sexta-feira, 6 de abril de 2012

Deficiência: Programa de atividades artisticas


Junto enviamos em anexo o nº1 do Programa de Difusão de Actividades Artísticas, Culturais e de Formação da ANACED, esperando contribuir não só para a promoção e divulgação das capacidades artísticas das pessoas com deficiência, mas também para momentos de enriquecimento, partilha e lazer.

Não deixe de visitar as exposições, de ir ao teatro, de concorrer e participar e sobretudo de conhecer o que lhe propomos.

ANACED
Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência
Rua do Sítio ao Casalinho da Ajuda
1349 -011 Lisboa
Tels. 21 363 68 36 – 21 361 69 10
Fax 21 364 86 39
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Visite-nos em www.anaced.org.pt

Enviado por e-mail

Um exemplo de inconformismo e vontade de viver

Um acidente deixou Eduardo Jorge sem sensibilidade do pescoço para baixo. Assume que não é feliz e detesta ser dependente dos outros mas não se resigna ao trágico destino. Recentemente conseguiu um emprego e inscreveu-se no curso de Serviço Social na Universidade Aberta de Abrantes.

“O homem é ele próprio e sua circunstância” diz o filósofo espanhol Ortega y Gasset. E é de um modo desarmante que Eduardo Jorge, 49 anos, tetraplégico, fala sobre si e a circunstância em que se encontra. “O ser humano adapta-se a tudo mas eu não sou feliz. Eu detesto ser dependente e estar numa cadeira de rodas mas faço a minha vida da melhor maneira para não andar por aí pelos cantos a chorar e a ser pessimista”, afirma a abrir a conversa.

A vida fluía naturalmente até às 15h00 do dia 20 de Fevereiro de 1991. Eduardo Jorge, que nunca gostou muito de conduzir, estava ao serviço do restaurante que geria há seis meses quando perto de Alvega, Abrantes, perdeu o controlo do carro, um Renault 5 GTL, e da sua vida.

“Vinha do Gavião para cá e numa recta o carro fugiu totalmente para a esquerda. Foi contra um muro e deu várias cambalhotas e fui projectado por uma das portas para uma vala num terreno das proximidades. O cinto de segurança ainda não era obrigatório na altura”, conta a O MIRANTE no jardim de Concavada, a pacata aldeia onde reside e trabalha.

Diz que não sabe muito bem o que aconteceu e que também não se preocupou muito em saber. Mas recorda-se de ter pedido aos bombeiros para que não o deixassem morrer. Transportado para o Hospital de Abrantes viria a ser transferido, devido à gravidade dos ferimentos, para o Hospital de São José, em Lisboa.

O silêncio dos médicos foi aterrador. “Não me deram a notícia, não sabia de nada. Foi das piores coisas que me aconteceram”, relembra. Finalmente, lembrou-se de perguntar a um dos médicos que o visitava regularmente. A resposta foi avassaladora. “Jovem você partiu a coluna. Nunca mais vai poder andar”, disse o médico, após o que virou costas e foi embora. “Aquilo foi uma bomba para mim”, critica.

Eduardo Jorge viu-se então, com 28 anos, preso numa cama de hospital. Seguiu-se um período de várias reabilitações e um historial de sete operações. Ao fim de um ano conseguiu recuperar alguns movimentos das mãos mas a lesão continua a ser completa, ou seja, não sente nada do pescoço para baixo. “É como uma enxaqueca. Habituamo-nos mas, muitas vezes, as minhas lágrimas banham a minha almofada às três ou quatro da manhã”.

Para abreviar a sua longa história de vida, que conta em capítulos no blogue que criou em http://tetraplegicos.blogspot.com , avançamos até ao momento em que volta a trabalhar no restaurante “Nova Nora” na Concavada, a convite dos patrões, ficando a gerir novamente o negócio, em troca de comida, alojamento e de uma pessoa que cuidava de si. “Fiquei tão feliz com esta oportunidade que me deram”, relembra. As coisas não correram como desejava e passou dez anos fechado em casa, a consumir televisão e a ler todos os livros que havia para ler.

