.
Fonte: Globedia

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Deputado questiona medidas concretas para o Turismo Acessível Português


Deputado Mendes Bota questionou hoje o Governo sobre as medidas concretas que já tomou, ou tenciona vir a tomar, no sentido de uma aposta forte no chamado “Turismo Acessível” para pessoas de mobilidade reduzida. Eis o texto integral da iniciativa parlamentar do deputado Mendes Bota, enviado à Presidente da Assembleia da República de Portugal:
Na busca de alternativas que tenham como fim o combate à sazonalidade, a descoberta de novos nichos de mercado e o aprofundamento de um turismo que se quer cada vez mais integrante e efectivamente universal, diversos estudos têm vindo a mostrar a aposta no chamado Turismo Acessível como sendo uma aposta não apenas sustentável, mas rentável também, mais humana e democrática.
Efectivamente, a figura do “viajante portador de deficiência” ajusta-se, hoje em dia, à de alguém que viaja cada vez mais, estimando-se em 7,5 milhões o número destes turistas que circulam pela Europa anualmente, no que equivalerá sensivelmente a 156 milhões de noites. Dados recentes têm vindo a demonstrar que o viajante portador de deficiência faz-se normalmente acompanhar nas suas deslocações, o que eleva o público-alvo a um potencial de 130 milhões de pessoas, tornando-se num dos segmentos do mercado mais apetecível para os destinos turísticos.
Porém, o conceito de turismo acessível, nas suas diversas componentes legislativas, estruturais e funcionais, uma vez posto em prática – quando efectivamente o é – possui um alcance que visa o benefício não só destas pessoas, mas também de todo um grupo que se enquadra num conceito de ‘pessoas com mobilidade reduzida’. Neste último grupo incluem-se, por exemplo, crianças, idosos, pessoas obesas ou temporariamente incapacitadas – ou seja, um grupo que abrange, segundo as últimas estimativas, 60% da população na zona da OCDE.
Será, portanto, escusado mencionar o enorme potencial turístico e económico que uma aposta neste sector específico de mercado traria ao País. Efectivamente, quando se olha para os recentes estudos que indicam que 81% das pessoas deste grupo viajariam caso tivessem acesso a zonas socialmente ‘conscientes’ das suas dificuldades e preparadas para recebê-las, percebemos facilmente a magnitude da oportunidade com que nos deparamos. Só na Alemanha, por exemplo, este sector de mercado representa um volume de negócios na ordem dos 1570 milhões de euros…
Portugal é hoje conhecido como destino turístico de excelência, quer pela sua diversidade de oferta e climática, pelas suas praias inigualáveis, mas também por um tipo de hospitalidade vincada no próprio ADN de todo um povo e reconhecida pelos milhões de turistas que por cá já passaram. Tudo isso são factores de distinção que fazem da marca Portugal uma marca com identidade própria lá fora. Daí a importância de nos distinguirmos neste sector específico – o do turismo acessível – de outros destinos que, ou não podem associar esta especialidade a um cunho cultural e geográfico semelhante ao nosso, ou simplesmente não se encontram ainda alertados para o potencial económico que tal aposta encerra.
Nesta era da comunicação e divulgação, em que a informação que é disponibilizada num minuto é no minuto seguinte estendida a milhões de pessoas, nunca é demais salientar a importância de sermos dos primeiros a desbravar o caminho até este precioso nicho de mercado, assim como difundir o teor da nossa oferta de forma clara e objectiva. Está provado que as pessoas, enquanto turistas, tendem mais a fidelizar-se perante uma oferta de qualidade, e não menos importante nesta matéria é a efectividade com que esta é divulgada. Pelo contrário, torna-se mais difícil a captação de turistas, ainda que a nossa oferta seja mais atractiva, quando estes se encontram já fidelizados a outros mercados. A chave do sucesso reside pois na rapidez da elaboração de um turismo acessível estruturante e a sua posterior divulgação. Trata-se de um comboio que o País não pode perder, sob pena de tornar-se duplamente difícil apanhá-lo no futuro.
Por iniciativa muitas vezes isolada, algumas Câmaras e ERT’s – sendo aqui de elementar justiça salientar o esforço de Almeida Pires no Algarve – puseram já em marcha programas de adaptação de espaços e edifícios públicos a esta nova realidade, assim como um reforço da exigência para todas as novas construções. Mas isto só não basta. As cidades ‘acessíveis’ devem ser um desígnio nacional, não só pelos benefícios que trazem aos grupos alvo, mas pelo efeito de arrastamento que isto implica na consciencialização dos cidadãos e na evolução para uma democracia mais justa. Poder-se-á dizer mais: a elaboração e adopção de medidas transversais nesta área, da parte do governo, é um dever moral para com os cidadãos deste país.
De facto, não faz qualquer sentido que a acção nesta área fique entregue apenas nas mãos das Câmaras, ERT’s e privados – mormente o louvável esforço levado a cabo por alguns destes –, arriscando-se o país, como é apanágio perante a ausência de uma legislação transversal, a ver brotar uma panóplia de ofertas incongruentes, consoante o contexto, as necessidades e motivações de cada região. O Estado poderia, por exemplo, desempenhar um papel mais activo nas acções de sensibilização e formação, assim como na criação de uma estrutura de informação unificada que reunisse a globalidade da oferta do País neste sector. O Estado, por assim dizer, deve ser líder nesta matéria, e não seguidor.
Tendo portanto em conta os aspectos acima nomeados, assim como as linhas do programa do XIX Governo Constitucional que referem, no capítulo “Turismo”, que “a estratégia do Governo […] consubstancia-se na diferenciação e autenticidade do serviço e do produto, com presença numa combinação de mercados que reduzam as debilidades actuais de concentração em mercados e produtos, através da incorporação de elementos de inovação […]”, e nas alíneas em que se compromete a “reforçar a acção reguladora e a visão estratégica partilhada entre actores públicos e privados”, “dar maior expressão aos programas de Turismo Sénior, […] Turismo para Cidadãos com deficiências e incapacidades, […] e Turismo de Saúde”, e “apostar no crescimento das receitas por Turista”, ao abrigo das disposições constitucionais, legais e regimentais, solicita-se a V. Exa. se digne obter do Ministério da Economia e Emprego resposta à seguinte pergunta:
- Que medidas concretas já tomou, ou pensa o Governo vir a tomar, no sentido de apostar fortemente na captação da procura do chamado “Turismo Acessível”, à luz de todo o enunciado atrás descrito?

