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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Estratégias para levar um familiar autista para viajar. A inclusão assistida.


Enquanto as experiências nos aeroportos tornaram-se muito mais difíceis para todos nós desde o 11 de setembro, elas podem ser um desafio extremo para alguém que tenha uma dificuldade inerente de esperar em fila, para não mencionar responder às perguntas formuladas pela segurança. "Se um oficial perguntar: 'Você fez sua própria mala?'. Alguém com autismo poderia repetir a pergunta, ou repetir simplesmente a palavra 'mala'", diz a Dra. Melissa Nishawala, diretora do Serviço de Distúrbios do Espectro do Autismo no Centro de Estudos da Criança da Universidade de Nova York. "A criança pode ler 'explosivos perigosos' num sinal em algum lugar no aeroporto e começar a repetir essas palavras. Em voz alta. Na fila."
Além disso, há a viagem de avião propriamente dita. "No momento em que chegam no avião, os pais e a criança já estão estressados", diz o Dr. Ron Balamuth, psicólogo de Nova York especialista no trabalho com crianças com distúrbios de desenvolvimento. "Para uma criança que precisa de estimulação constante, isso é como colocá-la num tanque de flutuação [tanque de água fechado, usado em alguns tipos de terapia]."
Em junho, uma mãe com seu filho autista foram expulsos de um vôo da American Eagle em Raleigh-Durham, em parte por causa do comportamento da criança. Um texto sobre o incidente no blog do Chicago Tribune recebeu 221 comentários em um só dia - os internautas simpáticos à família eram quase o dobro dos que apoiavam a companhia.
Os pais que viajam com filhos autistas usam muitas estratégias. Eles escolhem destinos que apelam para a criança: um resort com piscina se a criança adora água, ou a Disneylândia se ela tiver uma fixação com "O Rei Leão". Eles ensaiam com a criança antes da viagem para prepará-la para a experiência. "Eu atendi uma família com uma criança que tinha uma dificuldade tremenda de esperar em fila, de esperar por qualquer coisa", diz Balamuth. "Eles transformaram a casa num portão de embarque. A família fez fila, com as malas, tiraram os sapatos, eles ensaiaram a coisa toda."
Os itinerários e mesmo o cronograma diário são revistos com antecedência para que os viajantes autistas saibam o que vai acontecer, e quando. "Se uma criança não sabe ler, são apenas palavras numa página; senão, são figuras", diz Lisa Goring, diretora de serviços familiares no grupo de defesa Autism Speaks (Autismo Fala). Com seu próprio filho, Andrew, 12, Goring risca as atividades da lista depois que elas ocorrem. "Ele fica ansioso se não sabe quando a atividade irá terminar", disse.
Os pais levam uma carta dos médicos explicando a condição de seus filhos (para agilizar o processo no aeroporto ou para apresentar ao serviço de recepção da Disneylândia, onde podem conseguir um passe para evitar as longas filas). Eles carregam consigo brinquedos familiares e um DVD player para passar os filmes favoritos da criança no caminho. E se a criança estiver numa dieta sem glúten ou cafeína (que dizem aliviar as alergias e outros sofrimentos médicos que podem ser problemáticos para alguém com autismo), os pais também levam muita comida na viagem.
Se os pais encontram um destino que funciona para seus filhos, eles normalmente voltam. Anthony e Felicia Cerabone de Staten Island compraram uma cota do Smuggler's Notch, onde seu filho, Anthony, 15, participa do programa SNAP para pessoas com necessidades especiais há 10 anos. "Ele sabe que todo julho nós vamos lá", diz Cerabone. "E sabe que todo dia ele vai para o acampamento. Agora já é rotina."
A reumatologista Gina Delgiudice-Asch e seu marido, Will, professor de matemática do ensino médio, de Princeton, Nova Jersey, conseguiram viajar para mais longe com seus dois filhos, ainda que Andrew, de 16 anos, seja autista. A família alugou uma casa na praia por uma semana no final de junho em Avalon, Nova Jersey. Às vezes, ela ou o marido viajam sozinhos com a filha Samanta, de 13 anos, jogadora de tênis no ranking nacional de juniores. Numa viagem recente para Los Angeles, mãe e filha visitaram o set do filme "Ocean's Thirteen" e lojas na Rodeo Drive. "Com Andrew, tudo tem de ser mais planejado", diz Delgiudice-Asch.
A família, no entanto, viaja com freqüência, levando junto uma babá familiar ou um professor da escola de Andrew para ajudar. Eles já foram para vários lugares desde o Winter Park, no Colorado, onde os instrutores do Centro Nacional de Esportes para Deficientes conseguiram que Andrew praticasse esqui durante quatro horas por dia, até a Costa Rica. "Foi difícil quando chegamos ao resort, e eles não tinham um queijo quente para ele logo de cara", reconheceu Delgiudice-Asch. "Mas ele conseguiu lidar com a situação."
Eles vão para resorts orientados para a família em vez de lugares exclusivos onde "podemos atrapalhar as férias de outras pessoas", diz ela. E agora viajam apenas de classe econômica, depois de uma experiência ruim ao voar de primeira classe da Califórnia para o Cabo San Lucas, no México, quando Andrew, com seis anos na época, começou a chorar e um passageiro reclamou para o comissário de bordo.
Apesar de terem vontade de conhecer a Europa, eles ainda não viajaram em família para lá. Não por que Andrew, agora um viajante experiente, não conseguisse suportar o vôo, mas porque ele teria muita dificuldade com a diferença de fuso horário, diz a mãe. "Mas continuamos fazendo coisas divertidas nas férias em família", diz ela. "Não deixamos que o autismo nos encurrale num canto."
Fonte: Via 6

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Disney cancela atração após ser acusada de estigmatizar crianças obesas

