terça-feira, 18 de junho de 2013

Programa ocupacional para surdos adultos


ImagemCom apenas um mês de existência a "Quinta Social da Associação de Surdos da Ilha de São Miguel (ASISM)" conta com três surdos que foram contratados ao abrigo do programa PROSA e mais dois surdos que são voluntários.
Os surdos integrados no novo projeto da Associação de Surdos começaram a trabalhar no dia 5 de junho e mostram-se muito motivados com o projeto social.
"Estão extremamente motivados e voluntariaram-se para começarem a trabalhar antes do contrato de trabalho ter entrado em vigor", afirma Isabel Castro e Silva, coordenadora do projeto.
Este projeto tem como objectivo principal a criação de estruturas de apoios aos cidadãos surdos, pois, hoje em dia, há um maior número de surdos desempregados com baixa escolaridade, com competências reduzidas a níveis laboral, social e pessoal que resulta numa baixa empregabilidade. "Fora a conjuntura atual, os surdos têm uma empregabilidade mais baixa e este projeto começa exatamente para começar a dar resposta às necessidades atuais", acrescenta a coordenadora do projeto.
Os produtos que estão a ser cultivados pelos surdos inseridos no projeto "Quinta Social da ASISM", e que já foram plantados por eles, vão ser recolhidos e divididos pelos próprios, pelos sócios e pelos familiares. "O objetivo aqui não é o lucro mas sim a ocupação", explica.
A Associação de Surdos, como associação sem fins lucrativos, não tinha recursos económicos suficientes para suportar este projeto se não fosse a ajuda de várias entidades. O terreno onde está a ser feito o cultivo do mais variado tipo de produto (ervilhas, couves, abóbora, cenoura, entre outras) foi cedido à associação, por um sócio, onde foi feito um contrato de exploração.
"Nós recebemos apoio para a contratação dos três surdos e pedimos donativos a algumas empresas da ilha. Toda a ajuda é bem vinda", frisa Isabel Castro e Silva, coordenadora do projeto.
A agricultura praticada na quinta é biológica, sem qualquer tipo de produtos químicos. Na terra foi colocado estrume que "também nos foi cedido".
Segundo Isabel Castro e Silva, coordenadora do projeto a "Quinta social da ASISM", também os utensílios na quinta, como as pás, enxadas e martelos foram entregues por donativos de empresas e particulares.
Com a criação deste projeto que tem uma duração mínima prevista de cinco anos, pretende-se promover a inclusão deste público alvo, os surdos, promovendo, assim, formas saudáveis de ocupação de tempos livres e desenvolvimento de competências de trabalho.
Para além de todos os objectivos com caráter mais geral, o projeto também tem um caráter mais pedagógico, em que "a quinta não será apenas cultivo", mas vais estar dividido de forma a ter várias zonas, entre elas, a "zona de lazer para que as crianças também participem na quinta", explica.
A coordenadora do projeto e psicóloga da Associação de Surdos agradece o apoio e colaboração de todas as entidades públicas e privadas e pessoas em nome individual.



Fonte:Açoriano Oriental

Primeira pedra lançada - Terceira vai dispor de novo lar residencial para pessoas com deficiência


