quinta-feira, 16 de abril de 2009

Talvez...



Talvez eu venha a envelhecer rápido demais.
Mas lutarei para que cada dia
tenha valido a pena.
Talvez eu sofra inúmeras desilusões
no decorrer da minha vida.
Mas farei com que elas percam a importância
diante dos gestos de amor que encontrei.
Talvez eu não tenha forças
para realizar todos os meus ideais.
Mas jamais irei considerar-me derrotada.
Talvez em algum instante
eu sofra uma terrível queda.
Mas não ficarei por muito tempo
a olhar para o chão.
Talvez um dia o sol deixe de brilhar.
Mas então irei banhar-me na chuva.
Talvez um dia eu sofra alguma injustiça.
Mas jamais irei assumir o papel de vítima.
Talvez eu tenha que enfrentar
alguns inimigos.
Mas terei humildade para aceitar
as mãos que se estenderão em minha direção.
Talvez numa dessas noites frias,
eu derrame muitas lágrimas.
Mas não terei vergonha por esse gesto.
Talvez eu seja enganada inúmeras vezes.
Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém merece a minha confiança.
Talvez com o tempo eu perceba
que cometi grandes erros.
Mas não desistirei de continuar
trilhando meu caminho.
Talvez com o decorrer dos anos
eu perca grandes amizades.
Mas irei aprender que aqueles que
realmente são meus verdadeiros amigos
nunca estarão perdidos.
Talvez algumas pessoas queiram o meu mal.
Mas irei continuar plantando
a semente da fraternidade por onde passar.
Talvez eu fique triste
ao concluir que não consigo
seguir o ritmo da música.
Mas então,
farei com que a música siga
o compasso dos meus passos.
Talvez eu nunca consiga ver um arco-íris.
Mas aprenderei a desenhar um,
nem que seja dentro do meu coração.
Talvez hoje eu me sinta fraca
Mas amanhã irei recomeçar,
nem que seja de uma maneira diferente.
Talvez eu não aprenda
todas as lições necessárias.
Mas terei a consciência de que
os verdadeiros ensinamentos já estão
gravados na minha alma.
Talvez eu me deprima
por não ser capaz de saber
a letra daquela música.
Mas ficarei feliz
com as outras capacidades que possuo.
Talvez eu não tenha motivos
para grandes comemorações.
Mas não deixarei de me alegrar
com as pequenas conquistas.
Talvez a vontade de abandonar tudo
se torne a minha companheira.
Mas ao invés de fugir,
irei correr atrás do que almejo.
Talvez eu não seja exatamente
quem gostaria de ser.
Mas passarei a admirar quem sou.
Porque no final saberei que,
mesmo com incontáveis dúvidas,
eu sou capaz de construir uma vida melhor.
E se ainda não me convenci disso,
é porque como diz aquele ditado:
"Ainda não chegou o fim"
Porque no final não haverá nenhum
"talvez" e sim a certeza de que
a minha vida valeu a pena e
eu fiz o melhor que podia.

terça-feira, 3 de março de 2009

Deficiências...em animação.



Para verem uma campanha fantástica que correu no Reino Unido visitem este site:


http://www.creaturediscomforts.org/


«As pessoas com deficiência são pessoas como as outras. Querem apenas aproveitar a vida e fazer as coisas normais do dia a dia, como ir trabalhar, apanhar o autocarro, comprar roupa, praticar desporto, jantar fora, viajar, ver televisão e tagarelar sobre a meteorologia.


Creature Discomforts é uma série de pequenos filmes de animação baseados nas experiências de pessoas reais.»
Vale mesmo a pena visitar e ver os videos. Apenas uma chamada de atenção, têm que falar inglês. Tem também legenda para surdos , em inglês.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

É Carnaval, mas temos que levar a mal.