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Tavira prepara Plano Municipal de Promoção da Acessibilidade



A Câmara de Tavira está a elaborar um Plano Municipal de Promoção da Acessibilidade (PMPA). O plano surge na sequência da aprovação da candidatura do município ao Programa Operacional Potencial Humano – Tipologia 8.6.5 – Ações de Investigação, Sensibilização e Promoção de Boas Práticas.
Por outro lado, a iniciativa “Um dia de cadeira de rodas na cidade de Tavira”, que teve lugar no passado dia 21 de abril, despertou a atenção da população em geral e dos 40 participantes para as dificuldades de acessibilidades na cidade.
«Sensível a esta questão está também o Município de Tavira», garante a autarquia.
O PMPA tem como objetivo principal o desenvolvimento de soluções integradas de acessibilidade para todos em cinco grandes eixos que condicionam a acessibilidade: via pública, edifícios, transportes, informação e comunicação e info-acessibilidade.
Tanto na via pública como nos edifícios, o que se pretende é «permitir as deslocações e o uso e desfrute» de edifícios e via pública.
Em relação aos transportes, será realizada uma análise ao nível da acessibilidade, quer da componente móvel, quer da componente fixa (paragens, apeadeiros, etc) do sistema de transportes.
O eixo da comunicação pretende garantir que «a informação em todas as componentes acima referidas é claramente identificável, visível e inteligível em todos os âmbitos de intervenção, objetivo partilhado também no campo das novas tecnologias de informação e comunicação, ao nível da informação digital».
Para o efeito, serão elaborados diagnósticos de acessibilidade integrada com base nas fragilidades sociais e físicas do território, e os contributos obtidos pelas sessões de auscultação, debates e participação pública a realizar, serão determinantes para a decisão final das estratégias principais do plano.
Após a conclusão do PMPA, o Município ficará dotado de mecanismos que permitirão a consolidação de uma plataforma digital especializada que dê continuidade à prática da acessibilidade ou ainda um geo-fórum que permitirá aos cidadãos participar on-line a monitorização das atividades de acessibilidade e a sua participação cívica.
O PMPA representa um investimento de 138.334,88 euros, e um importante contributo em transformar Tavira numa cidade acessível para todos.
Em articulação com as Juntas de Freguesia, o Município de Tavira tem vindo a efetuar algumas intervenções pontuais neste domínio, através do rebaixamento de passeios e da reorganização de parques para viaturas de cidadãos deficientes. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Convite | Passeio em Marvão | 12 de Maio‏


Vila do Marvão
Convite | 12 de Maio
Passeio em Marvão 


A Associação Salvador tem o prazer de o(a)convidar a participar num almoço convívio e Passeio à Vila do Marvão, que terá lugar no próximo dia 12 de Maio (Sábado).

A Associação Salvador verificou previamente as acessibilidades na vila do Marvão. Para as pessoas que se deslocam em cadeira de rodas elétrica o percurso será mais fácil do que para quem se desloca em cadeira de rodas manual. Porém, neste caso o passeio é igualmente possível, sendo apenas necessário um pouco de espírito de aventura!

Programa:
09h00: Saída de Lisboa (a viagem terá duração aproximada de 3 horas)
12h30: Almoço convívio no "Restaurante Sever" (Portela-Marvão)
15h00: Visita guiada ao Marvão* (inclui visita ao Museu, Castelo e Miradouro com prova gastronómica de produtos regionais)
18h00: Saída do Marvão
21h00: Hora prevista de chegada a Lisboa

*As atividades no Marvão contarão com o apoio da Câmara Municipal do Marvão.

A participação neste evento é gratuita e destina-se exclusivamente a  pessoas com deficiência motora e respetivo acompanhante. 