O Walt Disney World decidiu cancelar a inauguração em Orlando, na Flórida, de uma atração que buscava combater a obesidade infantil, depois de receber críticas que a acusavam de estigmatizar as crianças obesas.
A inauguração da atração – que durante alguns dias esteve aberta de forma extraoficial para testar a reação do público – estava prevista para o próximo dia 5 de março, mas a empresa adiou indefinidamente sua abertura.
Batizada de Habit Heroes, a atração foi projetada pela Disney, em colaboração com uma associação americana de companhias de seguros médicos, para combater os maus hábitos que contribuem à obesidade infantil, como a comida gordurosa e a falta de exercícios físicos.
Localizada no parque temático Epcot, a Habit Heroes oferecia uma série de jogos que exigiam certa atividade física para que os visitantes pudessem ajudar um suposto menino que enfrenta problema por seus maus hábitos.
O cancelamento da abertura oficial acontece depois que, na semana passada, a Associação Nacional para Promover a Aceitação dos Obesos (NAAFA, na sigla em inglês) acusou a Disney de “ficar sob a sombra da negatividade e da discriminação” ao apostar “na ferramenta da vergonha como a melhor maneira de comunicar-se com as crianças”.
Em comunicado, essa associação criticava a Disney por utilizar “personagens estereotipados” para criticar os hábitos alimentares infantis.
“O uso desses estereótipos, habitualmente utilizados para atormentar as crianças com sobrepeso, poderia reforçar e fortalecer o ciclo de intimidação, depressão, transtornos alimentícios e inclusive pensamentos suicidas”, segundo a NAAFA.
Um porta-voz da associação de seguradoras que colaborou com a Disney na atração garantiu que o parque está “testando e recebendo a informação dos usuários, para fazer os ajustes necessários prévios à inauguração”.
“Queremos nos assegurar que a atração transmita de forma divertida uma mensagem positiva sobre o estilo de vida saudável”, explicou.
site da atração permanece fora do ar para manutenção.
Fonte: Folha.com

quarta-feira, 28 de março de 2012

Salzburgo ganha prémio da União Européia para as cidades acessíveis às pessoas com deficiência


A cidade austríaca de Salzburgo ganhou em dezembro de 2011 o prémio Cidade Acessível 2012 (Access City award), o prémio europeu para incentivar as cidades a serem mais acessíveis a pessoas com deficiência. Este reconhecimento anual visa premiar os esforços envidados no sentido de melhorar a acessibilidade dos ambientes urbanos e fomentar a participação igualitária das pessoas com deficiência. A Comissão Europeia congratulou-se com o empenhamento de longa data de Salzburgo, a sua abordagem coerente e os excelentes resultados na melhoria da acessibilidade, realizada com a participação direta das pessoas com deficiência.
Viviane Reding, Comissária da UE para a Justiça, entregou o prémio por ocasião do Dia Europeu das Pessoas com Deficiência. A iniciativa – organizada em parceria com o Fórum Europeu das Pessoas com Deficiência (FED) – é uma ação fundamental no âmbito da estratégia da UE em matéria de deficiência, visando promover iniciativas de acessibilidade nas cidades europeias.
"Tornar a vida acessível a todas as pessoas é crucial para a nossa estratégia de uma Europa sem barreiras", declarou a Comissária da Justiça da União Europeia, Viviane Reding. "O prémio Cidade acessível contribui para realçar e promover as boas práticas em toda a Europa, numa altura em que o envelhecimento da população obriga a uma acessibilidade para todos. A acessibilidade pode ser um estímulo à inovação e ao crescimento económico, o que é especialmente relevante no clima económico atual. Gostaria de ver uma Lei de Acessibilidade para a Europa e tenciono apresentar uma proposta até ao final de 2012".
O júri europeu selecionou Salzburgo pelas suas realizações notáveis em todas as áreas principais de acessibilidade: ambiente construído e espaços públicos; transportes e infra-estruturas conexas; informação e comunicação, incluindo as novas tecnologias, facilidades e serviços públicos.
Os outros finalistas foram (por ordem alfabética):
  • Cracóvia (Polónia), selecionada pelo seu empenhamento em melhorar a acessibilidade no contexto difícil de infra-estruturas inacessíveis, bem como por uma atenção especial ao acesso a monumentos do património cultural;
  • Marburgo (Alemanha), escolhida pelo seu empenhamento de longa data a favor da acessibilidade, uma estratégia clara e a longo prazo para o futuro, e pela integração exemplar das pessoas com deficiência nos projetos de acessibilidade do município, desde a fase de planeamento até à execução;
  • Santander (Espanha), nomeada como finalista pelos programas urbanos coerentes de acessibilidade a favor das pessoas com deficiência na sequência de uma abordagem de concepção universal, bem como pela qualidade e sustentabilidade dos resultados obtidos.
A segunda edição do prémio Cidade acessível recebeu candidaturas de 114 cidades em 23 países da União Européia. As cidades participantes tiveram de apresentar provas dos seus esforços e resultados alcançados em garantir a igualdade de acesso a todos os cidadãos, independentemente da idade ou capacidade. Os júris nacionais compostos por pessoas com deficiência e os peritos em matéria de acessibilidade pré-selecionaram 31 candidatos para o concurso de nível europeu.
Contexto geral
Acessibilidade significa que as pessoas com deficiência têm acesso, em condições de igualdade com os demais cidadãos, ao ambiente físico, aos transportes, aos sistemas e tecnologias da informação e comunicação e a outras instalações e serviços.
Esta é a segunda edição anual do prémio «Cidade acessível». O primeiro prémio foi para Ávila na Espanha. Além do vencedor e três finalistas, este ano o júri também conferiu menções especiais a:
  • Grenoble (França) pelas facilidades e serviços públicos: um empenhamento de longa data para melhorar a acessibilidade e uma política coerente de inclusão social, assente em infra-estruturas acessíveis;
  • Liubliana (Eslovénia) pelas infra-estruturas de transportes e conexas, coerentes e favoráveis à acessibilidade, no centro da cidade (autocarros equipados com avisos áudio e vídeo de paragem, sinais em Braille nas paragens de autocarro, mapa táctil do centro da cidade);
  • Olomouc (República Checa) pelas iniciativas em matéria de informação e de comunicação, incluindo as novas tecnologias: esta situação traduziu-se em projetos multimídia inovadores, como um guia turístico multimídia - um novo instrumento de navegação interativas, incluindo um sistema GPS, bem como informação áudio e visual em várias línguas;
  • Terrassa (Espanha) pelo ambiente construído e espaços públicos: esforços sustentados para tornar acessíveis os sítios históricos; ênfase na eliminação das barreiras arquitetônicas em edifícios residenciais, parques, ruas, largos e edifícios históricos, incluindo a instalação de elevadores, rampas e pontes.
Fonte: Europa

