domingo, 14 de outubro de 2012

Procura Ativa de Emprego para pessoas com deficiência motora


A Associação Salvador irá promover a 2ª edição do Workshop Procura Ativa de Emprego para pessoas com deficiência motora, que terá duas sessões, nos dias 13 e 14 de novembro, entre as 10h e as 17h30, no Hotel Fontana Park, em Lisboa.

Esta iniciativa tem como objectivo desenvolver competências que potenciem a integração profissional de pessoas com deficiência (ver programa do lado esquerdo).

Os conteúdos do workshop serão dinamizados por profissionais de reconhecido mérito nas diversas áreas que serão abordadas: BES, Cisco, Jason Associates, Operação Emprego para Pessoas com Deficiência (OED) e Sociedade CCA Advogados.

Participe e promova a sua empregabilidade! 

A participação é gratuita. Apresse-se a reservar o seu lugar porque o número de vagas é limitado! 

Data limite de inscrições: 31 de Outubro (dia 2 de novembro informaremos as pessoas inscritas se foram selecionadas*).

Preencha o formulário de inscrição, clicando aqui.

Se tiver alguma dúvida, não hesite em contactar-nos (213 184 836).

Contamos consigo!

*Nota sobre caução: Será pedido aos participantes cuja presença seja confirmada uma caução de 10 euros (para garantir a reserva do lugar), que será devolvida no dia do evento.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Câmara adapta cidade a deficientes e critica Governo pelos cortes nessa área



A Câmara de Espinho está a adaptar a cidade à circulação de cidadãos com mobilidade reduzida e, a esse propósito, o presidente da autarquia critica o Governo por cortes "inadmissíveis" no apoio a deficientes.

"Estamos a criar mobilidade para todos, porque as pessoas com mobilidade condicionada ou reduzida merecem um tratamento diferenciador e privilegiado por parte do Estado e, aqui em Espinho, essa ajuda ainda não estava devidamente assegurada", declarou o social-democrata Pinto Moreira à Lusa.

"Não consigo perceber como é que a Administração Central tem pré-disponibilidade para introduzir uma política de cortes nos apoios e subvenções a que legitimamente têm direito as pessoas portadoras de deficiência", acrescenta o autarca.

"Infelizmente, essas pessoas já são prejudicadas por razões que a natureza assim proporcionou", continua, "e a minha veia conservadora não aceita que a sua situação seja agravada por medidas tão limitadoras dos seus direitos sociais, quando o Estado continua a apoiar - embora com cortes - cidadãos que nunca produziram o que quer que seja que contribuísse para o desenvolvimento da sociedade".

Pinto Moreira refere situações concretas em que considera a postura do Governo "reprovável" e dá um exemplo: "Repugna-me a ideia de a Segurança Social não apoiar a aquisição de uma cadeira de rodas para um cidadão com paralisia cerebral, que recebe um ofício a dizer-lhe preto no branco que não será apoiado por falta de dinheiro para isso".

Quanto às medidas a implementar em Espinho, o presidente da Câmara revela que está já em curso a primeira fase de uma intervenção que, abrangendo a área entre as ruas 25 e 29, e as avenidas 8 e 20, prevê o rebaixamento de passeios e a homogeneização do piso dos passeios.

A empreitada integra também a sinalização tátil para invisuais, o que, na prática, consiste em criar junto às passadeiras uma área de piso em relevo que, em formato distinto do restante passeio, ajudará esses cidadãos a identificarem a localização das áreas de atravessamento.

Está também anunciada a eliminação de barreiras arquitetónicas no espaço urbano, a definição de acessos facilitados a edifícios de serviços públicos e o arranjo de outras situações pontuais, em que se justificam intervenções mais alargadas para correção dos atuais impedimentos à circulação para todos.

De forma distribuída pelas restantes fases do projeto verificar-se-á ainda a distribuição pelo concelho de cerca de 50 lugares de estacionamento para cidadãos portadores de deficiência, assim como a criação de uma plataforma digital que, disponível na página da autarquia, permitirá a essa comunidade específica consultar a lista de locais adequados às suas necessidades.

"Na prática", explica Pinto Moreia, "qualquer pessoa poderá verificar nessa plataforma qual o restaurante na cidade onde pode ir jantar, sabendo que esse local terá condições de mobilidade para a sua situação pessoal concreta".

