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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Alpinista sem pernas escala o Everest em série do Discovery Channel


O Discovery Channel mostra em sua série "Everest: O Preço da Escalada", as dificuldades enfrentadas por uma equipe de 11 alpinistas --três deles guias profissionais-- para chegar ao cume do Everest. A série de seis episódios ainda registra a histórica escalada do neozelandês Mark Inglis, o primeiro alpinista sem pernas a chegar ao topo da montanha.
Mark Inglis perdeu as suas duas pernas abaixo do joelho em 1982, devido ao frio, quando se encontrava a escalar o Monte Cook, o ponto mais alto da Nova Zelândia, e ficou preso a meio da subida por causa de fortes tempestades. Permaneceu 2 semanas numa cavidade no gelo, lutando pela sua vida, juntamente com o seu companheiro de viagem, Phil Doole. O acidente, contudo, não afastou o neozelandês das montanhas. Em 2004, Mark, para “treinar”, subiu o Monte Cho Oyu, no Tibete, que tem 8201 metros de altitude. 24 anos depois de perder as pernas, Inglis encara um dos maiores desafios de qualquer alpinista e parte para a expedição no Everest com o auxílio de próteses de fibra de carbono. Com este feito, foram angariados centenas de dólares, para um centro do Cambodja, que reabilita amputados, vítimas de poliomielite e outras pessoas com deficiência motora.
Inglis realizou sua histórica escalada entre os meses de abril e maio de 2006, a segunda temporada de alpinismo mais mortífera já registrada na história. Logo no primeiro episódio, vê-se que a escalada do Everest tornou-se uma indústria: o acampamento base, local de onde os alpinistas partem para a escalada propriamente dita, parece mais uma pequena cidade colorida, tantas são as barracas armadas na neve. O número de alpinistas no local é recorde.
Alpinistas experientes misturam-se a outros nem tão preparados, o que aumenta os riscos de acidente e mesmo de morte --na série, o líder da equipe, o neozelandês Russell Brice que há 25 anos leva pessoas ao "teto do mundo", se irrita com um dos integrantes do grupo que teima em não seguir suas instruções, pondo em risco sua própria segurança.
O congelamento das extremidades, como aconteceu com Inglis, é apenas um dos riscos dos aventureiros. A falta de ar --que se torna rarefeito à medida que o grupo avança-- é um dos principais problemas da escalada e surgem os riscos de edema cerebral e ataque cardíaco. Na "zona da morte", acima de 7.930 metros, a temperatura chega a - 40ºC e o nível de oxigênio é 70% mais baixo do que ao nível do mar.
A série também registra momentos em que alpinistas perdem o senso de orientação e começam a ter alucinações. Um médico americano que acompanha o grupo liderado por Russel Brice se sente impotente ao tentar auxiliar um indiano de outra equipe que quase morre durante a escalada. "Não há muito o que fazer. Aqui, só sei um pouco mais do que os outros", diz o médico, enquanto alguns homens abandonam a escalada para levar o companheiro de volta ao acamapamento base.
A dramaticidade da situação é ainda maior, pois resgates com helicópteros são impossíveis na região, já que o ar do local não dá sustentação ao aparelho. E o hospital mais próximo está a oito horas de viagem, em Katmandu, no Nepal. Enquanto o telespectador toma ciência destes dados e acomapanha as dificuldades do grupo, a questão que fica é: por qual razão estes homens se sacrificam tanto e colocam em risco a própria vida? Seria o sentimento de superação e poder? Os breves momentos de êxtase de estar onde poucos estiveram? Talvez. A série não tenta solucionar a questão, mas acompanhar a jornada já vale a pena.
Fonte: 24 Horas News

Rick Allen, baterista do Def Leppard. A amputação tirou seu braço, mas seu talento continua.


Richard John Cyril Allen (Dronfield, 1º de novembro de 1963), mais conhecido como Rick Allen, é baterista inglês, membro da banda de Rock britânica Def Leppard. Baterista que iniciou sua carreira profissional muito jovem, com apenas 15 anos de idade. Em 1978, entra para o Def Leppard substituindo Frank Noon. Nesse mesmo ano Allen e a banda lançam o mini-LP Def Leppard. Aos 16 anos abandona definitivamente a escola tornando-se baterista em tempo integral. Allen tinha como característica apresentar-se nos shows sem camisa, calçando tênis sem meias, vestindo luvas pretas e usando um calção que reproduzia a bandeira da Grã-Bretanha. Essa imagem o tornou famoso no mundo inteiro.
Primeiros discos e consagração
Em 1980, faz sua estréia oficial em disco com sua banda no disco On Through the Night. Seguiram-se os álbuns High and Dry, muito elogiado, e Pyromania, um enorme sucesso. Allen foi particularmente muito elogiado pela crítica especializada por sua técnica, considerada esplêndida, chegando a ser comparado aos grandes bateristas do rock tais como Keith Moon e John Bonham.
Tragédia
Em 31 de dezembro de 1984, ao ir para uma festa de ano novo na casa de sua família em Sheffield, Inglaterra, Allen, então com 21 anos, dirigia seu Corvette quando foi ultrapassado por um Alfa Romeo. O motorista desafiou Allen e não o deixou passar. Em sua corrida para tentar ultrapassá-lo, Allen não viu uma curva à frente e perdeu o controle de seu carro, que caiu por um paredão de pedra em um campo. Ele foi arremessado para fora do carro, tendo seu braço esquerdo lesionado por causa do cinto de segurança que estava mal-colocado.
O carro ficou de cabeça para baixo, com sua namorada Miriam Barendsen presa em seu assento. Ela não se feriu gravemente, e encontrou Allen caído no campo. Eles foram ajudados por uma enfermeira que passava pelo local, e foram levados a um hospital. Inicialmente, os médicos reimplantaram o braço de Allen, mas por causa das infecções, ele teve de ser removido novamente. Ele deixou o hospital três semanas e meia depois, com uma recuperação estimada em pelo menos seis meses.
O acidente cancelou todos os seus compromissos profissionais — e também os do grupo — por quatro anos. Entre esses compromissos estavam as apresentações no Rock in Rio, no começo de 1985.
A volta
Allen e o Def Leppard só retornariam às paradas com o álbum Hysteria, em 1988. Allen muda sua característica: usa camiseta, jeans, sem luvas e toca descalço. Para suas apresentações usa uma bateria feita especialmente para ele e cujos controles de ritmo estão todos nos pés, tocando apenas com o seu único braço. Seguem-se os álbuns Adrenalize (1992), Retro-Active (1993), Vault: Def Leppard's Greatest Hits (1995), Slang (1996), Euphoria (1999), X (2002), Best Of Def Leppard (2004), Rock of Ages: The Definitive Collection (2005), Yeah! (2006), Songs from the Sparkle Lounge (2008) e Mirrorball (2011). Allen vem se apresentando regularmente com o Def Leppard sempre com muito sucesso
Fonte: Wikipedia