A sua vida muda em 2005, ano em que, graças aos avanços tecnológicos, a Internet se generaliza e chega com mais facilidade à Concavada. “O computador foi a minha salvação”, acredita. Sedento de contacto social, começou por falar com outro tetraplégico. Fez pesquisa, leu toda a legislação que encontrou sobre os direitos que lhe assistiam e criou uma página para divulgar o que ia descobrindo e ajudar outras pessoas na sua situação. Por mês recebe cerca de 20 a 30 e-mails com pedidos de ajuda.

Com um novo ímpeto, lutou incessantemente para conseguir arranjar um emprego à sua medida e, actualmente, trabalha, através da Câmara Municipal de Abrantes, no espaço TIC - Tecnologias da Informação e Comunicação da Concavada, que vai ser inaugurado em Maio. Antes, já tinha enviado e-mails para todas as empresas da região e tentou o teletrabalho mas sem êxito.

Paralelamente, inscreveu-se no curso de Serviço Social, através da Universidade Aberta de Abrantes. “Quero muito tentar ser assistente social. É uma área que me diz muito. Foi muito bom poder testar-me, pôr-me à prova”, testemunha.

Eduardo Jorge, homem de lágrima fácil, tira o domingo para ligar a amigos. Faz com que, do outro lado da linha, sintam o seu abraço. “Temos que saber os nossos direitos na ponta da língua. Eu aprendi muito com os e-mails que recebi porque tinha que procurar resposta para essas dúvidas”, refere.

Ajuda através de blogue

No seu blogue podem ser encontrados vários links que facilitam a vida a quem é dependente dos outros. Anda sempre com o ipad para responder às mensagens. E criou, em 2011, a Associação União do Deficiente Fórum com o objectivo de prestar serviços de apoio de natureza moral, informativo e material a pessoas e grupos que deles careçam, desenvolvendo actividades de promoção e protecção junto do cidadão portador de deficiência. “Estou a trabalhar, integrado na sociedade. Estou a estudar. Estou tão feliz neste momento porque sinto que a minha luta não foi em vão”, conta até ser interrompido pelas próprias lágrimas.

Sistema de quotas de emprego para pessoas com deficiência

Na actual legislação portuguesa encontra-se prevista uma quota de emprego até 2 por cento do total de trabalhadores nas empresas e de 5 por cento na administração pública. Podem beneficiar destas quotas as pessoas com deficiência (orgânica, motora, visual, auditiva, mental ou de paralisia cerebral) com um grau de incapacidade igual ou superior a 60 por cento, que possam exercer, sem limitações funcionais, a actividade a que se candidatam, ou que embora apresentem limitações funcionais sejam superáveis através da adequação ou adaptação do posto de trabalho e ou de ajuda técnica.

Eduardo: acrescento que a UDF foi criada por um conjunto de amigos, principalmente participantes no nosso Deficiente Fórum e não somente por mim. É de todos. Eu sou somente um dos que faz parte da direção.


Fonte: O Mirante

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Renovação de atestado médico de incapacidade multiuso passa a ser gratuita

A renovação de atestado médico de incapacidade multiuso, necessária para isenção de pagamento de taxa moderadora, passa a ser gratuita, de acordo com um diploma hoje aprovado em conselho de ministros.

O diploma isenta do pagamento de nova taxa "o ato de renovação de atestado médico de incapacidade multiuso, nas situações de incapacidade permanente, não reversível mediante intervenção médica ou cirúrgica".
O valor a cobrar pela renovação do atestado nas situações em que essa incapacidade não é permanente e irreversível passa de 50 para cinco euros, segundo o mesmo diploma.
Um atestado médico de incapacidade multiuso comprova que a pessoa tem uma incapacidade (física ou outra) igual ou superior a 60 por cento, que lhe permite ter isenção de taxas moderadoras