quinta-feira, 22 de março de 2012

Algarve Accessible

O Algarve, um destino turístico internacional, rico em história e património, e não incluídas nos guias turísticos tradicionais, ocupa o extremo sul de Portugal e todo o Distrito de Faro, com uma área de 4995 km2. Representa 5,4% da superfície total do país, com a região do Alentejo como sua fronteira norte, separando a Comunidade Andaluzia com o rio Guadiana, a leste, o oceano Atlântico, a sul e oeste.

Fonte e informação completa: Algarve Accessible

sexta-feira, 9 de março de 2012

Nos museus, tours especiais e relíquias ao alcance das mãos‏


Durante séculos, a arquitetura foi a principal ferramenta dos monarcas europeus para ostentar poder - uma disputa evidente nas torres altíssimas e igrejas monumentais. Relutantes em alterar edifícios históricos, os governos locais ainda não encontraram alternativas que os tornem mais acessíveis. Mesmo em prédios modernos - como a Torre de TV de Berlim, de 1969 -, podem não haver opções aos degraus.
Nos museus, não há regra. Quem visita o site do Museu Britânico, por exemplo, descobre que há visitas guiadas para cegos todos os dias, às 11 horas, em que é possível tocar objetos egípcios. Muitos funcionários, contudo, ignoram sua existência. E esta não é uma exceção. Por isso, sempre pergunte pessoalmente. Com sorte, o visitante cego tocará em relíquias como as autênticas esculturas gregas do Neuis Museum e os portões assírios no Museu Pergamon, ambos em Berlim.
Nem sempre há rampas ou elevadores de acesso para cadeirantes. Embora a capital alemã esteja reformando seus museus estatais para torná-los mais amigáveis a deficientes, muitos - entre eles o mais popular, o Pergamon - continuam cheios de degraus inescapáveis. Antes de desistir, pergunte por elevadores de serviço: eles quase sempre estão lá.
As galerias de arte podem ser entediantes para quem não enxerga. Uma saída é pegar os audioguias e escutar as explicações detalhadas dos quadros que você não consegue ver. Os aparelhos costumam ser grátis para cegos e podem ser bem úteis para descrever igrejas e prédios históricos.
A maior parte das atrações, aliás, oferece descontos a pessoas com deficiência. Na Alemanha, por exemplo, o visitante com deficiência normalmente paga o próprio ingresso, mas leva o acompanhante de graça.
Passeios a prédios do governo estão entre os mais acessíveis. Os edifícios da União Europeia em Bruxelas têm entradas adaptadas a cadeira de rodas e visitas guiadas em várias linguagens de sinais. Já em Edimburgo, o parlamento escocês (aberto em 2004) foi construído respeitando padrões de acessibilidade. A beleza da arquitetura moderna do prédio em si já vale a visita, e, para os turistas cegos, há um mapa da Escócia em alto-relevo.
Também sem contraindicações são os passeios ao ar livre. Caminhe sem pressa pela Unter den Linden, principal avenida de Berlim; perca tempo no parque St. James, próximo ao parlamento inglês; flane pelos canais de Amsterdã; suba a colina de Calton para sentir Edimburgo a seus pés. Estes passeios são gratuitos, não têm obstáculos e oferecem a melhor percepção da vida nas capitais europeias. Só isto já fará sua viagem valer a pena.
Fonte: Estadão

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Congresso Internacional Viajar com Discapacidad, de 23 a 25 de março na Espanha


De 23 a 25 de março de 2012 será desenvolvido em Jaen, Espanha, o Primeiro Congresso Internacional Viajar com Discapacidad (Viajando com Deficiência), organizado pela Associação Nacional Viajar com Discapacidad.
O banco foi escolhido para a celebração do que tem sido o LODGE & SPA Inturjoven JAÉN, pois é o único estabelecimento na província de Jaen, e os poucos em Espanha, com todas as unidades adaptadas, respeitando o princípio acessibilidade universal, tão necessária para que todos possam viajar.
A presidência desta primeira edição, é ostentada pela Federação Provincial das Associações de Pessoas com deficiência física e orgânica de Jaén (Fejidif), entre outras razões porque é um pioneiro em Espanha no desenvolvimento do turismo acessível e o exemplo disto é "Puedo Viajar"
A Organização da Primeira Conferência Internacional sobre a viagem com Deficiência foi criado para promover o turismo acessível, com base na acessibilidade universal como um grandes oportunidades de mercado na gestão de destinos turísticos. Isto é porque:
A vantagem competitiva baseada na diferenciação, aumentando de mercado de pessoas com deficiência, com mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo, mais de 10% do nível global europeu e nacional, mais de 3,5 milhões de pessoas, que estima o mercado potencial para aqueles rodada viajar os 36 milhões de pessoas na Europa, isso significa que 1 em cada 10 europeus, e por isso devemos acrescentar que cada indivíduo desse grupo nas viagens que realiza, está muitas vezes acompanhado, com uma estimativa de 0,5 acompanhantes por cada passageiros;
As mudanças demográficas e estilo de vida, tais como envelhecimento da população, o aumento fe acidentes de trânsito e acidentes laborais, a evolução precista no número de pessoas com deficiência e o aumento de pessoas afetadas por doenças com sequelas que minam a capacidade;
A desestacionalização, de acordo com dados do Eurostat, 51% deste segmento das pessoas com deficiência está em um estado de inatividade, o que aumenta o período de férias;
Um turismo competitivo e de qualidade, porque existem muitos países, principalmente os nórdicos, a Alemanha e o Reino Unido, que em matéria de acessibilidade são mais evoluídos, o que propicia que seus membros coloquem a necessidade de viajar como uma atividade de sua vida diária;
e por último mas não menos importante, o direito social para todos e a igualdade de oportunidades.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Na Onda do Surf Adaptado. Um trabalho sobre surf e inclusão social.