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

As Inovações da Universidade do Minho a pensar nas pessoas com necessidades especiais

Sabia que a cada ano são desenvolvidas seis milhões de úlceras de pressão na Europa e nos EUA? Esta importante causa de mortalidade e comorbilidade encontra resposta no projeto Sense4me, cuja finalidade é criar colchões, almofadas e coberturas capazes de monitorizar a pressão, temperatura e humidade exercidas em zonas do corpo que estão permanentemente em contacto com superfícies de suporte.

“O controlo destes parâmetros poderá lançar, quando necessário, um alerta que permitirá ao utilizador movimentar-se sozinho ou com a ajuda de terceiros, evitando o desenvolvimento de uma ferida na pele”, explica Miguel Carvalho, coordenador do projeto e professor do Departamento de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho.

Estas aplicações têxteis e polímericas vão integrar um sistema que permita proporcionar às pessoas com mobilidade reduzida um alívio ao nível da perceção sensitiva do desconforto, assegurando, desta forma, uma maior independência, bem-estar e qualidade de vida aos doentes. “Na maioria das situações, este público tem alguma dificuldade em sentir determinadas regiões do corpo que se encontram em contacto com superfícies ou, então, não conseguem mudar de posição regularmente, de forma autónoma, como o faria uma pessoa saudável de forma inconsciente”, esclarece. Estas são circunstâncias favoráveis ao desenvolvimento de úlceras de pressão (UP), ou seja, lesões cutâneas que se produzem em consequência de uma falta de irrigação sanguínea ou de uma irritação da pele.

A inovação terá um impacto enorme em termos humanos e financeiros, uma vez que ainda não existe uma solução eficaz e fiável no mercado. Além de prevenir o aparecimento de feridas, a tecnologia traz vantagens para o sistema de saúde, nomeadamente na redução de custos no tratamento de UP, na otimização do tempo dos enfermeiros e na melhoria de performance destes profissionais. “Os gastos médios dedicados ao tratamento desta patologia são de 6 mil euros por cada UP. Na União Europeia e nos EUA, a prevenção e o tratamento têm um custo anual superior a 36 mil milhões de euros”, diz Miguel Carvalho, também fundador da spin-off WeAdapt, da UMinho. O próprio cidadão acaba por ser penalizado direta ou indiretamente, através dos seus impostos, devido aos custos de tratamento, ao tempo dedicado como cuidador ou às várias semanas de repouso exigidas em situações de imobilidade.

A gama de produtos é destinada essencialmente aos indivíduos com limitações motoras graves que condicionam a sua deslocação, nomeadamente os idosos e pacientes acamados, os doentes sob efeitos de sedativos ou anestesia durante cirurgias prolongadas e pós-operatório, ou, ainda, para aqueles que se deslocam em cadeiras de rodas.

Harvard vai colaborar no projeto

O engenheiro acaba de submeter um projeto que pretende dar continuidade ao Sense4me, através de uma equipa alargada que envolve a Harvard Medical School, o Brigham and Women’s Hospital (Boston), a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, o Centro de Medicina e Reabilitação da Região Centro/Rovisco Pais, o Hospital de Braga, o ICVS/3B’s e as escolas de Engenharia e Psicologia da UMinho. Torna-se cada vez mais importante apostar nesta área de investigação, uma vez que a população idosa tende a aumentar, o que terá um impacto económico crescente a médio e longo prazo, reflete o investigador.

Apesar do interesse mostrado pelas entidades ligadas à área da saúde, sobretudo nos EUA, os produtos do Sense4me ainda não chegaram ao mercado. O projeto não está em fase de comercialização, mas não faltam oportunidades... “Oferecer a tecnologia às empresas não faz parte dos nossos objetivos enquanto investigadores e empreendedores. A aposta tem sido em aprimorar esta inovação, torná-la realmente eficaz na resolução do problema. Existem muitas possibilidades de financiamento”, adianta Miguel Carvalho. A equipa de investigação dispõe de protótipos funcionais que estão a ser desenvolvidos no âmbito da empresa WeAdapt, incorporando novos produtos com impacto no “microambiente” das pessoas potencialmente.

