quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cadeira de rodas e sua evolução histórica


O Surgimento de Cadeiras de Rodas

Não é difícil imaginar que a necessidade de movimentar uma pessoa acidentada ou doente com mais facilidade do que pegá-la pelas pernas, pelos braços ou colocá-la nos ombros, existiu desde os primeiros dias do homem sobre a Terra.

Embora no início levado muito naturalmente às costas de homens mais fortes pelas matas ou pradarias, o homem ferido foi aos poucos carregado sobre galhos de árvores arrastados pelo chão, ou sobre pranchas trançadas com cipós, mais facilmente arrastadas quando apoiadas em "pernas" adrede preparadas, à moda das muitas raças de índios que dominaram as planícies atualmente ocupadas pelo Canadá e Estados Unidos da América. Trenós e carrinhos de mão (que nossos habitantes da zona rural chamam de carriolas) foram também utilizados, desde a Idade Média.

No entanto, é impossível detectar em que momento algum inventivo ser humano notou que, colocando rodas sob um assento ou sob uma cama em que a pessoa estivesse acomodada, a tarefa seria menos cansativa, muito mais facilitada e demandaria muito menor esforço. Além disso, provocaria menor dor e desconforto para o transportado.

Um cartoonista analisou esse momento, com seu tom de sátira. Mas, na cena reproduzida ao lado, há uma verdade inquestionável: acidentes, pancadas, quedas, fraqueza de membros, amputações, paralisias, doenças agudas ou crônicas e outros males que levam uma pessoa ao leito, podem levar também ao uso de cadeira de rodas para movimentar-se.

Uma das primeiras e alegóricas gravuras de uma cadeira de rodas, que chegou até nós, está em um vaso grego do século IV AC. Nela aparece muito claramente Hefesto (Hephaistos), o deus grego da metalurgia e das artes mais finas, comodamente sentado em uma cadeira de rodas com aros (inovador) e acionada por dois cisnes (muito imaginativo). Ou seja, idéia de uma cadeira de rodas auto-propulsionada, anfíbia e que não demandava esforço algum do ocupante... Esse mitológico deus grego sempre foi considerado na cultura grega antiga como muito competente em sua profissão, tendo chegado até a criar assistentes seus, do sexo feminino, que eram lindas jovens de metal dourado, articuladas, inteligentes... e robotizadas.

Existe outra ilustração no bocal de um vaso grego, mais ou menos da mesma época e que certamente levou em consideração a primeira representação da cadeira de rodas de Hefesto, que nos mostra o controvertido deus metalúrgico como conviva, devidamente integrado entre seus demais "colegas" do Olimpo. É um verdadeiro exemplo de inclusão social entre os deuses principais da mitologia grega, muitos séculos antes de Cristo.

A ilustração ao lado é muito rara e mais antiga. Quase desconhecida, foi pintada em um vaso grego do século VI A.C., mostrando-nos a combinação de uma cama infantil com rodinhas. É um primeiro notável exemplo de adaptação de móveis com rodas na cultura grega de séculos Antes de Cristo.

Poucas são as ilustrações de cadeiras de rodas antigas que chegaram até nossos dias e vale a pena divulgá-las. O Disability Museum dispõe de exemplos bastante notórios a partir do século XII. De séculos posteriores, uma das marcantes cadeiras de rodas, inserida numa obra da Dra. Sawatzky, ortopedista de Vancouver-Canadá, é aquela utilizada pelo rei Felipe II, da Espanha, em 1595.

Além do rei poder ser transportado com muita cautela, mas com certa facilidade pelos diversos ambientes do palácio, a cadeira de rodas foi fabricada de tal forma que tinha mecanismos para inclinação e repouso dos pés, podendo transformar-se em um leito provisório, para repouso e maior comodidade do monarca espanhol.

Houve, com o passar dos anos, muitas famílias ricas que encomendaram cadeiras de rodas, de acordo com suas posses, que estivessem de acordo com as necessidades de seus membros e com seu estilo de vida. Isso aconteceu por diversos séculos, durante os quais não havia a produção sistemática de cadeiras de rodas.

Esse foi o caso dessa verdadeira poltrona móvel, com duas rodas maiores sob o assento e duas menores para garantir facilidade de movimentação. Era acabada em vime da Índia, pesando mais ou menos 25 quilos. Podia ter ou não sistema de propulsão ao lado das rodas. Normalmente era movimentada por outra pessoa.

Sendo inexistente a produção em série de cadeiras de rodas, algumas mais sofisticadas foram fabricadas por encomenda, numa base individual. Em muitos casos havia preocupação com o conforto da pessoa, conforme podemos notar pelas características dessa cadeira, com duas de suas rodas providas de aros e uma menor para tornar mais fácil o rumo a ser tomado. Era facilmente manobrável e isso já no século XVIII.

