domingo, 11 de março de 2012

Alison Lapper: Conheça a sua história


Alison Lapper nasceu em 7 de abril de 1965, em Burton, Inglaterra. Os pais biológicos e médicos não detectaram nenhum problema, no entanto ela nasceu com uma marca especial para a vida, não tinha braços e pernas e seria menor que o normal.

Em sua infância, Alison foi abandonada por seus pais aos quatro meses de idade. Eles eram trabalhadores de uma fábrica de automóveis, no Condado de Yokshire, e se separaram quando ela nasceu. Ela também tem uma irmã mais velha que mal conhece.

Assim, Alison passou a infância em uma escola cercada por outras crianças deficientes que se assemelhavam a ela fisicamente. “Havia várias crianças sem membros, como resultado da onda da talidomida. Para nós era difícil adquirir o equilíbrio. Não conseguíamos sentar sem cair e não éramos capazes de levantar”, diz Alison sorrindo.

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Desde criança Alison sentia-se desconfortável em usar próteses. Aos três meses tentaram usar esse equipamento em seu corpo. “As pessoas abusam do seu poder sobre as crianças. Na verdade, essas próteses eram para que os adultos se sentissem bem e não eu.”

Quando tinha 12 anos, Alison realmente entendeu que sua infância tinha acabado. “Até então eu estava muito ocupada sendo uma menina. Mas, deixei de ser menina e entrei na puberdade e então percebi a diferença”. Foi difícil para Alison aceitar a forma de seu corpo, pois ela queria ser bonita e sedutora. No entanto, ela aprendeu a se superar.

Aos 19 anos, viajou sozinha para Londres para uma licenciatura em Belas Artes e depois se tornou uma renomada pintora. Ela começou a pintar com a boca aos três anos de idade. Sua pintura foi reconhecida e recebeu a maior honra da Inglaterra, Membro do Império Britânico (MBE) por serviços prestados a arte britânica. O prêmio foi entregue pela própria rainha.

Ao longo de sua vida, ele teve que suportar a rejeição e a exclusão por ser diferente, mas conseguiu ver o lado positivo e seguiu em frente.

Aos 33 anos Alison ficou grávida, mas assim como fizeram seus pais, também foi abandonada pelo namorado. Entretanto decidiu ir em frente apesar das dúvidas e medos de que o bebê herdasse sua deficiência.

Seu filho Parys, tem agora 14 anos. Ela o incluiu em vários de seus trabalhos fotográficos.

“No começo eu estava preocupada com o que iria acontecer com meu filho e disse que um dia Parys se envergonharia de mim”, mas isso não aconteceu”, afirmou Alison.

O artista britânico Marc Quinn fez uma escultura em sua homenagem, intitulada “Alison Lapper Grávida”. A estátua foi colocada em 2005 na histórica Praça Trafalgar Square. Ela foi feita de mármore branco, mede 3,6 de altura e pesa 11,5 toneladas. Ficou no local até 2007 quando foi substituída por outra.

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sexta-feira, 9 de março de 2012



O Instituto Politécnico de Leiria (IPL) criou um protótipo de uma cadeira de rodas `low cost` que é comandada pela voz e pela íris, disse hoje à Lusa um dos professores responsáveis pelo projeto, Ricardo Martinho.

"A mais-valia deste projeto está no seu baixo custo e no facto do módulo poder ser adaptado à maior parte das cadeiras de rodas que não possuem motorização, como aquelas que se encontram habitualmente num hospital", explica aquele que é o coordenador do curso de Informática para a Saúde, que integra o departamento de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do IPL. 

Uma cadeira de rodas autónoma "pode custar entre 10 e 30 mil euros", mas este projeto tem condições de assegurar que a comercialização ronde os 2500 euros, sublinha à Lusa, por outro lado, o coordenador do departamento de Engenharia Informática da ESTG, Patrício Domingues. 

O mesmo responsável revela que o preço de produção deste protótipo não ultrapassou os mil euros. "É uma diferença muito grande em relação aos preços proibitivos a que as cadeiras de rodas autónomas podem atingir", enfatiza. 

Para a criação deste protótipo foi utilizado um portátil `low cost`, uma placa de aquisição de dados, dois motores, duas rodas, um microfone com auscultadores, duas `webcams` e um capacete. 