Simplesmente Carol


Anne Caroline Soares nasceu em Março de 1978, em São Carlos, no interior de São Paulo, no Brasil. Viveu ainda em Rio Claro – também no interior de São Paulo – e Piracicaba, onde frequentou o Colégio CIQ e o Colégio Salesiano Dom Bosco. Veio para Portugal em Março de 1992. Licenciou-se em Comunicação Organizacional pela Escola Superior de Educação de Coimbra, tendo realizado o estágio na estação de televisão TVI em Lisboa. Em Janeiro de 2002 começou a trabalhar como delegada comercial numa empresa em Coimbra. O seu percurso pessoal e profissional alterou-se drasticamente quando em Maio desse mesmo ano sofreu um acidente de viação que a deixou tetraplégica. Teve de reaprender a viver. Fez, então, durante dois anos, um estágio na Biblioteca Municipal de Espinho e esteve outros dois anos no Centro Multimeios de Espinho, onde contava histórias às crianças das escolas. Foi assim que nasceu a vontade de começar a escrever para elas. Surgem os livros Joquinha na Cidade do Miau eJoquinha na Nuvem Mafalda, ambos editados pela Papiro Editora. As atividades de Anne Caroline Soares podem ser acompanhadas no blogue: http://carol-blogspoot.blogspot.com/

Livros & Leituras ─ Viveu toda a sua infância no Brasil, com certeza conheceu um pouco da literatura infantil de lá. Quais as diferenças entre a realidade portuguesa e a brasileira nessa área?

Anne Caroline Soares ─ No Brasil, tenho como referência o grande escritor Monteiro Lobato do Sítio do Pica-pau Amarelo, um clássico da literatura infantil brasileira e cuja leitura se destaca por ser formativa e informativa. Ainda não li em Portugal uma obra infantil com as mesmas caraterísticas que tem a deste autor. Com excepção do Monteiro Lobato não noto diferenças entre os escritores da literatura infantil portuguesa e brasileira.

L&L ─ A literatura, nomeadamente a literatura infantil, teve algum papel relevante no seu desenvolvimento pessoal e profissional, ou apenas ganhou importância quando teve de se relacionar de perto com crianças?

ACS ─ Teve um papel relevante no meu desenvolvimento pessoal, pois quando era criança os meus pais contavam-me sempre muitas histórias. No âmbito profissional, aumentou de importância quando tive um contato mais ativo com as crianças.

L&L ─ É impossível não falar no seu estado de tetraplégica, uma vez que isso fez com que reaprendesse a viver. Nos seus livros, assim como nas actividades que realiza, tenta sensibilizar não só as crianças mas também os adultos para as pessoas com limitações. Acha que pode fazer a diferença?

ACS ─ Só não acho, como tenho essa convicção. E quero que tanto as crianças como os adultos se consciencializem da importância desta causa. Todos podem, de alguma forma, fazer a diferença, mesmo com pequenos gestos no dia-a-dia. Ser deficiente não tem obrigatoriamente de ser sinónimo de incapacidade. E se eu puder contribuir, a trabalhar com as crianças, a formar novas gerações com um espírito e uma mentalidade mais abertos, então, o meu trabalho valeu a pena.

L&L ─ O seu livro Joquinha na Cidade do Miau fala de um gato que fica em cadeira de rodas. Sentiu necessidade de personificar a sua própria experiência no gato para melhor passar a sua mensagem?

ACS ─ Sim. É através do livro que quero passar a mensagem de que os deficientes são tão úteis quanto os não deficientes e por isso devem ter as mesmas oportunidades de trabalho.

L&L ─ Alguma vez notou que o facto de ser tetraplégica foi motivo de discriminação ou de ser preterida nalguma actividade?
ACS ─ Infelizmente já. Por estar tetraplégica julga-se que eu não sou capaz. E é bem ao contrário. Foi prometido e até garantido que seria contratada no Centro Multimeios de Espinho após o término do estágio não remunerado. Até hoje não houve mais feedbackpor parte desta entidade.

L&L ─ Em Joquinha na Nuvem da Mafalda, Joquinha é levado até às nuvens, onde conhece personagens que enfatizam o respeito e a solidariedade. É sua intenção de que todas as histórias que escrever sejam, de alguma forma, moralizantes?

ACS ─ Para já sim. Não quer dizer que não escreva uma história de conto de fadas. Mas acho fundamental educar através das histórias, incentivando a leitura e a educação.

L&L ─ Costuma ir a escolas e bibliotecas. Que importância tem para si o contato com as crianças e com o público em geral?

ACS ─ Importantíssima. É com as crianças que me sinto bem. E o contato com o público é de vital importância para mim, porque necessito de estar com as pessoas, observar o seu comportamento, até mesmo para me inspirar.

L&L ─ Em que outros eventos gostaria de participar no âmbito da literatura?

ACS ─ Feiras do Livro, colóquios, seminários, workshops… Estou receptiva a eventuais convites.

L&L ─ Sabemos que foi difícil editar, apenas o conseguiu porque não desistiu. O que pensa que teria de mudar para ser mais acessível a edição em Portugal?

ACS ─ Maior interesse por parte das editoras em avaliar originais dos autores que ainda não são conhecidos. Além disso, as editoras que se interessam impõem uma importância económica ao autor, muitas vezes, inaceitável. Penso que as condições para com os novos autores deveriam ser bem mais razoáveis.

L&L ─ Ambos os seus livros são ilustrados. Fale-nos um pouco sobre os respectivos ilustradores e que contribuição deram as ilustrações aos livros.

ACS ─ São, e faço questão que sejam ilustrados. Os ilustradores são fundamentais, são eles que dão vida ao texto. O ilustrador do livro Joquinha na Cidade do Miau foi o Ricardo Ladeira, que é aluno da Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Maria de Palma ilustrou o livro Joquinha na Nuvem da Mafalda e é formada pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

L&L ─ Que novos projetos tem para edição?

ACS ─ Tenho o meu terceiro conto pronto, intitula-se Joquinha e a Coruja Felizberta, em que uma das personagens é um menino negro e outra é uma menina “gordinha”, num enredo bem cativante. Uma história para ensinar e encantar os nossos futuros adultos. Procuro propostas para editá-lo. Assim como para os meus outros livros, pois a primeira edição do Joquinha na Cidade de Miau já esgotou.

L&L ─ É natural que continue a manter um vínculo afetivo com o Brasil. Gostaria que os seus livros aí fossem distribuídos?

ACS ─ Sim, e não apenas pelo grande vínculo afetivo que tenho pelo país onde nasci, mas quero que os meus livros cheguem a um maior número de pessoas (não só crianças, mas também adultos).

L&L ─ Depois de ter visitado o site da revista “Livros & Leituras”, que opinião tem deste projecto editorial?

ACS ─ Fabuloso! Fiquei fascinada com a qualidade dos artigos, das entrevistas e de toda a informação literária. É, desde já, um dos meus sites favoritos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

VIDA “IN” - Um Projecto de Assistência Pessoal


Ao longo dos anos, a APN tem vindo a sentir necessidade de intervir junto dos doentes neuromusculares (DN) e seus familiares, promovendo iniciativas cujo objectivo é aliviar a sobrecarga física e emocional a que os cuidadores habituais se encontram sujeitos e promover a autonomia e independência dos DN. É neste sentido que surge o Projecto VIDA IN, apoiado financeiramente pela Direcção Geral da Saúde (DGS).

Muitos DN adultos dependem da assistência de outros nas actividades da vida diária, tais como higiene pessoal, comer, vestir, lida doméstica, assistência fora de casa, no trabalho e durante o tempo de lazer, para além de outras dependências relacionadas com a própria postura corporal. Este projeto de Vida Independente, visa dar algumas dessas respostas, deixando sempre que seja a pessoa com incapacidade a decidir o que quer fazer e como o pretende realizar, assumindo as responsabilidades pelas decisões a tomar.

Quais os objectivos?

Disponibilizar um Serviço de Assistência Pessoal que promova uma maior inclusão e qualidade de vida a pessoas com grande dependência, portadoras de doenças neuromusculares.
Promover as potencialidades pessoais dos DN e a diminuição das suas limitações funcionais.
Aumentar a participação dos DN no meio envolvente, quebrando o isolamento.
Proporcionar às famílias e principais cuidadores de DN momentos de descanso, prevenindo situações de ruptura emocional e desgaste físico.
Proporcionar aos cuidadores tempo e oportunidade para cuidarem de si próprios, do seu equilíbrio emocional e da sua saúde.

Em que consiste a Assistência Pessoal?

Embora a figura do Assistente Pessoal seja ainda desconhecida em Portugal, são já vários os países com serviços de assistência pessoal implementados, nomeadamente, a Suécia, Espanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, entre outros.

Recentemente, a figura do Assistente Pessoal foi referida na alínea b) do Artigo 19º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela Resolução da Assembleia da República, nº 56/2009, de 7 de Maio de 2009 e ratificada pelo Decreto do Presidente da República, nº 71/2009, de 30 de Julho.

O Assistente Pessoal deve ser entendido como um prestador de serviços habilitado e remunerado que, sob treino e orientação da pessoa com necessidades especiais, lhe presta apoio, num espírito de respeito mútuo, nas diferentes tarefas diárias vitais para o seu pleno desenvolvimento pessoal, social, educativo e/ou profissional, permitindo-lhe viver uma vida mais independente.

O apoio será ajustado às necessidades e expectativas de cada um dos casos, num plano a definir entre o Doente, o Assistente Pessoal, a Equipa Técnica da APN e ainda em colaboração com a família e cuidadores habituais.

A quem se destina?

Este projecto é dirigido a DN que necessitem do apoio de uma pessoa para a realização de determinadas actividades e ajuda para ultrapassar algumas dificuldades habituais da sua situação de dependência.

Os requisitos para participar neste projecto são:
Ter mais de16 anos.
Ter uma incapacidade física causada por uma Doença Neuromuscular que obrigue à ajuda de uma terceira pessoa.
Ter uma grande motivação e desejo de desenvolvimento pessoal.
Ter vontade de ter uma vida independente e de controlar a sua própria vida.
Ser sócio da APN.

Quais os resultados esperados?

Que os doentes sintam alguma promoção da sua autonomia e integração e uma melhoria da sua auto-estima e da sua qualidade de vida.
Que os jovens doentes possam libertar-se, por momentos, da “sombra” permanente do pai ou da mãe e possam realizar coisas tão simples como, por exemplo, sair à rua, ir às compras, visitar um amigo ou familiar, ir almoçar com alguém, ir ao cinema com os amigos, etc.
A realização de actividades significativas de acordo com as capacidades e vontade de cada um, quebrando as rotinas, o isolamento e a resignação.
Criar oportunidade aos doentes para poderem realizar alguns dos seus desejos.
Descanso pontual dos cuidadores, permitindo-lhes refazer as forças ou mesmo realizar tarefas que de outro modo não lhes seria possível realizar.
Assegurar alternativas para situações de ausência ou impedimento do familiar em cuidar do doente.
Facilitar a permanência do doente com incapacidade no domicílio, através do reconhecimento legal da figura do Assistente Pessoal.

Folheto Informativo sobre Assistência Pessoal e mais informações

Se pretender mais informações sobre este serviço contacte-nos através dos telefones 22616056, 226106202, 966264766 ou por e-mail para info@apn.pt

Cortes condenam milhares de cidadãos deficientes




A Associação Portuguesa de Deficientes acusa o Governo de “condenar milhares de cidadãos” a não poderem ter uma vida ativa e produtiva ao ter cortado em quase quatro milhões o valor do financiamento em 2012 para ajudas técnicas.

Para o presidente da APD esta redução no valor atribuído para a concessão de ajudas técnicas "é intolerável do ponto de vista social”.

“Significa condenar milhares de cidadãos a não poderem deslocar-se, ouvir, ler, em resumo, ter uma vida ativa e produtiva porque não vão ter acesso, por exemplo, a cadeiras de rodas, próteses auditivas ou software de leitura”, diz a APD.

Contactado pela Lusa, o Ministério da Solidaredade e Segurança Social (MSSS) esclarece que o valor definido para 2012, de cerca de 8,3 milhões de euros, “pode vir a ser reforçado ao longo do corrente ano, caso se justifique e venha a ser devidamente fundamentado pelas entidades”.

Num despacho publicado em Diário da República no passado dia 09 de março é definido que o valor para financiamento de ajudas técnicas durante o ano de 2012 é de 8.301.820,00 euros. Em 2011, estes produtos tiveram direito a um financiamento de 12.154.091,00 euros, o que representa um decréscimo de 3.852.271 euros, menos 31,7 por cento.

Na opinião da APD, trata-se de uma “redução substancial” no valor definido para as ajudas técnicas, realçando ter conhecimento de que “muitas pessoas não conseguiram receber em tempo útil estas ajudas técnicas” durante o ano de 2011.

“Por razões de entropia de funcionamento das entidades que prescrevem ou por razões meramente administrativas, é anunciado que há um valor que não foi atribuído, não foi prescrito, e como não foi prescrito no ano passado, o que se fez foi reduzir o orçamento para este ano”, criticou Humberto Santos, referindo-se à passagem de cerca de 12 milhões em 2011 para mais de oito milhões de euros em 2012.

Segundo o presidente da APD, o Governo não teve a preocupação de tentar perceber por que é que em 2011 sobrou dinheiro, tomando por opção reduzir o valor destinado a estas ajudas, e alertou que isso vai significar que muitas das pessoas que em 2011 não conseguiram aceder a estas ajudas, também não o consigam em 2012.

“Conhecemos quem tenha de se endividar para conseguir aceder a estas ajudas técnicas”, alertou Humberto Santos.

Explicou que muitas vezes as pessoas com deficiência não têm forma de aceder através do Serviço Nacional de Saúde a estas verbas porque quando chegam às respetivas entidades prescritoras ou a verba está esgotada ou, por outro motivo, veem ser-lhes “vedado o acesso a este bem fundamental”.

Relativamente ao facto de o despacho para as verbas atribuídas em 2011 só ter sido publicado em 21 de dezembro do mesmo ano, Humberto Santos apontou que ter “instituições a funcionar sem orçamento real não é um processo saudável”.

Em resposta, o MSSS salienta que “pela primeira vez há um valor definido e um eventual reforço, caso se justifique” e que igualmente pela primeira vez "existe um plano de combate à fraude para que impere uma maior justiça na atribuição destas ajudas técnicas”.

O Ministério lembra que a verba global afeta ao financiamento dos produtos de apoio é fixada anualmente por despacho conjunto dos membros do Governo responsáveis pela Segurança Social Emprego e Saúde e que esse despacho não chegou a ser publicado nos anos de 2010 e 2011.

De acordo com o Ministério da Solidariedade e Segurança Social, foi por causa dessa ausência de verba que o atual Governo “regularizou” a situação através da publicação do despacho de Dezembro, onde é definida a verba de cerca de 12 milhões para as ajudas técnicas durante o ano de 2011.

Lusa / SOL

Sony desenvolve óculos com legenda voltados ao público com deficiência auditiva


Surdo assiste a filme no cinema utilizando óculos com legenda
Muita gente não imagina quão difícil é a vida de alguém que perdeu uma das habilidades sensoriais mais básicas do ser humano: a audição. Uma simples ida ao cinema pode resultar em frustração, caso não estejam sendo exibidos filmes legendados – uma realidade muito comum nos Estados Unidos, onde os únicos filmes legendados exibidos regularmente são os estrangeiros.
Pensando nisso, a Sony desenvolveu óculos voltados ao público com deficiência auditiva, que permitem ao usuário ler (como se estivesse lendo na tela do cinema) as legendas do filme diretamente nas lentes do aparelho. Isso dá a essas pessoas a possibilidade de ir ao cinema com os amigos numa sexta-feira à noite, por exemplo – horário em que os cinemas americanos raramente exibem filmes legendados.
A reportagem da BBC que apresentou a inovação mostrou ainda algumas aplicações futuras, dizendo que a transcrição automática de conversações, leitura de instruções de GPS e uma infinidade de outros benefícios não estão longe de se tornarem realidade. Os óculos devem estar disponíveis ao público no início de 2012.
Vale lembrar que, apesar de existir a possibilidade de transcrição automática do áudio, o funcionamento dos óculos no cinema será baseado na inserção de arquivos de legenda no software do dispositivo. Dessa forma, as legendas especialmente desenvolvidas para pessoas com dificuldade auditiva serão exibidas sem a possibilidade de erros por captação de som equivocada.

Fonte: Tecmundo