Podemos, claro, encontrar inventivos utilizadores de cadeiras de rodas que criaram seus próprios modelos, como Stephen Farfler, que era um relojoeiro paraplégico, e que foi seu criador, aos 22 anos de idade, no ano de 1655. Esse confortável modelo era movimentado pelo próprio usuário. Utilizava os dois braços e não requeria qualquer ajuda em terreno plano - desde que não houvesse barreiras, como hoje em dia.

Num passo decisivo para o objetivo desenvolvimento de cadeiras de rodas mais versáteis, no ano de 1933 Herbert A. Everest, norte-americano, encomendou uma cadeira de rodas que poderia ser levada num automóvel. O engenheiro H.C. Jennings construiu para ele essa primeira cadeira de rodas dobrável. Esse modelo, devidamente patenteado como muitos outros modelos, foi utilizado por décadas, com a marca Everest/Jennings, antes que outros surgissem no mercado.

David Werner, em seu livro Nothing About Us Without Us - Nada Sobre Nós Sem Nós, apresenta diversas ilustrações a respeito de tecnologias várias adaptadas a situações de extrema carência de recursos.

Uma delas relaciona-se a modelos alternativos de cadeiras ou assentos com rodas.

Werner, com sua vasta experiência em regiões montanhosas e pobres, defende a individualização das cadeiras, porque, segundo suas afirmativas, "uma criança com deficiência não é um saco debatatas". Além disso, há que se considerar que as necessidades de cada criança são sempre de alguma forma diferentes.

Fonte e mais informação: Deficiente Ciente

Workshop "Perturbação Específica da Linguagem

24 Março 2012 (sábado) - Lisboa (Parque das Nações)

A Perturbação Específica da Linguagem (PEL) consiste numa alteração da comunicação de etiologia neurológica, que não pode ser explicada por perda auditiva, alterações cognitivas ou de aprendizagem, alterações do meio ou emocionais, alterações da estrutura oral e seu funcionamento, ou lesões major do Sistema Nervoso Central. Na grande maioria dos casos, existe um desfasamento entre os vários sub-sistemas da linguagem e outros aspectos do desenvolvimento cognitivo, bem como uma história familiar de dificuldade no desenvolvimento da linguagem ou de aprendizagem de leitura e escrita.
 Na última década, surgiram muitos trabalhos de investigação sobre este tema, principalmente com o objectivo de investigar o processamento linguístico e estudar aspectos clínicos e educacionais.
 Para os técnicos que lidam com crianças com graves alterações de linguagem é necessário fazer uma anamnese cuidada, estabelecer o perfil linguístico usando avaliações formais e informais e reavaliar sempre que necessário, a fim de medir a eficácia da intervenção.

Objectivos
- Descrever as características da Perturbação Específica da Linguagem (PEL);
- Elaborar perfil linguístico que permita o seu diagnóstico;
- Conhecer programas de intervenção.

Conteúdos Programáticos
* Etiologia, factores de inclusão e exclusão;
* Elaboração do perfil linguístico, diagnóstico e prognóstico;
* Avaliação da criança com Perturbação Específica da Linguagem (PEL);
* Programas de intervenção ao nível da fonologia, semântica, morfossintaxe e pragmática;
* Intervenção em equipas multidisciplinares.

 Formadora
      Dra. Dulce Tavares - Terapeuta da Fala
- Mestre em Psicologia da Educação e Desenvolvimento: Multideficiência
- Terapeuta da Fala desde 1977;
- De 1983 a 2000 trabalhou no Centro de Medicina de Reabilitação do Alcoitão, no Servico de Reabilitação Pediátrica e Desenvolvimento, com crianças com patologia neurológica adquirida e de desenvolvimento, assim como com outras alterações de comunicação;
- Desde 2000 é docente da Escola Superior de Saúde do Alcoitão, onde é responsável pela disciplina de Patologia da Comunicação e Intervenção Terapêutica na Criança;
- Coordenadora do Curso de Terapia da Fala da Escola Superior de Saúde do Alcoitão;
- Co-autora do TALC - Teste de Avaliação da Linguagem na Criança.

Destinatários
     - Profissionais com intervenção na área da Educação ou da Saúde da Criança e/ou do Adolescente,
     - Estudantes de cursos das áreas da Educação ou da Saúde;
     - Pais e Encarregados de Educação.

Local: Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa  (Parque das Nações)

Nº de Vagas -  35 (Admissão por Ordem de Chegada das Fichas de Inscrição)

Horário: 9.30 às 17:30 horas

Preço de Inscrição
       Até  16/03/2012  - € 75   ;    Após  16/03/2012  - € 100
Possibilidade de efectuar o pagamento através de 2 cheques pré-datados (29 Fev. e 30 Mar. 2012).
   Nota: O(s) cheque(s) deve(m) ser passado(s) à ordem de Oficina Didáctica e enviado juntamente com a ficha de inscrição.
   Em Alternativa, pode efectuar o pagamento por transferência bancária - o nosso NIB é 0010 0000 3333 5050 0012 2. Neste caso, solicitamos que nos envie o comprovativo da transferência, para que tenhamos conhecimento da proveniência do dinheiro (pode ser por email).
   Caso a inscrição não seja aceite, os valores pagos serão devolvidos.

