quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Acessibilidade no Veleiro Lord Nelson é aprovada pela Associação Salvador


O Grande Veleiro “Lord Nelson”, que visitou Lisboa, recebeu a visita da Associação Salvador (IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social) com o objectivo de conhecer as instalações criadas para receber pessoas portadoras de deficiências motoras. Salvador Mendes de Almeida, o fundador da Associação, atestou todas as especificidades de um veleiro desenhado propositadamente para facilitar o acesso a pessoas com limitações físicas.
Destaque para o convés da embarcação que tem uma barra mais saliente para os deficientes visuais saberem onde estão e assim se poderem orientar. Toda a mastreação está também colocada a um nível mais baixo para os tripulantes de cadeira de rodas ter acesso a todo o equipamento. Para uma maior segurança a bordo cada pessoa portadora de deficiência é acompanhada por outro velejador mais experiente.
John Ethridge, Capitão do Lord Nelson, que conduziu a visita guiada, falou das características únicas do veleiro: “Podemos receber até oito pessoas em cadeira de rodas, para além de pessoas portadoras de outras deficiências, porque o veleiro é totalmente adaptado. Foi um grande desafio adaptar este veleiro de modo a satisfazer qualquer necessidade para qualquer pessoa. Até 1996 não havia nenhum veleiro para pessoas com deficiência. Foi muito desafiante conseguir adaptar todos os pormenores necessários.
Colin Mudie, o designer do veleiro, teve que pensar em todos os pormenores. Temos que ter um sistema de evacuação adaptado para os vários tipos de deficiência que recebemos a bordo, por exemplo, quando o alarme dispara, algumas das camas também vibram, para o caso de termos pessoas surdas entre a tripulação.”
Marta Lobato, manager do projecto Tall Ships Races Lisboa 2012, revela que o Lord Nelson vai voltar a velejar em águas portuguesas aquando da realização do evento: “Este veleiro já está inscrito para as Tall Ships Races 2012 e está aqui para nos mostrar as suas características muito raras e também para nos dar força para conseguirmos embarcar mais jovens em veleiros como este. O Lord Nelson vai estar presente em Lisboa, outra vez, em Julho de 2012 e esperamos que toda a gente acompanhe o evento.
Apesar de já termos vários barcos inscritos nas Tall Ships Races, termos também um barco com estas características fantásticas é óptimo porque é uma realidade haver pessoas portadoras de deficiência que se vêem mais limitadas por não conseguirem fazer parte de uma tripulação. Isto dá-nos força para trabalharmos mais, para conseguirmos mais jovens a bordo.”
“Foi muito gratificante receber o Salvador. Temos, em teoria, todas as informações do veleiro, todas as suas características e adaptações, mas foi fundamental ter cá vindo uma pessoa portadora de deficiência, como o Salvador que pôs as coisas em perspectiva e confirmou que, na prática, o veleiro está realmente bem adaptado”, realça a responsável da APORVELA.
Salvador Mendes de Almeida, um dos protagonistas desta visita mostra-se emocionado pelas condições que a embarcação proporciona: “Há uma grande preocupação a bordo do Lord Nelson que é poder incluir na tripulação pessoas portadores de deficiência, independentemente da deficiência. É perfeitamente adaptado para cadeiras de rodas, que pode ser considerada a deficiência mais limitadora, mas é igualmente adaptado para pessoas cegas. Este veleiro devia ser exemplo para tantas outras áreas onde este tipo de inclusão e adaptação falha. É um óptimo exemplo para outras coisas que podem estar em falta no nosso país.”
“Um dos objectivos do Capitão é que todas as pessoas que venham passar uns dias a bordo ou visitar o barco que consigam fazer tudo, independentemente de serem ou não portadoras de deficiência. Foi uma experiência marcante vir visitar e conhecer o Lord Nelson aqui em Lisboa”, reforça Salvador.
O português António Rodrigues, foi o único tripulante luso que fez a viagem entre Inglaterra e Portugal. O convite surgiu e o instrutor de vela não hesitou em aceitar: “Esta viagem foi uma aventura total, devido ao trabalho que faço em Inglaterra, onde sou instrutor de vela, e surgiu a oportunidade de embarcar no grande veleiro Lord Nelson. Nunca tinha feito uma viagem marítima mas foi interessante, uma experiência diferente, dar-me com pessoas diferentes e trabalhar no barco, aprender algumas coisas como: leftside, rightside, portside.
A viagem não foi muito tranquila, apanhámos ventos muito fortes, nos primeiros dias estive de cama, mas logo me fui habituando e integrando. Foi muito giro entrarmos no porto de Leixões e seguir até Lisboa sempre pela costa. Nós saímos no dia 1 de Dezembro de Southamptom, é uma viagem um bocado demorada, mas muito interessante”, sublinhou.
Fonte: Nautica Press

