quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Atletas paralímpicos pedem mais apoios no regresso a Portugal

O pedido do presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP), Humberto Santos, para um maior apoio dos privados e novas críticas do maratonista Jorge Pina marcaram hoje o regresso a Lisboa da comitiva portuguesa aos Jogos Paralímpicos Londres2012.

Apesar do atraso de quatro horas em relação à hora inicialmente prevista, as 21h00, centenas de pessoas esperaram a comitiva na zona de chegadas do Aeroporto da Portela e não regatearam aplausos e abraços aos atletas paralímpicos lusos.

Portugal subiu três vezes ao pódio nos Jogos Paralímpicos de Londres2012 e somou medalhas de prata e bronze no boccia e ainda uma de bronze no salto em comprimento F20 (deficiência mental), arrecadando ainda 16 diplomas, o que levou o Chefe de Missão, Carlos Lopes, a considerar que o país alcançou «resultados dignos» na competição.

Humberto Santos aproveitou o momento para realçar a necessidade de serem encontrados mais apoios entre a iniciativa privada para a preparação paralímpica durante o “ciclo” dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

O presidente do CPP referiu que expressou esta preocupação aos governantes portugueses que estiveram em Londres2012 e chamou ainda a atenção para a necessidade de recrutamento de novos atletas para a alta competição paralímpica.

A questão dos atrasos no pagamento das bolsas em 2009 e 2010 também foi abordada, com Carlos Lopes a garantir que estas verbas acabaram por ser todas liquidadas de forma “tardia” em 2012.

Apesar de novas críticas do maratonista Jorge Pina à forma como foi recebido em Londres e às condições em que ficou alojado, Carlos Lopes considerou que o Comité Paralímpico apenas se irá debruçar sobre a matéria após ouvir diretamente o atleta.

«Não temos os apoios que deveríamos ter», afirmou Jorge Pina, deficiente visual, que lamentou ainda o facto de não ter tido ninguém a recebê-lo em Londres e por ter ficado «num quarto sozinho com escadas inclinadas».

Um conjunto de novas críticas do maratonista, que ainda em Londres havia chamado a atenção para o problema dos atrasos no pagamento das bolsas e afirmado que os atletas se sentem «abandonados».

O secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Marco António Costa, esteve no Aeroporto de Lisboa mas não prestou declarações, dizendo apenas que «foi um gosto» estar com os atletas.


Fonte: Sapo

terça-feira, 11 de setembro de 2012

CONVITE

Ação de Sensibilização Lisboa (In)acessível
18 de Setembro, às 14h30 em Entrecampos 


A Associação Salvador, em parceria com a ACAPO, APEDV, ADFA e Gulliver, convidam-no(a) a participar na ação de sensibilização Lisboa (In)acessível. Trata-se de um passeio entre a zona de Entrecampos e o Saldanha e tem como objetivo alertar a opinião pública para a falta de acessibilidades neste eixo central da cidade.

Esta ação conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e está enquadrada na Semana Europeia da Mobilidade.

Podemos contar consigo? Confirme por favor a sua presença para info@associacaosalvador.com até dia 14 de setembro. 



Subsídio por assistência de 3ª pessoa




CONCENTRAÇÃO/VIGÍLIA
Pela qualidade de vida das pessoas com deficiência.

2 de Outubro às 18 horas 
na Assembleia da República

domingo, 9 de setembro de 2012

Campanha para a popularização da Língua Gestual Portuguesa


"Os surdos também falam português" é o slogan da mais recente campanha publicitária da FPAS (Federação Portuguesa das Associações de Surdos) da autoria da agência criativa YoungAD.
A campanha "pretende alertar a população portuguesa para a necessidade de existir uma aprendizagem efetiva da Língua Gestual Portuguesa, permitindo a emancipação dos direitos da Pessoa Surda em sociedade" e realça o "paralelismo entre as letras do alfabeto gestual e alguns símbolos que a comunidade ‘ouvinte’ utiliza no seu quotidiano.
O principal objetivo é transferir para a opinião pública a ideia de que a Língua Gestual Portuguesa é simples e pode ser aprendida por todos, tem é de existir essa vontade e consciência."
A Língua Gestual Portuguesa tem 26 letras. Juntas, elas formam um vocabulário compartilhado por mais de 80.000 pessoas que podem falar a seus ouvidos apenas usando suas mãos. Não perca, participar da conversa.
 Pessoa faz um sinal de positivo. Texto diz: Ela está fixe (legal). Mas isto é um "B"

POR UMA VIDA DIGNA.