O valor global do investimento nesta "readaptação de Espinho" ainda não está estimado, mas o presidente da Câmara garante que "tudo será financiado por verbas de jogo", sendo que a primeira fase da obra deverá estar concluída já em novembro. 

Fonte: RTP

Questões sobre Produtos de Apoio


Informa-se que já pode colocar questões específicas sobre produtos de apoio/ajudas técnicas diretamente através do endereço de correio eletrónico produtosdeapoio@inr.msss.pt

Poderá também enviar estas e quaisquer outras questões para inr@inr.msss.pt ou, por escrito, para o Instituto Nacional para a Reabilitação, na Av. Conde de Valbom, 63 - 1069-178 Lisboa.

Fonte: INR

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Terapia assistida com cães


Informação completa: No StressTeam

Voando


Alexandre era um menino como todos os outros. Às vezes portava-se bem, outras vezes fazia disparates, às vezes chorava, outras vezes ria, às vezes tinha boas notas, outras vezes nem por isso, Alexandre não era mais bonito que os outros miúdos, porque todas as crianças são bonitas.

Alexandre era uma criança igual a todas as outras, mas tinha uma particularidade, nasceu sem poder andar. Nem toda a gente nasce prefeito, nem todas as deficiências ou doenças têm uma cura e quando isto acontece tem que se aprender a viver assim.

Alexandre cresceu e foi para a escola, como todos os meninos. Ia no seu carrinho de bebé, já apertado. O pai e a mãe haviam prometido uma cadeira de rodas, mas o dinheiro... o dinheiro, é sempre o dinheiro o problema... A fábrica onde o pai trabalhava fechou, e o dinheiro que a mãe ganhava quase não dava para pagar as despesas. Alexandre compreendia isso, por isso não dizia nada. Mas sonhava com uma cadeira de rodas.

Na escola, os colegas empurravam o carrinho, mas quando tocava para o intervalo todos saiam a correr e ele ficava esquecido na sala.
- Venham-me buscar, por favor, também quero ir ao intervalo.

Alexandre estava sempre dependente dos outros para ir onde quer que fosse e isso deixava-o triste. Ele queria ir, queria ir sem ter de pedir que o levassem.
Um dia a professora anunciou, na sala de aulas, uma visita de estudo.
- Para a semana vamos visitar a Assembleia da Republica. Vocês sabem o que é a Assembleia da Republica?
- Sim, sabemos. É a casa onde os deputados aprovam as leis do país.
A professora sorria perante tanto entusiasmo. De repente, o seu rosto ficou pesado, o seu sorriso desapareceu.
- Tu, Alexandre, não vais poder ir. Lá há muitas escadas, muitos carros estacionados em cima dos passeios...

As lágrimas vieram aos olhos do Alexandre. Ele queria ir. Se ao menos tivesse uma cadeira de rodas, se não houvesse escadas, se as pessoas soubessem como é irritante estar dependente dos outros... Tocou para o intervalo e nesse dia todos empurraram o carrinho do Alexandre. Era muito triste ficar sozinho na escola.

- Temos que pensar numa maneira de ires connosco.
- Podemos levá-lo ao colo.
- E como subimos para o autocarro? Ele é muito pesado.
- E se fossemos nós e pedíssemos aos governantes que dessem uma cadeira de rodas ao Alexandre?
- Muito boa ideia. Vamos falar com a professora.

Alexandre sorriu, mas pensou nos outros meninos como ele.

- Sim, vamos pedir que dêem uma cadeira de rodas a todos os meninos que precisam.
A turma estava radiante.
- Não contamos nada à professora, os adultos complicam sempre tudo, o melhor é fazermos isto à nossa maneira.
Os intervalos passaram a ser cheios de segredinhos e cochichos. A professora já andava desconfiada que algo se passava.
Chegado o esperado dia, logo cedo, Alexandre e um grupo de colegas, os mais fortes, estavam perto do autocarro. Assim que o motorista abriu a mala para as mochilas, os colegas trataram de pegar no pobre rapaz e metê-lo na mala do autocarro.