domingo, 22 de janeiro de 2012

Viva as diferenças! A tecnologia assistiva presente no cotidiano de nossa sociedade.


Concepções radicalmente novas mudam a forma dos produtos industriais, sejam carros, pias, computadores ou tesouras. O objetivo é ir além do consumidor padrão adulto, destro, nem alto nem baixo e em plena capacidade física e também respeitar as diferenças entre as pessoas
O empresário norte-americano Sam Farber conseguiu realizar o sonho de muita gente. Depois de 39 anos à frente da Copco, uma empresa de panelas e artigos de cozinha em Nova York, resolveu que era tempo de gozar a vida. Vendeu a companhia por US$ 1,3 milhão e mudou-se para o sul da França, para ser colecionador de arte em tempo integral. Plano perfeito… Só que sua mulher, Betsy, começou a ter dificuldades para cozinhar por causa de uma artrite nas mãos, que a impedia de manusear as facas, colheres e abridores de latas, feitos para pessoas com destreza manual perfeita.
Privar-se do prazer da cozinha afetou o cotidiano do casal e Farber voltou para Nova York determinado a produzir objetos que contemplassem dificuldades como as de Betsy, pressentindo que o problema não estava nela, mas nos produtos. Abriu a empresa Oxo International e encomendou um projeto ao escritório Smart Design. Depois de longos estudos, auxiliados pela Arthritis Foundation e pela geriatra Patricia Moore, os designers chegaram aos Good Grips, uma linha completa de utensílios de cozinha cujo “segredo” é a empunhadura mais grossa que a habitual, feita de santoprene, um material macio e que não escorrega nas mãos. O sucesso foi imediato.
Só na feira de lançamento, em abril de 1990, o Oxo vendeu 750 mil unidades, como descascadores de batatas, tesouras, espremedores de alho, facas. No primeiro ano de comercialização, o faturamento foi de US$ 3,4 milhões.”Os Good Grips são atraentes, divertidos e confortáveis de usar pelas pessoas saudáveis e tornam o ato de cozinhar possível para aquelas que têm deficiências temporárias ou permanentes, ou para as que estão envelhecendo, quando a força, a coordenação e o senso de percepção vão decaindo”, diz o vice-presidente da Smart Design, Tucker Viemeister (ele ganhou esse nome porque seu pai trabalhou no projeto do carro Tucker, um sonho falido do design norte-americano relatado em filme por Francis Ford Coppola).
Quem já quebrou o braço ou a perna alguma vez, sabe como é desagradável depender dos outros para atos corriqueiros, e só aí começa a reparar no grau de dificuldade que podem ter atividades que antes se faziam de maneira quase automática. Essas dificuldades “invisíveis”, que poucos percebem, marcam os obstáculos enfrentados pelos canhotos. Quem é destro nem sequer imagina que banalidades do tipo abrir uma lata ou usar uma tesoura exigem muito suor. Produtos que podem ser usados tanto por destros quanto por canhotos têm uma penetração crescente no mercado.
A tendência nos países desenvolvidos é cada vez mais considerar a cadeira de rodas como um veículo pessoal de transporte urbano. Talvez o modelo que tenha ido mais longe neste conceito seja o desenvolvido por médicos e designers suecos para a empresa norte-americana Permobil. Ela é toda voltada para ativar a independência de quem a usa. Através de um joystick igual ao dos video-games instalado no braço da cadeira, o usuário aciona um sistema computadorizado e faz tudo. Coloca-se na posição vertical no meio de uma multidão num jogo de futebol, ou quando quer falar “de igual para igual” com um parceiro de negócios. Coloca-se na posição deitada para descansar.