Manuela Ralha


POR UMA VIDA DIGNA.

Viver não é só respirar.

Também é poder trabalhar, sair com os amigos, estudar, namorar, ir às compras onde nos apetecer, poder sair de casa sem necessitar de ajuda.

Mas tudo isto, e muito mais, é-nos negado unicamente por termos uma deficiência.

Ao cortar 30% no orçamento para atribuição de produtos de apoio, o governo tomou uma decisão que, objectivamente, contribui para o agravamento das condições de vida e de saúde da população com deficiência. Produtos de apoio são cadeiras de rodas, sondas, próteses, etc., sem os quais é impossível vivermos.

Todos os anos há centenas de pessoas com deficiência a quem são negados os produtos de que necessitam para compensar as suas incapacidades. Muitos são aqueles que nem sequer se candidatam porque são logo avisados pelos serviços públicos de que não existe verba.
Isto tem de acabar.

A lei é clara. “Atribuição de forma gratuita e universal de produtos de apoio”, é o que está escrito! Será muito dificil o governo perceber o que quer dizer “gratuito” e “universal”?

REFORÇO IMEDIATO DO ORÇAMENTO PARA ATRIBUIÇÃO DE PRODUTOS DE APOIO.

A gravidade desta situação é ainda maior dados os baixos níveis de rendimentos disponíveis (63,2% dos agregados familiares que integram pessoas com deficiência têm menos de 800 € de rendimento mensal, 27,6% não ultrapassam os 403€) e os custos acrescidos que as pessoas com deficiência têm de suportar para viver (estes custos, dependendo do tipo de deficiência, variam entre 4.103€ e 25.307€ anuais) que não são nem de perto nem de longe compensados.

Para fazer face a esta situação são urgente, entre outras medidas: o aumento das prestações sociais, como as pensões de invalidez, apoio de 3ª pessoa, subsídio de dependência, etc.; promoção de condições de vida independente e escolha de projecto de vida; apoio ao emprego e o cumprimento das quotas estabelecidas na lei; reposição dos benefícios fiscais que foram eliminados pelo governo de José Sócrates.

AUMENTO DAS PRESTAÇÕES SOCIAIS E REPOSIÇÃO DOS BENEFÍCIOS FISCAIS.

É por tudo isto que nos vamos bater. Costumam chamar-nos cidadãos invisíveis. Pois agora vão ter-nos bem visíveis a lutar pelos nossos direitos.

DIREITOS HUMANOS NÃO SÃO REGALIAS

Fontes:

1. Elementos de Caracterização das Pessoas com Defi ciências
e Incapacidades em Portugal - CRPG – Centro de Reabilitação Profissional de Gaia / ISCTE – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.http://www.crpg.pt/estudosProjectos/Projectos/modelizacao/Documents/ESTUDOS_11.pdf

2. Estudo de avaliação do impacto dos custos financeiros e sociais da deficiência – Centro de Estudos Sociais – Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Convite para duas Pessoas com Necessidades Especiais com nacionalidade estrangeira – Partilhem se faz favor…

Convite para duas Pessoas com Necessidades Especiais com nacionalidade estrangeira – Partilhem se faz favor…
O Aventura Marão Clube e a Casa da Juventude de Amarante estão a organizar vários workshops com o tema "GREEN: Learning New Approaches for Sustainable Alternatives ", a realizarem-se do dia 23 ao dia 29 de Outubro.
Os participantes serão reembolsados em 100% dos custos que tiverem para vire

m aos workshops.
Caso esteja interessado em se candidatar ou tenha alguma dúvida, entre em contato através de correio eletrónico: cj.amarante@gmail.com / amarante.apd@gmail.com.
Restam apenas duas vagas para os participantes, sendo elas destinadas a pessoas com necessidades especiais estrangeiras.
Título do workshop: Green – Learning New Approaches for Sustainable Alternatives;
Local: Amarante, Portugal;
Temas do workshop: Alternativas sustentáveis tais como comércio justo e agricultura biológica;
Data: chegada a 22 de Outubro e partida a 30 Outubro.