- Vai lá para o fundo e fica caladinho que a viagem não demora muito.
- Isto ainda vai dar mau resultado.
- Não vai nada. Quando chegarmos, já lá estamos. Depois se resolve.
- Mete depressa as mochilas à frente que o motorista já aí vem.
- Já aqui estão? Isso é que é pressa. Para as aulas não se despacham vocês.
- Hã! Então estavam aí!!! E eu à vossa procura. Viram o Alexandre? Queria dar-lhe um beijinho antes de partirmos.
- Ele ficou em casa. Vamos embora para não chegarmos tarde.

Todos entraram para o autocarro e o motorista fechou a mala. O autocarro partiu, a turma ia caladinha, mas agitada. A professora achou estranho, os seus alunos andavam muito estranhos desde há uns dias.
Quando chegaram e o motorista abriu a porta a primeira coisa que viu foi a cabecinha do Alexandre.

- O que é que fazes aqui? Deves estar todo partido e cheio de dores no corpo. Isto é lá maneira de se viajar? Quem te meteu ai?
- Oh meu Deus! Eu bem que andava desconfiada que alguma vocês estavam a preparar. E agora? Que fazemos? Quem foram os autores desta brincadeira?
A turma inteira chegou-se à frente.
- Fomos nós todos. Não era justo ele ficar.
Já mais calmo, o motorista retirou o Alexandre da bagageira e sentou-o num banco de jardim.
- Então, rapaz, isso é que é força de vontade! Mas porque é que não contaram? Podia ter havido um acidente, podias ter ficado magoado. Estás bem?
- Estou até muito bem. Aquilo parecia um carrossel.
- E agora como vamos?
- Nada de dramas. Ele vai às minhas cavalitas e assunto resolvido.
- Vamos em fila, de mãos dadas e, por favor, portem-se bem. Não quero mais disparates. Não me deixem ficar mal.

Ao chegarem à Assembleia da República, as crianças ficaram deslumbradas. Aguardaram numa sala com lindos quadros antigos e tapetes vermelhos, onde foram recebidos pela presidente da Assembleia.
- Bom dia! Que lindas crianças! Vieram então conhecer a Assembleia da República?
- Não, – respondeu a Maria, que era a mais espevitada da turma – viemos aqui pedir uma cadeira de rodas para o Alexandre.
- Para mim e para todos os que precisam.
- Quer então dizer que vieram pedir uma cadeira de rodas.
- Sim. Os governantes, mesmo aqueles que podem andar, têm carro, têm direito a um carro!... Recebem muito dinheiro de ordenado. Pensamos que podia ser dividido por aqueles que realmente necessitam de se deslocar e não podem andar de autocarro.
- Oh!oh!oh! – riu a presidente. Isso não é assim. Tudo o que os governantes recebem está na lei, e é o povo que escolhe os deputados que depois aprovam as leis. A senhora professora vai ter que vos ensinar estas coisas na escola, não sei o que ela está a fazer...
E, virando-se para o Alexandre, acrescenta:
- Temos pena, mas não podemos fazer nada. Tens que ter fé e rezar muito. Deus ajuda os meninos bons e obedientes, não os meninos mal comportados.
A professora estava estupefacta. Nunca lhe tinha ocorrido que os seus alunos fossem capazes de fazer uma coisa daquelas.
A Presidente já não estava a gostar nada daquilo. Crianças demasiado espertas para o gosto dela e, para se ver livre daquela situação o mais rapidamente possível, acrescenta:
- Agora, como se portaram muito mal, perderam o direito de ver o parlamento e vão é todos de castigo lá para fora.
Dizendo isto, abriu uma porta e começou a empurrar as crianças, a professora e o motorista para fora.
O Alexandre estava muito triste, tanto sacrifício para nada. Cerrou os punhos de raiva. Queria ir para onde lhe apetecesse, sem ter que pedir ajuda aos outros. Deixa escapar um grito de angústia e raiva:
- EU QUERO SER LIVRE.
Dito isto, abre os braços e, qual não é o seu espanto, consegue voar. E a voar, cruza os céus e passa para lá da Via Láctea.

Embasbacadas ficaram as crianças, o motorista e até a presidente da Assembleia. E a professora exclama:- Ninguém pode prender a vontade.