Na senda da denúncia do que está mal, tenho que protestar contra a organização do Carnaval de Alhandra.
Fi-lo prontamente no local e fá-lo-ei aqui publicamente.
Lá por ter sído organizado por voluntários que se esforçaram por pôr de pé uma tradição antiga da vila de Alhandra, não quer dizer que não apontemos o que está mal. Como o meu pai sempre disse, o voluntariado e o amadorismo acarretam responsabilidades.
Acontece que, eu, como antiga moradora daquela bonita vila à beira rio, peguei nos meus filhos e fui visitar os meus pais e brincar ao Carnaval. Até aqui tudo bem. Mas quando decidi ontem, terça-feira, ir tomar café com as minhas cunhadas e a minha filha, qual não foi o meu espanto quando fui impedida de sair na Travessa do mercado porque a minha cadeira de rodas NÃO CABIA na entrada deixada livre para acesso à zona do desfile ( que por acaso é mesmo onde os meus pais moram).
Não havendo qualquer indicação de alternativa àquela passagem com um aviso ou um distico indicativo de alternativa, protestei, claro. Afirmei que tinha o direito de passar e que o queria fazer. Embora tivessem vedado o acesso à rua Dona Maria Annes e ruas circundantes para poderem angariar fundos para futuras iniciativas, deveriam ter em consideração as pessoas em cadeira de rodas. Afinal, também temos o direito de nos divertirmos, de visitar familiares, de fazer uma vida "normal". Foi-me respondido que, embora eu tivesse razão, tinham-se esquecido deste " pormenor". E não podiam mover as barreiras.
Tenho que referir que a alternativa foi a entrada das viaturas do corso, que ficava bastante longe para quem como eu tem que "andar" de uma forma diferente.
Foi-me prometido, à laia de desculpa, que para o anos, contrariamente a este ano, que se limitaram a medir a largura das cadeiras de bébés( e deviam ser das mais pequenas), tomariam em consideração as cadeiras de rodas.
Até lá esperarei para ver. Sentada...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O meu Pai












Alguém me perguntou uma vez se eu tinha um ídolo. Naquela altura, à muitos anos, fiquei a pensar. Hoje, inubitavelmente vos digo que sim, que tenho.
O meu pai.
Porquê hoje? E porque não?!
Não tenho palavras que descrevam o afecto, o apreço que nutro por este homem. Um homem humilde, sonhador, sensível, um homem de afectos.
Ele foi e é a minha "muleta", o meu porto seguro na tempestade, a minha rosa-dos-ventos.

Desde que entrei nesta nova etapa da minha vida que conto com o apoio inequívoco de dois homens... o meu marido e o meu pai.
O meu pai tem sído incansável no apoio que tem dado à minha família, tanto no plano afectivo como no plano prático, pois é a ele que recorro frequentemente para me deslocar, ou até para o transporte dos meus filhos. Mas não é isto que quero dizer. Quem conhece bem Gutemberg Ralha não se espanta com estas atitudes.
Quero falar-vos do meu ídolo.

Começou muito novo, com 11 anos a trabalhar, para ajudar a sustentar a família. Descalço, pintava quilhas dos barcos no rio em Alhandra. Trabalhou em muitas coisas, foi merceeiro, fez desporto, entrou para a antiga Cimento tejo, foi à tropa, aproveitou a oportunidade que lhe deram na empresa e , em busca de uma vida melhor para si e para os seus voltou a estudar. Fez a antiga escola industrial, a admissão ao liceu e foi estudar engenharia. Com muito esforço, sacrifício, sem descurar a sua família. É certo que mal o víamos, que a minha mãe segurou as pontas, que o meu pai se estafava a trabalhar na fábrica e que, muitas vezes, com apenas uma pequena bucha, lá apanhava o comboio para Lisboa.
Pai de três filhos, foi com muito suor e muitas lágrimas que acabou o curso.

Nunca perdeu de vista a sua paixão, a música. Executante de clarinete desde os 12 anos na banda da Sociedade Euterpe Alhandrense, arranjou sempre tempo para conciliar as suas obrigações. Sim, porque como ele me ensinou, ser amador também acarreta responsabilidades. Mesmo cansado ou abatido, lá segue para o ensaio da banda com um sorriso nos lábios, como nos primeiros tempos. Pelo caminho dirigiu e dirige grupos corais. Sempre com humildade, não gosta de ser chamado nem de engenheiro nem de maestro. Nunca o vi de fato e gravata a não ser quando a ocasião o exige. Na fábrica, mesmo depois de ter acabado o curso, usava fato de macaco e era tratado por Guta ou Tibé.