Era uma vez um "autista" - de Prof. José Pacheco


"Naquele tempo, ninguém usava o termo "inclusão", nem expressões como "aluno com necessidades especiais". Muito menos tinha sido inventado o TDA, o DDA, o TDA-H, a Ritalina não estava na moda, nem se reconhecia haver o que, hoje, se designa por hipercinético... Naquele tempo, o moço era deficiente. E pronto!

Ainda era um jovem professor e
já a dúvida o atormentava... Talvez por ser o mais jovem - e considerado inexperiente - confiaram-lhe a turma mais pequena da escola. Porém, certo dia, recebeu a visita da senhora diretora. Vinha acompanhada por um moço, que andaria aí pelos treze anos. E logo foi dizendo:

O senhor professor é um privilegiado! A sua turma só tem quarenta e oito alunos, mas trago-lhe mais um, que lhe vai dar mais trabalho do que a turma toda junta. E já o aviso: o moço é autista e é perigoso.

Naquele tempo, ninguém usava o termo "inclusão", nem expressões como "aluno com necessidades especiais". Muito menos tinha sido inventado o TDA, o DDA, o TDA-H, a Ritalina não estava na moda, nem se reconhecia haver o que, hoje, se designa por hipercinético... Naquele tempo, o moço era deficiente. E pronto!

Naquele tempo, em plena ditadura, ninguém ouvira falar de um russo chamado Vigotsky, que discordava de um tal de Piaget, porque esse tal de Piaget dizia que o desenvolvimento do pensamento na criança "parte do pensamento autístico não verbal à fala socializada e ao pensamento lógico, através do pensamento e da fala egocêntricos". Naquele tempo, vivíamos na mais escura treva teórica.

O jovem professor recorreu ao dicionário: "autismo é uma disfunção global do desenvolvimento". Ficou a perceber o mesmo... Agarrou-se à tábua salvadora do processo que acompanhava o aluno. Nele dizia que o autista havia arrancado os brincos da professora e que, nesse violento gesto, tinha rasgado as orelhas da mestra, que fora receber tratamento hospitalar. O processo só não dizia por que razão o "autista" arriscara o tresloucado gesto. Somente acrescentava que, consumado o delito, o aluno fora expulso.

Aquele jovem professor não era daqueles que cedo desistem de aprender. Com a informação de que dispunha (nenhuma), meteu mãos à obra. No dia seguinte, dividiu o quadro negro em quatro partes e em cada uma delas escreveu tarefas para cada série. Coisa de demorar uma meia hora a fazer. Posta a classe em ação, dirigiu-se para o fundo da sala, onde o autista se instalara.

Quando já estava a menos de alguns passos do "autista", prudentemente, deteve-se. O "autista" balançava a cabeça e isso talvez não augurasse algo bom... Recordou o aviso da senhora diretora: "este aluno é autista e é perigoso". O jovem professor recuou. A situação repetiu-se, vezes sem conta, ao longo desse dia: a cada aproximação, novo movimento pendular da cabeça do "autista"; a cada arremetida, novo estratégico recuo. E o professor regressou a casa, preocupado. Não conseguira chegar sequer à fala com o "aluno especial", ou de "inclusão", como, hoje, seria designado . Muito menos conseguiu ensinar-lhe algo, enquanto durou o que restava daquele ano letivo.

Muitos anos decorridos sobre este incidente, o professor, já menos jovem e com algumas noções de prática teorizada, compreendeu que aquele aluno nunca tinha sido autista. Apenas lhe tinham colocado um rótulo. Aliás, compreendeu algo bem mais importante e decisivo para a tomada de decisões que, alguns anos depois, o conduziram a uma profunda mudança na sua prática. Há quarenta anos atrás, o professor compreendeu que, na sua sala, não havia um "autista" - havia tido quarenta e nove. Ou melhor: seriam cinquenta os "autistas". Porque, dentro das quatro paredes da "sua sala de aula", todos estavam... sozinhos."

Autoria : Prof. José Pacheco