sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Vigília dia 2 de Outubro de 2012, 18 horas, em S. Bento

Turismo Acessivel: Figueira da Foz

BuarcosA Figueira da Foz é uma cidade com vários recursos naturais, Mar, Rio, Serra e Floresta. Situada no distrito de Coimbra, inserida na região Centro e na sub-região do Baixo Mondego, assiste à desembocadura do rio Mondego com o Oceano Atlântico. É uma das maiores cidades da Beira Litoral, sendo também a segunda maior cidade do distrito de Coimbra. 

É considerada a "Rainha da Costa de Prata" pelas suas praias extensas, onde o Cabo Mondego é o preâmbulo da Serra da Boa Viagem, este foi declarado Monumento Natural Nacional, candidato a Património Mundial por ser um lugar exemplar, com figuras da Era Jurássica de rara visibilidade. Possui também uma vasta área de Floresta, onde os Parques de Merendas existentes vão fazendo as delícias de quem a visita.

Toda a praia da Figueira da Foz é percorrida por passadeiras de madeira, com vários pontos de entrada em rampa para facilitar as pessoas com ou sem mobilidade reduzida. Em paralelo, existe também uma ciclovia que faz a ligação da Figueira da Foz até Buarcos. Uma óptima opção para quem gosta de fazer algum exercício físico (andar, correr) com segurança. Contudo, e infelizmente, existem alguns pontos de intersecção com as vias de circulação de trânsito automóvel, nomeadamente nas passadeiras, onde não se cumprem as normas de desnível dos passeios (os lancis são demasiado elevados ou constituídos com rampas a 45º).

A praia da Figueira da Foz tem dois locais de acessibilidade a cadeiras de rodas: a praia do Relógio e a praia de Buarcos, esta última é referenciada como “Praia para Todos” por ter uma cadeira anfíbia (tiralô), estacionamento e balneários para pessoas com mobilidade reduzida. Tem havido um interesse crescente por parte da autarquia, em tornar outras praias acessíveis, nomeadamente na margem sul do concelho, a praia da Cova, onde espero que no próximo ano seja considerada uma “Praia para Todos”.

Para aqueles que são menos frequentadores de praias e mais adeptos de piscina, existe uma aberta ao ar livre no período do verão (na época balnear) com acessibilidades, em plena marginal da Figueira da Foz, com vista para o mar e marginal.

É ainda possível contemplar várias embarcações de pescadores, nomeadamente na margem sul do concelho, mais propriamente no Portinha da Gala, freguesia de São Pedro, com ótima acessibilidade e WC’s para pessoas com mobilidade reduzida, que dá ainda mais autenticidade e beleza à zona.

A Figueira da Foz tem várias atracções turísticas, uma delas é o porto, surpreendente pelo seu grande tamanho e modernidade, aqui podem-se praticar alguns desportos enquanto se desfrutam de umas vistas espectaculares do Oceano Atlântico. O porto está sempre cheio de gente, sobretudo de turistas, e conta com muitos estabelecimentos para beber e comer. Tem havido uma sensibilidade acrescida nas novas obras do Porto, em fazer rampas e permitir assim a acessibilidade de todos.

Outra das zonas que chama a atenção desta cidade é a sua zona antiga. Encontrando-nos junto ao mar, perto do Porto, e parecendo estar noutro lugar diferente, o Forte Santa Catarina Da Figueira da Foz, relembra-nos os tempos passados, onde a Torre do Relógio (situada em frente à Esplanada Silva Guimarães, na Praia do Relógio e não Praia da Claridade) é outra das referências da cidade. Uns quilómetros mais a norte encontramos também a Fortaleza de Buarcos. Todos estes “monumentos” podem ser visitados e apreciados em volta (por fora). Existe também o Palácio Sotto-Mayor, com a sua história, numa zona mais central da Figueira da Foz, mas que infelizmente não tem acessibilidades.

Há também avenidas gigantes e grandes praças. Tratando-se de uma localidade completamente turística, a tradição portuguesa está no seu centro, onde a actividade comercial é evidente. A Rua da República, que faz a principal ligação da entrada da cidade, por quem a visita (seja por automóvel, comboio, etc.), à zona mais central da cidade, que se prolonga até ao Mercado Municipal, sendo este acessível. Nos últimos tempos, foram construídos supermercados e hipermercados na zona mais periférica da cidade, procurando dotar a Figueira da Foz de outros meios para apoiar o turismo (cinema, comércio, restaurantes, etc.).

O Parque das Abadias é um dos "pulmões" da cidade, com o seu imenso relvado, é um local natural de lazer e recreação, onde para além de ser um local de encontro para passeios ao ar livre, se realizam algumas provas de corta-mato e várias outras iniciativas, com vista a proporcionar momentos agradáveis aos cidadãos do concelho e seus visitantes. Este Parque atravessa a cidade ao meio, indo desde a zona norte da cidade até ao Jardim Municipal. Do Parque das Abadias pode-se também visitar o Centro de Artes e Espectáculos e o Museu eBiblioteca Municipal, já que estão todos unidos, e todos possuem acessibilidade.