Os participantes devem pagar uma caução de 5€ por pessoa, que será devolvida no dia do evento aos convidados participantes no mesmo (o objetivo é evitar a não comparência de pessoas, que leva a que outras fiquem de fora). Os dados para pagamento serão fornecidos posteriormente às pessoas selecionadas.

Apresse-se a fazer a sua pré-inscrição porque os lugares de que dispomos são limitados!

Notas importantes:
1 - Na seleção dos participantes daremos prioridade:
     a) A portadores do cartão "Amigo" da Associação Salvador;
     b) A pessoas que se desloquem em cadeira de rodas;
     c) À ordem de chegada das pré-inscrições.

2 - Para os participantes residentes em Lisboa que não tenham forma de chegar ao ponto de encontro em Lisboa, a Associação Salvador tentará garantir o transporte adaptado desde sua casa (analisaremos caso a caso).

3 - Visto que o evento terá lugar durante o dia inteiro (das 9h00 às 21h00), sugerimos que levem alguma comida/ snack, caso considerem necessário para os intervalos entre as refeições que serão oferecidas (almoço e prova gastronómica de doces e produtos regionais).

Os interessados deverão preencher o formulário de pré-inscrição até ao dia 29 de Abril, o qual pode ser acedido clicando aqui.


A Equipa da Associação Salvador
Av. Fontes Pereira de Melo 14, 9º
1050-121 Lisboa
Tel.: 213 184 851
Email: info@associacaosalvador.com
Site: www.associacaosalvador.com 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Estratégias para levar um familiar autista para viajar. A inclusão assistida.


Enquanto as experiências nos aeroportos tornaram-se muito mais difíceis para todos nós desde o 11 de setembro, elas podem ser um desafio extremo para alguém que tenha uma dificuldade inerente de esperar em fila, para não mencionar responder às perguntas formuladas pela segurança. "Se um oficial perguntar: 'Você fez sua própria mala?'. Alguém com autismo poderia repetir a pergunta, ou repetir simplesmente a palavra 'mala'", diz a Dra. Melissa Nishawala, diretora do Serviço de Distúrbios do Espectro do Autismo no Centro de Estudos da Criança da Universidade de Nova York. "A criança pode ler 'explosivos perigosos' num sinal em algum lugar no aeroporto e começar a repetir essas palavras. Em voz alta. Na fila."
Além disso, há a viagem de avião propriamente dita. "No momento em que chegam no avião, os pais e a criança já estão estressados", diz o Dr. Ron Balamuth, psicólogo de Nova York especialista no trabalho com crianças com distúrbios de desenvolvimento. "Para uma criança que precisa de estimulação constante, isso é como colocá-la num tanque de flutuação [tanque de água fechado, usado em alguns tipos de terapia]."
Em junho, uma mãe com seu filho autista foram expulsos de um vôo da American Eagle em Raleigh-Durham, em parte por causa do comportamento da criança. Um texto sobre o incidente no blog do Chicago Tribune recebeu 221 comentários em um só dia - os internautas simpáticos à família eram quase o dobro dos que apoiavam a companhia.
Os pais que viajam com filhos autistas usam muitas estratégias. Eles escolhem destinos que apelam para a criança: um resort com piscina se a criança adora água, ou a Disneylândia se ela tiver uma fixação com "O Rei Leão". Eles ensaiam com a criança antes da viagem para prepará-la para a experiência. "Eu atendi uma família com uma criança que tinha uma dificuldade tremenda de esperar em fila, de esperar por qualquer coisa", diz Balamuth. "Eles transformaram a casa num portão de embarque. A família fez fila, com as malas, tiraram os sapatos, eles ensaiaram a coisa toda."
Os itinerários e mesmo o cronograma diário são revistos com antecedência para que os viajantes autistas saibam o que vai acontecer, e quando. "Se uma criança não sabe ler, são apenas palavras numa página; senão, são figuras", diz Lisa Goring, diretora de serviços familiares no grupo de defesa Autism Speaks (Autismo Fala). Com seu próprio filho, Andrew, 12, Goring risca as atividades da lista depois que elas ocorrem. "Ele fica ansioso se não sabe quando a atividade irá terminar", disse.
Os pais levam uma carta dos médicos explicando a condição de seus filhos (para agilizar o processo no aeroporto ou para apresentar ao serviço de recepção da Disneylândia, onde podem conseguir um passe para evitar as longas filas). Eles carregam consigo brinquedos familiares e um DVD player para passar os filmes favoritos da criança no caminho. E se a criança estiver numa dieta sem glúten ou cafeína (que dizem aliviar as alergias e outros sofrimentos médicos que podem ser problemáticos para alguém com autismo), os pais também levam muita comida na viagem.
Se os pais encontram um destino que funciona para seus filhos, eles normalmente voltam. Anthony e Felicia Cerabone de Staten Island compraram uma cota do Smuggler's Notch, onde seu filho, Anthony, 15, participa do programa SNAP para pessoas com necessidades especiais há 10 anos. "Ele sabe que todo julho nós vamos lá", diz Cerabone. "E sabe que todo dia ele vai para o acampamento. Agora já é rotina."
A reumatologista Gina Delgiudice-Asch e seu marido, Will, professor de matemática do ensino médio, de Princeton, Nova Jersey, conseguiram viajar para mais longe com seus dois filhos, ainda que Andrew, de 16 anos, seja autista. A família alugou uma casa na praia por uma semana no final de junho em Avalon, Nova Jersey. Às vezes, ela ou o marido viajam sozinhos com a filha Samanta, de 13 anos, jogadora de tênis no ranking nacional de juniores. Numa viagem recente para Los Angeles, mãe e filha visitaram o set do filme "Ocean's Thirteen" e lojas na Rodeo Drive. "Com Andrew, tudo tem de ser mais planejado", diz Delgiudice-Asch.
A família, no entanto, viaja com freqüência, levando junto uma babá familiar ou um professor da escola de Andrew para ajudar. Eles já foram para vários lugares desde o Winter Park, no Colorado, onde os instrutores do Centro Nacional de Esportes para Deficientes conseguiram que Andrew praticasse esqui durante quatro horas por dia, até a Costa Rica. "Foi difícil quando chegamos ao resort, e eles não tinham um queijo quente para ele logo de cara", reconheceu Delgiudice-Asch. "Mas ele conseguiu lidar com a situação."
Eles vão para resorts orientados para a família em vez de lugares exclusivos onde "podemos atrapalhar as férias de outras pessoas", diz ela. E agora viajam apenas de classe econômica, depois de uma experiência ruim ao voar de primeira classe da Califórnia para o Cabo San Lucas, no México, quando Andrew, com seis anos na época, começou a chorar e um passageiro reclamou para o comissário de bordo.
Apesar de terem vontade de conhecer a Europa, eles ainda não viajaram em família para lá. Não por que Andrew, agora um viajante experiente, não conseguisse suportar o vôo, mas porque ele teria muita dificuldade com a diferença de fuso horário, diz a mãe. "Mas continuamos fazendo coisas divertidas nas férias em família", diz ela. "Não deixamos que o autismo nos encurrale num canto."
Fonte: Via 6