Secretariado
Oficina Didáctica
Rua D. João V, nº 6-B (ao Rato)
1250-090 Lisboa
Tel.: 213 872 458 - Email: info@oficinadidactica.pt

www.oficinadidactica.pt

Santarém: 1ª Corrida de Saltos Altos e Caminhada para apoiar aconstrução de um Lar Residencial e uma Residência Autónoma para pessoas com deficiência

A 1ª Corrida de Saltos Altos e Caminhada nasceu para ajudar a concretizar um sonho, nomeadamente a construção de um Lar Residencial e uma Residência Autónoma para pessoas com deficiência (com capacidade para 12 e 5 pessoas respectivamente) – “A casa João Manuel”.

Este evento surge da parceria entre o C.C. D. Alvitejo e a APPACDM de Santarém no âmbito do projeto “Intervir para Integrar”.


Esta Parceria nasceu em 1998 e desde então tem por Missão: contribuir para elevar ao máximo as potencialidades dos atletas com deficiência e integrando-os, sem que estes participem exclusivamente em provas de desporto especial/adaptado. Como resultados desta parceria surgem os exemplos de recordes do mundo INAS FID, medalhas de ouro em Campeonatos Mundiais e em Campeonatos da Europa de Síndrome de Down…


A 1ª Corrida de Saltos Altos terá lugar na cidade de Santarém, no dia 18 de Fevereiro de 2012, às 15 horas, na Avenida D. Afonso Henriques. É um evento aberto a toda a Comunidade e no qual ambicionamos poder contar com a participação de individualidades desportivas. O objectivo principal desta corrida consiste em angariar fundos para a “Casa João Manuel”, no entanto, o apelo ao desporto e à inclusão das pessoas com deficiência mental são, sem sombra de dúvida, o fim em si mesmo.


Este evento conta com o apoio de várias entidades para além das já referidas: Scalabisport, Câmara Municipal de Santarém, Câmara Municipal do Cartaxo e da Fundação Inatel de Santarém.
Consideramos que esta 1ª Corrida de Saltos Altos será um momento promotor de divertimento, uma vez que acompanha as festividades carnavalescas da cidade de Santarém, mas também será uma chamada de atenção para esta causa, que só será possível com o contributo de todos.


Precisamos de si! Uma causa por uma casa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Associação salvador irá visitar 11 escolas


No âmbito da iniciativa "Sensibilização em Escolas" a Associação Salvador irá visitar, entre Março e Junho de 2012, onze escolas em diversas localidades do país. Em Setembro de 2011 foi lançado um desafio aos alunos entre o 7º ano e o 12º ano, para se candidatarem a receber uma palestra sobre deficiência motora, mediante o desenvolvimento de projetos que tivessem como objetivo sensibilizar a comunidade para as questões relacionadas com a deficiência motora.
O slogan da campanha de sensibilização foi "O teu trabalho é ajudar a ver a pessoa, não a cadeira de rodas", e as escolas a visitar serão as seguintes:
  • Agrupamento de Escolas de Penacova
  • Agrupamento de Escolas Leonardo Coimbra - Lixa (Felgueiras)
  • Agrupamento de escolas Aver-o-mar (Póvoa de Varzim)
  • Escola Básica 2/3 Prof. Paula Nogueira (Olhão)
  • Agrupamento de Escolas do Marvão (Marvão)
  • Escola Secundária Daniel Sampaio (Almada)
  • Escolas de S. Bartolomeu de Messines (Silves)
  • Escola Secundária com 3º ciclo Madeira Torres (Torres Vedras)
  • Escola EB2/3 Prof. Dr. Carlos Alberto (Santa Maria da Feira)
  • Escola EB2.3 da Corga de Lobão (Santa Maria da Feira)
  • Agrupamento de Escolas D. João II (Caldas da Rainha)
As palestras serão dadas por Salvador Mendes de Almeida, juntamente com outra pessoa com deficiência motora residente na zona onde se localiza a escola.
Estas palestras têm como objetivo alertar os alunos para as capacidades das pessoas com deficiência, apelando à ação dos mesmos no sentido de tornarmos a sociedade mais inclusiva para as pessoas com deficiência motora. No final de cada ação será distribuído aos alunos o "Kit Embaixador" para que estes passem a palavra sobre a integração social de pessoas com deficiência.