WeAdapt criada a pensar nas pessoas com necessidades especiais

Alguma da investigação do projeto Sense4me foi desenvolvida através da WeAdapt(http://www.weadapt.eu), empresa conhecida na elaboração de vestuário funcional e dispositivos de reconstituição física para pessoas com diversas limitações físicas. O objetivo é desenvolver e comercializar produtos inclusivos com importante impacto na qualidade de vida destes indivíduos, reinventando a relação entre as pessoas e o seu ambiente, desde o nascimento ao fim da vida, no que diz respeito à relação entre a pessoa e a sua higiene pessoal, entre a pessoa e os prestadores de cuidados de saúde e entre os pacientes e médicos.

O trabalho de investigação que gerou a empresa começou em 2005 com uma tese de mestrado. A ideia de criar a WeAdapt consolidou-se em novembro de 2008, ano em que venceu o Prémio Nacional de Empreendedorismo START.

Desde então já foram desenvolvidas soluções para utilizadores de cadeira de rodas, pessoas cegas ou com visibilidade reduzida, daltónicos, acamados, idosos e indivíduos com trissomia 21. Com o apoio de projetos de investigação do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e as parcerias com a indústria e especialistas de várias áreas, a empresa procura inovar ao nível do design e dos materiais que se encontram no “microambiente” deste grupo. “Os possíveis problemas e as potenciais vantagens que têm os tecidos que interagem com as pessoas com necessidades especiais e o seu ambiente são frequentemente negligenciados. O vestuário comum e as superfícies de apoio existentes no mercado não respondem às suas necessidades específicas”, explica o responsável. “Todo o processo de modelação é específico à realidade do mercado-alvo, existindo acabamentos especiais que permitem facilitar a tarefa de vestir/despir, contribuindo para uma maior autonomia do utilizador, bem como acabamentos funcionais ao nível do tratamento dos tecidos, sem comprometer a aparência estética”, acrescenta.

A WeAdapt foi distinguida com os prémios SpinUM (2009) e ISCTE-MIT Portugal Venture Competition, na Categoria Produtos e Serviços (2010). Foi também classificada no Top100 do Eurecan European Venture Contest 2009. Atualmente, Miguel Carvalho está a preparar projetos de investigação com importantes instituições americanas, nomeadamente o MIT, a Universidade de Harvard e a Universidade do Texas: “Tive o privilégio de encontrar pessoas com a mesma motivação e conhecimentos complementares. Apesar da distância, reunimos semanalmente, discutimos desenvolvimentos, identificamos novas oportunidades e procuramos os parceiros para as concretizar”, adianta.

Três gerações ligadas à indústria têxtil e de confeção

Literatura. Ultimamente apenas aquela que é relacionada com o empreendedorismo. Não consigo fazê-lo com a regularidade que desejava.
Cinema. Qualquer filme em boa companhia. 
Viagens. Todas as que fiz com a família.
Passatempos. A Carla e os meus filhos.
Momento. A perda do meu pai.
Frase. "Não é possível assobiar uma sinfonia, é necessário uma orquestra para a tocar".
Percurso académico. Realizei a licenciatura em Engenharia Têxtil (1991), o mestrado em Design e Marketing (1996) e o doutoramento em Engenharia Têxtil - Tecnologia do Vestuário (2003). Era um aluno aplicado e interessado em aprender. Fui para o curso que escolhi, seguindo uma tradição familiar de três gerações ligadas à indústria têxtil e de confeção.
UMinho. A minha casa há 25 anos. Tive aulas de Engenharia na rua D. Pedro V, no Pé Alado (centro de Braga), no campus de Gualtar, em Vila Flor e no campus de Azurém (em Guimarães), onde estou até hoje. É com orgulho que vejo esta Instituição crescer e ganhar o respeito internacional.

Fonte: Universidade do Minho

Millennium bcp: Candidate-se ao empréstimo de 5.000 euros

Como forma de assinalar o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, o Microcrédito do Millennium bcp irá apoiar com 5.000 EUR a concretização de uma ideia de negócio apresentada por pessoa portadora de deficiência que não tenha acesso a crédito bancário (ver condições subjacentes à criação do Microcrédito).

O vencedor contará com o apoio de um Gestor de Projecto para desenvolver e implementar o seu negócio, podendo ainda dispor de uma linha de financiamento complementar concedido ao abrigo das regras Microcrédito Millennium bcp.


Condições de adesão:

Seja portador de uma deficiência elegível (apresentação de Certificado Multiuso ou Atestado de Incapacidade);
Apresente uma proposta de negócio;
Demonstre iniciativa, perseverança e conhecimentos técnicos específicos para concretizar a implementação do negócio;
Respeite as condições de contra-garantias exigidas no âmbito do Microcrédito do Millennium bcp.

Candidatura

Para formalizar a candidatura basta enviar dados para microcredito@millenniumbcp.pt.até ao próximo dia dia 29-02-2012.

O Banco reserva-se, contudo, o direito de não atribuição do valor no caso de, entre a data de expedição e da manifestação da intenção de aceitar, terem sido registados em nome do(s) mutuário(s) incidentes relativos à devolução de cheques nos termos previstos no Decreto-Lei nº 454/91, de 28 de Dezembro, apontes ou protestos relativos a títulos de crédito ou terem os mesmos entrado em mora relativamente ao cumprimento de obrigações contratadas com o Banco Comercial Português ou, tratando-se de outros bancos, que a estes tenham sido comunicados através do Banco Portugal.