Sentado, aciona um elevador para pegar uma lata de cerveja no alto da prateleira do supermercado. A altura regulável permite adaptar-se às alturas das coisas e não o inverso (mudar a pia da cozinha ou a mesa do escritório). Vai para onde queira: anda na neve, em terrenos com pedras e até sobe morro. O motor elétrico é exatamente silencioso, permitindo, como diz a propaganda, que a pessoa chegue a um concerto depois que ele começou. Para usuários com dificuldade de fala, há o acessório Alpha Writer, através do qual pode escrever sentenças com ligeiros movimentos de mão e mostrá-las numa tela acoplada na cadeira (o sistema também funciona acoplado a um sintetizador de voz ou a uma impressora de computador).
O projeto de Avelar Rosa ainda está no papel: os empresários brasileiros consultados por ele não se sensibilizaram com a idéia de produzir para o “diferente”. Não é o que acontece em outros países, como os Estados Unidos. Em reportagem recente sobre design universal, a Business Week, a revista de negócios mais lida em todo o mundo, destacou a banheira Precedence. Atentos ao fato de que o banheiro é um dos locais onde mais acontecem acidentes dentro de uma casa, os designers da Kohler, de Wisconsin, projetaram uma banheira com porta. Nada mal: você entra, acomoda-se num assento dobrável e fecha a porta. Quando a banheira começa a se encher de água, censores inflam automaticamente para impedir vazamentos.
Outra inovação neste campo é o banheiro público Inax, projetado pelo GK Design, de Tóquio. O objetivo foi prover “espaço, conforto e fácil acesso por pessoas com bagagem, com crianças, usando bengalas, velhos, jovens, etc.” Eles desenvolveram quatro modelos: para uso exclusivo feminino, masculino, ambos os sexos e para portadores de deficiências. Mas mesmo os modelos normais prevêem facilidade de utilização para pessoas com diferentes graus de dificuldades físicas e são o que eles chamam de “transgeracionais”, ou seja, servem para diferentes idades. Os japoneses cunharam a expressão silver industry, agora usada no mundo todo, para designar a produção para pessoas com “cabelos prateados” (entre nós, brancos). Os estudos demográficos mostram um aumento da porcentagem de idosos na composição das populações.
Muita gente que viaja ao exterior volta com a impressão de que nos países desenvolvidos há mais deficientes que no Brasil. Ledo engano! E que lá eles saem mais, já que as ruas, os veículos de transporte coletivo, os edifícios públicos (museus. restaurantes. escolas) estão mais preparados para recebê-los. É o que diz o sociólogo mineiro Paulo Saturnino Figueiredo, que se surpreendeu ao ouvir nos Estados Unidos que cada dólar investido em projetos para portadores de deficiências gera 10 dólares de imposto. “É a visão capitalista inteligente, porque a pessoa passa a ser produtiva”. Figueiredo usa prótese nas pernas e muletas, dá aulas na Universidade e tem uma vida social intensa, locomovendo-se em Belo Horizonte com sua Parati adaptada. Mas ele acha que teve mais mobilidade quando viveu em cidades européias do que no Brasil, porque aqui não se prevê a circulação de pessoas como ele. Apesar da vontade de sair mais para se divertir, muitas vezes ele fica em casa. Em restaurantes com piso liso e derrapante, ou ainda em desníveis, a única saída para ele se movimentar seria engatinhar. Mas isso seria muito constrangedor para os outros.
Várias prefeituras brasileiras, pressionadas por movimentos de portadores de deficiências, começam a seguir o exemplo do exterior. Nesse caso, acabam ganhando todos os cidadãos. Pisos rebaixados nas calçadas, por exemplo, permitem a circulação de cadeiras de rodas, mas também facilitam a vida das mães que empurram carrinho de bebê, ou de quem sai da feira com o carrinho abarrotado.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Filme “Colegas”, de Marcelo Galvão, tem protagonistas com síndrome de Down