Esta matéria é uma descrição do trabalho pelas palavras da própria autora, Mariana Pedroso.
Para uma jornalista que tem “mar” no nome, escrever um livro-reportagem sobre surf foi uma experiência única. O barulho do mar, o calor da areia, o colorido das pranchas, cruzando a rebentação, compuseram um cenário mais interessante do que qualquer redação de jornal.
Entretanto, apesar da beleza lúdica da praia, foram as histórias, a parte mais empolgante deste trabalho. Afinal de contas, foi a primeira vez que entrevistei pessoas que tinham motivos de sobra para ficar de mal com a vida, mas que preferiram fazer das dificuldades, uma motivação a mais para vencer.
Sempre quis fazer um trabalho de conclusão de curso que mesclasse jornalismo, diversão e responsabilidade social. Por isso, em dezembro de 2010, no final do terceiro ano de faculdade, dediquei várias semanas à busca pelo tema perfeito. Foi uma tarefa difícil porque, quase sempre, os assuntos pelos quais eu me interessava não atendiam os três requisitos básicos da minha proposta: leveza, relevância acadêmica e relevância social.
O resultado disso foram noites em claro e pesadelos terríveis onde, na maioria das vezes, eu era reprovada por não ter escolhido a tempo, um tema para o meu projeto. Mas, numa sexta feira de dezembro, enquanto conversava com meu pai e assistia vídeos no Youtube, me deparei com um vídeo em que vários surfistas com deficiência visual desciam a mesma onda. Essa foi a primeira vez que tive contato com o surf adaptado, uma modalidade, dentro do esporte, desenvolvida para pessoas com deficiência.
Animada, mergulhei fundo na pesquisa. Lembro de ter achado pouquíssimas matérias e artigos sobre o assunto, mas mesmo assim, não desanimei: anotei o nome dos autores, fiz uma busca pelas instituições que atuavam na área e procurei saber quem eram os praticantes do surf adaptado aqui no Brasil. Com a pauta em mãos, fiz aquilo que todo jornalista gosta de fazer: ir à campo, o que no meu caso, foi um pouco diferente.
Em dez meses de muito trabalho, suor, e-mails trocados e idas à praia, entrevistei surfistas adaptados, surfistas do circuito profissional, educadores físicos, psicólogos, shapers, fabricantes de pranchas, jornalistas, cineastas. Foi na areia da praia, com o soluço das ondas de plano de fundo, que conheci bonitas lições de vida, histórias de gente que encontrou no mar, a motivação para seguir em frente.
O resultado disso tudo é um livro de 226 páginas, sobre pessoas como eu e você, que gostam de viver e ir à praia no final de semana. Talvez, a única diferença que exista, é que elas surfam. Todo o resto é apenas detalhe.
Sobre a Autora
Filha de surfista, apaixonada por praia, Mariana Vasconcellos Pedroso tem 22 anos e é jornalista formada pela FAAT Faculdades. Em 2011, idealizou e escreveu o livro Na Onda do Surf Adaptado, e foi uma das 57 selecionadas para o 29º Curso Abril de Jornalismo.
Na internet, administra blogs de assuntos diversos, entre eles, o blog do livro sobre surf adaptado, que segundo estimativas do Google é visitado por pessoas do Brasil, Portugal, Estados Unidos, Rússia, Alemanha, Espanha, Japão, Suíça, México e Canadá.http://surfadaptado.blogspot.com/
Já o perfil no Facebook, também sobre o projeto, totaliza pouco mais de 470 amigos, entre surfistas adaptados, surfistas profissionais, educadores físicos, jornalistas fotógrafos e pessoas que admiram a modalidade. Mais informações pelo emailmarianapedroso.jornalismo@hotmail.com
Para ler o livro, acesse o link a seguir Na Onda do Surf Adaptado
Fonte: surfbahia

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Agenda Cultural de Viana do Castelo passa a ser distribuida em braille


A Câmara Municipal de Viana do Castelo está a disponibilizar a agenda cultural mensal em Braille.  A iniciativa, um objetivo da Equipa de Acessibilidades do Gabinete Cidade Saudável no âmbito do projeto “Informar com novo Olhar” e do Serviço Especial de Leitura da Biblioteca Municipal, permite aos invisuais o acesso a toda a informação disponibilizada pela Agenda Cultural que, por seu lado, adoptou em 2012 novo grafismo.
Assim, todas as informações relativas a actividades desportivas, exposições e eventos culturais estão disponíveis em edição Braille, sendo enviadas para associações como a ACAPO e disponibilizados na Câmara Municipal (Gabinete Cidade Saudável), no posto de turismo e na Biblioteca Municipal.
A iniciativa pretende assim democratizar o acesso à informação municipal, razão que esteve na base da criação do Serviço de Leitura Especial destinado a pessoas portadoras de deficiência visual na Biblioteca Municipal. Esta valência disponibiliza um computador com software específico para leitura de ecrã e reconhecimento de texto digitalizado.
Possui ainda um leitor autónomo e uma lupa electrónica, impressora e linha Braille e permite assim consultar fundos documentais, os jornais e a agenda cultural, por exemplo.
A Câmara Municipal está também a preparar a reconversão em Braille de várias brochuras informativas e turísticas de Viana do Castelo em 2012, estando já disponível em Braille como o Roteiro da Arquitetura, do qual a própria Biblioteca Municipal (desenhada por Álvaro Siza Vieira) é o principal ícone.
A agenda cultural pode ser consultada acedendo à página da Câmara Municipal Viana do Castelo, e também é possível se registar para receber uma newsletter automaticamente selecionando a opção agenda cultural.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Europa Acessível.