Uma vez concluído o protótipo, a fase seguinte passa por encontrar financiamento, desenvolver o projeto nas áreas da mecânica e da eletrotecnia, bem como avançar para o desenvolvimento do design do módulo, que se transformará num `kit` portátil. 

"Um dos passos importantes passa por fazer um projeto de design industrial para a estrutura física amovível de suporte aos motores, às baterias e ao próprio mecanismo de tração das rodas", explica Ricardo Martinho. 

Já o coordenador do projeto, o professor João Pereira, assinala que este "módulo `low cost` adaptável para uma cadeira móvel autónoma faz o reconhecimento dos comandos de voz, de movimentos oculares, mas também a análise de imagens para prevenir colisões". 

Enquanto a primeira `webcam` se destina a reconhecer os movimentos oculares, a segunda visa detetar obstáculos, precisa o responsável, sublinhando que o sistema de comando é simultaneamente assegurado por voz e pela íris para garantir maior fiabilidade. 

A ESTG é uma das cinco escolas do IPL, instituto que representa atualmente cerca de 95 por cento do ensino superior do distrito de Leiria e abrange uma comunidade de mais de 12.000 estudantes e 900 docentes. 

Fonte: Lusa

Nos museus, tours especiais e relíquias ao alcance das mãos‏


Durante séculos, a arquitetura foi a principal ferramenta dos monarcas europeus para ostentar poder - uma disputa evidente nas torres altíssimas e igrejas monumentais. Relutantes em alterar edifícios históricos, os governos locais ainda não encontraram alternativas que os tornem mais acessíveis. Mesmo em prédios modernos - como a Torre de TV de Berlim, de 1969 -, podem não haver opções aos degraus.
Nos museus, não há regra. Quem visita o site do Museu Britânico, por exemplo, descobre que há visitas guiadas para cegos todos os dias, às 11 horas, em que é possível tocar objetos egípcios. Muitos funcionários, contudo, ignoram sua existência. E esta não é uma exceção. Por isso, sempre pergunte pessoalmente. Com sorte, o visitante cego tocará em relíquias como as autênticas esculturas gregas do Neuis Museum e os portões assírios no Museu Pergamon, ambos em Berlim.
Nem sempre há rampas ou elevadores de acesso para cadeirantes. Embora a capital alemã esteja reformando seus museus estatais para torná-los mais amigáveis a deficientes, muitos - entre eles o mais popular, o Pergamon - continuam cheios de degraus inescapáveis. Antes de desistir, pergunte por elevadores de serviço: eles quase sempre estão lá.
As galerias de arte podem ser entediantes para quem não enxerga. Uma saída é pegar os audioguias e escutar as explicações detalhadas dos quadros que você não consegue ver. Os aparelhos costumam ser grátis para cegos e podem ser bem úteis para descrever igrejas e prédios históricos.
A maior parte das atrações, aliás, oferece descontos a pessoas com deficiência. Na Alemanha, por exemplo, o visitante com deficiência normalmente paga o próprio ingresso, mas leva o acompanhante de graça.
Passeios a prédios do governo estão entre os mais acessíveis. Os edifícios da União Europeia em Bruxelas têm entradas adaptadas a cadeira de rodas e visitas guiadas em várias linguagens de sinais. Já em Edimburgo, o parlamento escocês (aberto em 2004) foi construído respeitando padrões de acessibilidade. A beleza da arquitetura moderna do prédio em si já vale a visita, e, para os turistas cegos, há um mapa da Escócia em alto-relevo.
Também sem contraindicações são os passeios ao ar livre. Caminhe sem pressa pela Unter den Linden, principal avenida de Berlim; perca tempo no parque St. James, próximo ao parlamento inglês; flane pelos canais de Amsterdã; suba a colina de Calton para sentir Edimburgo a seus pés. Estes passeios são gratuitos, não têm obstáculos e oferecem a melhor percepção da vida nas capitais europeias. Só isto já fará sua viagem valer a pena.
Fonte: Estadão

quinta-feira, 8 de março de 2012

Misses: Hungria coroa mulheres em cadeira de rodas

Misses: Hungria coroa mulheres em cadeira de rodas
Foto © Bernardett Szabo/Reuters
A Hungria escolheu, este fim-de-semana, a mais bonita mulher em cadeira de rodas do país num concurso de misses muito especial. O evento, o primeiro do género alguma vez realizado na Europa, contou com mais de 50 participantes e a vencedora fez questão de aproveitar a ocasião para destacar a necessidade de melhorar as condições de acesso dadas aos deficientes motores.
 