ImagemO Presidente do Governo Regional dos Açores presidiu, esta quinta-feira, à cerimónia de início de construção de um lar residencial para pessoas com deficiência, que vai permitir à Associação Cristã da Mocidade, da Ilha Terceira, duplicar a sua capacidade de resposta de seis para doze utentes.
A nova estrutura de acolhimento residencial, que representa um investimento superior a um milhão de euros, estará dotada de condições técnicas para o desenvolvimento de um trabalho qualificado ao nível do acolhimento temporário ou definitivo, com vista a satisfazer os direitos das pessoas com deficiência.
O Presidente do Governo dos Açores salientou que esta nova resposta social servirá de apoio às famílias, oferecendo estruturas de apoio ao descanso do cuidador ou ao incremento de condições de autonomia pessoal dos seus utilizadores.
"A rede de apoio à pessoa com deficiência será, em breve, reforçada na ilha Terceira com a construção do Centro de Reabilitação da Praia da Vitória, um investimento do qual resultará a criação de uma nova valência de Lar Residencial, com capacidade para 12 utentes, e o reforço da capacidade do Centro de Actividades Ocupacionais existente, que passará de 20 para 30 utilizadores", adiantou Vasco Cordeiro.
O Presidente do Governo garantiu ainda que o Executivo Regional está determinado em criar as condições para que os Açorianos tenham uma vida melhor, um objectivo que será cumprido até ao limite das suas competências, recursos e possibilidades.
"Este é um caminho que se pauta por, até ao limite das nossas possibilidades, das nossas competências e dos nossos recursos, continuarmos a trabalhar para que, em relação a toda a sociedade, em especial aos sectores mais frágeis, possamos criar as condições para que os Açorianos tenham uma vida melhor", afirmou Vasco Cordeiro.
Nesse sentido, frisou que todo o trabalho desenvolvido pelo Governo Regional dos Açores na área social constitui uma forma de, sobretudo perante a actual conjuntura, poder dar "consistência prática ao mote político assumido por este Governo de não deixar ninguém para trás".
"Esta é, não apenas uma obrigação do Governo dos Açores. É, sobretudo, o cumprimento de uma convicção por parte do Governo dos Açores, que hoje aqui, com o lançamento desta primeira pedra, fica claramente manifestado", salientou


Fonte:Correio dos Açores

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Por Rui Machado: O auto-conceito, deficiência e inclusão


O auto-conceito pode ser definido como a imagem do que se pensa ser, se pode ser e conseguir, do que se idealiza ser e do que os outros pensam da pessoa (Burns, 1986). Este conceito vai-se desenvolvendo e modificando ao longo do tempo (e.g., Hattie, 1992; Manjarrez & Nava, 2002).
Por sua vez, o suporte social é entendido como a existência de pessoas em quem se confia, que amam a pessoa, se preocupam com ela e a valorizam (Sarason, Levine, Basham, & Sarason, 1983). Tem sido referida a importância do suporte social, designadamente dos pais, dos
pares, dos professores e da comunidade em geral para a construção de um auto-conceito positivo (Pekrun, 1990).

Estes conceitos são aplicáveis a todos os que andam, ouvem e vêem. Mas também são aplicáveis àqueles que não andam, não ouvem e não vêem. Neste último grupo estes conceitos devem merecer uma especial atenção já que são crianças, jovens e adultos em desvantagem ou prejuízo físico-funcional.

Sendo o suporte social um ótimo preditor de um auto-conceito positivo surge um problema que urge ser compreendido e para o qual se devem encontrar soluções, para um benefício que será global e universal. Este benefício global é entendido à luz da Teoria dos Sistemas de Bertalanffy, onde a escola se constitui como sistema e como tal deve ser encarado como um conjunto de elementos interdependentes e interagentes; um grupo de unidades combinadas que formam um todo organizado e cujo resultado é maior do que o resultado que as unidades poderiam ter se funcionassem independentemente.

O problema a que me refiro, como possivelmente já perceberam, prende-se com a forma como o meio envolvente dos jovens com deficiência se constitui como efectivamente potenciador e assegurador de um suporte social satisfatório. Fernando Fontes no seu estudo “Pessoas com deficiência e políticas sociais em Portugal: Da caridade à cidadania social" de 2009 alerta-nos para o facto de “As pessoas com deficiência são, desta forma, lidas como seres inactivos, dependentes e passivos, cuja única solução passa pela sua adaptação ao meio ‘deficientizador’ que as rodeia, isto é, a um meio que não considera as suas necessidades e que desta forma cria barreiras à sua participação na sociedade. Contrariamente ao modelo médico que situa a deficiência no indivíduo, o modelo social vem afirmar a deficiência como exterior ao indivíduo, algo socialmente criado, que oprime e exclui as pessoas com deficiência.”
Como é que um meio que oprime e exclui pode ser facilitador de um suporte social gerador de um auto-conceito positivo? Difícil ou pelo menos complicado...
Há que então introduzir mudanças no sistema escolar para se optimizar o seu funcionamento (caminho que já está ser trilhado lentamente quer em termos políticos, quer em termos de “mentalidades”). Conceito fundamental aqui: INCLUSÃO. Que é diferente de exclusão, segregação e até de integração.