A Europa inaugurou suas primeiras linhas ferroviárias (o que inclui o metro) durante a revolução industrial, nos séculos 18 e 19. O metro de Londres – o mais antigo do mundo – começou a funcionar em 1863. Porém, se a rede de comboios entre cidades e países foi completamente atualizada na Europa ocidental na última década, o transporte urbano ficou a cargo das cidades, que acabaram se modernizando cada uma em seu próprio ritmo.
Londres, Paris e Bruxelas têm em comum redes metroviárias que atendem toda a cidade. Mas, ao mesmo tempo, a maior parte das estações ainda é inacessível a cadeirantes. O mesmo ocorre com Madrid, onde grandes escadarias se transformam em transtorno até mesmo para quem leva um carrinho de bebê.
Já em Berlim, o transporte público é complexo – uma combinação de metro, comboio urbano, autocarro e electrico . O sistema, todavia, funciona com perfeição e é acessível.
Os autocarros são quase sempre livres de barreiras: em Copenhaga, a bela capital dinamarquesa, os veículos são adaptados com um sistema de rebaixamento que possibilita a entrada de qualquer pessoa sobre rodas – de cadeiras de rodas a carrinhos de bebê. Mesmo os famosos autocarros de dois andares ingleses são bastante acessíveis.
Já Amsterdão tem como principal meio de transporte o electrico, sem grandes dificuldades para utilizadores de cadeiras de rodas. No entanto, os barcos – onipresentes na cidade dos canais e um dos principais programas turísticos da capital holandesa – podem não ser tão acessíveis.
Para os cegos, há menos preocupações quando se trata de transporte público. Todas as cidades contam com um excelente sistema de alto-falantes que anunciam as paradas de autocarros e estações de metro. Também são comuns letreiros com avisos luminosos, bastante úteis para visitantes surdos.
Além disso, são muitos os semáforos com avisos sonoros para ajudar aos cegos a atravessar a rua. Mas, como a geografia das cidades europeias nem sempre é fácil de ser compreendida por um cego em uma primeira visita, eles podem confundir mais que ajudar. Na dúvida, peça auxílio.
Fonte: Estadão

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Easyjet condenada por impedir deficientes de viajar


A empresa aérea britânica Easyjet foi condenada por um tribunal francês a pagar uma multa de 70 mil euros por não ter deixado embarcar três passageiros em cadeira de rodas, tendo de pagar ainda a cada um deles uma indemnização de dois mil euros.

Segundo a BBC, os casos remontam a 2008 e 2009 e passaram-se no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris.

A empresa alegou na altura motivos de segurança para impedir a entrada no avião dos passageiros deficientes. De acordo com a transportadora, por não estarem acompanhados não teriam ninguém que os auxiliasse numa eventual evacuação de emergência.

A empresa britânica negou ter actuado com «intenção discriminatória» e anunciou que vai recorrer da decisão.

Uma das queixosas salientou que quando fez a reserva assinalou que se encontrava em cadeira de rodas e que, depois de lhe ter sido negada a entrada no avião, a Eastyjet recusou ainda devolver-lhe o dinheiro do bilhete.

A BBC salienta que a empresa terá ainda de enfrentar um novo caso semelhante em Paris, que vai ser julgado em Março.

Fonte: TVI24

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Museus do Vaticano oferecem abordagem prática para a arte para os cegos e surdos


CIDADE DO VATICANO - Os Museus do Vaticano lançaram passeios especiais para surdos e cegos. Os passeios de duas horas são livres para deficientes auditivos e visuais e buscam oferecer uma experiência multi-sensorial de alguns dos trabalhos mais famosos do museu. A iniciativa também marca a primeira oportunidade para os surdos na Itália para receber formação e trabalho em um museu como um guia experiente e não apenas como intérprete, disseram oradores em uma conferência de imprensa.
Sete mulheres, cinco dos quais são surdas, receberam formação especializada em história da arte e arqueologia dos Museus para que eles pudessem trabalhar como guias profissionais para a nova turnê para os surdos. Um dos novos guias de surdos, que se apresentou como "Anna", disse através de um intérprete que ela e seus novos colegas de trabalho ficaram felizes a nova oportunidade para trabalhar como um guia de museu profissional "aconteceu no Museu do Vaticano."
A excursão para o surdo inclui paradas nos quartos de Raphael, a Capela Sistina, e as visitas à clássica coleção de estátuas. Os guias são fluentes em várias línguas de sinais, incluindo as línguas de sinais britânica e francesa. O itinerário para os cegos e deficientes visuais inclui uma mistura de experiências sensoriais para ajudar a pessoa a apreciar uma obra de arte "sem fazer-lhes desejar que poderiam ver", disse Isabella Salandri, quem está no comando dos novos passeios.
Por exemplo, para examinar Michelangelo Merisi de Caravaggio "Descida da Cruz", primeiro os visitantes ouvem um trecho da Bíblia explicando a cena em que Cristo é descido da cruz e preparado para o enterro. Em seguida, eles ouvem um canto gregoriano cujas letras são conectados com o evento bíblico e ouvem um breve relato da vida do artista. Uma por uma, as mãos de cada visitante são então colocadas em um baixo-relevo de resina da cena da pintura de Nicodemos e John pondo Cristo em uma pedra, enquanto Maria e outras mulheres observam.
Ajudando a guiar as mãos da pessoa em cada detalhe do baixo-relevo "dura muito tempo", Salandri disse, "porque é como um quebra-cabeça, pois eles precisam criar uma imagem mental" de como as muitas faces e nos membros, incluindo o corpo inerte de Cristo, são organizados. Visitantes, então sentem ítens reais retratados na pintura, como as folhas de espessura aveludada de uma planta comum de ervas e um lençol que cheira a mirra e aloés, as mesmas ervas utilizadas em tecidos mortuários no momento.
Sara di Luca, um restaurador dos Museus, disse que ela usou os mesmos materiais e técnicas que Caravaggio usou em sua obra-prima para fazer uma tela de amostra e pintura a óleo de uma seção do "Deposition". Ela disse que usou pincéis semelhantes e espessura de tintas em sua peça de amostra para que os visitantes possam tocar a cópia e sentir o mesmo tipo de tela áspera, tracejado das pinceladas, e cheirar o meio do óleo da pintura como Caravaggio teria usado.
Di Luca também fez um afresco amostra do "Anjo com Alaúde" de Melozzo da Forli para dar aos visitantes uma sensação semelhante de sentir e cheirar como o design e médias são representadas. Os visitantes também recebem um livreto escrito em Braille e em letras em negrito ampliadas, que inclui pontos em relevo traçando o contorno de trabalhos de Caravaggio e Melozzo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Programa Calypso aumenta as perspectivas de viagens na Europa através do Turismo Social


Todos merecemos um descanso
O programa Calypso é uma estimulante iniciativa da Comissão Européia que pode melhorar as vidas dos cidadãos mais desfavorecidos em toda a Europa. Tem por objetivo permitir que pessoas que geralmente não podem viajar, possam passar a fazê-lo para destinos de férias na Europa, ajudando ao mesmo tempo as economias locais a ultrapassar os problemas da época baixa.
Participar no programa Calypso vai proporcionar uma oportunidade aos cidadãos com menos recursos de descobrirem partes da Europa que desconhecem. Todos os cidadãos europeus devem ter o direito de viajar. E que melhor forma de desenvolver um sentimento de cidadania européia do que através do intercâmbio cultural?
As férias proporcionam uma sensação revigorante e uma pausa na rotina. Constituem uma oportunidade para o afastamento dos problemas da vida quotidiana e para alargar horizontes. São a altura ideal para descobrir o resto da Europa e olhar a vida numa perspectiva diferente. Contudo, um número considerável de europeus não tem capacidades econômicas para o fazer. A forma como as férias escolares estão organizadas leva a que a maioria dos europeus viaje no Verão, ou nas épocas do Natal e da Páscoa, altura em que os preços geralmente duplicam.
O turismo social ajuda pessoas que de outro modo não o poderiam fazer a viajar. Os quatro grupos identificados pelo Calypso incluem jovens adultos desfavorecidos com idades entre os 18 e os 30 anos, famílias com problemas financeiros ou com outras dificuldades, indivíduos portadores de deficiência, e pessoas com mais de 65 anos bem como pensionistas sem capacidades econômicas para viajar ou que se sentem intimidadas com a organização de uma viagem
Uma situação vantajosa para todos
Na Europa, cada vez mais regiões confiam no turismo para a totalidade ou parte da sua subsistência, mas muitos quartos ficam vazios durante vários meses todos os anos. As companhias aéreas e os transportes marítimos enfrentam flutuações idênticas. O acesso a estes serviços fora da época alta pode ser um instrumento adequado para a revitalização econômica e a criação de empregos.
Se todos os europeus tiverem a oportunidade de sair de casa e descobrir outros países, o sector do turismo europeu poderia criar empregos na época baixa prestando serviços a grupos com poucos recursos através de acordos de viagens a baixo custo e férias temáticas especiais. Além disto, as boas práticas existentes mostram que alguns Estados-Membros, como a Espanha, apresentam um retorno do investimento quando subsidiam férias aos seus cidadãos seniores na época baixa.
Implementar o sistema
A nova iniciativa da Comissão Européia, «Calypso», recebeu o nome da ninfa do mar Grego que durante sete anos acolheu na sua ilha Ulisses, o herói cansado da guerra. Um dos muitos pontos fortes do Calypso é que não se limita às viagens: lida também com questões de saúde, de idade, dos jovens, da integração social e ainda a tentativa de criar uma identidade européia.
Nesta fase, o Caliypso é objeto de uma ação preparatória a três anos (2009-2011), com um orçamento de 1 milhão de euros por ano. Até agora, 21 Estados-Membros da UE e países candidatos subscreveram o programa e já se realizaram seis seminários em toda a Europa para analisar as melhores práticas e desenvolver uma estratégia comum. Foi também criado um grupo de especialistas composto por partes interessadas do sector público e privado para apoiar a Comissão Européia na implementação do Calypso.
Rede de intercâmbio Européia
A Comissão Européia pretende encorajar as partes interessadas com vista a fortalecer as infra-estruturas que vão receber os turistas de época baixa nos programas de intercâmbio. Vai também analisar a possibilidade da criação de uma plataforma que permita desenvolver oportunidades para ONG, agências de viagens e outras estruturas relacionadas com o objetivo de interagirem com hotéis, spas e aldeias de férias cuidadosamente escrutinados. Espera-se que este instrumento permita que determinados grupos viajem na época baixa para outros países na Europa.
O Calypso tem assim algo para oferecer tanto ao sector do turismo como à sociedade. Abrindo o turismo a viajantes com menos recursos em particular e contribuindo para a ocupação durante a época baixa, pode estimular as empresas e as oportunidades de emprego na indústria do turismo, ao mesmo tempo que melhora a qualidade de vida dos cidadãos europeus.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Repórter cego mostra que não é preciso ver para curtir a Europa


Escolher o companheiro de viagem certo e um planejamento detalhado ajudam o turista com deficiência a superar obstáculos. Nosso repórter descobriu facilidades e falhas no acesso a pontos turísticos e constatou que não é preciso ver para curtir a Europa
A gravação de uma voz feminina anuncia pelo sistema de alto-falantes, enquanto o trem diminui a velocidade: “Esta estação tem acessos sem degraus”. A estação é King’s Cross St. Pancras em Londres, uma das mais movimentadas do mundo. E o anúncio, que deveria ser regra, é exceção. Em meio ao esforço da capital britânica para se modernizar a tempo de receber as Olimpíadas do ano que vem, a cidade encara um desafio – compartilhado com toda a Europa: tornar acessível a todos seu transporte público sesquicentenário e sua arquitetura milenar.
O continente conhecido pelos extensos benefícios sociais e pela preocupação com os direitos humanos ainda tem uma série de barreiras ao turismo de pessoas com deficiência. A culpa, neste caso, é da história. Igrejas, castelos, ruelas e museus são os mais belos do mundo, mas foram construídos em uma época em que a palavra “acessibilidade” sequer fazia parte do vocabulário vigente.
Hoje, embora a União Europeia encampe um esforço coletivo para adaptar a infraestrutura turística, muito ainda precisa ser feito. Um estudo da Comissão Europeia apontou o transporte urbano e edifícios públicos como os maiores obstáculos a pessoas com deficiência. A pesquisa, feita em sete países, colocou Áustria e Noruega nos primeiros lugares do ranking da acessibilidade. Em último ficou a Itália, com Reino Unido e Espanha a meio caminho.
Não há, contudo, razões suficientes para o turista com alguma deficiência física desistir de viajar para o Velho Continente. Se este for o seu caso, escolha o companheiro de viagem certo (acredite, você precisará dele), planeje o roteiro com antecedência e tenha muita paciência todas as vezes em que alguém não entender o que você precisa. Talvez você não consiga subir ao domo da Catedral de São Paulo (não há rampas de acesso para cadeirantes) para ver Londres do alto, mas poderá desfrutar, tanto quanto qualquer outra pessoa, a cultura e história europeias.
Quer descobrir como? Nesta e nas páginas aqui linkadas, o leitor encontra as experiências e recomendações – um tanto idiossincráticas – de um repórter cego que passou um mês em um périplo europeu que envolveu cinco países.
Comunicação. A todo o tempo, a pessoa com deficiência precisa perguntar, esclarecer e explicar. O europeu, como diz o senso comum, é mesmo um povo educado – e, ao contrário do que diz o senso comum, pode ser bastante solícito. Se o viajante conseguir expor suas dúvidas e necessidades, será ajudado. Isso significa que falar bem ao menos inglês é essencial. Se este não for o seu caso, considere contratar um guia local, que lidará com a maior parte das dores de cabeça por você.
Hotelaria. Nas capitais, não são raros os hotéis com quartos adaptados a cadeirantes. Entretanto, o ideal é fazer a reserva com antecedência e explicar claramente suas necessidades. Para os mochileiros, há albergues prontos para receber deficientes, mas são raros e costumam cobrar pelo conforto extra. Sites como booking.com ou hostelworld.com apontam ao viajante os hotéis e albergues acessíveis.
Nas cidades menores, encontrar um quarto adaptado é consideravelmente mais difícil. Neste caso, uma opção é fazer passeios de um dia só, voltando para passar a noite na metrópole mais próxima.
Fonte: Estadão

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A partir de 2013, todos os cidadãos europeus portadores de deficiência vão poder fazer turismo a baixo custo

De acordo com informação da Comissão Europeia, trata-se de um programa que visa "melhorar as vidas dos cidadãos mais desfavorecidos em toda a Europa", permitindo que "pessoas que normalmente não podem viajar, possam passar a fazê-lo para destinos de férias na Europa".

Os públicos-alvo do programa Calypso são os jovens adultos desfavorecidos com idades entre os 18 e os 30 anos, famílias com dificuldades financeiras, pessoas portadoras de deficiências e pessoas com mais de 65 anos ou pensionistas que não têm possibilidades económicas para viajar.

As viagens serão realizadas durante a época baixa (outubro a maio), sendo assim também uma forma de revitalizar a economia europeia.

"Se todos os europeus tiverem a oportunidade de sair de casa e descobrir outros países, o setor do turismo europeu poderia criar empregos na época baixa prestando serviços a grupos com poucos recursos através de acordos de viagens a baixo custo e férias temáticas especiais", justifica a Comissão Europeia.

O programa conta já com a adesão de 21 Estados-membros, mas ainda está numa fase de preparação, com a realização de vários seminários por toda a Europa "para analisar as melhores práticas e desenvolver uma estratégia comum", como explica a Comissão Europeia.

Hoje tem lugar mais um seminário, desta vez em Lisboa, organizado em conjunto pela Fundação INATEL e pela Comissão Europeia com o propósito de debater os "Horizontes de Expansão do turismo social na Europa".

"A União Europeia, com a consciência que a Fundação INATEL é pioneira na Europa na realização de programas para a terceira idade, para os jovens, para pessoas com deficiência e também para famílias pobres considerou que um dos fatores que pode também pesar como contributo para a resposta à crise é este tipo de ação que se desenvolve em Portugal ser dinamizada em reciprocidade entre os 27", explicou à Lusa o presidente do INATEL.

Vítor Ramalho lembrou, tendo por base um estudo desenvolvido pela Universidade de Aveiro para o INATEL, que o retorno para o Estado com este tipo de programas é bastante elevado.

"A Universidade concluiu que por cada euro que seja aplicado, o Estado recebe três porque mobilizam-se muitas pessoas, há impostos a pagar quer do fretamento de aviões, quer do fretamento de autocarros, quer do arrendamento de unidades hoteleiras, quer da restauração", adiantou.