Aninha sonha em se casar. Márcio quer voar e Stallone quer ver o mar. São esses os simples desejos que movem os personagens do filme “Colegas”, no melhor estilo road movie (filme de estrada). O longa-metragem, ainda em fase de finalização, traz muitas surpresas dentro e fora da tela, com três atores com síndrome de Down como protagonistas e produção executiva de uma pessoa com deficiência visual.
A ideia original e o roteiro para o filme surgiram do diretor Marcelo Galvão, em 2006. “Tenho um tio chamado Márcio que tem síndrome de Down e, por isso, sempre fui fascinado pela forma como essas pessoas veem o mundo”, diz Galvão que, em algumas situações da obra, acrescentou detalhes da vida do tio. Além das referências ao parente, a criação do diretor está cheia de momentos que aludem aos filmes independentes americanos, como o sucesso “Little Miss Sunshine”.
Com a ideia na cabeça, Galvão em parceria com o produtor executivo Marçal Souza foi à luta para viabilizar o filme. “A maior dificuldade é arranjar patrocinadores. Mesmo a temática de inclusão não ajudou a sensibilizar os investidores. Alguns até duvidam que alguém assista a um longa com protagonistas com síndrome de Down”, conta Souza, que começou sua carreira no cinema em 1976 e ficou cego há quatro anos. Apesar disso, nunca desistiu da atividade e continua trabalhando em diversos projetos da produtora Gatacine.
Após alguns anos trabalhando no roteiro e tentando captar recursos para a película, que ainda precisa de patrocinadores para ser finalizada, as primeiras gravações finalmente começaram no dia 24 de julho de 2010. Os atores recrutados para viver a aventura cinematográfica são Ariel Goldenberg, 29 anos, Rita Pokk, 30, e Breno Viola, também com 30 anos. Ariel e Rita – que são casados há sete anos – foram os primeiros a entrar no projeto e, desde 2008, vêm praticando interpretação sob a supervisão do diretor. “Nessas sessões praticávamos o improviso e incorporávamos o personagem”, conta Ariel, que já teve várias experiências como ator. Rita relembra que em algumas cenas ela precisava chorar. Um feito difícil para qualquer ator. “Neste ponto, a ajuda do Marcelo foi muito importante, pois ele me ensinou como usar minhas emoções mais tristes para chorar”, explica.
Breno participou de uma seleção em 2009 e logo passou a fazer parte do elenco. Ele já tinha atuado em duas peças de teatro amador e aceitou o desafio de participar de um longa-metragem. “Não é fácil decorar o texto, mas atuar também não é só isso. É interpretar e saber usar as emoções”, conta. Além de ator, Breno se destaca por ser palestrante e o único faixa-preta de Judô do Brasil com síndrome de Down.
Mesmo faltando poucas cenas para serem gravadas, o produtor e o diretor elogiaram o trabalho dos atores. “Eles são muito calorosos e profissionais. E são cobrados como qualquer um para cumprir horários e posturas”, diz Souza. Já Galvão reforça o empenho do trio: “Foi um trabalho pesado, realizado dia e noite. Eles realmente têm muita força para se superarem”. O filme conta ainda com a narração do ator Lima Duarte e participações de Marco Luque e Juliana Didone. Não existe previsão para a estreia no cinema, mas a expectativa é que a obra seja lançada no segundo semestre de 2011.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Casas acessíveis. Mais do que uma moradia, uma opção de hospedagem.