"Confunde-se facilmente o termo deficiente com o não eficiente"


Hugo Maia tem 33 anos e tirou o curso profissional de Informática. Desde Abril de 2005 trabalha na Nokia Siemens Networks, desempenhando funções de Técnico Especialista de Redes de Transmissão. O Desporto é também uma componente muito importante na sua vida:  já foi campeão europeu em representação da Selecção Nacional de Basquetebol em cadeira de rodas e integra a equipa GDD-Alcoitão. Desloca-se em cadeira de rodas devido a um atropelamento por um comboio aos 17 anos.
Associação Salvador (AS): Descreva-nos como é o seu dia-a-dia de trabalho? 
Hugo Maia (HM): Posso dizer que os dias são dias preenchidos e vividos com uma enorme energia. O nível de responsabilidade resulta por vezes em algum stress mas a interação a nível técnico torna-a gratificante e motivadora. Trabalho no Centro Global de Operações de Rede da Nokia Siemens Networks Portugal e atualmente estou inserido num Projeto de Supervisão de Redes de Transmissão e de Dados, no qual presto suporte técnico a um Operador Espanhol. Em paralelo e sempre que necessário, sou também responsável por organizar e dar Formação de novos equipamentos e tecnologias de Comunicação e Transmissão.
AS: Como surgiu esta oportunidade de trabalho? 
HM: Esta oportunidade de trabalho e nova área profissional surge no final de 1999. Numa altura em que se verificou uma expansão no sector das telecomunicações, fui contratado para integrar a Equipa de Supervisão de Rede de Transmissão da atual Nokia Siemens Networks, prestando serviços a um operador nacional.
Confesso que inicialmente estava um pouco preocupado com a adaptação a uma nova área técnica, uma vez que a minha formação de base e âmbito profissional anterior eram na área de Design Gráfico, Web Design e Programação. No entanto e talvez devido à minha experiência em várias especialidades técnicas do ramo da informática, adaptei-me facilmente às Tecnologias de Comunicações e felizmente consegui progredir na minha carreira.
Durante quatro anos fiz Supervisão em regime de turnos e fui promovido para a equipa de Operação de Rede. Um ano mais tarde sou contratado para a equipa de Operação de Redes de Transmissão do operador a quem prestava serviços e passados alguns meses regresso à Nokia Siemens Networks com o projeto onde estava inserido.
AS: Em termos de acessibilidades, o local de trabalho está perfeitamente adaptado?
HM: Conheço a empresa desde 1999 (onde tive as minhas primeiras formações na área das Telecomunicações) e já nessa altura a reconheci como uma entidade consciente relativamente a acessibilidades - e não me refiro apenas a adaptações genéricas em alguns locais centrais dos vários edifícios.
Desde 2005 que os departamentos responsáveis têm sido muito recetivos a sugestões de adaptação. Foi montada uma porta junto aos torniquetes de acesso, de modo a facilitar a passagem ao parqueamento reservado a colaboradores com mobilidade reduzida. Noutro edifício foi instalada uma plataforma elevatória de exterior que me permite ultrapassar uma barreira de 6 degraus e utilizar assim o mesmo acesso direto que outros colegas em vez de recorrer a percursos alternativos. Ainda - algo tão simples como a colocação de um tapete na saída de uma porta, para que o acesso à mesma ficasse mais nivelado, foi resolvido após um pedido interno.
A Nokia Siemens Networks, uma empresa consciente nesta temática e que não utiliza a Responsabilidade Social apenas como uma estratégia de marketing ou como pré-requisito para atingir certificações de qualidade.
AS: Teve outros empregos anteriormente. Que funções desempenhava? Pode descrever-nos como tem sido o seu percurso profissional?
HM: Para além de algumas iniciativas como freelancer na área de Manutenção de Equipamentos Informáticos, Design Gráfico e Web Design, trabalhei também em part-time no Suporte Técnico ADSL da Telepac/PT e posteriormente em Suporte a Software na Microsoft através da Teleman.
AS: Houve alguma situação em que não tenha ido a uma entrevista de emprego, por exemplo, por falta de acessibilidades? Este tipo de obstáculos dificulta a integração profissional de quem tem mobilidade reduzida?
HM: Houve muitos contactos que recebi para agendamento de entrevistas em que questionei a existência de acessibilidades ou a ausência de barreiras arquitetónicas. Até hoje questiono-me se seria muito azar meu ou se de facto seria possível existirem tantas empresas sem qualquer tipo de acessibilidades.
Este tipo de obstáculos dificulta muito a integração profissional de pessoas com mobilidade reduzida, já que retira à partida qualquer grau de igualdade nas candidaturas, relativamente a outros candidatos, mesmo existindo a possibilidade de serem profissionais mais competentes e dedicados.