O concurso, batizado Miss Colours, foi organizado por Tibor Kazany, também ele um utilizador de cadeira de rodas há vários anos na sequência de um acidente rodoviário. Kazany explicou que a ideia se inspirou nos EUA, já que, em território norte-americano, a primeira competição de misses em cadeira de rodas se realizou em 1973. 
 
Segundo o mentor do projeto, o objetivo foi alterar a visão que existe acerca destas mulheres. "O nosso propósito principal foi mostrar que as mulheres em cadeira de rodas são tão saudáveis e bonitas como as que andam pelas ruas com as suas duas pernas", salientou Kazany, que acrescentou que "não há razões para ter pena destas mulheres porque elas conseguem ser tão atraentes como todas as outras". 
 
A eleita foi Katalin Eszter Varga, uma jovem de 26 anos escolhida pelo júri entre oito finalistas que subiram ao palco sobre rodas ao som de músicas de Rihanna e Maroon 5 exibindo vestidos da designer húngara Kati Zoob. Além disso, todas receberam serviços personalizados de cabeleireiros, maquilhadores e fotógrafos.
 
A miss coroada, vendedora numa perfumaria, começou a utilizar a cadeira de rodas há quatro anos e frisou que há muito trabalho a fazer na Hungria para facilitar a vida de quem está na mesma situação.
 
"É difícil ter acesso a muitos edifícios, as casas-de-banho para os deficientes estão mal desenhadas e há muito poucos hóteis que ofereçam condições para quem se desloca em cadeira de rodas", contou Katalin que, no entanto, se mostrou otimista em relação ao futuro. "Tenho esperança de que esta realidade se altere", confessou.
 
Já Marietta Molnar, que ficou em segundo lugar, revelou que foi "fantástico" estar rodeada de profissionais que as tornaram e fizeram sentir mais bonitas. "É importante para mim ser vista como uma mulher e não apenas como alguém numa cadeira de rodas", sublinhou.
 
A iniciativa foi um sucesso e, de acordo com Kazany, deverá agora repetir-se anualmente, esperando-se que, no próximo ano, Erika Bogan, escolhida como miss cadeira de rodas norte-americana em 2010, faça parte do painel de jurados.

Preconceitos sociais obrigam pessoas com deficiência a praticarem sexo às escondidas

fotoTer sexo é uma necessidade biológica e afectiva que está cercada de tabus, mitos e preconceitos, que obrigam as pessoas com deficiência a viver a sua sexualidade às escondidas da sociedade. Namoros não autorizados pelos pais, paixões de utentes por funcionários, casos de homossexualidade e até abusos sexuais já foram registados.