Ao longo do tempo houve evoluções na forma como o jovem com deficiência era incluído no seu meio. Da Exclusão passou-se à Segregação e depois à Integração. Actualmente vigora o modelo inclusivo, ou pelo menos é desejável que seja implementado por todos os agentes escolares. No modelo Inclusivo acredita-se que todos têm direito de participar ativamente da sociedade. Como ideologia, a inclusão vem para quebrar barreiras cristalizadas em torno de grupos estigmatizados.
Este modelo inclusivo pretende assim oferecer a todos as mesmas oportunidades e ferramentas de usufruir de um suporte social potenciador de um auto conceito positivo que beneficiará todo o contexto escolar.

Rui Machado

Campeonato Nacional de Verão de Natação Adaptada/Open de Portugal



Realiza-se este domingo, dia 16 de Junho de 2013, o
Campeonato Nacional de Verão de Natação Adaptada/Open de Portugal - 2013 nas Piscinas Municipais de Vila Franca de Xira a partir das 9.00
Estarão presentes 25 clubes, entre os quais dois oriundos da Ucrânia e Turquia, concluindo num total de 115 nadadores, 81 masculinos e 34 femininos.

A Mithós-Histórias Exemplares estará presente com 8 atletas.
Nos dias 14 e 15 de Junho dois Classificadores do Comité Paralímpico Internacional (IPC) realizam uma sessão de Classificação Desportiva Internacional.

12º Encontro dos Campeões da Mithós-Histórias Exemplares


A Mithós-Histórias Exemplares vai levar a cabo dia 23 de Junho o 12º Encontro dos Campeões.
A parte da manhã, sempre constituída por actividades aquáticas, será levada a efeito desta feita nas Piscina do Forte da Casa, a partir das 9 horas.
Da parte da tarde, a partir das 13 horas,  a proposta será desfrutar de um espaço emblemático de Vila Franca de Xira: O Centro Equestre da Lezíria Grande.
Neste magnifico espaço, será realizado o  piquenique conjunto, com actividades lúdico/desportivas ou simplesmente uma tarde em pleno convívio.
A Mithós- Histórias Exemplares disponibilizará grelhadores e carvão, para quem quiser trazer os seus alimentos para grelhar.

Por questões de logística, a Mithós-Histórias Exemplares agradece que façam a vossa inscrição para o mail da Mithós (mithos.associacao@gmail.com) ou através de mensagem na página do evento do facebook.

Primeiro fato de surf adaptado é português


Nuno Vitorino, presidente da Associação Portuguesa de Surf Adaptado (SURFaddict), é o dono do prótipo, produzido pela marca Janga Revolt, há alguns meses.
«Este fato foi idealizado pela SURFaddict e a Janga fê-lo. É o primeiro fato adaptado do mundo, tem velcros em baixo para permitir vesti-lo como um calção», explica Nuno Vitorino, acrescentando: «tem também um velcro que permite segurar as pernas, para QUE quando vamos a 'dropar' a onda as pernas não abram e não criem um foco de desequilíbrio».
O antigo nadador paralímpico, que ficou tetraplégico há 18 anos, garante que o fato «é muito mais elástico que os outros» e foi concebido com um propósito bem definido: «permitir que as pessoas com deficiência possam ser o mais autónomas possível e vestir o fato, o que na prática do surf é das coisas mais difíceis de fazer».
O fato, que tem num dos braços o slogan da SURFaddcit - a única ação de surf adaptado da Europa, "Nós não queremos saber se é difícil, apenas se é possível" - é uma criação exclusivamente portuguesa.
«É um fato totalmente português. Foi totalmente concebido em Portugal, só não foi produzido cá porque não existem fábricas que trabalhem neoprene, mas os detalhes técnicos e o desenho foram todos feitos em Portugal», explica.
Depois do protótipo já foram feitos mais três, todos à medida de cada um dos seus utilizadores.
«Cada fato é feito à medida de cada pessoa, pelo peso, pelo perfil motor de cada um. Cada estudo técnico tem que ser adaptado ao perfil motor de cada pessoa», refere o presidente da SURFaddict, que no domingo realizou o primeiro evento de surf adaptado nos Açores.
Além dos fatos adaptados, a SURFaddict desenvolveu também, em colaboração com a empresa XCult Surfboard, uma prancha adaptada e maior que as convencionais.
Criada há cerca de um ano, a SURFaddict tem como objetivo proporcionar a prática da modalidade a pessoas portadoras de deficiência motora, visual ou cognitiva.
Veja o vídeo
Fonte : Lusa

Campanha alerta para os perigos - Mergulhar é bom mas pode causar lesões medulares graves


Sociedade Portuguesa de Ortopedia Traumatologia (SPOT) vai lançar uma campanha de sensibilização para os perigos dos mergulhos no mar, em piscinas e noutros locais. O objectivo é prevenir os traumatismos vertebro-medulares provocados por acidentes relacionados com o mergulho.
Na época balnear de 2012, a SPOT fez um estudo prospectivo, com o apoio dos serviços de neurocirurgia e ortopedia do país, para avaliar a incidência de traumatismos vertebro-medulares causadas por mergulhos.
A conclusão foi de que "a incidência predominante dos traumatismos vertebro-medulares por mergulho ocorre nas faixas etárias mais jovens, com 43% dos acidentes em jovens até aos 19 anos e 72% se considerarmos os traumatizados até aos 29 anos", adianta Jorge Mineiro, presidente da SPOT.
Verificou-se assim que estes acidentes afectam sobretudo uma população jovem e têm consequências, na sua maioria, graves e irreversíveis como "elevada incapacidade motora e sensorial, facto esse que condiciona uma longa dependência de cuidados prestados por outros para quase todas as actividades da vida diária", adianta o especialista.
De referir ainda que os doentes com lesão neurológica completa que sobrevivem ao acidente têm um maior risco de morte nos dois primeiros anos após o traumatismo, sendo este risco maior para os doentes com danos neurológicos mais graves.
"Com sobrevidas médias de 7,4 anos as causas de morte estão geralmente associadas a outras intercorrências que geralmente se desenvolvem como por exemplo pneumonias, doenças cardíacas isquémicas e doenças urogeniais, pelo que se perceber a gravidade deste tipo de traumatismo", explica Jorge Mineiro.
A incidência predominante dos traumatismos vertebro-medulares por mergulho ocorre nas faixas etárias mais jovens.
A SPOT, juntamente com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, decidiu lançar uma campanha preventiva, alertando para os riscos de mergulhar, sobretudo em águas que não se conhecem. A campanha terá início já no mês de Junho, com acções de sensibilização nas escolas e continuará todo o verão com cartazes colados ao longo da costa nacional, de Norte a Sul, e perto das zonas balneares.
Nas sessões de sensibilização nas escolas, os especilistas vão abordar questões como os riscos, consequências e o que fazer em caso de acidente. "Quando a pessoa mergulha e bate com a cabeça no fundo, dá-se um determinado movimento da coluna que é a inflexão e impacção que normalmente parte as vertebras e comprime a medula. Esta compressão da medula pode ser irreversível ou pode de ser de uma forma não total. Mas, em grande parte, pela violência do impacto, as lesões são irreversíveis", explica Jorge Mineiro.
Quando o acidente acontece o acidentado deve ficar "imobilizado em bloco e manter a posição alinhada para não mexer a coluna cervical e agravar a lesão. Contudo, dentro de água não é uma situação fácil", conclui o presidente da SPOT.
Os traumatismos vertebro-medulares apresentam elevadas taxas de mobilidade/mortalidade e têm grande ímpacto psicológico e económico devido a hospitalizações frequentes, intervenções médico-cirúrgicas, fármacos, reabilitação lenta, morosa e crónica, e adaptação ao meio envolvente do doente e à nova condição física.


Fonte:Atlântico Expresso