Por vezes, quando certas empresas com instalações sem acessibilidades são abordadas relativamente aos apoios existentes na adaptação e criação das mesmas, não encaram esta intervenção como uma melhoria e uma resposta a eventuais necessidades futuras, mas sim como um transtorno que poderá comprometer o bom funcionamento da atividade da empresa.
AS: Da sua experiência, sentiu alguma vez que, nas empresas, quem realiza as entrevistas possa ter ideias estereotipadas sobre a deficiência motora e as capacidades das pessoas com mobilidade reduzida? Se sim, como dar a volta a essa situação?
HM: Infelizmente, julgo que ainda acontece e com mais frequência do que muitos possam imaginar. A situação melhorou, comparativamente há 14 anos atrás, quando comecei a procurar de emprego, mas ainda se verifica.
No início da minha "aventura" no mercado de trabalho, apesar de já me deslocar de comboio, tinha plena noção das dificuldades ao nível de barreiras arquitetónicas com que me poderia deparar, numa simples deslocação a uma entrevista de emprego. Vi-me obrigado em alguns contactos de pequenas e médias empresas a questioná-los sobre a existência de acessibilidades no interior da empresa ou, inclusive, no acesso à mesma. A recetividade ou o interesse das empresas na entrevista para a contratação diminuía consideravelmente e, na maioria das situações, nem houve entrevista.
Para além de eventuais barreiras arquitetónicas que estas empresas pudessem ter nas suas instalações, julgo que na maioria das situações a barreira que de facto impedia o meu acesso à empresa em questão seria uma barreira social, barreiras de mentalidades que confundiam facilmente o termo deficiente com o não eficiente.
Apesar de vivermos uma realidade consideravelmente diferente nos dias de hoje, e de terem surgido novos termos como "pessoa com mobilidade condicionada ou reduzida", a pessoa com deficiência continua a ser considerada "uma carga de trabalhos", um colaborador pouco eficaz, quando deveria ser considerada uma mais valia dados os benefícios fiscais para as empresas e o grau de auto-motivação e persistência para desafios ou dificuldades que estas pessoas normalmente têm.
AS: Alguma vez recorreu a algum apoio por parte do Instituto de Emprego e Formação Profissional para procurar emprego? Por exemplo, apoio à eliminação de barreiras arquitetónicas, ou outras?
HM: Estive inscrito no Instituto de Emprego e Formação Profissional até ter conseguido o emprego em 1999. Felizmente, não foi necessário recorrer a nenhum apoio à eliminação de barreiras.
AS: O desporto é muito importante na sua vida. Como surgiu o basquetebol na sua vida? Continua a jogar, neste momento?
O basquetebol em cadeira de rodas surge em 1997, meses depois de ter terminado o meu processo de reabilitação física e adaptação a próteses no Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão.
Na verdade, procurava o Atletismo em cadeira de rodas, mas a modalidade já não era praticada no clube APD-Sintra. Como alternativa, o responsável da altura, Victor Sousa deu-me a conhecer o Basquetebol em cadeira de rodas num treino da equipa. Familiarizei-me com a expressão "Amor à primeira vista" e apaixonei-me por esta modalidade que me trouxe mais auto-estima, melhor condição física e mais de 20 títulos a nível nacional e um título de Campeão Europeu em representação da Selecção Nacional de Basquetebol em cadeira de rodas.
Actualmente continuo a jogar. Desde a época passada integro uma nova equipa - a GDD-Alcoitão - para onde me transferi de modo a ajudar o clube a voltar aos seus tempos de glória e criar a mim próprio novos desafios a ultrapassar.
Fora de terra firme obtive recentemente a certificação Open Water Diver que me permite mergulhar de forma independente com garrafa. Brevemente, pretendo experimentar o ski adaptado.
HM: Que mensagem gostaria de deixar a outras pessoas com mobilidade reduzida que neste momento têm o desafio de mostrar o seu valor e integrar o mercado de trabalho?
O mercado de trabalho continua a não ser uma zona de igualdade e de conforto para pessoas com mobilidade reduzida, embora a receptividade das empresas tenha vindo a melhorar com o passar dos anos. O cenário da crise económica não ajuda, de todo, esta situação.
O único conselho que posso deixar será nunca desistir, por muitas dificuldades que surjam, por muitas respostas negativas que recebam. Apostar nas habilitações literárias e numa atividade física ou modalidade desportiva que melhora não só a nossa saúde como também a condição física, passa uma imagem positiva de perseverança.
A discriminação existe e baixar os braços a cada obstáculo que surja cria-nos mais dificuldades na procura de emprego. Determinação, confiança, amor-próprio e o acreditar no nosso valor são fatores imprescindíveis e importantíssimos.
Fonte: Associação Salvador

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Cena marcante do filme “Amargo Pesadelo” mostra um autista num duelo de banjos


O filme "Amargo Pesadelo" (realizado em 1972), originalmente chamado em inglês como "Deliverance", tem em seu elenco Jon Voight e Burt Reynolds. Filme violento e perturbador, dirigido por John Boorman e baseado no romance de James Dickey.
Um grupo de amigos decide descer pela última vez as correntezas de um rio antes que o mesmo se torne uma represa. Apesar de advertidos pelo pessoal da região, ignoram os perigos existentes e partem rumo a uma arriscada aventura. Baseado no romance de James Dickey's.
Um duelo de banjos gerou a seguinte “Lenda Urbana”, que circula pela Internet. Consta ser uma cena verídica. O garoto da cena não é ator, apenas um autista e cego que residia no local onde estavam sendo feitas as filmagens. A equipe parou num posto de gasolina para abastecer e aconteceu a cena mais marcante que o diretor teve a felicidade de encaixar no filme.
No início está distante, mas à medida que toca seu banjo ele cresce com a música e vai se deixando levar por ela, até transformar sua expressão num sorriso contagiante, transmitindo a todos sua alegria. A alegria de um autista que é resgatada por alguns momentos, graças a um violão forasteiro.
O garoto brilha, cresce e exibe o sorriso preso nas dobras da sua deficiência, que a magia da música traz à superfície. Depois, ele volta para dentro de si, deixando sua parcela de beleza eternizada "por acaso" no filme “Amargo Pesadelo” (Ano: 1972).
O enigmático menino, que aparenta algum tipo de problema mental, na verdade é Billy Redden, um estudante local selecionado para compor o elenco. Sua habilidade com o banjo é emprestada de um profissional que fica por trás dele, vestindo uma camisa de quatro mangas. Hoje em dia Billy é dono de um restaurante.
A representação de pessoas com deficiência no cinema por atores, sempre foi um tema polêmico. Muitas vezes é questionado porque não colocar uma pessoa que realmente possua a deficiência para atuar. Uma das justificativas, é porque não há pessoas com deficiência com experiência para atuar. Nesse caso, por exemplo, seria muito difícil encontrar um autista que tivesse essa habilidade no banjo, e treinar um levaria muito tempo. De qualquer forma, analisando somente o aspecto artístico da cena, este duelo de banjos é muito bonito, e mostra a tradição musical do oeste norte-americano.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Igualdade de oportunidades para as pessoas com necessidades especiais


 
 


“A expressão mais bela e enriquecedora da vida humana é a sua diversidade. Uma diversidade que nunca pode servir para justificar a desigualdade. A repressão da diversidade empobrece a raça humana. É nosso dever facilitar e reforçar a diversidade a fim de chegar a um mundo mais equitativo para todos. Para que exista a igualdade, devemos evitar as normas que definem o que deve ser uma vida humana normal ou a forma normal de alcançar a felicidade. A única qualidade normal que pode existir entre os seres humanos é a própria vida”
Oscar Arias, Prémio Nobel da Paz

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, no dia 13 de dezembro de 2006, foi ratificada por Portugal em 2009. Trata-se de um marco histórico, representando um importante instrumento legal no reconhecimento e promoção dos direitos humanos das pessoas com deficiência e na proibição da discriminação contra estas pessoas em todas as áreas da vida, incluindo ainda previsões específicas no que respeita à reabilitação e habilitação, educação, saúde, acesso à informação, serviços públicos, etc.

Simultaneamente à proibição da discriminação, a Convenção responsabiliza toda a sociedade na criação de condições que garantam os direitos fundamentais das pessoas com deficiência. Este é o grande desafio da sociedade portuguesa: assumir que as deficiências e incapacidades devem ser interpretadas como um problema não apenas pessoal, mas também e sobretudo, social e político.

Na verdade, os cidadãos com deficiência e as suas famílias estão constringidos, no seu quotidiano, por um sistema de educação frágil no que respeita à inclusão, por diferenças salariais e obstáculos laborais, maiores gastos com a saúde, barreiras de comunicação (acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação) e obstáculos arquitetónicos, que se traduzem na falta de acessibilidades, que muitas vezes impedem o exercício da cidadania, num contexto de participação democrática no ordenamento político português, nomeadamente no ato do voto. As deficiências e incapacidades são fator de vulnerabilidade social e de empobrecimento, como foi referido, sobretudo devido ao preconceito e à discriminação que geram exclusão social.

No entanto, importa considerar todas as dimensões da vida dos cidadãos com deficiência, nomeadamente aos níveis da educaçãoinclusão no mercado de trabalho acessibilidades:

1- Ao nível da educação, a politica educativa de “integração” de todos os que apresentam alguma dificuldade no acesso ao êxito escolar tem sido marcada, por experiências sem sucesso que se iniciam e findam sem qualquer avaliação.
Vemos a educação como um processo que começa no nascimento e só finda na morte.  Os primeiros agentes ativos da Educação são obviamente os pais, que se consideram preparados para assumir a tarefa educativa, baseando-se para tanto em princípios culturalmente aceites. Porém, quando nasce no seio de uma família uma criança diferente, abre-se um novo ciclo de aprendizagens onde a família precisa de ser educada para educar.
O conhecimento a adquirir não se esgota no culturalmente aceite; pelo contrário, pressupõe um conjunto de informações multifacetadas que são pertença apenas de alguns. Na realidade a criança diferente precisa de uma família mais preparada para enfrentar diferentes problemáticas, o que se traduz, na prática, na necessidade de haver alguém que se ocupe de lhe transmitir essa informação de modo a proporcionar à criança o estímulo necessário ao desenvolvimento harmonioso das suas capacidades. Neste contexto, assume particular relevância o Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância criado pelo Decreto-Lei nº 281/2009, de 6 de outubro.

Recorda-se ainda que Portugal subscreveu em 1994 os princípios defendidos na Declaração de Salamanca, abandonando a partir dessa data o termo integraçãopassando a falar-se de inclusão. Pretende-se que escolas e instituições aceitem as diferenças, apoiem a aprendizagem e respondam às necessidades individuais. Note-se que na integração é o portador de deficiência ou disfunção que tem de moldar-se ao que existe; pelo contrário, na inclusão, são as estruturas que se moldam ao indivíduo respeitando a sua individualidade.
inclusão pressupunha uma multiplicidade de respostas técnicas que as Escolas nunca tiveram. Não havendo meios técnicos as respostas possíveis são dadas por professores, especializados ou não, que são manifestamente insuficientes para o sucesso dos alunos.  Não é demais salientar que o âmbito da educação especial foi revisto pelo Decreto‑Lei 3/2008, de 7 de janeiro, que apesar de continuar a usar o conceito de inclusão, determina a classificação do aluno através do modelo CIF- Classificação Internacional da Deficiência.
Esta classificação representa uma viragem na abordagem dos alunos. Passa-se de novo para uma abordagem clínica em detrimento da educacional, sendo apenas objeto da Educação Especial os alunos portadores de necessidades educativas especiais de caráter permanente. Para responder-lhes são criadas nas Escolas Regulares Unidades para deficientes (Autistas, Cegos, Deficientes Auditivos ou Multideficientes), que mais não são que a reinstalação das Classes Especiais criadas pelo Decreto-Lei 35.801, de 3 de agosto de 1946 e que foram extintas em 1989 na sequência da defesa do princípio da integração. Todos aqueles que não são inseríreis nas Unidades ficam em terra de ninguém, passíveis de não terem as respostas adequadas às suas problemáticas. E estes são a maioria!

Aos que nascem diferentes foi atribuído ao longo da História um papel social marcado fundamentalmente pela desvalorização. Aceitação e desvalorização acabam por ser conceitos que se entrelaçam quando se aborda a problemática da integração. Carolyn Vash definiu desvalorização como o ser-se considerado um ser menor, inferior, não muito capaz, não muito útil, possivelmente uma sobrecarga, antiestético e, numa palavra, alguém por baixo. Note-se que o ser-se desvalorizado não é específico dos portadores de deficiência, mas das minorias em geral. A desvalorização relaciona-se de perto com as barreiras atitudinais, ou seja, as pessoas diferentes tendem a ser rejeitadas pelas outras.
Quando nas Escolas, se criam guetos de diferentes, acentua-se a desvalorização. E esta está cada vez mais presente nas Escolas onde há as Unidades para deficientes, os CEF (Cursos de Educação e Formação) ou os PCA (Percursos Alternativos).

Refira-se ainda que, com a extinção das Equipas de Educação Especial e a criação nas Escolas/Agrupamentos de quadros de docentes de Educação Especial, deixou-se ao critério dos Diretores as orientações / respostas a dar aos alunos com necessidades educativas especiais. Passou-se a assistir a desigualdades gritantes que só têm como fundamento a aceitação ou rejeição da diferença. Paradoxalmente, os professores de Educação Especial passam a fazer parte do designado Departamento de Expressões deixando de ter voz ativa na orientação dos apoios a prestar aos alunos. Urge, em nosso entender, rever a situação criando nas Escolas/Agrupamentos o Departamento de Educação Especial justificado pela sua especificidade.

2- Na ótica da preparação para a inclusão no mercado de trabalho, a Lei n.º 38/2004, de 18 de agosto, define as bases gerais do regime jurídico da prevenção, habilitação, reabilitação e participação da pessoa com deficiência estabelece como objetivo a promoção da igualdade de oportunidades, no sentido de que a pessoa com deficiência disponha de condições que permitam a plena participação na sociedade.
No entanto, de uma forma geral, as escolas não estão preparadas ou não têm acesso aos recursos necessários para viabilizar programas individuais de transição (PIT), conforme previsto na lei (artigo 14º do referido diploma). Acresce que, devido ao facto dos recursos físicos e humanos serem insuficientes existem sérias dificuldades em trabalhar devidamente as áreas de autonomia e tarefas de vida diária, em criar um estádio preparatório de aquisição de competências profissionalizantes, para os alunos que as pudessem adquirir.

Por vezes, o facto das pessoas com deficiência estarem mais expostas a situações de pobreza e exclusão, resulta essencialmente da ignorância e da negligência, reforçadas por políticas públicas e programas que ignoram, excluem, não são acessíveis ou não promovem o direito das pessoas com deficiência serem integradas na vida cívica e socioeconómica do país.