De acordo com o presidente do INATEL, a lógica de funcionamento do programa Calypso será semelhante ao dos programas já desenvolvidos pela Fundação, em que as pessoas que concorrem aos programas pagam de acordo com os seus rendimentos, cabendo às pessoas com mais recursos económicos pagar a totalidade, mas dando preferência às pessoas mais desfavorecidas.

Na opinião de Vítor Ramalho, este é um programa destinado ao sucesso porque "a economia social é uma resposta indispensável para a saída da crise".

Fonte: RTP Online

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Universidade de Coimbra cria Roteiro Turístico em Braille


Os cegos que visitam a Universidade de Coimbra têm ao seu dispor o circuito turístico em braille. Produzido pelo Gabinete de Apoio a Necessidades Educativas Especiais, o Roteiro Turístico da UC em braille assume formato A5 e está disponível em duas versões: Português e Inglês.
A criação desta ferramenta “surge com o objetivo de tornar a visita aos espaços turísticos da Universidade de Coimbra mais acessível, nomeadamente às pessoas cegas, permitindo-lhes não só acompanharem com mais pormenor as explicações dadas pelos técnicos, mas também guardarem consigo a história e os monumentos e usufruírem de repetidas leituras saboreando este circuito turístico”, afirma Maria Isabel Teixeira, do Gabinete de Apoio a Necessidades Educativas Especiais da UC.
A inclusão social “começa em cada um de nós com pequenos gestos no dia-a-dia e deve ser vista no seu todo e não fragmentada por áreas de intervenção. Sendo a Universidade de Coimbra uma universidade setecentista, que alia a tradição à modernidade e referencial na área de investigação, é por si uma instituição humanista consciente da sua influência na sociedade e, por isso mesmo, preocupada com uma sociedade no seu todo, procurando criar as acessibilidades necessárias para a receber”, sustenta.
A Universidade de Coimbra é um dos principais destinos turísticos portugueses. Todos os anos visitam o Paço das Escolas cerca de 500 mil turistas das mais diversas proveniências. Entre outros espaços, o circuito inclui visita à Sala dos Capelos, Sala do Exame Privado, Sala das Armas, Torre, varanda panorâmica, Biblioteca Joanina (piso nobre e intermédio), Capela de S. Miguel e Prisão Acadêmica.
A Universidade de Coimbra é uma das mais antigas da Europa. Fundada em Lisboa por D. Dinis em 1290, foi definitivamente transferida para Coimbra em 1537, vindo a ocupar os edifícios do Paço Real Medieval. Durante os reinados de D. João V e D. José I, a instituição sofreu grandes reformas, não só a nível do ensino, mas também no que respeita à construção de novos edifícios de estilo barroco e neo-clássico.
Biblioteca Joanina
A construção iniciou-se em 1717, sob a égide de D. João V e é a mais famosa biblioteca em Portugal, devido ao seu estilo único. No piso superior, a biblioteca é composta por três salas, comunicantes por arcos decorados em madeira policromada, idênticos à estrutura do portal. As paredes estão cobertas por estantes lacadas de vermelho e verde escuro, com decorações em chinoiserie dourada. Ao gosto barroco, os teto estão ornamentadas com decorações de ilusão óptica. Os mais de 300 mil volumes que encerra esta “Casa da Livraria”, distribuem-se desde o século XII ao século XIVIII, e versam sobretudo sobre áreas como o direito (civil e canônico), a teologia e a filosofia.
Capela de S. Miguel
As obras da construção da Capela de S. Miguel iniciaram-se em 1517, sob a direção do arquiteto Marcos Pires. A fachada mostra uma porta em estilo manuelino, com acesso lateral através de uma porta neoclássica. No interior, é possível admirar um imponente órgão barroco de 1733, decorado em talha e chinoiseries ao estilo D. João V. As paredes da nave são revestidas de azulejos de tipo tapete, do século  XVII, e do século XVIII os da capela-mor. O retábulo principal (1605) é um trabalho maneirista.
Prisão Medieval e Acadêmica
Tendo a Universidade um foro próprio, era natural que a instituição dispusesse de um local de cárcere para os escolares condenados no âmbito desse direito privado. Assim, o cárcere situava-se (desde 1782 até à extinção do foro em 1832) no piso inferior da Casa da Livraria, sendo composto de pequenas salas abobadadas, sem luz direta, que os frequentadores forçados consideravam insalubres.
Sala das Armas
A Sala das Armas fazia parte da ala real do antigo paço. Alberga a panóplia das armas (alabardas) da Guarda Real Acadêmica, que ainda hoje são utilizadas pelos Archeiros (guardas) nas cerimônias acadêmicas solenes.
Sala dos Capelos
É nesta sala que atualmente têm lugar as mais importantes cerimônias acadêmicas, designadamente os Doutoramentos solenes, “honoris causa”, Investidura do Reitor e Abertura Solene das Aulas. Inicialmente, foi a sala do trono do Palácio Real de Coimbra. Na  segunda metade do séc. XVII foi remodelada, tendo ficado com o aspecto atual. No começo do séc. XVIII, as coberturas foram renovadas e as paredes superiores decoradas com telas que representam todos os reisde Portugal, enquanto o lambril foi coberto com azulejos do tipo tapete, fabricados em Lisboa. O teto, apainelado, com decoração de grinaldas e grotescos pintados, exibe a data de 1655.
Sala do Exame Privado
A sala onde, até à segunda metade do século XIX, se realizava o exame privado (que antecedia o doutoramento), reformada nos anos de 1701/ 1702, apresenta os retratos dos reitores dos séculos XVI a XVIII. No teto, como nas sobreportas, vêem-se os emblemas das Faculdades. O lambril de azulejos de albarrada, azuis e brancos, são de feitura conimbricense do século XVIII.