Fonte e mais informações: Millennium bcp

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"Confunde-se facilmente o termo deficiente com o não eficiente"


Hugo Maia tem 33 anos e tirou o curso profissional de Informática. Desde Abril de 2005 trabalha na Nokia Siemens Networks, desempenhando funções de Técnico Especialista de Redes de Transmissão. O Desporto é também uma componente muito importante na sua vida:  já foi campeão europeu em representação da Selecção Nacional de Basquetebol em cadeira de rodas e integra a equipa GDD-Alcoitão. Desloca-se em cadeira de rodas devido a um atropelamento por um comboio aos 17 anos.
Associação Salvador (AS): Descreva-nos como é o seu dia-a-dia de trabalho? 
Hugo Maia (HM): Posso dizer que os dias são dias preenchidos e vividos com uma enorme energia. O nível de responsabilidade resulta por vezes em algum stress mas a interação a nível técnico torna-a gratificante e motivadora. Trabalho no Centro Global de Operações de Rede da Nokia Siemens Networks Portugal e atualmente estou inserido num Projeto de Supervisão de Redes de Transmissão e de Dados, no qual presto suporte técnico a um Operador Espanhol. Em paralelo e sempre que necessário, sou também responsável por organizar e dar Formação de novos equipamentos e tecnologias de Comunicação e Transmissão.
AS: Como surgiu esta oportunidade de trabalho? 
HM: Esta oportunidade de trabalho e nova área profissional surge no final de 1999. Numa altura em que se verificou uma expansão no sector das telecomunicações, fui contratado para integrar a Equipa de Supervisão de Rede de Transmissão da atual Nokia Siemens Networks, prestando serviços a um operador nacional.
Confesso que inicialmente estava um pouco preocupado com a adaptação a uma nova área técnica, uma vez que a minha formação de base e âmbito profissional anterior eram na área de Design Gráfico, Web Design e Programação. No entanto e talvez devido à minha experiência em várias especialidades técnicas do ramo da informática, adaptei-me facilmente às Tecnologias de Comunicações e felizmente consegui progredir na minha carreira.
Durante quatro anos fiz Supervisão em regime de turnos e fui promovido para a equipa de Operação de Rede. Um ano mais tarde sou contratado para a equipa de Operação de Redes de Transmissão do operador a quem prestava serviços e passados alguns meses regresso à Nokia Siemens Networks com o projeto onde estava inserido.
AS: Em termos de acessibilidades, o local de trabalho está perfeitamente adaptado?
HM: Conheço a empresa desde 1999 (onde tive as minhas primeiras formações na área das Telecomunicações) e já nessa altura a reconheci como uma entidade consciente relativamente a acessibilidades - e não me refiro apenas a adaptações genéricas em alguns locais centrais dos vários edifícios.
Desde 2005 que os departamentos responsáveis têm sido muito recetivos a sugestões de adaptação. Foi montada uma porta junto aos torniquetes de acesso, de modo a facilitar a passagem ao parqueamento reservado a colaboradores com mobilidade reduzida. Noutro edifício foi instalada uma plataforma elevatória de exterior que me permite ultrapassar uma barreira de 6 degraus e utilizar assim o mesmo acesso direto que outros colegas em vez de recorrer a percursos alternativos. Ainda - algo tão simples como a colocação de um tapete na saída de uma porta, para que o acesso à mesma ficasse mais nivelado, foi resolvido após um pedido interno.
A Nokia Siemens Networks, uma empresa consciente nesta temática e que não utiliza a Responsabilidade Social apenas como uma estratégia de marketing ou como pré-requisito para atingir certificações de qualidade.
AS: Teve outros empregos anteriormente. Que funções desempenhava? Pode descrever-nos como tem sido o seu percurso profissional?
HM: Para além de algumas iniciativas como freelancer na área de Manutenção de Equipamentos Informáticos, Design Gráfico e Web Design, trabalhei também em part-time no Suporte Técnico ADSL da Telepac/PT e posteriormente em Suporte a Software na Microsoft através da Teleman.
AS: Houve alguma situação em que não tenha ido a uma entrevista de emprego, por exemplo, por falta de acessibilidades? Este tipo de obstáculos dificulta a integração profissional de quem tem mobilidade reduzida?
HM: Houve muitos contactos que recebi para agendamento de entrevistas em que questionei a existência de acessibilidades ou a ausência de barreiras arquitetónicas. Até hoje questiono-me se seria muito azar meu ou se de facto seria possível existirem tantas empresas sem qualquer tipo de acessibilidades.
Este tipo de obstáculos dificulta muito a integração profissional de pessoas com mobilidade reduzida, já que retira à partida qualquer grau de igualdade nas candidaturas, relativamente a outros candidatos, mesmo existindo a possibilidade de serem profissionais mais competentes e dedicados.
Por vezes, quando certas empresas com instalações sem acessibilidades são abordadas relativamente aos apoios existentes na adaptação e criação das mesmas, não encaram esta intervenção como uma melhoria e uma resposta a eventuais necessidades futuras, mas sim como um transtorno que poderá comprometer o bom funcionamento da atividade da empresa.
AS: Da sua experiência, sentiu alguma vez que, nas empresas, quem realiza as entrevistas possa ter ideias estereotipadas sobre a deficiência motora e as capacidades das pessoas com mobilidade reduzida? Se sim, como dar a volta a essa situação?
HM: Infelizmente, julgo que ainda acontece e com mais frequência do que muitos possam imaginar. A situação melhorou, comparativamente há 14 anos atrás, quando comecei a procurar de emprego, mas ainda se verifica.
No início da minha "aventura" no mercado de trabalho, apesar de já me deslocar de comboio, tinha plena noção das dificuldades ao nível de barreiras arquitetónicas com que me poderia deparar, numa simples deslocação a uma entrevista de emprego. Vi-me obrigado em alguns contactos de pequenas e médias empresas a questioná-los sobre a existência de acessibilidades no interior da empresa ou, inclusive, no acesso à mesma. A recetividade ou o interesse das empresas na entrevista para a contratação diminuía consideravelmente e, na maioria das situações, nem houve entrevista.
Para além de eventuais barreiras arquitetónicas que estas empresas pudessem ter nas suas instalações, julgo que na maioria das situações a barreira que de facto impedia o meu acesso à empresa em questão seria uma barreira social, barreiras de mentalidades que confundiam facilmente o termo deficiente com o não eficiente.
Apesar de vivermos uma realidade consideravelmente diferente nos dias de hoje, e de terem surgido novos termos como "pessoa com mobilidade condicionada ou reduzida", a pessoa com deficiência continua a ser considerada "uma carga de trabalhos", um colaborador pouco eficaz, quando deveria ser considerada uma mais valia dados os benefícios fiscais para as empresas e o grau de auto-motivação e persistência para desafios ou dificuldades que estas pessoas normalmente têm.
AS: Alguma vez recorreu a algum apoio por parte do Instituto de Emprego e Formação Profissional para procurar emprego? Por exemplo, apoio à eliminação de barreiras arquitetónicas, ou outras?
HM: Estive inscrito no Instituto de Emprego e Formação Profissional até ter conseguido o emprego em 1999. Felizmente, não foi necessário recorrer a nenhum apoio à eliminação de barreiras.
AS: O desporto é muito importante na sua vida. Como surgiu o basquetebol na sua vida? Continua a jogar, neste momento?
O basquetebol em cadeira de rodas surge em 1997, meses depois de ter terminado o meu processo de reabilitação física e adaptação a próteses no Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão.
Na verdade, procurava o Atletismo em cadeira de rodas, mas a modalidade já não era praticada no clube APD-Sintra. Como alternativa, o responsável da altura, Victor Sousa deu-me a conhecer o Basquetebol em cadeira de rodas num treino da equipa. Familiarizei-me com a expressão "Amor à primeira vista" e apaixonei-me por esta modalidade que me trouxe mais auto-estima, melhor condição física e mais de 20 títulos a nível nacional e um título de Campeão Europeu em representação da Selecção Nacional de Basquetebol em cadeira de rodas.
Actualmente continuo a jogar. Desde a época passada integro uma nova equipa - a GDD-Alcoitão - para onde me transferi de modo a ajudar o clube a voltar aos seus tempos de glória e criar a mim próprio novos desafios a ultrapassar.
Fora de terra firme obtive recentemente a certificação Open Water Diver que me permite mergulhar de forma independente com garrafa. Brevemente, pretendo experimentar o ski adaptado.
HM: Que mensagem gostaria de deixar a outras pessoas com mobilidade reduzida que neste momento têm o desafio de mostrar o seu valor e integrar o mercado de trabalho?
O mercado de trabalho continua a não ser uma zona de igualdade e de conforto para pessoas com mobilidade reduzida, embora a receptividade das empresas tenha vindo a melhorar com o passar dos anos. O cenário da crise económica não ajuda, de todo, esta situação.
O único conselho que posso deixar será nunca desistir, por muitas dificuldades que surjam, por muitas respostas negativas que recebam. Apostar nas habilitações literárias e numa atividade física ou modalidade desportiva que melhora não só a nossa saúde como também a condição física, passa uma imagem positiva de perseverança.
A discriminação existe e baixar os braços a cada obstáculo que surja cria-nos mais dificuldades na procura de emprego. Determinação, confiança, amor-próprio e o acreditar no nosso valor são fatores imprescindíveis e importantíssimos.
Fonte: Associação Salvador