Para algumas pessoas, a residência é um local bastante íntimo e particular. Outras pessoas gostam de receber visitas de amigos, familiares e até mesmo promover encontros ou pequenas festas. Ainda há aqueles que trabalham e habitam no mesmo local onde moram. No turismo, podemos encontrar pessoas que adotam sua residência como um meio de hospedagem, conhecidos internacionalmente como Bed and Breakfast (B&B), ou Cama e Café em português.
É usualmente definido como uma residência particular onde se oferece aos hóspedes uma cama para o pernoite e um café da manhã antes de sua partida –como o próprio nome antecipadamente o caracteriza. Regra geral, o número de quartos disponíveis vai de um a quatro e todo o serviço é assegurado pelo dono da casa e/ou pelos membros da família que ali vive, podendo esta ser ou não a sua principal fonte de rendimento. Durante anos, a grande vantagem comparativa dos B&B, para lá do seu preço mais em conta e da atmosfera familiar, tem sido o fato de se encontrarem em localizações privilegiadas que são incomportáveis, por várias razões, para as grandes cadeias de hotéis.
Estudos literários indicam que esse conceito de hospedagem tenha surgido desde o início da humanidade e que no século XI, os monges durante suas viagens de visita ao Papa em Roma se hospedavam em Bed and Breakfast.  Nos Estados Unidos da América, os B&Bs foram introduzidos no início da colonização, porém somente durante a Grande Depressão de 1929 – período da maior crise econômica desencadeada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque –ganhou notoriedade, quando os cidadãos norte-americanos abriram suas casas aos viajantes para que pudessem obter uma fonte de renda.
Hoje em dia, o número de pessoas com deficiência aumentou para 45 milhões somente no Brasil, de acordo com o Censo 2010. Então se torna mais comum, ter algum conhecido com deficiência em nosso círculo social. Por isso a necessidade de mudar o cenário em relação às habitações, e não deixar que a falta de acessibilidade seja um fator limitante para recebê-lo. Além disso, mesmo que a pessoas não tenha algum tipo de deficiência hoje, podem no futuro adquiri-la, por motivos de acidente ou doença. Pessoas idosas, mesmo sem deficiência, geralmente passar a ter sua mobilidade reduzida, onde a acessibilidade também se faz necessário.
Todas as moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida 2, construídas a partir de julho de 2011, terão que seguir um Padrão de Acessibilidade para pessoas com deficiência. A medida é fruto do decreto nº 7.499, da presidenta Dilma Rousseff, que dispõe sobre o padrão de acessibilidade que deverá ser adotado nos projetos habitacionais do programa. A adoção de padrões de acessibilidade no programa é resultado da articulação da Secretaria Nacional de Promoção das Pessoas com Deficiência, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), que desde 2010 vem trabalhando junto ao Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal para que as exigências de acessibilidade fossem adotadas.
Entre as exigências previstas no Padrão de Acessibilidade, está a instalação de portas com no mínimo 80 centímetros de largura, maçanetas de alavanca, largura mínima dos banheiros de 1,5 metros e área de transferência ao vaso sanitário e ao box, com previsão para instalação de barras de apoio e banco articulado. Os interfones, interruptores e tomadas altas deverão ser instalados a uma altura de 1 metro, para permitir o acionamento por pessoas em cadeira de rodas.
Ângela Carneiro da Cunha, Coordenadora-Geral de Acessibilidade da Secretaria Nacional de Promoção de Direitos da Pessoa com Deficiência, explicou que a portaria prevê ainda que no mínimo 3% das casas sejam entregues com os chamados kits de adaptação. Os kits deverão ser instalados a partir de um levantamento entre os beneficiários do programa que já possuem algum tipo de deficiência física, auditiva ou visual. “Seis meses antes das casas ficarem prontas, o município deverá fazer um mapeamento das pessoas com deficiência que receberão as casas e instalar os kits. Esses kits poderão ter, por exemplo, campainhas que piscam para surdos, barras de apoio para idosos e pessoas com deficiência, ou referencias em braile para cegos”, afirmou.
Na segunda etapa do programa Minha Casa, Minha Vida, serão construídas mais 2 milhões de unidades habitacionais até 2014. Na primeira etapa do programa, foram construídas 1 milhão de moradias. O programa tem como principal alvo as famílias com renda de até R$ 1.600.
Esta matéria foi elaborada por Ricardo Shimosakai, com consultas realizadas nos seguintes locais:
Secretaria de Direitos Humanos

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

workshop de dança adaptada


Caros(as) amigos(as),

Associação Salvador tem o prazer de o(a) convidar a participar no workshop de dança adaptada que terá lugar no próximo dia 5 de Fevereiro.

HorárioEntre as 15h00 e as 18h00

Local: Estádio da Luz

A participação neste evento é gratuita e destina-se exclusivamente a pessoas com mobilidade reduzida e respectivo acompanhante.

Clique aqui para fazer a sua pré-inscrição.

As vagas disponíveis para este evento são limitadas a 10 pessoas e respetivos acompanhantes. Faça já a sua inscrição!

As inscrições estão abertas até ao dia 22 de Janeiro. Após essa data informaremos se a sua inscrição foi uma das seleccionadas. Caso seja seleccionada, será solicitada uma caução de 5€ por pessoa.

Contamos consigo!

A equipa da Associação Salvador

Associação Salvador | Av. Fontes Pereira de Melo 14, 9º | 1050-121 Lisboa | Tel. 213 184 851 |info@associacaosalvador.com |www.associacaosalvador.com 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Paralisia cerebral: Lutar pela independência!


A paralisia cerebral resulta de uma lesão no cérebro ou anomalia do desenvolvimento cerebral ainda antes do nascimento, que se traduz em perturbações do tónus muscular e do controlo da postura e do movimento. Essas perturbações podem ser ligeiras, quase imperceptíveis, traduzindo-se numa forma desajeitada de andar, falar ou usar as mãos, mas também podem assumir uma forma mais gravosa, envolvendo incapacidade motora ou de fala que implica dependência nas actividades do quotidiano.

A localização e a abrangência das lesões dá origem a manifestações muito variadas. As mais comuns são do tipo espástico e implicam paralisia e aumento de tonicidade dos músculos.

Existe ainda um outro tipo que é caracterizado por hipercinésia, dando origem a movimentos mais ou menos "tempestuosos" e involuntários com variações na tonicidade muscular. Já a ataxia origina uma diminuição da tonicidade muscular e descoordenação dos movimentos, dando origem a movimentos bruscos, inexactos e com o emprego de força excessiva.

A deficiência na fala, provocada pelo descontrolo dos movimentos, é muitas vezes conotada com um atraso cognitivo que, efectivamente, pode não existir.

Os indivíduos afectados pela paralisia cerebral até podem ter um coeficiente de inteligência acima do normal.

Devagar se vai longe

Dois em cada mil bebés podem ser afectados pela paralisia cerebral e, na maioria dos casos, nem se chega a identificar as causas. Uma hemorragia ou uma deficiente circulação cerebral, seja por traumatismos, infecções, nascimento prematuro ou icterícia grave neonatal (no mês após o nascimento), estão habitualmente na génese da doença.

Este tipo de situações implica a destruição de vários milhões de células cerebrais, sem que haja qualquer capacidade de as regenerar. Daí que a cura seja inviável, tal como a cirurgia.

Mas há um leque de procedimentos para melhorar a condição das pessoas afectadas. Técnicas de estimulação de modo a compensar a deficiência e a desenvolver ao máximo as potencialidades da criança, é uma das abordagens comuns, envolvendo um trabalho prolongado, persistente e contínuo de vários profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, psicólogos e terapeutas - mas, sobretudo, dos pais. O objectivo é que o cérebro da criança se desenvolva, tendo em conta o potencial próprio e com os estímulos exteriores.

Os pais das crianças com paralisia cerebral têm de superar a angústia e concentrarem-se no essencial: contribuir para a melhor qualidade de vida possível. Claro que os problemas são múltiplos: a criança é por vezes incapaz de segurar a cabeça, de se manter sentada, de caminhar ou, então, movimenta-se de modo descontrolado e inseguro.

Com a ajuda do fisioterapeuta, os pais aprendem a compreender os problemas e a lidar com a criança da forma mais ajustada.