Rui, de 16 anos, sofre de debilidade mental acentuada e vive numa instituição da região desde os 11 anos, quando os pais faleceram. Foi vítima de abusos sexuais e também ele abusou sexualmente de duas meninas, uma delas com 7 anos, com quem gostava de brincar no recreio. Tomou medicação para reduzir a testosterona e reduzir o impulso sexual. Hoje apenas exerce a masturbação, que pratica às escondidas no seu quarto ou numa casa de banho da instituição. O caso foi relatado por Catarina Soares, psicóloga clínica e coordenadora do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (antigo hospital Júlio de Matos), durante um debate realizado na Cercipóvoa, instituição que apoia pessoas com deficiência da Póvoa de Santa Iria, onde foram partilhadas histórias e problemas da sexualidade das pessoas com deficiência.
As pessoas com deficiência vivem muitas vezes o sexo às escondidas porque a sociedade ainda alimenta um forte estigma e tabu sobre o tema. Outras vezes são os pais, que olham para os filhos deficientes como uma eterna criança assexuada. Mas nos corredores das instituições há namoros não autorizados pelos pais, casos de homossexualidade, paixões por funcionários e até abusos sexuais. “Quando falamos de sexo falamos do mais complexo dos comportamentos humanos. É uma necessidade imperiosa e é também aquela que está mais sujeita a regras e tabus sociais. Somos todos obrigados a viver o sexo de acordo com um modelo social, onde imperam os bonitos e apenas a relação entre um homem e uma mulher”, sublinha Catarina Soares.
Uma das utentes da instituição da Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira, apaixonou-se por outro utente que vive na instituição com quem mantém uma relação. Mas não há sexo, é uma regra da casa. Para se satisfazer sexualmente tem de se isolar no quarto ou fechar-se na casa de banho. Os pais da utente de 37 anos, com deficiência mental, não aprovam a relação. “Sinto alguma revolta por não deixarem os namorados estarem à vontade, há sempre alguém a vigiar. Quando se beijam ou estão agarrados vem logo alguém chamar à atenção”, partilha a utente que não quer ser identificada.
No lar da Cercipóvoa estão 26 pessoas com deficiência. Sérgio Camacho, responsável do lar, admite que é difícil “controlar” os impulsos sexuais dos utentes. “São adultos que têm impulsos sexuais e precisam de ter essas relações. É complicado porque estamos a lidar com uma das forças mais importantes da natureza e muitos tentam ter relações sexuais entre eles”, confessa. A verdade é que a maioria das instituições promete promover a integração na sociedade da pessoa com deficiência mas no que toca ao sexo ainda há muito pudor em falar do assunto.
Na instituição há casos de utentes que se masturbam nas casas de banho. O sexo entre deficientes, para quem não trabalha com eles ou vive os seus problemas, pode parecer uma coisa estranha. Mas a sexualidade tem efeitos nos seus comportamentos. “Quando os utentes não se conseguem satisfazer sexualmente apresentam alguns comportamentos mais graves e andam mais agressivos. E como em qualquer pessoa ter uma vida sexual saudável é fundamental para o seu desenvolvimento e para a sua forma de estar na vida”, explica Vera Rosa, psicóloga da instituição.
Portugal continua à espera de casas de assistência sexual
Usadas há vários anos noutros países europeus, as casas de assistência sexual às pessoas com deficiência seria uma forma de minimizar algumas das limitações actualmente sentidas pelas pessoas com deficiência. Ainda existem bastantes portadores de deficiência que encontram na prostituição uma resposta às suas necessidades. Vera Rosa defende que o estigma tem impedido essas unidades de avançar.

quarta-feira, 7 de março de 2012

“Mamã dói-me muito a cabeça!!!” - Serviço de Pediatria do Hospital de Braga


Os pais melhor que ninguém conhecem os seus filhos. Por isso é muito importante estar atento, especialmente nas crianças mais pequenas que não se sabem queixar, perante as seguintes atitudes.
As cefaleias, vulgarmente conhecidas como dores de cabeça, são um problema muito frequente em idade pediátrica. Calcula-se que quase metade das crianças até aos 7 anos e mais de metade dos adolescentes até aos 15 anos já sofreu um episódio de cefaleia.
A cefaleia é definida como uma dor ou mau-estar referido à cabeça que pode ter origem nas estruturas cranianas ou se irradia para as mesmas a partir de estruturas extracranianas (dentes, ouvidos, seios peri- nasais...).
É importante salientar que, apesar da sua alta frequência, a maior parte das cefaleias são benignas, não existindo qualquer patologia orgânica por trás.
A cefaleia crónica mais comum na criança é a enxaqueca que por sua vez é a segunda patologia mais frequente neste grupo etário a seguir à obesidade. Em muitos casos existem vários membros da mesma família com este sintoma. Esta queixa é, no entanto, uma das principais causas de absentismo escolar.

Que tipos de dores de cabeça existem? É importante para os pais conhecerem o tipo de dor de cabeça do seu filho:
- cefaleias primárias: a dor de cabeça é a principal queixa, sem que exista qualquer outro problema de saúde: enxaqueca, cefaleia de tensão...
- cefaleias secundárias: as dores de cabeça são causadas por exemplo por traumatismo craniano, problemas de vasos sanguíneos cerebrais, efeitos secundários de medicamentos, infeções em diferentes partes do organismo (dentes, ouvidos...) entre outras.

Como pode saber se o seu filho está com dor de cabeça?
Os pais melhor que ninguém conhecem os seus filhos. Por isso é muito importante estar atento, especialmente nas crianças mais pequenas que não se sabem queixar, perante as seguintes atitudes:
- senta-se ou deita-se sozinho num quarto escuro, queixando-se que a luz e o som o incomodam.
- adormece numa altura do dia que não é habitual, não tendo vontade de brincar ou fazer o que mais gosta.
- apresenta-se maldisposto ou com vómitos.
- Parece muito parado e cansado, sem vontade de fazer nada.