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Beethoven. A surdez lhe impediu de ouvir, porém nunca deixou de compor.


Beethoven era alemão, mas seu nome de família mostra a ascendência holandesa. A palavra “bettenhoven” significa canteiro de rabanetes e é o nome de uma aldeia na Holanda. A partícula “van” também é bastante comum aos nomes holandeses. O avô do compositor era da Bélgica e a família Beethoven estava há poucas décadas na Alemanha na época do nascimento de Ludwig. O avô Beethoven trabalhava como diretor de música da corte de Colônia e era um artista respeitado. Seu filho, Johann, pai de Ludwig, o seguiu na carreira, mas sem o mesmo êxito. Johann percebeu que o pequeno Ludwig tinha talento e tratou de obrigar o filho a estudar muitas horas por dia.
Ludwig deixou a escola com apenas 11 anos e aos 13, já ajudava no sustento da casa, trabalhando como organista, cravista, músico de orquestra e professor. Era um adolescente introspectivo, tímido e melancólico, freqüentemente imerso em devaneios. Em 1784, Beethoven tornou-se amigo do jovem conde Waldstein, que notou o talento do compositor e o enviou para Viena, na Áustria, para que se tornasse aluno de Mozart. O breve relacionamento entre os dois compositores, porém, é incerto e pode nem ter acontecido, segundo algumas fontes. Em duas semanas, Beethoven voltou para Bonn, devido à morte da mãe.
Começou então a fazer cursos de literatura, como uma forma de compensar sua falta de estudo. Teve contato com as fervilhantes idéias da Revolução Francesa e a literatura pré-romântica alemã de Goethe e Johann Schiller. Esses ideais se tornariam fundamentais na arte de Beethoven. Em 1792, Beethoven partiu definitivamente para Viena, novamente por intermédio do conde Waldstein. Dessa vez, Ludwig havia sido aceito como aluno de Haydn – a quem chamaria de “papai Haydn”. Beethoven também teve aulas com outros professores.
Seus primeiros anos vienenses foram tranqüilos, com a publicação de seu Opus 1, uma coleção de três trios, e a convivência com a sociedade aristocrática vienense, que lhe fora facilitada pela recomendação do conde. Era um pianista de sucesso e soube cultivar admiradores. Surgiram então os primeiros sintomas da surdez. Em 1796, na volta de uma turnê, começou a queixar-se, e teve o diagnóstico uma congestão dos centros auditivos. Tratou-se com médicos e melhorou sua higiene, a fim de recuperar a boa audição. Escondeu o problema de todos.
Em 1802, por recomendação médica, foi descansar na aldeia de Heilingenstadt, perto de Viena. Em crise, escreveu o que seria o seu documento mais famoso: o “Testamento de Heilingenstadt”. Trata-se de uma carta, originalmente destinada aos dois irmãos, que nunca foi enviada, onde ele reflete, desesperado, sobre sua arte e a tragédia da surdez. O suicídio era um pensamento recorrente. O que o fez mudar de idéia foi encarar a música como missão: “Foi a arte, e apenas ela, que me reteve. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim.” Só em 1806, Beethoven revelou o problema, em uma frase anotada nos esboços do Quarteto n° 9: “Não guardes mais o segredo de tua surdez, nem mesmo em tua arte!”.
Beethoven nunca se casou e sua vida amorosa foi uma sucessão de insucessos e de sentimentos não-correspondidos. Apenas viu realizado um amor correspondido. A revelação está na “Carta à Bem-Amada Imortal”, escrita em 1812. A identidade dessa mulher nunca ficou clara e suscitou muitas especulações. Um de seus biógrafos concluiu que ela seria Antonie von Birckenstock, casada com um banqueiro de Frankfurt.
Em 1815, o irmão de Ludwig, Karl, morreu deixando um filho de oito anos para ele e a mãe da criança cuidarem. Beethoven lutou na justiça para ser seu único tutor e ganhou a causa. Beethoven passou os anos seguintes em depressão, mas, ao sair dela em 1819, deu início a um período de criação de obras-primas: as últimas sonatas para piano, as “Variações Diabelli”, a “Missa Solene”, a Nona Sinfonia e, principalmente, os últimos quartetos de cordas. Foi em plena atividade, cheio de planos para o futuro (uma décima sinfonia, um réquiem, outra ópera), que ficou gravemente doente – pneumonia, além de cirrose e infecção intestinal. Morreu no dia 26 de março de 1827. Beethoven é reconhecido como o grande elemento de transição entre o Classicismo e o Romantismo.
Estudiosos costumam dividir a obra beethoveniana em três fases. A primeira incluiria as obras escritas entre 1792 e 1800. A segunda fase corresponderia ao período de 1800 a 1814, marcado pela surdez e pelas decepções amorosas. São características dessa fase obras como a sinfonia “Eroica”, a “Sonata ao Luar” e os dois últimos concertos para piano. A última fase, de 1814 a 1827, ano de sua morte, seria o período das obras monumentais: a Nona Sinfonia, a “Missa Solene”, os últimos quartetos de cordas.
A obra de Beetoven inclui uma ópera (“Fidelio”), música para teatro e balé, missas; sonatas; cinco concertos para piano, um para violino e um tríplice, para violino, violoncelo e piano; música de câmara (os quartetos de cordas) e nove sinfonias. A Sinfonia n° 3, “Eroica”, foi planejada para ser uma grande homenagem a Napoleão Bonaparte. A Nona, talvez a obra mais popular de Beethoven, marcou época. Sua grande atração é o final coral, com texto de Schiller, a “Ode à Alegria”.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Kevin Connolly, o ciborgue. Uma vida sem pernas, mas cheia de conquistas.