quinta-feira, 12 de abril de 2012

TV francesa faz programa de viagens com jornalista cega


O programa "Dans tes yeux" ("Nos teus olhos", em tradução literal) mostra as viagens da francesa Sophie Massieu, cega desde o nascimento, em 40 cidades de 23 países, entre eles o Brasil.
Jordânia, China, Índia, Turquia, Canadá, Alemanha, Etiópia e Madagascar são alguns dos países visitados pela jornalista cega, que também percorreu a Lapônia, na Finlândia, a Palestina e algumas regiões francesas, como a Camarga (o "Pantanal" da França). Durante as viagens, que duraram dez meses, a repórter tomou 74 aviões e utilizou diferentes meios de transporte: trens, barcos, balão e até camelo.
"Nunca pensei que fosse montar na garupa de uma Vespa segurando um cachorro", diz ela, que circulou pelas ruas de Nápoles, na Itália, com o dálmata Pongo em seu colo na moto.
O conceito do programa é "mostrar o mundo de maneira diferente", sob a ótica das sensações de alguém que não possui a visão, diz Sébastien Deurdilly, co-redator-chefe da série de documentários turísticos.
"Ainda não acredito que um canal de televisão aceitou dar o papel principal de um programa para uma pessoa portadora de deficiência. Isso é um sinal de que há avanços nessa área", diz Massieu, de 36 anos.
Ela foi uma das primeiras pessoas cegas a ter cursado, em 1998, uma escola de jornalismo na França e foi colaboradora de grandes jornais e revistas do país. Entre as inúmeras aventuras de suas viagens para o programa de TV, ela saltou de asa delta na ilha da Córsega, na França, fez escalada na Grécia, participou de corrida de carros na Polônia, colheu arroz na China e aprendeu a dançar valsa usando salto alto em Budapeste, na Hungria.
Na Grécia, ela também mergulhou em apneia para colher esponjas marinhas utilizando o mesmo antigo método dos mergulhadores locais, amarrada a um pedra de mais de 20 quilos. Além das percepções diferentes que uma pessoa cega têm ao descobrir um local, o programa privilegia o contato humano, ressaltando os encontros que a jornalista fez ao longo das viagens, como um pastor de ovelhas na Córsega, pescadores nas Ilhas Canárias, uma jovem de Xangai que a leva a discotecas ou um artista de Nova York.
"Como eu não vejo, eu questiono coisas sobre os lugares que as outras pessoas não têm o hábito de perguntar", diz a francesa, que também fala inglês, espanhol e italiano.
No Brasil, Massieu visitou Salvador, na Bahia, e outras localidades no Nordeste. Ela visitou ainda uma tribo indígena, segundo informou à BBC Brasil a assessoria do canal de TV Arte. A jornalista teve algumas dificuldades nas viagens. Seu cachorro Pongo, que a guia desde 2007, não foi autorizado a acompanhá-la a todos os lugares, como no Muro das Lamentações, em Israel, onde animais não são permitidos. A série de reportagens será exibida diariamente até o final de abril. Os programas sobre o Brasil serão apresentados nos dias 16 e 23 de abril.
Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 28 de março de 2012