O que pode fazer se o seu filho se queixa de dor de cabeça? - Mal o seu filho se queixe de dor de cabeça, medique-o com analgésicos como o paracetamol ou o ibuprofeno, tendo sempre o cuidado de respeitar as doses e os intervalos de administração indicados pelo seu médico.
- Escreva um diário das dores de cabeça do seu filho onde vai anotando os fatores associados ao início da dor de cabeça, como o que estava o seu filho a fazer quando se queixou, o que fez para que a dor melhorasse, quanto tempo durou a queixa, qual a frequência das queixas e se pouco tempo antes ou durante a dor de cabeça existe algum outro sintoma como por exemplo vómitos ou náuseas ou intolerância à luz e ao som.
- É importante ensinar a criança sobre o que fazer quando esta tiver uma dor de cabeça num local onde os pais não estejam presentes, para que este consiga controlar este sintoma sozinho.

O que pode fazer para diminuir a frequência com que o seu filho apresenta esta queixa? É fundamental que o seu filho tenha um estilo de vida saudável. Para isso é importante respeitar as seguintes indicações:
- Beber muita água (4-8 copos por dia), evitar a cafeína e outro tipo de bebidas: sumos, refrigerantes...
- Manter um sono regular respeitando pelo menos 8-10 horas de sono por noite, que é o que a maioria das crianças necessita para descansar o suficiente.
- Ter uma alimentação saudável e diversificada, evitando saltar refeições, o que poderia desencadear uma baixa de açúcar no sangue, que é muitas vezes causa de cefaleia. Nunca esquecer que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia.
- Evitar situações demasiado stressantes para a criança tendo também atenção para não sobrecarregar a agenda do seu filho com atividades extracurriculares a mais.
- Seguir o tratamento prescrito pelo seu médico. Se se trata de medicação para evitar o aparecimento da dor de cabeça, é importante que o seu filho a tome todos os dias.

Quando deve levar o seu filho a um médico? Perante uma criança com dor de cabeça é importante que os pais saibam distinguir as dores de cabeça que podem ser tratadas em casa, daquelas que obrigam a que o seu filho seja observado por um médico como as seguintes:
- Dores de cabeça que são extremamente severas, a tal ponto de impedir a criança de fazer a sua vida normal.
- Dores de cabeça que vão aumentando de frequência ou intensidade com o passar do tempo e que deixam de responder à medicação habitual.
- Dores de cabeça que despertam a criança durante o sono.
- Dor de cabeça acompanhada de vómitos matinais repentinos.
- Dores de cabeça após uma queda com traumatismo na cabeça.
- Alteração do comportamento ou personalidade.
- Quando a criança se queixa: "Esta é a pior dor de cabeça que já tive até hoje!".
- Dores de cabeça com febre ou rigidez do pescoço.

Joana Neiva Machado, com a colaboração de Helena Silva, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga.

O meu filho tem síndrome nefrítico… E agora? - Serviço de Pediatria do Hospital de Braga



O sinal principal é frequentemente a alteração da cor da urina. Os pais podem notar uma coloração avermelhada ou semelhante a "coca-cola".
O que é esta síndrome?
É uma das síndromes mais frequentes na nefrologia pediátrica e tem habitualmente uma evolução benigna. Pode ser definida por um conjunto de sinais clínicos:
- hematúria (presença de sangue na urina) - é em regra visível a olho nu, mas o facto de ser apenas visível ao microscópio não invalida a existência desta síndrome;
- proteinúria (presença de proteínas na urina);
- tensão arterial superior ao percentil 95;
- aumento de peso que se pode traduzir por "inchaço" (edemas) na cara e/ou no corpo;
- alteração nas análises da função renal (ureia e creatinina).


Quais são os sinais e/ou sintomas que podem surgir?
O sinal principal é frequentemente a alteração da cor da urina. Os pais podem notar uma coloração avermelhada ou semelhante a "coca-cola". Por vezes pode parecer que a urina faz "espuma". E em alguns casos pode ocorrer diminuição da quantidade de urina produzida.
O aumento da tensão arterial da criança faz com que esta tenha dores de cabeça, náuseas ou vómitos (em casos graves, pode mesmo originar convulsões).
Pode ocorrer um aumento do peso da criança devido ao edema da cara e do corpo (mais visível nas pálpebras quando a criança acorda de manhã). Em casos graves este edema pode conduzir a problemas cardíacos ou respiratórios. O sinal de alarme nesta situação é a dificuldade respiratória.
Podem também surgir alterações na pele, dor nas articulações, febre, perda de apetite, dor abdominal ou diarreia.
Em algumas crianças esta síndrome surge alguns dias ou semanas após uma infeção da pele, das vias respiratórias ou do sistema digestivo.