Não obstante estar consagrada a proibição da discriminação no acesso e manutenção do emprego, o seu impacto na empregabilidade das pessoas com deficiência em Portugal tem sido nulo. A experiência mostra que não é fácil provar se alguém é favorecido em detrimento de outro. Esta dificuldade, acrescida de uma deficiente regulamentação da Lei 46/2006, de 28 de agosto e da transposição parcial da Diretiva Comunitária 2000/78/CE, de 27 de fevereiro, conduz à impunidade dos infratores e à manutenção do baixo número de pessoas com deficiência que consegue integrar o mercado de trabalho. Impõe-se, portanto, adotar mecanismos eficazes de prevenção e punição de atos discriminatórios, um dos quais será proceder à regulamentação da Lei 46/2006, de 28 de agosto, nomeadamente ao nível da clarificação de conceitos, da terminologia e dos procedimentos.

Neste enquadramento não é demais recordar o Decreto-Lei 29/2001, de 3 de fevereiro, que estabelece o sistema de quotas de emprego para pessoas com deficiência, com um grau de incapacidade igual ou superior a 60%, nos serviços e organismos da administração central e local, que se tem a perceção de não ser cumprido e não está instituído nenhum sistema de controlo para o seu acompanhamento.
É fundamental perceber que uma política nacional de emprego devidamente estruturada e executada implica dispêndio de tempo e de verbas mas, a longo prazo, os reflexos no desenvolvimento da sociedade serão incomparavelmente mais positivos que continuar a manter milhares de cidadãos em situação de isolamento e a viver com pensões de invalidez que em nada dignificam o ser humano, nem os sistemas políticos que contemporizam com situações de exclusão social.

3- Paralelamente, as acessibilidades têm vindo a representar uma grande preocupação para os cidadãos com deficiência. Embora as acessibilidades tenham vindo a assumir um papel fundamental nas políticas públicas adotadas em Portugal, admitindo que o contínuo combate às barreiras no acesso ao meio físico edificado e às tecnologias de informação e comunicação é um requisito fundamental para a promoção da efetiva participação das pessoas que vivem situações de diminuição de funções de ordem física, psicológica, sensorial ou intelectual. Foi neste contexto que foi adotado o Plano Nacional de Promoção de Acessibilidade, através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 9/2007, de 17 de janeiro e com horizonte temporal de aplicação até ao ano de 2015.

O Plano cria as condições necessárias para garantir a acessibilidade ao meio físico edificado, aos transportes e às tecnologias de informação e comunicação de todos os cidadãos. Contudo, persiste algum desconhecimento sobre as necessidades de acessibilidade das pessoas com deficiência, prevalecendo ainda, a errónea ideia de que a eliminação das barreiras físicas apenas favorece cidadãos com incapacidades específicas ao nível motor e visual.

Na realidade a acessibilidade está diretamente relacionada com o pleno exercício dos direitos civis e políticos. E a par das barreiras físicas relevam outras barreiras, outros tipos de inacessibilidades:
            • Acessibilidade instrumental. -  Ainda se constatam diversos constrangimentos a nível de instrumentos e ferramentas de trabalho. É frequente a falta de ajudas técnicas de caráter tecnológico, necessárias para o desempenho das funções de quem precisa delas;

            • Acessibilidade na comunicação/metodológica. -  Ainda não existe uma boa prática relativamente à acessibilidade dos documentos utilizados no exercício das funções e em situações de formação. A disponibilização de documentos em Braille ou em versão eletrónica acessível para pessoas com deficiência visual não constitui ainda uma prática generalizada;

            • Acessibilidade atitudinal. -  Continuam a existir casos de incompreensão e de discriminação no emprego. A nível de atitudes e comportamento é necessário aumentar a sensibilização das pessoas sem deficiência relativamente à situação das pessoas com deficiência.
Verificando-se que o ordenamento jurídico português tem vindo a procurar colmatar as assimetrias existentes entre pessoas com deficiência e os restantes cidadãos exigindo discriminações legais positivas para a reabilitação, confere ao Estado deveres específicos de agir, nomeadamente no que respeita à produção e conformação do direito e na criação de condições materiais para a satisfação desses mesmos direitos.

Se nos lembrarmos que a sociedade atual valoriza: a beleza física, a graça, os gostos juvenis, a proeza atlética, o raciocínio rápido, o prestígio social, o poder político, a saúde ou a fama compreendemos que quem não possui estes atributos dificilmente será aceite. Remetendo-nos de novo para Carolyn Vash, ela própria uma portadora de deficiência diríamos com ela se imaginássemos uma sociedade que considerasse valores como: um caráter impecável, maximizasse a bondade, honestidade, ternura ou a beleza espiritual, a ausência ou presença de deficiência seria trivial. Se assim fosse deixaria de fazer qualquer sentido conceitos de integração ou inclusão porque todos eram realmente iguais.

Terminamos reforçando a indispensabilidade de desenvolver em Portugal uma cultura de avaliação, sensibilização e informação, bem como de articulação das políticas sectoriais e das respostas sociais no terreno, urge operacionalizar o desenho de políticas públicas em articulação com as políticas sectoriais adjacentes, numa perspetiva de transversalidade para os desafios na redução das limitações da deficiência nos tecidos social, económico, político e cultural da sociedade.

Mafalda Santos
Teresa Venda
Maria de Deus Saiote