Salzburgo ganha prémio da União Européia para as cidades acessíveis às pessoas com deficiência


A cidade austríaca de Salzburgo ganhou em dezembro de 2011 o prémio Cidade Acessível 2012 (Access City award), o prémio europeu para incentivar as cidades a serem mais acessíveis a pessoas com deficiência. Este reconhecimento anual visa premiar os esforços envidados no sentido de melhorar a acessibilidade dos ambientes urbanos e fomentar a participação igualitária das pessoas com deficiência. A Comissão Europeia congratulou-se com o empenhamento de longa data de Salzburgo, a sua abordagem coerente e os excelentes resultados na melhoria da acessibilidade, realizada com a participação direta das pessoas com deficiência.
Viviane Reding, Comissária da UE para a Justiça, entregou o prémio por ocasião do Dia Europeu das Pessoas com Deficiência. A iniciativa – organizada em parceria com o Fórum Europeu das Pessoas com Deficiência (FED) – é uma ação fundamental no âmbito da estratégia da UE em matéria de deficiência, visando promover iniciativas de acessibilidade nas cidades europeias.
"Tornar a vida acessível a todas as pessoas é crucial para a nossa estratégia de uma Europa sem barreiras", declarou a Comissária da Justiça da União Europeia, Viviane Reding. "O prémio Cidade acessível contribui para realçar e promover as boas práticas em toda a Europa, numa altura em que o envelhecimento da população obriga a uma acessibilidade para todos. A acessibilidade pode ser um estímulo à inovação e ao crescimento económico, o que é especialmente relevante no clima económico atual. Gostaria de ver uma Lei de Acessibilidade para a Europa e tenciono apresentar uma proposta até ao final de 2012".
O júri europeu selecionou Salzburgo pelas suas realizações notáveis em todas as áreas principais de acessibilidade: ambiente construído e espaços públicos; transportes e infra-estruturas conexas; informação e comunicação, incluindo as novas tecnologias, facilidades e serviços públicos.
Os outros finalistas foram (por ordem alfabética):
  • Cracóvia (Polónia), selecionada pelo seu empenhamento em melhorar a acessibilidade no contexto difícil de infra-estruturas inacessíveis, bem como por uma atenção especial ao acesso a monumentos do património cultural;
  • Marburgo (Alemanha), escolhida pelo seu empenhamento de longa data a favor da acessibilidade, uma estratégia clara e a longo prazo para o futuro, e pela integração exemplar das pessoas com deficiência nos projetos de acessibilidade do município, desde a fase de planeamento até à execução;
  • Santander (Espanha), nomeada como finalista pelos programas urbanos coerentes de acessibilidade a favor das pessoas com deficiência na sequência de uma abordagem de concepção universal, bem como pela qualidade e sustentabilidade dos resultados obtidos.
A segunda edição do prémio Cidade acessível recebeu candidaturas de 114 cidades em 23 países da União Européia. As cidades participantes tiveram de apresentar provas dos seus esforços e resultados alcançados em garantir a igualdade de acesso a todos os cidadãos, independentemente da idade ou capacidade. Os júris nacionais compostos por pessoas com deficiência e os peritos em matéria de acessibilidade pré-selecionaram 31 candidatos para o concurso de nível europeu.
Contexto geral
Acessibilidade significa que as pessoas com deficiência têm acesso, em condições de igualdade com os demais cidadãos, ao ambiente físico, aos transportes, aos sistemas e tecnologias da informação e comunicação e a outras instalações e serviços.
Esta é a segunda edição anual do prémio «Cidade acessível». O primeiro prémio foi para Ávila na Espanha. Além do vencedor e três finalistas, este ano o júri também conferiu menções especiais a:
  • Grenoble (França) pelas facilidades e serviços públicos: um empenhamento de longa data para melhorar a acessibilidade e uma política coerente de inclusão social, assente em infra-estruturas acessíveis;
  • Liubliana (Eslovénia) pelas infra-estruturas de transportes e conexas, coerentes e favoráveis à acessibilidade, no centro da cidade (autocarros equipados com avisos áudio e vídeo de paragem, sinais em Braille nas paragens de autocarro, mapa táctil do centro da cidade);
  • Olomouc (República Checa) pelas iniciativas em matéria de informação e de comunicação, incluindo as novas tecnologias: esta situação traduziu-se em projetos multimídia inovadores, como um guia turístico multimídia - um novo instrumento de navegação interativas, incluindo um sistema GPS, bem como informação áudio e visual em várias línguas;
  • Terrassa (Espanha) pelo ambiente construído e espaços públicos: esforços sustentados para tornar acessíveis os sítios históricos; ênfase na eliminação das barreiras arquitetônicas em edifícios residenciais, parques, ruas, largos e edifícios históricos, incluindo a instalação de elevadores, rampas e pontes.
Fonte: Europa

Candidate-se a embarcar no Veleiro Lord Nelson!‏



A "The Tall Ships Races 2012 Lisboa" e a APORVELA vão oferecer a uma pessoa com deficiência motora um lugar a bordo do grande veleiro Lord Nelson, no percurso entre Lisboa e Cádiz, integrado na The Tall Ships Races 2012.

Entre todas as candidaturas recebidas, será selecionado pela APORVELA e pela Associação Salvador, o candidato que apresentar os melhores argumentos para a sua participação nesta viagem.

A oferta é para uma pessoa e inclui o alojamento, refeições, transporte de volta de Cádiz para Lisboa em autocarro (aproximadamente 8 horas) e seguro. As datas de embarque e desembarque são, respetivamente, 21 e 28 de Julho. Está previsto que o veleiro saia para o mar a 22 de Julho e a chegada a Cádiz será no dia 25 à noite. Os restantes dias, até ao regresso, serão de festa em Cádiz, mantendo-se o alojamento no veleiro!

Participarão neste percurso no Lord Nelson cerca de 40 pessoas, de entre os quais 6/ 7 portugueses.

A bordo, todos são tripulantes ativos, sendo esperado que participem em todas as tarefas necessárias para a manobra, segurança, limpeza e manutenção do navio, incluindo, por exemplo, subir aos mastros, navegar ao leme, limpar o convés ou ajudar na confeção das refeições.

Caso seja necessário, será atribuído um "buddy", que ajudará o tripulante no que for necessário.

O alojamento e as casas de banho estão completamente adaptados. Há beliches partilhados ao longo de todo o navio.

Requisitos para se poder candidatar:
- Idade compreendida entre os 16 e os 45 anos;
- Ser autónomo na higiene pessoal e alimentação;
- Caso se desloque em cadeira de rodas, a bordo  apenas são permitidas cadeiras manuais;
- Saber nadar;
- Ter espírito aventureiro.

Caso cumpra os requisitos acima e esteja interessado em participar, deve preencher o formulário de candidatura até ao próximo dia 13 de Abril.

Cumprimentos,

A equipa da Associação Salvador

Associação Salvador | Av. Fontes Pereira de Melo 14, 9º | 1050-121 Lisboa | Tel. 213 184 851 |info@associacaosalvador.com |www.associacaosalvador.com
 

"Um dia na cadeira de rodas" na cidade de Tavira realiza-se no dia 31 de Março


Irá realizar-se no próximo Sábado, dia 31 de Março, a iniciativa "Um dia de cadeira de Rodas na cidade de Tavira", organizada por Elsa Ramos, em colaboração com o CMR Sul e com Câmara Municipal de Tavira.
O principal objetivo desta iniciativa será sensibilizar toda a população para as dificuldades de acessibilidade na cidade de Tavira e alternativas para a sua melhoria.
Este dia será aberto a toda a população, com a possibilidade de experimentar um percurso pela cidade de Tavira, em cadeira de rodas.
O ponto de encontro definido é a Praça da Republica, em frente da Câmara Municipal de Tavira pelas 10h! Para esclarecimentos adicionais, por favor, contactar o CMR Sul!
Participe!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Algarve Accessible

O Algarve, um destino turístico internacional, rico em história e património, e não incluídas nos guias turísticos tradicionais, ocupa o extremo sul de Portugal e todo o Distrito de Faro, com uma área de 4995 km2. Representa 5,4% da superfície total do país, com a região do Alentejo como sua fronteira norte, separando a Comunidade Andaluzia com o rio Guadiana, a leste, o oceano Atlântico, a sul e oeste.

Fonte e informação completa: Algarve Accessible

sexta-feira, 16 de março de 2012

Garçons cegos na rede de restaurantes dos sentidos Dans le Noir


A proposta da rede de restaurantes Dans le Noir – do francês ´no escuro´ – é experimentar diferentes sensações, saboreando as refeições sem os preconceitos estabelecidos pela visão. Inaugurado no final de 2004 em Paris, o conceito do estabelecimento prova ter conseguido uma fórmula certa de atrair o público: usar a sensibilidade dos sentidos. Com o sucesso, o restaurante criado pelos ex-publicitários Edouard de Broglie e Etienne Boisrond  ganhou uma filiais em Londres, Barcelona, São Petersburgo e Kiev.
O projeto da dupla francesa consiste em servir as refeições no mais completo escuro, como o próprio nome diz. Quando os clientes chegam ao restaurante, passam por duas salas de luminosidade decrescente, até chegar a uma terceira, em fila indiana, onde não há qualquer iluminação e as janelas são vedadas com insulfilm. Nenhum tipo de luz é permitido em seu interior, nem mesmo relógios ou celulares. No breu, são guiados e servidos somente por garçons cegos ou com forte deficiência visual, em oposição ao que ocorre no dia-a-dia.
Sobre a mesa, copos de vidro inquebrável. Os pratos são escolhidos no bar iluminado e 90% das pessoas optam pela sugestão do chef: o menu surpresa, também chamado de menu confidence. Para os amantes da culinária francesa, significa deixar por conta do chef a escolha da refeição completa, desde a entrada até a sobremesa. Não há qualquer tipo de surpresa desagradável na escolha dos pratos. As refeições correspondem à normalidade de qualquer restaurante, com uma refinada e moderna cozinha internacional. O diferencial está mesmo no ambiente.
Segundo os criadores, a intenção é acentuar o sabor dos pratos, criando uma experiência gastronômica única. Como não há recepção de luz pelos olhos, o sentido da visão fica inoperante e o corpo passa então a trabalhar com uma percepção mais complexa, ativando ao extremo sentidos como o paladar, o tato, o olfato e a audição. De Broglie acredita que esse tipo de restaurante é uma forma perfeita de experimentar pratos usando somente as papilas gustativas. “O conceito que se esconde atrás da comida é a reeducação do paladar e da mente dos clientes, para fazê-los sentir verdadeiramente o gosto da comida. Na minha cozinha, o menu surpresa é feito com fortes sabores e aromas, assim como diferentes temperaturas e texturas. Todos estes fatores produzem uma experiência pedagógica.”, explica o chef da filial de Londres, Eugene Kuikhoven.
A idéia é transformar o Dans le Noir? em um conceito global e levá-lo para outros cantos do mundo. Diferentemente de Paris e Londres, em Moscou o restaurante foi aberto em esquema de franquia. O sucesso nas cidades é grande. De acordo com a imprensa francesa, a reserva para uma mesa local deve ser feita com algumas semanas de antecedência. Outras cidades do mundo já imitaram a idéia. No Canadá, em Montreal, é possível comer no Onoir sob as mesmas condições: escuridão total e serviço realizado por cegos. Os alemães contam com o Usicht-Ba, em Berlim e Colônia. Será que nenhum empresário brasileiro se anima com a idéia?