Já agora, fazer praia, na Figueira da Foz, é espectacular. O final do dia é revigorante, onde tendo o mar e o céu como linha do horizonte, assistimos a um fantástico pôr-do-sol, cheio de cor, podendo ao mesmo tempo desfrutar de uma boa bebida ou gelado refrescante, já que existem alguns bares e geladarias à beira-mar com adaptações apropriadas (rampas e casas de banho).


Wokshop Deficiência: Vulnerabilidades, riscos e negligências

Prémio Ser Capaz - Investigação e Tecnologia 2012


Prémio Ser Capaz - Investigação e Tecnologia 2012

A Associação Salvador, com o objetivo de estimular a investigação no domínio da reabilitação psicomotora, promove anualmente o Prémio «Ser Capaz - Investigação e Tecnologia»,

As candidaturas para a 3.ª edição decorrem até ao dia 15 de novembro de 2012.

Consultar regulamento em http://www.associacaosalvador.com/os-nossos-projectos/Investigacao-e-Tecnologia/Premio-Ser-Capaz/Premio-2012-Candidatura/a689/


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Turismo Acessível - Projecto de Resolução apresentado hoje na Assembleia da República

PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 452/XII/2ª

“Recomenda ao Governo o desenvolvimento de uma estratégia integrada que promova o «Turismo Acessível» ou «Turismo para Todos» em Portugal”

O “Turismo Acessível” permite que todos os cidadãos – pessoas com incapacidade permanente, pessoas com incapacidade temporária ou pessoas sem qualquer incapacidade – possam usufruir do seu tempo de lazer, contribuindo para um completo desenvolvimento pessoal e social individual.

Não obstante a vontade de viajar demonstrada pelas pessoas com deficiências ou incapacidades e pelas suas famílias, os múltiplos obstáculos existentes na oferta turística privam-nos do cumprimento dos seus direitos e do desenvolvimento da sua autonomia. Por outro lado, representando o Turismo o exercício da livre escolha, a falta de um projeto integrado de “Turismo para Todos” priva o mercado do Turismo em Portugal, da mais-valia de um grupo com características muito específicas, retirando-lhe um assinalável potencial de crescimento.

Nesse sentido, torna-se necessário salvaguardar a acessibilidade em todas as etapas do processo de escolha turística. Desde as reservas à deslocação, não esquecendo a importância determinante das condições de acessibilidade no destino como o alojamento e os locais a visitar, as infraestruturas que suportam a deslocação, e os meios de difusão da oferta nas suas múltiplas vertentes.

No primeiro Congresso de Turismo Acessível realizado em Portugal em Abril de 2007, introduziu-se no seio de decisores e operadores turísticos, a necessidade da fileira do Turismo adotar os princípios da acessibilidade universal, assim como o redesenho das novas fronteiras do mercado. Vários passos foram dados com êxito. Importa, no entanto, definir uma estratégia integrada com vista a uma disseminação mais efetiva.

O potencial de mercado do “Turismo Acessível” é amplo e abrangente, se tivermos em conta fatores como as deficiências congénitas, as doenças crónicas incapacitantes, as deficiências que resultam de acidentes de viação e de acidentes de trabalho, o aumento das incapacidades motoras e sensoriais que acompanham o processo de envelhecimento, o aperfeiçoamento legislativo que permite uma partilha cada vez mais acessível de espaços público, edificado, transportes e serviços, e os avanços tecnológicos que acompanham os produtos de apoio.

Constata-se que em matéria de “Turismo Acessível”, a procura não é determinada pelo rendimento, mas pelas necessidades decorrentes da relação com o meio. Na Europa, apesar de passarem por uma má experiência face à informação existente, estes turistas representam 7,5 milhões e geram 150 milhões de dormidas. Acresce ainda o facto de, 52% viajarem acompanhados, o que poderá ter um efeito multiplicador de grande significado económico para o setor.

Quando questionados sobre a decisão de poderem viajar, 37% dos cidadãos com mobilidade condicionada refere não o fazer por falta de informação acerca das condições de acessibilidade e 48% manifestam intenção de o fazer se essa informação estiver disponível.

Um estabelecimento acessível proporciona maior qualidade e maior conforto a todos os clientes. Estimando-se que mais de 25% da população europeia tenha mobilidade reduzida e que um local não acessível observa um perda de 25% dos seus potenciais clientes, conclui-se que o “Turismo para Todos” potencia um aumento da capacidade de ocupação e utilização nas épocas baixas, respondendo aos problemas da sazonalidade do setor, fideliza clientes e reforça o potencial da oferta, aumentando o volume de negócios e melhorando a imagem social das empresas.

Em Portugal, o setor do Turismo constitui uma das mais importantes atividades económicas, representando atualmente cerca de 15% do PIB nacional, cerca de 10% do volume de emprego e 14% do volume de exportações apresentando, ainda, um forte potencial de expansão em diversos domínios, nomeadamente no mercado direcionado para as pessoas com deficiências e incapacidades.