Imagine nascer sem as pernas. Agora, imagine usar sua baixa estatura para lançar uma carreira bem-sucedida como autor de sucesso, esquiador do XGames e fotojornalista esmagador de paradigmas – tudo aos 25 anos. Conheça o baixinho mais casca-grossa do planeta (Christopher Solomon).
O sol da manhã surge como um imenso ovo frito por detrás dos Picos Espanhóis em Montana. Kevin desce do banco do motorista de sua Toyota RAV4 especialmente adaptada e anda com as mãos e a bunda até a caçamba da picape, onde descarrega o maquinário do dia: um mono-esqui de fibra de carbono e titânio equipado com um pistão de snowmobile que parece ter saído do armário do Exterminador do Futuro. Ele o projetou no ano passado. Kevin se prende ao assento envolvente de fibra de carbono, encaixa o esquema todo em um enorme esqui para neve powder, e o Ciborgue está pronto: metade homem, metade máquina, 100% radical.
Kevin Connolly já fez mais coisas sem pernas aos 25 anos do que a maioria das pessoas consegue fazer na vida inteira. Com saúde perfeita em todos os demais aspectos, ele esquiou nos X Games de inverno cinco vezes só por curtição, chegando a ganhar a medalha de prata em 2007 e de bronze este ano da categoria MonoSkier X, que é o skiercross para deficientes. No ano passado, ele publicou sua bem recebida biografia, Double Take, publicada pela editora HarperCollins. Fotógrafo documental que roda o mundo, seu trabalho já foi exibido em galerias renomadas das Estados Unidos e Europa. Atualmente, ele está preparando um novo projeto fotográfico: uma busca mundial por pessoas com deficiências que criaram soluções ao estilo MacGyver. A renda combinada de seus trabalhos como escritor e fotógrafo, mais os honorários por palestras, dá uma boa soma para um vagabundo do esqui.
Quando o jovem Kevin não gostou de suas pernas mecânicas, seus pais decidiram deixá-lo “andar” por aí se puxando com os braços e arrastando a bunda, do jeito que muitas vezes se move ainda hoje. “O que meus pais pouparam em sapatos, gastaram em calças”, brinca ele no livro Double Take. “Foi difícil para ele”, conta seu pai, Brian, que trabalhou como entregador da Frito-Lay durante a maior parte da infância de Kevin. “Eu não o carregava no colo. Eu o fazia atravessar o estacionamento andando.”
Ele estudou nas escolas públicas de Helena, primeiro indo de classe em classe com suas mãos, e mais tarde em uma cadeira de rodas. Exceto por um espancamento por bullying no primário, ele sofreu surpreendentemente pouca perseguição dos colegas. “A novidade acabou logo”, lembra Kevin. O senso de humor também ajudou. “Sou o único cara do mundo com dois filhos e meio”, Brian ainda gosta de brincar. “O papai morre de orgulho de ter acertado bem na média nacional”, devolve Kevin.
Na quarta série, Kevin implorou para entrar no Clube de Luta Greco-Romana do colégio. Seu pais deixaram, sob a condição de que ele não poderia desistir depois de começar. Kevin sofreu a temporada inteira, usando um uniforme com os buracos para as pernas costurados, sem ganhar uma única lutazinha.
A luta greco-romana não durou muito tempo, mas o esqui sim. Num dia de janeiro, não muito depois do fiasco das lutas, Brian levou Kevin, então com 10 anos, a um programa de esqui adaptado. Ele deveria apenas dar umas voltas com um acompanhante em um tobogã. Mas aquela primeira descida fez algo soar dentro de Kevin, que abraçou o esporte intensamente.
Aos 13 anos, ele tinha seu próprio mono-esqui. Aos 14, já era o campeão geral de esqui alpino para deficientes dos EUA – um título que manteve por três anos consecutivos.O esqui na neve é um esporte de ângulos. É preciso usar os quadris para conseguir fazer uma boa curva. Para desenhar uma curva, é preciso usar o dedo do pé do lado de dentro. Kevin não tem quadris, muito menos dedos do pé. Como ele ficou tão bom? A força física dele ajudou. No segundo ano do colegial, Kevin já levantava 135 quilos na musculação e tinha o dobro da densidade óssea nos ombros que seus colegas – uma força que usava para empurrar e manobrar seus bastões de esqui, que funcionam como os yakos – aqueles suportes que mantêm o equilíbrio das canoas polinésias. Para melhorar ainda mais sua habilidade, ele brincava de pega-pega na Big Sky com o esquiador de provas de velocidade aposentado Ben Langguth, 44 anos. “Ele provavelmente faz as melhores curvas que já vi qualquer pessoa fazer”, admira-se Ben.
Mas Kevin preferiu manter seu hobby apenas como um hobby – diz que compete nos X Games “para se divertir” –, pois tinha outros interesses, como os lugares selvagens. No verão depois de seu primeiro ano na faculdade, Kevin fez uma viagem sozinho mochilando pelas escarpadas montanhas Tobacco Root, no sudoeste de Montana. Durante quase duas semanas, ele se locomoveu usando as mãos, avançando 6,5 quilômetros por dia e usando um revólver calibre 38 no caso de algum leão-da-montanha aparecer. “Ele é um safado durão”, orgulha-se seu pai”
Durante a faculdade, Kevin foi para o exterior para estudar cinema na Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, e para viajar pelo mundo em seu skate. Logo antes de deixar sua casa para ir para a Universidade Estadual de Montana, ele havia descoberto que em cima de uma prancha de skate ele era veloz e independente – e que passar correndo pelas bundas e pelos bundões na calçada era bem mais divertido que as alternativas tradicionais (suas próteses agora são ocasionalmente usadas como recipientes de salgadinhos em festas).
Kevin descobriu que as pessoas olhavam para ele de um jeito diferente. Passar da cadeira de rodas e das próteses ortopédicas para o skate, tornando-se o Ciborgue, foi um ato de transgressão. Dependendo de para onde viajava, ele se tornava um pedinte, um santo ou uma aberração. Em Kiev, uma mulher enfiou 200 hryvnias na sacola de sua câmera. Outra mulher o agarrou no metrô e começou a dirigir-lhe preces em iídiche. Um anão em um bar em Greymouth, na Nova Zelândia, desafiou-o para uma luta. Quando Kevin concordou, o anão sumiu.
Um dia, de saco cheio disso em Viena, na Suíça, Kevin decidiu se vingar e tirou uma foto de um cara que o encarava de queixo caído. Foi uma “catarse em miniatura”, escreveu ele em Double Take. “Usei meu próprio jeito de ficar encarando.” Essa clicada foi o começo de um vício. Nessa viagem e numa outra depois ao redor do mundo, ele tirou cerca de 33 mil fotos, sempre furtivas, sempre das reações das pessoas ao garoto sem pernas. As fotos são, do ponto de vista técnico, razoáveis. Mas virtuosismo não é o objetivo. São fotos com um senso de urgência. Como todo bom documentário, elas te tiram do seu modo normal de observação.
As fotos tornaram Kevin famoso. Ele voltou à Universidade Estadual de Montana, marcou uma apresentação de slides no campus, e mostrou as imagens para uma casa cheia. Um mês depois, o programa 20/20, da rede ABC, o convidou para uma entrevista. Menos de um ano depois ele tinha um contrato para publicar um livro. Desde então, suas imagens foram exibidas no Smithsonian, no Kennedy Center e em galerias do México à República Checa. “É difícil esquecer as fotos de Connolly – esse nível de honestidade na observação da curiosidade e da diferença entre os seres humanos”, conta Stephanie Moore, uma antiga diretora de artes visuais da VSA, uma organização beneficente do Kennedy Center que exibe o trabalho de artistas com deficiências. “Ele levou a fotografia a uma nova direção, modificou-a para captar um novo ponto de vista.”
Atualmente, Kevin está bolando seu segundo projeto fotográfico. Com o nome provisório de Low Lifes, ele o levará a lugares como a Índia e o Afeganistão, onde irá procurar pessoas que são singulares e eficazes em seus modos de transporte. “É Diane Arbus [fotógrafa norte-americana, cuja cinebiografia é contada no filme A Pele] para quem gosta de tecnologia”, explica.
Kevin não está planejando viajar de skate desta vez. Ele está trabalhando com uma empresa de design e desenvolvimento de produtos em uma versão modificada das “pernas de chita” do corredor sul-africano Oscar Pistorius, com uma mola debaixo de seu traseiro, e com muletas parecidas com molas para se mover. “E se um carinha sem pernas pudesse correr por um estacionamento mais rápido que alguém usando uma passada bípede?”, pergunta ele. “Isso é muito Ciborgue, porra!”
Qualquer outra pessoa que nascesse sem pernas poderia muito bem passar seus dias xingando Deus. Em vez disso, Kevin se pergunta quais portões sua condição lhe abrirá em seguida. Conforme ele me disse certa vez, com um sorriso, enquanto se preparava para acabar comigo na Big Sky, “é uma época bem legal para não se ter pernas”.
Veja abaixo as fotos do projeto The Rolling Exhibition, que Kevin tirou pelo mundo (clique na foto para ampliar):
Fonte: Go Outside