Ensinou-nos que todos os homens são iguais e que o Dr ou o Eng. não vem no bilhete de identidade. Ensinou-nos que na vida vale a pena lutarmos por aquilo em que acreditamos.

Nunca o vi abatido ou derrotado, embora saiba que já se tenha sentido assim tantas vezes...
Este Homem faz 72 anos dia 27 de Fevereiro. E continua a dar tudo o que tem aos outros, sem nunca pedir ou exigir nada em troca.
Obrigada, pai, por tudo o que me tens dado. Obrigada por tudo o que me ensinaste.
Desculpa se a vida mais uma vez te trocou as voltas e se continuo a precisar de ti, agora que devias viver finalmente tranquilo, sem sobressaltos. Gostava que tudo fosse diferente. Não é.
Pelo menos tenho-te a ti.
Esta é a minha singela homenagem, sentida e chorada, ao Homem da minha vida

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

As barreiras emocionais

Muitas vezes as pessoas ditas "normais" pensam e acham que apenas as barreiras físicas são impeditivas para os deficientes. Infelizmente essa não é a verdade.
Falemos então das barreiras para as quais não há legislação aplicável. Quais são? As barreiras emocionais.
Por barreiras emocionais entendo as barreiras psicológicas, aquelas que descriminam, as que humilham, as que silenciam. As barreiras criadas pela discriminação. As barreiras sociais. As que sentimos cada vez que somos olhados de lado, cada vez que nos humilham porque somos "diferentes".
Ou cada vez que nos tratam como "coitadinhos".
Ou cada vez que somos gozados na rua. Dizia um dos leitores deste blog que sofre de uma incapacidade visual que é alvo de chacota por parte de alguns jovens cada vez que vai na rua. Este particular comportamento também acontece com os idosos, infelizmente. Não há uma educação cultural que permita encarar o outro como um ser igual. É ignóbil. Mas infelizmente não são só os jovens que o fazem.
O mesmo acontece nos supermercados em que existe uma caixa própria para deficientes, e no caso dos deficientes motores é essencial, não porque permite "passar à frente" mas porque é a única que tem largura suficiente para a cadeira de rodas passar. E o que acontece? Está sempre ocupada ou fechada. E no meu caso, sempre que me perguntam porque não me dirijo à caixa prioritária, respondo sempre o mesmo, já fui suficientemente humilhada por clientes"normais" que ficam demasiado incomodados por serem chamados à atenção para querer passar por isso mais uma vez.
E as casas de banho? As de deficientes ou estão fechadas ou normalmente ocupadas por quem não necessita delas. E para nós que não controlamos as necessidades fisiológicas basta por vezes um instante para que fiquemos num estado em que nos sentimos de facto humilhados e vencidos...
As filas nas entidades publicas, os balcões altos, a inacessibilidade às prateleiras dos supermercados, a falta de civismo por parte do publico, todos estes factores acabam por ser desmotivadores para quem de facto tem dificuldades acrescidas na vivência do dia-a-dia.
E o que dizer ao isolamento social, ao estigma, à solidão? Quantos de nós nos preocupamos com os amigos ou conhecidos que vivem isolados e presos na sua clausura, não por iniciativa própria mas porque não têm condições para sair?
Não sejam solidários só no Natal...
Sejam-no todos os dias e olhem um bocadinho para o lado. Só um minuto. É o bastante para fazer a diferença.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009



Esta de facto é uma verdade de La Palisse...palavras para quê?
A lei está lá, mas não se cumpre...
A fiscalização é deficiente visual, as Câmaras deficientes auditivos...Como vêm, afinal nós não somos os diferentes...
Esta devia de ser a sinalética existente...Podia ser que assim se pudesse estacionar, quem sabe...