Face ao exposto, considerando o potencial de crescimento económico que pode resultar da implementação de uma estratégia de “Turismo Acessível” que englobe conceitos de participação e integração de todos os cidadãos, e em cumprimento de documentos estratégicos como o Primeiro Plano de Ação para as Pessoas com Deficiências ou Incapacidades aprovado em 2006, o Plano Nacional de Promoção da Acessibilidade aprovado em 2007, a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada em Nova Iorque em Março de 2007 e ratificada pelo Estado Português em Julho de 2009 ou a Estratégia Nacional para a Deficiência aprovada em 2011, os Deputados do Partido Socialista, abaixo assinados, apresentam, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o seguinte Projeto de Resolução:

A Assembleia da República, resolve nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que:

a) Desenvolva com carater de urgência uma estratégia integrada que promova o “Turismo Acessível” ou “Turismo para Todos” em Portugal, que englobe, a promoção da acessibilidade universal e do desenho inclusivo e que proporcione a todos os cidadãos, independentemente da sua idade, condição motora, cognitiva ou sensorial, o acesso à informação que lhes permita planear os seus tempos de lazer, e o acesso a uma prestação de serviços assente no reconhecimento pelos seus direitos, na primazia da mobilidade na escolha dos destinos e do seu efetivo usufruto.

b) Inclua na referida estratégia programas de formação dos agentes para o acolhimento e atendimento a este grupo de cidadãos.

c) Envolva na conceção, acompanhamento e concretização da estratégia as associações representativas das pessoas com deficiências e incapacidades e, também, as associações representativas do setor do turismo.

Os Deputados do Partido Socialista,
ANTÓNIO BRAGA
IDÁLIA SERRÃO
HORTNSE MARTINS

Novo Centro da SCML vai reparar produtos de apoio para idosos e pessoas com deficiência



Cadeiras de rodas, andarilhos e outros produtos podem agora ser reparados diminuindo os custos de aquisição de materiais novos.

Um novo Centro de Manutenção e Reparação de Produtos de Apoio (CMRPA), como cadeiras de rodas, andarilhos ou camas articuladas, foi lançado este mês pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).

Este centro que vem colmatar uma necessidade há muito existente na área da manutenção e reparação deste tipo de produtos vai prestar serviço a nível local e nacional em hospitais, clínicas, centros de reabilitação e outras Instituições assim como a particulares, mediante o pagamento da respetiva reparação. Os interessados poderão contactar o Serviço de Gestão de Produtos de Apoio da SCML (SGPA) – 21 347 70 93.

Desde a entrada em funções do SGPA, em 2012, que foi estabelecida uma parceria entre vários serviços da Santa Casa (Serviço de Gestão de Produtos de Apoio (SGPA), Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian (CRPCCG) e Aldeia de Santa Isabel (ASI)) iniciada no passado mês de Março com a reparação, para reutilização de camas articuladas e de cadeiras de rodas em estado bastante degradado.

Este novo Centro vem prosseguir alguns dos objetivos estratégicos da Ação Social da Misericórdia de Lisboa, tais como melhorar a eficácia na utilização dos recursos privilegiando as iniciativas inovadoras e economicamente sustentáveis. Será possível recuperar grande parte do material que é colocado de lado ou que está em uso deficiente, tendo em conta os princípios da segurança dos materiais.

O CMRPA contribuirá assim para otimizar a utilização dos produtos de apoio adquiridas pela Santa Casa através do empréstimo aos seus vários públicos-alvo, sobretudo os idosos e as pessoas com deficiência. Por outro lado, poderão assim diminuir os custos de investimento e de aquisição de materiais novos.

A oficina deste Centro localiza-se no Centro de Reabilitação da Gulbenkian e funcionará também num polo na Aldeia de Stª Isabel.

Fonte SCML, 2012-09-19

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Acessibilidade, breve reflexão...


Ainda acerca da semana europeia da Mobilidade, apraz-me fazer uma pequena reflexão.
Relativamente à Acessibilidade houve um prazo que não foi cumprido, o do anterior Decreto-Lei nº123/97, de 22 de Maio, que nos prometia que teríamos  direito às cidades a partir de 2004. Como politicamente houve necessidade de amnistiar os prevaricadores, o Decreto-Lei nº163/2006, de 8 de Agosto, veio revogar o Decreto-Lei nº123/97, de 22 de Maio, tendo os prazos passado para 2017.
Nós, pessoas com deficiência, não podemos admitir que mexam neste novo prazo, acrescentando que, quem não cumprir a legislação deve ser penalizado, ter multas pesadas, devendo esse dinheiro ser investido na adaptação das cidades.
Só assim seremos verdadeiramente independentes e as cidades, as aldeias, as vilas e os lugares de Portugal serão verdadeiramente inclusivos.
Consulte o texto do Decreto-Lei nº163/2006, de 8 de Agosto
Consulte o texto do Guia "Acessibilidade e mobilidade para todos", versão .pdf (16,6 Mb)
Consulte o texto do Guia "Acessibilidade e mobilidade para todos", versão .txt (537 kb)