domingo, 29 de janeiro de 2012

Helder recebe cadeira de rodas eléctrica


Helder tem uma cadeira nova 

Helder Diogo, o menino de oito anos de Santarém que precisava de uma cadeira de rodas eléctrica, recebeu ontem, na Póvoa de Varzim o equipamento. A criança foi ajudada pela Associação Dar-a-Sorrir e pela mãe do Tomás, menino de três anos do Porto que nasceu sem a mão, que lhe ofereceu as oito toneladas de tampas que faltavam para receber a cadeira
 
Helder sofreu um traumatismo cranioencefálico, que lhe deixou o lado direito paralisado, num acidente de viação, quando tinha apenas dez dias de vida. Como os pais não têm possibilidade de lhe oferecer uma cadeira de rodas eléctrica, o menino foi ajudado por amigos. "Lançaram uma campanha de tampinhas na internet, há um ano. Queria agradecer à Vera Colaço, Filomena Ferro, firma Madeira&Madeira e, claro, à Dar-a-Sorrir e à mãe do Tomás", disse a mãe, Maria José Diogo. 

sábado, 8 de agosto de 2009

Vida Independente

Hoje decidi publicar um texto que eu acho fantástico e que simboliza uma declaração de princípios para as pessoas portadoras de deficiência, pelo menos deveria representar...Não podemos continuar a exigir que nos vejam como iguais se nos vitimizarmos...a deficiência não impede de sermos seres humanos completos. Não podemos andar?! Voamos com a nossa imaginação! Não ouvimos o mundo? Vemos as cores maravilhosas do mundo que nos rodeia.
Não vemos? Ouvimos a subtileza de uma obra de Bach...e o canto dos pássaros...
Poderão dizer-me que estou a ser lírica...eu sei bem o que são dificuldades! Mas não é por isso que viro as costas à vida e ao mundo. Não se fechem, não deixem de viver, de respirar...não se enterrem em vida. E façam o favor de tentar ser felizes...
"O que é Vida Independente?
Vida Independente é uma filosofia e um movimento de pessoas com deficiência que trabalham para a auto-determinação, igualdade de oportunidades e respeito por si próprio. Vida Independente não significa que queiramos ser nós a fazer tudo e que não precisamos de ajuda de ninguém ou que queiramos viver isolados. Vida Independente significa que exigimos as mesmas oportunidades e controlo sobre o nosso dia-a-dia que os nossos irmãos, irmãs, vizinhos e amigos, sem deficiência, têm por garantidos. Nós queremos crescer no seio das nossas famílias, frequentar a escola do bairro, trabalhar em empregos adequados à nossa formação e interesses e constituir a nossa própria família.

Visto sermos os melhores peritos nas nossas necessidades, precisamos mostrar as soluções que queremos, precisamos de estar à frente das nossas vidas, pensar e falar por nós próprios – tal como qualquer outra pessoa. Com este fim em vista nós temos de nos apoiar e aprender uns com os outros, organizarmo-nos e trabalharmos por mudanças políticas que conduzam a uma protecção legal dos nossos direitos humanos e cívicos

Nós somos pessoas profundamente comuns partilhando a mesma necessidade de se sentirem incluídas, reconhecidas e amadas.

Enquanto encararmos as nossas incapacidades como tragédias, terão pena de nós.
Enquanto sentirmos vergonha de quem somos, as nossas vidas serão vistas como inúteis.
Enquanto ficarmos em silêncio, serão outras pessoas a dizer-nos o que fazer.
Adolf Ratzka – Independent Living Institute – 2005 "