Quais são as causas desta síndrome?
Geralmente esta síndrome está associada a várias doenças.
A unidade básica do nosso rim é o glomérulo, e quando este está afetado, a doença designa-se por glomerulonefrite. Neste caso, existe inflamação das células do rim. Existem várias causas de glomerulonefrite, mas a principal causa é a infeciosa.
As glomerulonefrites podem ser classificadas como primárias ou secundárias:
- primárias: o rim é o principal órgão afetado (por exemplo: glomerulonefrite membranoproliferativa, glomerulonefrite mesangioproliferativa, etc);
- secundárias: doenças que envolvem o rim e outros órgãos (por exemplo: lúpus eritematoso sistémico, púrpura de Henoch-Schonlein, poliartrite nodosa, síndrome de Alport, nefropatia de IgA, etc.);
Quando as estruturas afetadas são os túbulos ou o interstício, a doença designa-se por tubulointersticial. Nestes casos, determinados estímulos como uma infeção, um medicamento ou uma alteração do metabolismo do organismo podem iniciar um processo inflamatório. Os sintomas e as alterações nas análises serão diferentes consoante o segmento do túbulo envolvido.
A associação familiar pode estar presente, por isso deverá ser perguntado aos pais se há casos de surdez ou doenças renais na família (por exemplo: síndrome de Alport).


Como se faz o diagnóstico?
Como já foi discutido acima, o diagnóstico desta síndrome baseia-se em sinais clínicos (tensão arterial superior ao percentil 95, aumento do peso e diminuição da quantidade de urina) e/ou laboratoriais (análises e colheita de urina).
A ecografia renal poderá ser realizada para excluir outras causas.
Quando os sinais clínicos ou as alterações nas análises se mantêm, poderá ser necessário fazer uma biopsia ao rim.


Se o meu filho tiver síndrome nefrítico deve ficar internado?
Sim! O internamento está indicado para o controlo do peso, da tensão arterial, da quantidade de urina produzida, da ingestão de líquidos e de sal e de possíveis alterações da consciência. Assim como para o controlo das análises da função renal e para o tratamento dos sinais clínicos. Estes atos são essenciais para a prevenção de complicações no futuro.


Como é feito o tratamento?
O tratamento da hipertensão pode incluir alterações na alimentação da criança e também o uso de medicamentos anti-hipertensores como os diuréticos (por exemplo: furosemida) ou outros (por exemplo: nifedipina, amlodipina ou captopril).
Para a correção das alterações no equilíbrio da água e dos iões (sódio, potássio e cloro) são usadas medidas na alimentação da criança e também o "soro" (fluidoterapia endovenosa).
A diálise poderá ser necessária nos casos de insuficiência renal aguda que não responde a outros tratamentos.
A utilização de corticóides e de agentes imunossupressores poderá ser útil em alguns casos.


Como é feito o seguimento após a alta hospitalar?
A criança ficará a ser seguida em consulta de nefrologia, onde irá repetir análises após seis a oito semanas da alta hospitalar.
Os pais deverão registar uma vez por semana a tensão arterial, o peso e a tira do teste urinário (Combur®).


Qual é o prognóstico?
Na maioria dos casos, o prognóstico é bom, permitindo a recuperação da função renal e o desaparecimento da hematúria e da hipertensão num prazo médio de duas semanas. A proteinúria pode manter-se durante cerca de três meses sem significado nocivo e a hematúria microscópica prolongar-se até doze meses sem invalidar a evolução no sentido da cura.
Quando estamos perante uma glomerulonefrite pós-infeciosa o prognóstico é excelente, e as recorrências são raras.
No caso das doenças tubulointersticiais, o prognóstico depende da doença subjacente.
No futuro poderão surgir complicações secundárias à hipertensão arterial ou a doença renal crónica. Portanto, um conhecimento aprofundado acerca da síndrome nefrítico é importante na medida em que fortalece o cumprimento da terapêutica e a adoção de estilos de vida saudáveis (manutenção do peso, exercício físico diário e alimentação equilibrada).


Maria Miguel Gomes, com a colaboração de Helena Silva, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga.