quinta-feira, 12 de abril de 2012

Carlos Frazão: Gerente de uma empresa de adaptação de automóveis


Carlos Frazão tem 48 anos e é gerente e proprietário da empresa de adaptações de automóveis LeiriAdpat. Ficou paraplégico na sequência de um acidente de viação quando tinha 18 anos. Na altura era mecânico e foi nessa profissão que se manteve. Entretanto criou a sua própria empresa, especializando-se em adaptações de veículos para pessoas com deficiência motora. Conheça aqui o testemunho de Carlos Frazão. 
Associação Salvador (AS): Como é o seu dia-a-dia de trabalho? 
Carlos Frazão (CF): O meu dia-a-dia engloba ser responsável pela minha empresa e também desempenhar funções de mecânico e instalador de comandos auxiliares de condução para pessoas com deficiência motora e transporte das mesmas.
AS: Como surgiu a ideia de criar a LeiriAdapt? 
CF: Esta ideia surgiu pelo facto de eu estar inserido no ramo automóvel como mecânico e mais tarde perceber que este tipo de actividade tinha um grande significado na minha vida. Daí decidi criar uma empresa e estabelecer-me numa actividade pouco praticada mas que devido ao facto de eu próprio necessitar de um carro adaptado me era muito familiar. Foi uma forma de poder melhorar não só a minha vida em termos de independência como também a vida de tantas outras pessoas que se encontram numa situação semelhante à minha.
AS: Quais os produtos e serviços que a sua empresa oferece?
CF: A minha empresa faz instalação de sistemas auxiliares de condução de automóveis para que pessoas com algum tipo de limitação em termos de mobilidade possam conduzir. Instalamos também rampas, plataformas, bancos giratórios, gruas para armazenamento de cadeiras de rodas e outros sistemas de transporte.
AS: Teve algum tipo de apoio por parte do Instituto de Emprego e Formação Profissional para a criação desta empresa?
CF: Não tive qualquer tipo de apoio.
AS: Criou quantos postos de trabalho?
CF: Para além do meu, criei mais dois postos de trabalho. Neste momento tenho um assistente para as adaptações e alguns serviços de mecânica e uma funcionária no escritório.
AS: Teve outros empregos anteriormente. Que funções desempenhava? Pode descrever-nos por favor como tem sido o seu percurso profissional?
CF: Trabalhei como mecânico numa pequena oficina de reparação automóvel até à data do acidente que me provocou a paraplegia em 07-01-1982, obrigando-me a estar ausente desta actividade pelo período de cerca de 2 anos. Depois percebi que não estava totalmente limitado e com a ajuda de algumas pessoas amigas voltei a inserir-me com muita garra e dedicação á mecânica.  Fui então trabalhar por conta de outra pessoa a desempenhar a função de mecânico durante aproximadamente 15 anos. Mais tarde decidi lançar-me por conta própria e abri a minha empresa na altura só como empresa de reparações automóveis. Com a minha dedicação e os meus conhecimentos fiz preparações em alguns jipes para as 24Horas de Fronteira e dando assistência aos mesmos. Mais tarde então sim dediquei-me à actividade que exerço hoje. Depois de vários anos de experiencia como instalador de adaptações automóveis na minha empresa Carlos Frazão decidi á cerca de um ano criar então a Leiriadapt e estabelecer-me maioritariamente nessa área.
AS: Alguma vez sentiu, nas situações que nos descreveu anteriormente, que lhe foi negado o acesso a algum emprego, apenas devido ao facto de ter mobilidade reduzida?
CF: Felizmente não. As pessoas conheciam o meu trabalho e sabiam a minha experiencia e capacidade, por isso nunca tive qualquer problema em encontrar emprego.
AS: Que mensagem gostaria de deixar a outras pessoas com mobilidade reduzida que pretendem implementar o seu próprio negócio ou estão à procura de emprego?
CF: Ponto número um é nunca, de alguma forma, perder o contacto com as pessoas de quem nós gostamos e sentimos que nos apoiam. Depois é não nos inferiorizarmos, seja em que situação for, apesar de sabermos que temos muitos obstáculos pela frente.Também é importante sabermos ouvir a opinião dos outros, principalmente de pessoas experientes ligadas à nossa área de trabalho. E por fim viver um dia de cada vez, sempre o melhor possível e nunca deixar que nos impeçam de seguirmos os nossos sonhos.

Acção Qualidade de Vida: 153 candidatos com pedidos que ascendem aos 917 mil euros


As candidaturas à Ação Qualidade de Vida 2012 encerraram no passado dia 8 de Março, tendo sido recebidas 153 candidaturas válidas, o que corresponde a um aumento de 23% face a 2011.
As candidaturas estão nesta fase a ser analisadas pelo júri - um membro da Direção da Associação Salvador, um médico e um terapeuta ocupacional -  e os resultados serão divulgados no dia 28 de Junho.
Esta iniciativa anual pretende apoiar pessoas com deficiência motora e comprovada falta de recursos financeiros. Os seus patrocinadores, no ano 2012, são a Semapa, o Banco Espírito Santo e a Fundação Calouste Gulbenkian.
O valor dos pedidos de apoio recebidos ascende aos 917 mil euros. Dada a limitação orçamental da Associação Salvador, que dispõe de uma verba de 100 mil euros para atribuir em apoios, infelizmente não será possível apoiar a maioria dos candidatos. Estamos empenhados em angariar fundos adicionais para apoiar o maior número de pessoas possível, no entanto temos tido grande dificuldade em obter novos patrocinadores para esta iniciativa.
Assim, e para que seja possível apoiar o maior número de pessoas, apelamos à solidariedade de todos. Poderá contribuir para esta causa, de forma muito simples, em qualquer caixa multibanco. Saiba como em: "Ser Solidário - Donativo de MB".
Estado reduz verba para Ajudas Técnicas/Produtos de Apoio
A maioria dos pedidos que nos chegam anualmente enquadram-se no âmbito da lista oficial de Ajudas Técnicas/ Produtos de Apoio, cuja atribuição deveria por lei ser garantida pelo Estado, através do Instituto Segurança Social, Unidades Hospitalares e Instituto de Emprego e Formação Profissional.
No entanto, muitos dos candidatos à Ação Qualidade de Vida têm vindo a tentar obter este tipo de apoios (ex.: cadeiras de rodas, plataformas elevatórias, entre outros) junto do Estado, e que têm recebido sucessivamente respostas negativas, com o argumento de que não existe cabimento orçamental.
Para agravar esta situação, em 2012 o Estado reduziu em mais de 30% o montante para Ajudas Técnicas/ Produtos de Apoio passando de 12.154.091€, em 2011, para 8.303.832€, em 2012.
Em 2012, as entidades responsáveis pela atribuição de apoios terão os seguintes orçamentos: Segurança Social (1.801.820€); Unidades Hospitalares (6.000.000€) e Instituto de Emprego e Formação Profissional (500.000€).
Porém, a aplicação destas verbas aguarda regulamentação, conforme informação disponibilizada no site do Instituto Nacional de Reabilitação (para informações adicionais, clique aqui).
Isto significa que, se em anos anteriores o Estado não conseguia dar resposta positiva a muitos dos pedidos de Ajudas Técnicas/Produtos de Apoio, este ano será ainda mais complicado.
Contrariamente ao que acontece com os pedidos efetuados ao Estado, que não avalia os pedidos de Ajudas técnicas/ Produtos de Apoio pelo critério da necessidade económica (pois, de acordo com a legislação, as Ajudas técnicas/ Produtos de Apoio  são um direito universal para todos os cidadãos), a Associação Salvador tem este critério em consideração. Na Ação Qualidade de Vida procura-se dar prioridade a pessoas que não têm mesmo possibilidade de adquirir os equipamentos sendo que a sua falta coloca em causa a sua dignidade, provocando situações de exclusão social.
Para evitar duplicações de pedidos, a Associação Salvador está em contacto com o Instituto de Segurança Social para cruzar dados relativamente aos pedidos recebidos nas duas entidades.

Disney cancela atração após ser acusada de estigmatizar crianças obesas

O Walt Disney World decidiu cancelar a inauguração em Orlando, na Flórida, de uma atração que buscava combater a obesidade infantil, depois de receber críticas que a acusavam de estigmatizar as crianças obesas.
A inauguração da atração – que durante alguns dias esteve aberta de forma extraoficial para testar a reação do público – estava prevista para o próximo dia 5 de março, mas a empresa adiou indefinidamente sua abertura.
Batizada de Habit Heroes, a atração foi projetada pela Disney, em colaboração com uma associação americana de companhias de seguros médicos, para combater os maus hábitos que contribuem à obesidade infantil, como a comida gordurosa e a falta de exercícios físicos.
Localizada no parque temático Epcot, a Habit Heroes oferecia uma série de jogos que exigiam certa atividade física para que os visitantes pudessem ajudar um suposto menino que enfrenta problema por seus maus hábitos.
O cancelamento da abertura oficial acontece depois que, na semana passada, a Associação Nacional para Promover a Aceitação dos Obesos (NAAFA, na sigla em inglês) acusou a Disney de “ficar sob a sombra da negatividade e da discriminação” ao apostar “na ferramenta da vergonha como a melhor maneira de comunicar-se com as crianças”.
Em comunicado, essa associação criticava a Disney por utilizar “personagens estereotipados” para criticar os hábitos alimentares infantis.
“O uso desses estereótipos, habitualmente utilizados para atormentar as crianças com sobrepeso, poderia reforçar e fortalecer o ciclo de intimidação, depressão, transtornos alimentícios e inclusive pensamentos suicidas”, segundo a NAAFA.
Um porta-voz da associação de seguradoras que colaborou com a Disney na atração garantiu que o parque está “testando e recebendo a informação dos usuários, para fazer os ajustes necessários prévios à inauguração”.
“Queremos nos assegurar que a atração transmita de forma divertida uma mensagem positiva sobre o estilo de vida saudável”, explicou.
site da atração permanece fora do ar para manutenção.
Fonte: Folha.com

TV francesa faz programa de viagens com jornalista cega


O programa "Dans tes yeux" ("Nos teus olhos", em tradução literal) mostra as viagens da francesa Sophie Massieu, cega desde o nascimento, em 40 cidades de 23 países, entre eles o Brasil.
Jordânia, China, Índia, Turquia, Canadá, Alemanha, Etiópia e Madagascar são alguns dos países visitados pela jornalista cega, que também percorreu a Lapônia, na Finlândia, a Palestina e algumas regiões francesas, como a Camarga (o "Pantanal" da França). Durante as viagens, que duraram dez meses, a repórter tomou 74 aviões e utilizou diferentes meios de transporte: trens, barcos, balão e até camelo.
"Nunca pensei que fosse montar na garupa de uma Vespa segurando um cachorro", diz ela, que circulou pelas ruas de Nápoles, na Itália, com o dálmata Pongo em seu colo na moto.
O conceito do programa é "mostrar o mundo de maneira diferente", sob a ótica das sensações de alguém que não possui a visão, diz Sébastien Deurdilly, co-redator-chefe da série de documentários turísticos.
"Ainda não acredito que um canal de televisão aceitou dar o papel principal de um programa para uma pessoa portadora de deficiência. Isso é um sinal de que há avanços nessa área", diz Massieu, de 36 anos.
Ela foi uma das primeiras pessoas cegas a ter cursado, em 1998, uma escola de jornalismo na França e foi colaboradora de grandes jornais e revistas do país. Entre as inúmeras aventuras de suas viagens para o programa de TV, ela saltou de asa delta na ilha da Córsega, na França, fez escalada na Grécia, participou de corrida de carros na Polônia, colheu arroz na China e aprendeu a dançar valsa usando salto alto em Budapeste, na Hungria.
Na Grécia, ela também mergulhou em apneia para colher esponjas marinhas utilizando o mesmo antigo método dos mergulhadores locais, amarrada a um pedra de mais de 20 quilos. Além das percepções diferentes que uma pessoa cega têm ao descobrir um local, o programa privilegia o contato humano, ressaltando os encontros que a jornalista fez ao longo das viagens, como um pastor de ovelhas na Córsega, pescadores nas Ilhas Canárias, uma jovem de Xangai que a leva a discotecas ou um artista de Nova York.
"Como eu não vejo, eu questiono coisas sobre os lugares que as outras pessoas não têm o hábito de perguntar", diz a francesa, que também fala inglês, espanhol e italiano.
No Brasil, Massieu visitou Salvador, na Bahia, e outras localidades no Nordeste. Ela visitou ainda uma tribo indígena, segundo informou à BBC Brasil a assessoria do canal de TV Arte. A jornalista teve algumas dificuldades nas viagens. Seu cachorro Pongo, que a guia desde 2007, não foi autorizado a acompanhá-la a todos os lugares, como no Muro das Lamentações, em Israel, onde animais não são permitidos. A série de reportagens será exibida diariamente até o final de abril. Os programas sobre o Brasil serão apresentados nos dias 16 e 23 de abril.
Fonte: BBC Brasil

sábado, 7 de abril de 2012

Governo vai dar transporte gratuito a mais doentes

O Estado vai custear as deslocações de doentes que necessitem de cuidados frequentes. Até agora, o transporte só era gratuito para pessoas afetadas por certas doenças.

Quem tiver de ir ao médico com muita frequência, fazer múltiplas sessões de fisioterapia ou necessitar de diálise ou de quimioterapia terá as deslocações às unidades de saúde pagas pelo Estado.

Até agora, o transporte gratuito só era garantido aos doentes com critério clínico (como sofrer de um cancro) ou com um rendimento mensal inferior a 628,5 euros.

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira, disse ao Expresso que a nova regra deverá ser aprovada dentro de duas semanas, faltando agora definir o número mínimo de consultas e de tratamentos necessários para se ter acesso à isenção no transporte. De fora deste critério numérico só ficam os doentes oncológicos.

"Com esta medida introduzimos um terceiro pilar no transporte gratuito de doentes não urgentes: os cuidados programados e continuados, permitindo que o estrato da população que não cumpre o critério económico mas que necessita de tratamentos frequentes também tenha acesso a transporte gratuito", explicou o governante.

E Manuel Teixeira dá um exemplo: "Uma pessoa que aufere mensalmente perto de 700 euros não tem direito à isenção, mas acaba por tem uma fatura elevada com o transporte se tiver muitas consultas ou sessões de fisioterapia".
Vão ter de pagar as deslocações, todos os outros doentes que não têm cancro ou tenham sido transplantados, por exemplo, que não necessitem de tratamentos prolongados ou de muitas consultas e que ganhem mais de 628,5 euros por mês.

Em cima da mesa está a aplicação de um valor ponderado face à extensão do percurso, com um máximo de 30 euros a cobrar ao utente.

Fonte: Expresso

Relatório Mundial sobre a Deficiência ajuda a direcionar ações para acessibilidade e inclusão

A deficiência e parte da condição humana – quase todos nos estaremos temporária ou permanentemente incapacitados em algum momento da vida, e aqueles que alcançarem uma idade mais avançada experimentarão crescentes dificuldades em sua funcionalidade. A deficiência e complexa, e as intervenções para superar as desvantagens associadas a deficiência são múltiplas e sistêmicas – variando de acordo com o contexto.
A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências (CRPD, na sigla original), adotada em 2006, tem como objetivo “promover, proteger e assegurar o gozo integral e igual de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência, e promover o respeito por sua dignidade inerente”. Isso reflete a grande mudança na compreensão e respostas mundiais a deficiência.
“O relatório faz recomendações para iniciativas nos níveis local, nacional e internacional. Assim, será uma ferramenta valiosa para os responsáveis pela elaboração de politicas publicas, pesquisadores, profissionais da medicina, defensores e voluntários envolvidos com a questão da deficiência. E minha esperança que, a começar pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, e agora com a publicação do Relatório Mundial sobre a Deficiência, este século marque uma reviravolta na inclusão de pessoas com deficiência na vida da sociedade”, disse o Professor Stephen Hawking.
O Relatório Mundial sobre a Deficiência reúne as melhores informações cientificas disponíveis sobre a deficiência para melhorar as vidas das pessoas com deficiência e facilitar a implementação da CRPD. Seu objetivo e:
  • Prover aos governos e a sociedade civil uma analise abrangente sobre a importância da deficiência e as respostas oferecidas, baseada nas melhores evidencias disponíveis.
  • Recomendar ações em nível nacional e internacional.
A Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde – CIF, adotada como o modelo conceitual deste Relatório, define a incapacidade como um termo amplo para deficiências, limitações as atividades e restrições a participação. A incapacidade se refere aos aspectos negativos da interação entre indivíduos com determinadas condições de saúde (tais como paralisia cerebral, Síndrome de Down ou depressão) e fatores pessoais e ambientais (tais como atitudes negativas, transportes e prédios públicos inacessíveis, e apoio social limitado).
“A visão que nos move e a de um mundo de inclusão, no qual todos sejamos capazes de viver uma vida de saúde, conforto, e dignidade. Convidamos você a utilizar as evidencias contidas neste relatório de forma a contribuir para que esta visão se torne realidade”, comentou Dra. Margaret Chan, Diretora General da Organização Mundial da Saúde.
Para acessar o documento completo e traduzido para a Língua Portuguesa, clique no link a seguir Relatório Mundial sobre a Deficiência


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Deficiência: Programa de atividades artisticas


Junto enviamos em anexo o nº1 do Programa de Difusão de Actividades Artísticas, Culturais e de Formação da ANACED, esperando contribuir não só para a promoção e divulgação das capacidades artísticas das pessoas com deficiência, mas também para momentos de enriquecimento, partilha e lazer.

Não deixe de visitar as exposições, de ir ao teatro, de concorrer e participar e sobretudo de conhecer o que lhe propomos.

ANACED
Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência
Rua do Sítio ao Casalinho da Ajuda
1349 -011 Lisboa
Tels. 21 363 68 36 – 21 361 69 10
Fax 21 364 86 39
anaced@net.sapo.pt 
Visite-nos em www.anaced.org.pt

Enviado por e-mail