Fonte: Paralelo

Agora já não há desculpas para lhe rejeitarem atribuir Ajudas Técnicas/Produtos de Apoio



E registado em áudio ao microfone da rádio TSF

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Roubar os deficientes é insultar a dignidade de um País - Daniel Oliveira


Nos países que se querem civilizados a sociedade organiza-se para garantir aos deficientes, na medida em que isso seja possível, a mesma qualidade de vida, oportunidades de trabalho e direitos que aos restantes cidadãos. E isso implica custos que, como um todo, assumimos.

O que o Estado português garante aos deficientes é muito pouco. Pouco mais de 200 euros de pensão social de invalidez para quem, em grande parte dos casos, tem de gastar muitíssimo mais do que isso para garantir o que aos não deficientes sai de borla: a mobilidade e as capacidades físicas essenciais que para a maioria são tão naturais como respirar. O subsídio de assistência por terceira pessoa - que é dado a quem tenha uma pessoa deficiente a cargo que precise de assistência de pelo menos 30 horas por semana - é de 88 euros. Dá cerca de cinquenta cêntimos por hora. O subsídio mensal vitalício, também para quem tenha uma pessoa deficiente a cargo com mais de 24 anos, para supostamente pagar todas as despesas, é de 177 euros. Na realidade, não estamos a falar de subsídios mas sim de esmolas. Dinheiro que não daria para uma pessoa sem qualquer deficiência sobreviver.

Para além disto, os produtos de apoio - cadeiras de rodas, andarilhos, adaptações dos automóveis, próteses, fraldas, sondas ou algalias - são, em parte, suportados pelo Estado. Porque se tratam de despesas extra que o resto dos cidadãos não têm e que são indispensáveis para que estas pessoas vivam e trabalhem. O orçamento para este apoio era de 12 milhões de euros anuais. Em PPP's e BPN's são menos do que trocos. E correspondem a 40 António Borges por ano.

Como se não bastasse a ridicularia, o Estado decidiu cortar 30% nesta despesa. Para 8 milhões. Tem uma desculpa: a execução do ano passado foi baixa. Pois foi. Porque o despacho que a determinou chegou tarde e a más horas. E porque os deficientes se depararam, de forma sistemática, com desumanas recusas na atribuição destes apoios. E há verbas que deveriam ter sido transferidas para os hospitais em 2011 e nem em 2012 lá chegaram. 6 milhões (metade) ficaram na gaveta apesar de tanta gente precisar deles e ver esse apoio, que lhes é devido, recusado. Conclusão: se o Estado consegue deixar estes cidadãos sem apoio, mais vale tirar isso do Orçamento.

Quando José Sócrates estava no governo decidiu cortar nos benifícios fiscais dados aos deficientes. Benefícios fiscais mais do que justificados. Porque, repito, para um deficiente viver com os mesmos direitos que os restantes cidadãos tem de gastar mais dinheiro. Esses custos acrescidos estão quantificados por um estudo do CES da Universidade de Coimbra. Variam entre os 4.103€ e 25.307€ anuais, dependendo do tipo e grau de incapacidade. Mais do que os rendimentos de muitos destes cidadãos.

Na altura, escrevi sobre o assunto, tendo apoiado a oposição - toda ela -, que se revoltou com esta medida. O PSD apresentou mesmo uma proposta de alteração ao orçamento de 2009 para repor esses beneficios. Chegado ao poder, esqueceu-se da sua indignação e deixou tudo como estava. Garantido o voto, tudo pode continuar como antes.

Para se manifestarem contra o pornográfico corte que foi feito no ridículo orçamento para apoio aos deficientes e exigir que a maioria que suporta este governo seja coerente com o que defendeu quando estava na oposição, centenas de deficientes estão em frente à Assembleia da República. Mantive contacto com alguns organizadores e sou testemunha do enorme esforço logístico e humano que este combate lhes exige. Mas, sendo gente habituada a lutar pelos mais básicos dos direitos, não desistem e só de lá sairão quando o governo tiver a decência de voltar atrás neste crime. Ainda não tinham chegado a São Bento e já estavam a vencer. O Instituto Nacional para a Reabilitação anunciava o reforço da verba em cerca de 1 milhão de euros. Faltam os outros três milhões e os benefícios fiscais que lhes foram retirados pelo governo anterior. Que resistam. E que tenham de todos os cidadãos a solidariedade e apoio ativo que merecem.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/roubar-os-deficientes-e-insultar-a-dignidade-de-um-pais=f757484#ixzz28ERGP8Po


  Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Fonte: Expresso