quarta-feira, 14 de março de 2012



Este texto foi escrito por João Henriques para o site da Rede Saci, de onde é repórter voluntário. Português, tem 35 anos e tornou-se tetraplégico em um acidente. Administra o site Acessibilidade em estado de sitío.


Se eu tiver que indicar no mapa de Portugal uma cidade como sendo o centro do País seria, sem qualquer dúvida, Coimbra. Esta cidade Histórica está cheia de encanto e tradição pelos seus Monumentos, o Fado e a Universidade (uma das mais antigas da Europa). Coimbra fica a cerca de 100 Km do Porto e 200 Km de Lisboa, e por muito que ela seja marcada pela história, todos os anos a sua Universidade enche Coimbra de estudantes, contrastando então o conservadorismo com o contemporâneo, num imenso "pulmão" de jovens estudantes famintos de criar as suas histórias.

Eu, João, vivo na Lousã, uma vila com uma identidade muito própria, mas devido a ficar a escassos 28 km de Coimbra, torna-se, também, num dormitório desta cidade. E viver na fronteira entre a tranquilidade e o citadino (aquele que habita a cidade) levanta sempre a questão:


- Será que existe dificuldade em conseguir transportes públicos com acessibilidade?


Um dia, decidi tirar as dúvidas, enchi o peito de ar, apanhei um punhado de coragem e embarquei numa aventura, experimentar alguns transportes que me rodeavam. Em primeiro lugar, pedi a uma associação da Lousã, ARCIL, (Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã), se seria possível transportar-me numa das suas carrinhas (perua ou van) até Coimbra. O pedido foi aceito.

Então começou a correria, no dia marcado à hora certa, com uma pontualidade de um dos melhores relógios suíços, lá estava ela, a tão desejada carrinha da ARCIL mesmo à minha porta. O motorista colocou a carrinha no local preciso, desceu o elevador, cumprimentou-me carinhosamente - "Como estás, João?", respondi enquanto o motorista colocava a cadeira no local certo, subiu o elevador, destrancou a cadeira, empurrou-a para o seu interior, firmou-a com os trancadores de segurança, recolheu o elevador, fechou a porta traseira, certificou-se que estava tudo correcto e arrancou sem mostrar qualquer tipo de cansaço.


Com uma ajuda destas consegui eliminar vários quilómetros, Coimbra estava no meu horizonte, em plena hora de ponta, o corre-corre, empurra e chega para lá, parece uma "dança na corda bamba". Pedi ao motorista para me colocar em pleno centro da cidade, junto à entrada da Estação da Cidade, o condutor então, com alguma perícia e grande experiência, estacionou a carrinha de maneira a proporcionar-me uma saída confortável e sem dificuldade.


Aí estava eu, em segurança, no passeio (calçada) junto à fachada da estação de comboios (trem), refira-se que, este local público não tem os requisitos mínimos de acessibilidade. Uma rampa de acesso só não chega!!!

Transporte seguinte o "Pantofinhas", um autocarro (ônibus) eléctrico que faz a ligação entre a baixa e a alta de Coimbra sem paragens pré-definidas, pára sempre que se justifique. Para o apanhar tinha que atravessar a Avenida Fernão de Magalhães... Tanto trânsito para tão pouca acessibilidade... Entrei depois por pequenas ruelas típicas de Coimbra, que por muito antigas que sejam, com a recuperação efectuada, ao nível do pavimento em paralelo, permite uma fácil deslocação a um cidadão com necessidades especiais. Este local, pelo seu encanto, será comparável aos grandes Bazares de Cairo, calçado, roupas, comida, ali tudo se vende!!!

Ali estava o "Pantofinhas" prestes a arrancar, levantei o braço e foi-me indicada a entrada, o condutor accionou o mecanismo que engrenava uma rampa para facilitar a entrada da cadeira de rodas, no interior tinha um local adaptado para a cadeira incluindo cinto de segurança, fiz o percurso deste mini autocarro 2 vezes. Ele seguia a linha azul que estava marcada no chão. Pedi para sair. A rampa voltou a amparar-me ficando em cima do passeio facilitando a mobilidade.


O próximo transporte foi o elevador panorâmico de Coimbra: "- Olha, não sabia que era necessário bilhete!!!" adquiri-o com a ajuda de terceiros, porque a bilheteira, ao lado, estranhamente tinha degraus. Entrei, então, dentro do elevador. Ele subiu, a paisagem era a sensação de ter Coimbra a cair aos meus pés. O elevador tem dois percursos ascendentes dividido por um passadiço. Não encontrei obstáculos... a paisagem é cativante!!!


- Tive de acelerar porque o relógio lutava contra mim... tinha de apanhar o transporte de volta!!!


Já um pouco fatigado desloquei-me ao apeadeiro (estação ferroviária secundária) para apanhar a automotora para a Lousã, eu sabia o que me esperava, subir três degraus de cadeira de rodas para entrar, parecia um desporto radical, a ausência de infra-estruturas de acesso da gare (estação) para o interior da automotora, é um acto discriminatório, obrigou-me a recrutar alguns voluntários... mas compensou pela paisagem do percurso ferroviário.

Lousã. Em casa cheguei a algumas conclusões, se não fosse o transporte da carrinha da ARCIL nunca teria um dia tão intenso, mostrou-se a mais adequada às necessidades de um cidadão com necessidades especiais. Mas, nem todos os espaços urbanos ou transportes públicos, em Coimbra, estão apetrechados das condições de acessibilidade que permitam uma fácil mobilidade para todos os cidadãos. A ausência de um desenho, que torne todos os locais funcionais, é um flagelo comum à maioria das cidades e vilas de Portugal e marca a diferença entre a dependência e independência afectando, principalmente, os cidadãos que têm um grau de deficiência física muito elevado, aumentando o seu estado de ansiedade e arruinando a sua qualidade de vida.


Fonte: Rede Saci


sexta-feira, 9 de março de 2012

Nos museus, tours especiais e relíquias ao alcance das mãos‏


Durante séculos, a arquitetura foi a principal ferramenta dos monarcas europeus para ostentar poder - uma disputa evidente nas torres altíssimas e igrejas monumentais. Relutantes em alterar edifícios históricos, os governos locais ainda não encontraram alternativas que os tornem mais acessíveis. Mesmo em prédios modernos - como a Torre de TV de Berlim, de 1969 -, podem não haver opções aos degraus.
Nos museus, não há regra. Quem visita o site do Museu Britânico, por exemplo, descobre que há visitas guiadas para cegos todos os dias, às 11 horas, em que é possível tocar objetos egípcios. Muitos funcionários, contudo, ignoram sua existência. E esta não é uma exceção. Por isso, sempre pergunte pessoalmente. Com sorte, o visitante cego tocará em relíquias como as autênticas esculturas gregas do Neuis Museum e os portões assírios no Museu Pergamon, ambos em Berlim.
Nem sempre há rampas ou elevadores de acesso para cadeirantes. Embora a capital alemã esteja reformando seus museus estatais para torná-los mais amigáveis a deficientes, muitos - entre eles o mais popular, o Pergamon - continuam cheios de degraus inescapáveis. Antes de desistir, pergunte por elevadores de serviço: eles quase sempre estão lá.
As galerias de arte podem ser entediantes para quem não enxerga. Uma saída é pegar os audioguias e escutar as explicações detalhadas dos quadros que você não consegue ver. Os aparelhos costumam ser grátis para cegos e podem ser bem úteis para descrever igrejas e prédios históricos.
A maior parte das atrações, aliás, oferece descontos a pessoas com deficiência. Na Alemanha, por exemplo, o visitante com deficiência normalmente paga o próprio ingresso, mas leva o acompanhante de graça.
Passeios a prédios do governo estão entre os mais acessíveis. Os edifícios da União Europeia em Bruxelas têm entradas adaptadas a cadeira de rodas e visitas guiadas em várias linguagens de sinais. Já em Edimburgo, o parlamento escocês (aberto em 2004) foi construído respeitando padrões de acessibilidade. A beleza da arquitetura moderna do prédio em si já vale a visita, e, para os turistas cegos, há um mapa da Escócia em alto-relevo.
Também sem contraindicações são os passeios ao ar livre. Caminhe sem pressa pela Unter den Linden, principal avenida de Berlim; perca tempo no parque St. James, próximo ao parlamento inglês; flane pelos canais de Amsterdã; suba a colina de Calton para sentir Edimburgo a seus pés. Estes passeios são gratuitos, não têm obstáculos e oferecem a melhor percepção da vida nas capitais europeias. Só isto já fará sua viagem valer a pena.
Fonte: Estadão