Logo desde o nascimento, algumas crianças têm dificuldade em mamar, o que pode significar afecções nos movimentos dos lábios, da língua, do palato e dos maxilares, dificultando a mastigação e a deglutição.

Na fase de diversificação da alimentação, muitas mães temem dar alimentos sólidos, mas estes são necessários, à medida da idade e das possibilidades de cada criança.

A postura da criança durante a alimentação é um ponto importante, devendo evitar-se que esta atire a cabeça para trás. A criança deverá aprender a comer sozinha, minimizando as ajudas, sendo natural que suje a roupa. Um bibe e uma cobertura no soalho resolvem os danos, sendo muito importante o sorriso e o carinho a marcar os progressos alcançados.

A tecnologia facilita a obtenção de melhorias na autonomia e na valorização pessoal. Por exemplo, o computador pode produzir sons, música, pinturas coloridas, assim como letras e palavras de diferentes tamanhos, ajudando a criança a brincar, a comunicar e a escrever, proporcionando-lhe mais vastas possibilidades de realização, de independência e de auto-confiança.

Comunicar é preciso


Ainda bebé, a criança deve ser estimulada na sua tentativa de comunicar com o mundo, devendo os pais participar nos seus jogos vocais. Mesmo que a criança não responda, os pais devem manter os estímulos, falando sobre pessoas, objectos ou animais, de maneira a enriquecer o vocabulário e evitando uma linguagem infantil como se a criança continuasse a ser bebé.

A avaliação contínua ajudará a definir as necessidades específicas e as capacidades de cada criança, em cada momento, encaminhando-a para as várias estruturas de apoio - escola regular com ou sem apoio, centros e escolas de ensino especializado. Fundamental é a socialização como patamar para a descoberta da sua própria valorização e aceitação individual. Ir com a criança às lojas, ao jardim, à praia ou ao campo e a casa de amigos e familiares é importante, até porque amplia o leque de pessoas que podem apoiar os pais nesta missão.

A criança com paralisia cerebral tem o direito de crescer, de moldar a sua personalidade e de ganhar a independência possível. Passo a passo, sempre caminhando!

in medicosdeportugal.saude.sapo.pt

Alcoitão. Começar de novo

Enquanto mergulhava, passaram-se três segundos. Os suficientes para a manhã se tornar noite. De repente, a escuridão, o silêncio, um vazio inesquecível. “Nunca tinha vivido tamanha sensação de liberdade”, diz Pedro. Desde esse dia que está a aprender de novo a andar, depois de ter ficado paraplégico aos 24 anos. “A desgraça só acontece aos outros”, lembrou-se de ter pensado naquele dia. Na semana anterior, outro jovem tinha sofrido um acidente idêntico, na mesma praia. Com as mesmas consequências.

No Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, inaugurado em 1966, encontram-se pessoas de todas as idades, com lesões medulares graves, amputadas ou vítimas de AVC. Acidentes por vezes tão banais que expõem na perfeição a linha entre duas vidas: a normal e a outra. Sendo que aqui aprendem a ver a sua como a normal.

“É como nascer de novo”, refere Pedro, internado há três meses. Enquanto exercita na sala de fisioterapia os primeiros passos, sonha com o dia em que não precisará mais da cadeira de rodas. Outros tentam falar de novo, ou conseguir coisas tão banais como apertar um botão da camisa. Cada conquista é uma pequena vitória. Em Alcoitão é proibido perder a esperança. Aqui não existe lugar para sonhos desfeitos ou vidas perdidas. Há, sim, espaço para a mudança e para reaprender a viver. Com uma capacidade para 500 utentes, entre internamento e ambulatório, o centro é unanimemente reconhecido como uma das melhores instituições na área da medicina de reabilitação no mundo.

Em cada corredor, em cada sala de terapia, inúmeras histórias de vida, cada uma com a sua mensagem, que tocam e atropelam consciências. Mas depois de todos terem feito para si próprios a mesma pergunta – porquê eu? –, nenhum admite desistir. Com um sorriso estampado na cara, Pedro garante: “Tristeza vou ter quando sair daqui.”

Fonte: i